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EDIÇAO Nº III 

1ª SEMANA, 1º NÚMERO  DE JANEIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira


 

MÃE TIVE SAUDADES DE TI


Mãe lá onde estas
Junto aos anjos e Deus
Senti saudades de ti ontem mãe
Mais uma mãe morreu
E vi o filho a sofrer
A perca que tive um dia
E senti a mesma dor outra vez
A dor de te perder mãe
E senti saudades de ti
Mãe revi-me nele
Todo de preto e a chorar
A lágrima que por ti larguei
E tive saudades de ti ontem
Pela morte da outra mãe
Que ternamente o filho chorava
Como um dia te chorei
E senti mãe que és especial
E sempre serás especial
Porque és mãe, mama
E ontem tive saudades como nunca de ti
Porque um filho perdeu de novo a sua mãe
Que eu perdi um dia, o dia que
Na Santa Paz foste descansar
Te desejo mulher, tu que és mãe também
Paz Eterna no teu descanso
E que teu filho te recorde sempre com carinho
Como da minha querida mãe recordo
E sempre recordarei, mulher !

João Furtado
 


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 Natal pelo Mundo

    Por Arlete Piedade

Sendo o Natal uma comemoração tipicamente cristã, seria de supor que apenas se festejaria nos países católicos, ou onde existissem cristãos, no entanto isso não se verifica, já que hoje em dia é um acontecimento que se celebra á escala mundial. É certo que este crescimento foi muito incentivado pelo comércio, que em nome das vendas acrescidas nesta época, tudo faz para chamar a atenção dos consumidores, em especial das crianças, que são as grandes beneficiárias das prendas natalícias, e que portanto são influenciadas através de publicidade mais ou menos agressiva, mas sempre dirigida ao fascínio e deslumbramento infantis. São as decorações plenas de luzes e cores, são os anúncios disfarçados de bonecos e brincadeiras, são as centenas que pais natais que proliferam pelos centros comerciais para chamarem a atenção dos mais pequenos e até dos grandes, enfim é toda uma indústria de consumismo que os comerciantes cada vez mais imersos na crise, anseiam para os salvar das fracas vendas nos restantes meses do ano.

Continua

(Continuação de «Envelhecimento como fatalidade») (Ver início)

Num tempo em que as doenças ou ferimentos um pouco mais graves eram quase sempre mortais, era relativamente fácil prever a sua morte. As pessoas compreendiam que iam morrer ou, quando o não compreendiam competia a outros adverti-las.

Durante algum tempo foi o médico, investido dessa função pelo Papa, posteriormente foi o «mensageiro da morte» ao qual a literatura medieval dá aquela figura tétrica do encapuçado com a enxada de lâmina triangular ou segador. Quanto mais se sobe no tempo e se sobe na escala social e urbana, menos o homem sente em si mesmo a proximidade da morte, e cada vez precisa mais de se preparar para ela (tem mais coisas a dispor), encarregando – se disso os familiares desde o Sec. XVII.

O moribundo não devia ser privado da sua morte. Tão pouco devia deixar de presidir a ela. Tal como se nascia para o conhecimento público morria-se em público. Desde que alguém estivesse doente, de cama, o quarto enchia-se de gente: pais, filhos, amigos, vizinhos, membros das confrarias. Quando, na rua, os transeuntes encontravam o padre que transportava o viático, o uso e a devoção mandavam que o seguissem até ao quarto do doente, mesmo que o não conhecessem.

Não se julgue que a assistência nos derradeiros momentos era um costume piedoso imposto pela igreja. Os padres, esclarecidos ou protestantes tinham tentado, antes dos médicos que argumentavam razões de higiene pessoal e pública, pôr ordem naquele costume a fim de preparar o doente para um fim edificante.

Ainda no Sec. XIX, pessoas piedosas, depois de terem cedido ao costume, pediam aos numerosos circunstantes que abandonassem o quarto, à excepção do padre, a fim de que nada viesse perturbar o face a face com Deus. Mas o costume mandava que a morte fosse a ocasião de uma cerimónia ritual em que o padre tinha lugar, mas entre os outros participantes. O papel principal competia ao próprio moribundo. Ele presidia e dificilmente hesitava: sabia como se devia comportar tantas tinham sido as vezes em que fora testemunha em cerimónias idênticas.

Chamava um por um os seus parentes, os seus familiares, os seus servidores, até aos mais baixos. Dizia-lhes adeus, pedia-lhes perdão, dava-lhes a sua bênção. Investido duma autoridade soberana, principalmente nos Sec. XVIII e XIX, pela aproximação da morte, dava ordens, fazia recomendações, mesmo quando o moribundo era uma moça muito jovem, quase uma criança.

Hoje em dia já nada resta nem da noção que cada um deve ter de que o fim se aproxima, nem do carácter de solenidade pública que caracterizava o momento da morte. O que devia ser conhecido antes, é agora escondido, o que devia ser solene antes, é agora escamoteado. O que terá levado a esta progressão inversa é ainda objecto de opiniões diversas: na nossa modesta opinião pensamos que a teatralização da morte (do acto de morrer) era devida à larga influência religiosa, à constante confissão e consequente absolvição que levavam as pessoas a terem uma ideia bem determinada sobre a infalibilidade do seu confronto com Deus e consequente entrada no Paraíso e mesmo quando isso não era «líquido» nas suas mentes era justo que se criasse na vizinhança a ideia dessa possibilidade. Daí o termo «teatralização» que utilizámos.

Hoje em dia, por outras razões, é cada vez mais evidente que o primeiro dever da família e do médico é dissimular a um doente a gravidade do seu estado. O doente não mais pode saber (salvo casos excepcionais) que o seu fim se aproxima. O novo costume obriga que se morra na plena ignorância da sua morte, sem que isso implique, em termos de necessidade, a contrariedade religiosa, mas denote antes de forma clara a perca psico-social desse argumento «dissimulador» da realidade. Por outras palavras o que queremos dizer é que, a não haver uma pesada influência religiosa no passado, a morte e a forma de a tratar não seria diferente do que é hoje.

Já não é simplesmente um costume introduzido ingenuamente, tornou-se uma regra moral. V. Jankélévitch, num colóquio de médicos sobre o tema da morte, em texto posteriormente inserto na revista Médecine de France, n.º 17, 1966, afirmava:

«Deve-se mentir ao doente ? O mentiroso - declara ele - é aquele que diz a verdade. Para mim há uma lei mais importante do que todas, que é a do amor e da caridade.» Ou seja, e por outras palavras, há que regressar ao conteúdo moral e ético da notícia da morte tal como ela se processava antes, e isto sem colocar em causa a justeza ou não da afirmação do autor. Vladimir Jankélévitch coloca-se numa posição ética da atitude perante a notícia da morte, perante o dever ser do acto e ainda que respeitando a sua formação kantiana do imperativo categórico ultrapassa ma sua afirmação a dualidade verdade / mentira (conformidade, inconformidade) para colocar a questão no plano ético formal. Não interessa assim se é verdade ou mentira aquilo que se diz em face da morte (ou da doença) e da sua comunicação: interessa sim que o objectivo preenchido seja o do amor e da caridade.

Vê-se nesta posiço a extraordinária inversão de sentimentos e, por conseguinte, de ideias. Iremos demasiado depressa, mas sem nos afastarmos muito da realidade da causa, se dissermos que numa sociedade de felicidade e de bem-estar, não há lugar para o sofrimento, a tristeza e a morte.

Esta evolução está intimamente ligada ao progresso do sentimento familiar e ao quase – monopólio afectivo da família no nosso mundo. Só que, nova concepção do exercício da pietas (caridade) latina, a família deixou de tolerar o golpe que vibrava no ser amado e também a si próprio.

Ou inversamente, se quisermos também ordenar de outra forma: em 1848 o médico declara à filha de uma doente o seu estado terminal. Uma hora depois a doente saía do banho e disse à filha: « mas eu não vejo nada, acho que vou morrer!» - Que alegria singular me causam neste momento terrível as suas palavras calmas, mãe - argumenta a filha. Sentia-se aliviada porque a dor duma revelação lhe fora poupada.

Assim, a família moderna demite-se do anúncio da morte. A partir do momento em que um risco grave ameaça um membro da família, esta conspira imediatamente para o privar da informação e da liberdade de saber. O doente torna-se então um menor, como uma criança ou um débil mental, que o esposo ou os pais tomam a seu cargo e separam do mundo. E ele, o doente, entrega-se ao afecto dos seus. Se, apesar de tudo, adivinhou, fingirá não saber.

Na morte de outros tempos desempenhava o papel daquele que vai morrer, agora desempenha o papel daquele que não sabe que vai morrer e a encenação / espectáculo continua. Não cabe aqui fazer uma resenha sobre aquilo que representa o acto de representar - diferentemente mas sempre representar - mas pode sempre referir-se o carácter intrínseco que está subjacente que é o acto de «fugir» à realidade, de ficcionar uma outra realidade, de aceitar a ficção.

Mesmo quando a doença é incurável, caso de certos tipos de cancro, o seu conhecimento constrange a sociedade a multiplicar apressadamente as instruções habituais de silêncio, a fim de reduzir este caso excessivamente dramático à regra da quase banalidade. E se notarmos bem veremos que a tese desenvolvida se passa sempre no desempenho do papel social do indivíduo. A família ou a sociedade ou ambas pressionam o comportamento individual tornando-o conforme a uma dada norma.

Se se pode aceitar com alguma facilidade intelectual a tese de que a sociedade é alérgica ao sofrimento, ao sentimento de perca, à decomposição do cenário envolvente consolidado, porque de alguma forma isso se repercute sobre ela mesma, teremos sempre alguma dificuldade em situar devidamente o indivíduo e a sua individualidade. Qual é a margem que lhe resta senão a de fazer o «jogo»?

Um estudo efectuado em seis hospitais americanos por Glaser e Strauss ( A Consciência de morrer , Chicago, 1965 ) resulta na concepção de um novo modelo de morte que estes autores ingenuamente definem como «um tipo de morte que possa ser aceite pelos sobreviventes». Ou seja, já não se trata de constatar a morte da pessoa, trata-se de, ao torná-la explícita, evitar a sua rejeição pelos sobreviventes.

Se, alguns médicos e alguns enfermeiros adiam o mais possível o momento de avisar a família e se evitam informar o próprio doente é por receio de se verem envolvidos numa cadeia de reacções familiares. Actualmente cerca de 80 % das mortes têm lugar no hospital, dois séculos antes verificava-se a situação inversa.

Este texto pode parecer excessivamente cruel – impõe-se que o digamos pelo menos agora - mas estamos a referir nestes pontos uma recolha de textos efectuada por Philippe Ariés que compila diversos autores, desde a idade média até ao Sec. XX.

A morte, era noutros tempos uma figura familiar (sempre temida mas sempre presente como possibilidade); hoje, falar da morte é provocar uma situação excepcional, exorbitante e sempre dramática: basta nomeá-la para provocar uma tensão emocional incompatível com a regularidade da vida quotidiana, provocar cenas que arrancam as personagens ao seu papel social, que o violam.

Essas cenas são as crises de desespero dos doentes, os seus gritos, as suas lágrimas e, em geral, todas as manifestações demasiado exaltadas, demasiado barulhentas, ou demasiado emocionantes, que ameaçam perturbar a serenidade do hospital e deixar os sobreviventes embaraçados.

Porque, mesmo que se reconheça que a morte pode ser um desenlace injusto para um indivíduo que foi sempre adiando a sua morte ( a sociedade científica vai cada dia descobrindo novas esperanças e possibilidades de esperanças que se transformam interiormente em certezas para prolongar a vida ) essa injustiça tem de se vergar aos factos e ajustar à realidade, e essa realidade, pede, pelo menos, que se finja que se não tem medo da morte porque nada se tem a temer ( a ser perdoado ) para uma tranquila e certa transição para uma outra vida melhor ou tão boa como esta.

Neste quadro da morte poderemos entender melhor aquilo que se passa com a proximidade da morte que é o envelhecimento. O idoso, por palavras curtas, está, por definição, demasiado próximo da morte para que não inspire, pela sua presença e pela sua imagem a ideia da morte. Numa outra imagem crua, esta de Piero Camponesi , está demasiado morto para ser encarado frontalmente como vivo.

Irina Krolov

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VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (I)

Nestas crónicas do «ver e sentir», pretendo indiscutivelmente chamar a atenção para formas diferentes de viver, sentir e estar na vida!

E… tenho a certeza que adivinharam …este artigo, é mesmo o primeiro de vários! Neste contexto e nesta primeira abordagem, passo a explicar sinteticamente orientações e linhas condutores futuras. Leiam pois com atenção e muita concentração! Pensem, repensem e tirem conclusões, pensamentos…

Afinal…Não só é a cor da pele, diferentes religiões e credos que origina «distúrbios», «confusões» e «perseguições». O simples facto de «estar e olhar para a vida» de modo alternativo, pode e é vulgar criar preconceitos obstinados e de compreensão errónea.

Os que optam pela busca espiritual, a consolidam e tecem a vida à sua volta, fazem sem dúvida parte integrante desse grupo. Não são melhores nem piores! Apenas diferentes! E na senda da diferença, há que ter presente vivências complicadas, adversas e sofridas, que permite o olhar para outras realidades: a do espírito e a da alma.

Juntando o que sabe com o que sente, a coerência de «um salto» num mundo «mágico» revela também uma maior maturidade para soltar as «amarras» de um passado por demais cristalizado e com prazo fora de validade.

O Reiki, Meditação, Feng Shui, vegetarianismo são apenas alguns alicerces dessa «magia» impregnada por cheiros e experiências vibrantes presentes em quase todas as áreas da vida.

Depois... Consciente de uma incontestável dimensão com horizontes distintos, não há que admirar que haja quem medite, em vez de jogar à bola... ou simplesmente contemple o sol enquanto outros discutem...

Enfim! O melhor mesmo é não se fazerem julgamentos...