EDIÇAO NºXV , 5ª SEMANA, 5º NUMERO DE MARÇO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade
DOCE AMOREIRA
Sandra Fayad
A cada domingo, nas caminhadas matinais pelo Eixão, deparo-me com uma
novidade que me enche os olhos e me leva a agradecer pelo fato de estar
em BrasÃlia.
Mesmo sabendo que algumas situações se repetem todos os anos, repetem
também em mim maravilhosas sensações de prazer por morar em uma cidade,
onde concreto e natureza estão perfeitamente integrados ao dia a dia do
cidadão comum.
Desta vez foram as amoreiras que me chamaram a atenção, ao longo do meio-fio, com seus galhos dançando ao sabor dos ventos brandos, como se cumprimentassem os pedestres com um bom-dia ensolarado e, discretamente, convidasse a todos para interromper a caminhada e fazer-lhes uma visitinha de cortesia, saboreando suas frutinhas. Esta é a primeira safra do ano, que coincide com as primeiras chuvas, que chamamos de “temporonasâ€?. A segunda safra virá no final de outubro ou inÃcio de novembro, quando as chuvas realmente se instalarão.
Como muitos transeuntes, não resisti ao chamamento. Aproximei-me suavemente de uma árvore na qual, de longe, distingui pontos pretinhos aqui e ali. Pus-me a circulá-la, para tentar descobrir onde estavam as maiores concentrações das saborosas frutinhas. Percebi que ela gosta de brincar com os visitantes e aceitei o desafio. Ocorre que, dependendo do ângulo que a olhava, havia muitas, poucas ou nenhuma amora pronta para ser colhida. É que algumas delas escondem-se atrás das folhas, por baixo ou por cima do galho ou estão vermelhas de um lado e pretas do outro. Parece impossÃvel vê-las todas em uma ou duas voltas ao redor do pé. Se você tem uma amoreira por perto, experimente entrar na brincadeira e veja como é divertido.

Abaixei um galho, outro e mais outro fui colhendo e degustando as pretinhas que conseguia ver, enquanto pensava no Criador. Provavelmente, ao conceber a amoreira, Ele deve ter decidido que seus frutos, tão leves e pequenos, deveriam nascer do meio para as pontas de galhos longos e flexÃveis, de forma a facilitar a colheita.
Amora, em alemão é maulbeerbaum, em espanhol: moral, em francês: murier, em inglês:mulbery tree, em italiano: gelso. Com a denominação cientifica de Morus nigra, é uma planta da famÃlia botânica das Moracease, originária da Ã?sia.
No Brasil, o perÃodo de frutificação é curto: vai de setembro a novembro. Vale lembrar que as plantas, assim como nós, apresentam caracterÃsticas variadas como tamanho, cor e sabor, de acordo com a qualidade do solo, quantidade e freqüência de água, tipo de adubação e cuidados no cultivo.
Mas, atenção! A raiz da amoreira, assim como seus galhos, é longa, flexÃvel e resistente, recomendando-se não plantá-la em locais próximos a muros, calçadas, ruas e residências, pois vai se alastrando por debaixo da terra em várias direções, podendo até provocar desabamentos.
A amora-preta é altamente nutritiva. Geralmente é consumida ao natural
ou na forma de geléias, licores, sucos, sorvetes, yogurtes.
Estudos e experimentos dão conta de que praticamente toda a amoreira
possui propriedades que beneficiam a saúde através dos seus efeitos
laxativo, expectorante, refrescante, emoliente, calmante e diurético, de
combate ao diabetes (variedade nigra), dor de dente e inflamações, reduz
a pressão sanguÃnea e é rica em estrógeno (o hormônio feminino).
Os principais princÃpios ativos encontrados em seus frutos são: vitaminas A, B1, B2, C, sendo que os maduros contém 9% de açúcares (frutose e glicose) e outros componentes quÃmicos.
São conhecidas duas variedades alba (frutos brancos) e nigra (frutos negros).
Na Europa do século XVI, empregavam tanto os frutos como a casca e as folhas da amora negra. O fruto para as inflamações e hemorragias, a casca para as dores de dentes e as folhas para as mordidas de cobra e também como antÃdoto de envenenamento por acônito. Recentemente tem-se empregado as folhas dessa variedade para estimular a produção de insulina no diabetes.
Na China, a amoreira branca é empregada como remédio para tosse,
resfriados seguidos de febre, dor de cabeça, garganta irritada e pressão
alta. Com o conceito chinês de yin e yang, é usada para dissipar o calor
do canal do fÃgado, que pode levar a irritação dos olhos e afetar
estados de ânimo e também para refrescar o sangue. Portanto, é
considerada um tônico yin.
Fontes:
Conhecimento empÃrico
Pesquisas:
http://ci-66.ciagri.usp.br/pm/ver_1pl.asp
http://www.pousadadascores.com.br/hortifrutigranjeiros/amora.htm
Livro: Alimentos que curam (7ª edição) do médico Paulo Eiró
Gonçalves
Bienal do Livro do Rio de Janeiro

A programação cultural da 14ª
Bienal Internacional do Livro do Rio, entre 10 e 20 de setembro no Riocentro,
modificou-se nalguns aspectos para atender aos diferentes tipos de público,
seja o mais sofisticado, das classes A e B, ou o mais popular, as classes C
e D, que a cada edição tem ganhado maior presença no evento - em 2007 as
classe C e D corresponderam a 39% dos visitantes.
Também temos uma segmentação mais clara, em gênero e em relação aos jovens.
É muito bom ampliar o espectro do público - afirmou Roberto Feith,
vice-presidente do Snel.
Dos espaços de debates que foram criados desde o inÃcio desta década, o
único que se manterá é o Café Literário. Além deste, só haverá mais um para
discussões, dedicado às mulheres e com entrada proibida para homens.
Este ano, o paÃs homenageado
são os EUA.
A programação cultural se tornou uma marca da Bienal do Rio. Este é um
evento importante na cidade e precisávamos da renovação, para que o público
não tenha a sensação de participar de algo que já viu - diz a presidente do
Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Sonia Machado Jardim, que
trabalha pela primeira vez na organização do evento.
No espaço voltado para mulheres, os debates devem girar em torno de temas
como dieta, relacionamento, educação, sem esquecer a literatura. Somente
autores de best-seller, como Meg
Cabot, cuja vinda está confirmada, irão se apresentar em grandes auditórios.
Além disso, o diretor João
Falcão foi contratado para coordenar o espaço Livro em Cena, para leitura
dramatizada por atores conhecidos, também em auditórios, em que há
capacidade para 500 pessoas. Nas últimas edições, a presença de celebridades
foi chamariz de público.
O número de autores convidados e de eventos deve ser menor, mas o
investimento não caiu, ao contrário: teve aumento real de 15%, e passou para
R$ 1,6 milhão.
A maior fatia de investimento é para o espaço Floresta de Livros, voltado
para crianças e jovens entre 7 e 13 anos, que recebeu R$ 500 mil e terá área
de 400 metros quadrados.
O objetivo, segundo a
organização, «é misturar informação e entretenimento de forma lúdica». O
novo espaço atenderá o público de visitação escolar, 40% do total de 645 mil
visitantes em 2007.
Não vemos motivo para crescer. Este é um bom tamanho para a Bienal -
destacou Andreia Repsold, vice-presidente da Fagga Eventos, que promove a
Bienal com o Snel.
A historiadora Rosa Maria Araújo, diretora do Museu de Imagem e do Som
(MIS), que criou o Café Literário em 1999, não participará este ano. Em seu
lugar, para coordenar o espaço, foi chamado o professor de literatura da
Uerj Ã?talo Moriconi.
Os autores internacionais
confirmados, além de Meg Cabot, são: Bernard Cornwell, David Grossman, David
Wrobleski, Francie Prose e William P. Young.
Também haverá espaço para duas exposições: «Grande sertão: veredas», com
curadoria de Bia Lessa, já exibida no MAM e, em São Paulo, no Museu da
LÃngua Portuguesa, e «José Olympio - O Editor e sua casa», sobre a
trajetória de um dos mais importantes editores de livros no Brasil no século
XX, esta exibida no ano passado na Biblioteca Nacional.
Esperando por ti
(Sandra Fayad)
Hoje me deparei com uma foto tua
Onde nem esperava encontrar.
Fiquei a contemplá-la com atenção
Como serás? Pus-me a imaginar...
Sei da tua inteligente irreverência
Conheço teus originais pensamentos,
que sempre expões com sapiência
nos textos virtuais, em tantos momentos.
Alegra-me contar com tua amizade
Diverte-me conhecer teu bom humor
Desperto-me com a sensação de saudade...
Saudades de um tempo que não existe
De uma vida que não se experimentou
De uma esperança que na mente insiste...