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EDIÇAO NºXV , 5ª SEMANA, 5º NUMERO  DE MARÇO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade

 Cáritas de Lisboa inaugura loja social

Procurando responder à crise económica e financeira, a Cáritas Diocesana de Lisboa aceitou o desafio de um grupo de leigos e vai abrir uma «loja social», de apoio aos carenciados.

«Além do problema de pobreza em Portugal – que não melhorou nos últimos vinte anos, ou que melhorou pouco –, há neste momento, nos sectores mais pobres e até na classe média-baixa e na classe média - média, problemas alimentares básicos, problemas de saúde básicos».

As palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, expressas no seu espaço de opinião aos domingos na RTP, são o espelho das carências que o nosso país vive actualmente. Os problemas sociais das últimas décadas são agora agravados pela crise económica e financeira. Este cenário de carência preocupa a Igreja, que tem apelado às instituições e aos cristãos um aumento da solidariedade para com os mais necessitados.

Em tempos de crise, as instituições ligadas à área social são obrigadas a recorrer à criatividade de forma a conseguirem desempenhar a sua função sócio - caritativa. Partindo desta premissa, a Cáritas Diocesana de Lisboa acolheu o projecto de um grupo, que gosta de se chamar «um grupo de pessoas amigas», que propuseram à instituição a criação de uma «loja social» que pudesse fornecer roupa aos mais necessitados.

Da Cáritas, este grupo de cerca de 15 pessoas obteve não só a aceitação do projecto, como também a cedência de um espaço – em Carnide – e a disponibilização das roupas que a Cáritas conseguiu através de um protocolo com a Direcção Geral das Alfandegas, sobretudo ao nível das malas que ficam perdidas no aeroporto. Vai também ser disponibilizado nesta loja vários detergentes domésticos que entretanto a Cáritas conseguiu obter junto de um hipermercado que descontinuou uma linha de produtos de limpeza.

Que tipo de loja será esta? O que levou um grupo de leigos a ir ao encontro da Cáritas Diocesana de Lisboa apresentar este projecto? «O objectivo desta loja é ajudar quem precisa», explica Carmo, um dos rostos deste grupo de voluntários que se tem entregado de corpo e alma à causa desta loja. «Estamos numa sociedade onde há problemas. Por outro lado, tínhamos tempo disponível. Então, a questão colocou-se: como vamos ajudar?», recorda.

Todo o projecto nasceu da crise e do desejo de um grupo de jovens em ajudar. «O voluntariado é isto mesmo! Nós, na Cáritas, só temos de apoiar e acarinhar ideias como estas», salienta, orgulhoso, José Frias Gomes, presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa.

Conseguida a aprovação por parte da instituição, havia que colocar mãos à obra. O segundo encontro após a aceitação do projecto foi nas instalações da futura loja social em Carnide. Era tempo de perceber quais as reais necessidades do espaço. «O primeiro passo a dar foi limpar, pintar e apresentar», conta Carmo. Para esta jovem de 34 anos, «importante não é só o dar, mas também o como dar», daí a necessidade de reorganizar todo o espaço e embelezá-lo. Os últimos dois sábados foram passados no espaço da futura loja. «O que importa, ao nível da Cáritas, é criar, organizar e preparar para dar a quem mais precisa», garante Frias Gomes.

Esta futura loja social visa atender os mais necessitados, que estão devidamente sinalizados pela Cáritas. A ideia passa por criar uma loja em que, como em todas as lojas, o cliente vá ao encontro das suas necessidades. «As pessoas vão poder entrar na loja, escolher, experimentar e, se gostarem do produto ou do artigo, vão poder levá-lo gratuitamente», afiança Carmo.

«A roupa e os detergentes vão depois num saquinho como se saísse de outra loja qualquer», acrescenta. Não se pense que será uma loja com tudo a monte. «As pessoas não vão levar uma roupa amarrotada, mas roupa lavada, passada a ferro, que está em exposição num cabide como em qualquer outra loja», assegura ainda esta jovem publicitária.

O projecto inicial aponta para que os clientes da loja sejam pessoas carenciadas que estão devidamente sinalizadas pelas Cáritas. Num futuro próximo, poderá qualquer pessoa entrar na loja e comprar peças de roupa, como o faz em qualquer outra loja? «É uma matéria que estamos a estudar», responde Frias Gomes. «O projecto de apoio às pessoas carenciadas também vai crescer e ele próprio nos vai dizer qual é o caminho a seguir», acrescenta ainda o presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa.

A pobreza envergonhada é um problema crescente com que a Cáritas tem de lidar quase diariamente. Neste momento, a grande preocupação não é apenas dar, porque muitas pessoas não estão receptivas para receber uma vez que têm vergonha de assumir a sua condição de necessitados. «A missão desta loja passa também por dar com dignidade e tratar com dignidade quem recebe», sublinha a jovem Carmo.

 

Cada Refeição custa 3,05 euros à Santa Casa


A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) gasta 3,05 euros por refeição na «sopa dos pobres» (Centro de Apoio Social dos Anjos).

Em 2008 foram servidos diariamente 300 almoços e 230 jantares – que custam 1616,5 euros por dia.

«Apesar de vivermos tempos difíceis do ponto de vista da economia e do emprego, em 2008 apenas foram servidas diariamente mais 24 refeições do que em 2007», diz fonte oficial da SCML.

No ano passado serviram 193 282 refeições.

«Quando esse contacto é feito – e o recurso às nossas refeições é muitas vezes o único contacto das pessoas com uma qualquer instituição nacional – inicia-se um laço e um trabalho que depois os nossos técnicos prosseguem.»

Dos 1150 utilizadores do refeitório, 84% são homens.

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XV)

Se nos debruçarmo-nos acerca do que a criatividade envolve e pode abranger, verificamos que pode e deve significar apreciar qualquer trabalho como se de meditação se tratasse, ou ainda, fazer qualquer trabalho impregnado de amor profundo. Indubitavelmente, «esse trabalho» deve estar intimamente relacionado com a qualidade da consciência do indivíduo realizador da acção. Indubitavelmente também, o que for feito, pode e deve tornar-se criativo consoante o significado da criatividade que preferencialmente se utilizar! E aqui, é imperiosa a consciência que a natureza dá energia criativa a todos. Contudo, a mesma, pode tornar-se destrutiva, se não se atender e contrariar correntes e meios naturais!

Segundo Simone de Beauvoir «a Vida ocupa-se com a sua perpetuação e com ultrapassar-se a si própria. Se tudo o que fizesse fosse manter-se, então viver seria apenas não morrer». Osho, por sua via, acrescenta «O homem que não for criativo, limita-se a morrer. A sua vida não tem profundidade. A sua vida não é ainda vida, mas sim apenas um prefácio. O livro da vida ainda não começou. Ele nasceu, é verdade, mas não está vivo».

Liberdade e espiritualidade juntas, ou à parte, a verdade é que quando uma pessoa se torna criativa, quando permite que a criatividade aconteça através de si, então a vida ganha asas, elevando-se tão alto quanto a nossa vista deixa de alcançar. Assim, dentro desse espírito, tudo pode ser criado, inventado e manobrado pelo homem.

E dentro desse campo, tudo é valido, desde a pintura, a escrita, a moda, a escultura e até eventos, mesmo os mais festivos e mediáticos, sem esquecer dentro dos religiosos, a Páscoa ou o Natal.

Reparem, que nenhum deles deve escapar a questões pertinentes, tais como: Será que o Natal, não passará de uma brilhante criação do homem? Será que o Natal, não será uma boa desculpa, para justificar corridas em flecha de consumismo? Será que o período natalício, não se tratará apenas de uma boa desculpa para brindar à paz, à fraternidade, um interregno apenas, do que não se pratica ao longo do ano, lavando assim consciências como quem «lava as mãos como Poncio Pilatos»?

E quanto ao Menino Jesus? Será que Cristo, não continua vivo dentro de cada um de nós? Não seremos nós, um bocadinho de Cristo e até de Deus? E quanto ao Pai Natal, não será uma genial e organizada criatividade, das mais perfeitas criações do homem? E em relação aos heróis da banda desenhada? Dia do namorado? Dia das bruxas? E por ai ininterruptamente a fora…

É claro, que a questão também poderá ser torneada, em torno do que é que o homem não quer ver; do que não quer saber ou simplesmente do que se quer proteger! Reparem, que se de facto, todos concordam com «o espírito natalício deveria ser todos os dias», então, porque de facto isso não acontece?

Mais uma vez aqui a criatividade, pode bem entrar em jogo com toda a pujança de boa vontade, estimulo e força de vencer! Afinal, as mudanças existem exactamente para isso: para mudar! Para modificar sabiamente os nossos dias, o nosso ser, o nosso conhecimento e o nosso saber!

Com magia a postos para vos servir, não se esqueçam pois, de pensar no assunto, insistindo para que a celebração do espírito natalício se perpetue em cada novo dia, e de dia para dia, perpetuamente e ininterruptamente. Rapidamente, os frutos serão salientes, florescendo graciosamente numa sociedade mais sã, onde felizes, os indivíduos serão mais calmos, e contemplados com paz e harmonia…

Até lá, tenham a certeza e a convicção, que o melhor é mesmo não se fazerem julgamentos...