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EDIÇAO Nº IV 

2ª SEMANA, 2º NÚMERO  DE JANEIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira
Chefe de Redacção: Arlete Piedade.



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Pura ficção

CONTO DE JOÃO

FURTADO 

 

Saio e caminho, rumo ao trabalho.

A vida pacata que levo dia após dia num marasmo rotineiro que apenas a faculdade de ver tudo diferente cada vez que torno a ver o mesmo é que transforma esta rotina quotidiana na alegria de viver. É mais uma folha da arvore que diariamente por ela passo. Mais um rapaz que acrescenta no grupo que passa a vida a filosofar o nada que é a vida que levam. Sentados no polivalente Zeca Santos. Tão entretidos ficam quem nem o bom dia ou boa tarde dita é ouvida ou, se ouvida não é tomada em consideração..

Recordo que foi mesmo ali, dentro do polivalente, que a minha filha quase perdia a vida. Numa aula de educação física, uma das balizas caiu sobre ela. Por sorte apenas perdeu dois dedos. Bem. Perdeu porque tivemos que a levar ao hospital. O tratamento não foi lá dos melhores. Depois de passarmos quase o dia e a noite toda no Banco de urgência, de terem incomodado o medico ortopedista, que provavelmente estava a jantar naquele momento ou a ver a novela das nove, lá conseguimos sair com ela e com o pé engessado em todas as partes menos a única que devia estar tratada, que era onde ficavam os dois dedos molestados.

Fomos várias vezes ao hospital e vistos por vários médicos, cada um melhor que o anterior, pelo menos era a ideia com que se ficava, pela forma como criticavam o anterior e para depois deixarem tudo na mesma. A desculpa era aceitável: não podiam mexer, o doente não era deles. Muito aceitável mesmo. Estávamos perante a verdadeira lei da concorrência em pleno hospital do estado. Mas o tempo tudo resolve. A dor foi passando e ela foi melhorando…o único senão foi ela ter ficado com dois dedos imobilizados.

Bem…ainda sinto tremura dos pés à cabeça sempre que lembro as noites passadas em claro, sofrendo emocionalmente, enquanto ela sofria com as dores. Bem…. Mais um bem…….enfim. Depois de todo o mal que passamos, não é que um médico de Lisboa – fomos meses depois para Lisboa com ela – ao terminar a análise do pé com toda a seriedade nos perguntou:

-Em Cabo Verde são os sapateiros quem tratam dos problemas traumatológicos? Perguntei porquê, ele não respondeu. Pelo sim pelo não afirmei que se estava a pensar menosprezar o sapateiro, Cabo Verde tinha bons sapateiros. Lembrei-me do Fogo, a alcunha deve ser por ter vindo da Ilha do Fogo. Era óptimo sapateiro. A minha mulher tem a diferença de 3 milímetros de altura entre os dois lados. Parece que é o lado esquerdo o mais comprido. Foi-lhe descoberto também em Lisboa. Tem problemas de coluna. Fez vários exames e como o problema persistia foi fazer consulta em Lisboa. Tinha que acrescentar três milímetros no sapato direito.

O trabalho do Fogo é irrepreensível, nem mesmo ela, a minha mulher encontra algum defeito no trabalho dele. Admiro muito o trabalho do Fogo para aceitar ao médico, seja ele quem for, menosprezar a digna classe dos sapateiros. Digna e em vias de extinção. Médicos existem muitos, sapateiros estão cada vez mais raros. E o Fogo é um dos poucos e últimos.

Nem a afirmação de que se fosse em Portugal, aqueles médicos seriam processados, me fez sentir melhor.

Continuo a caminhar. Para não entrar na rotina de todos os dias fazer a mesma caminhada, imagino e lembro a minha infância. A verdade, a realidade e o sonho se confundem. Quase não tenho noção de onde estou a andar. Atravesso a estrada, sou quase atropelado. O condutor manda umas palavras, que não consigo repetir. Preparo-me para responder à letra, mas ele já não está onde estava. Pisou no acelerador e foi embora. Ele tinha razão, eu estava errado. Ele pagava o imposto de circulação, eu pago vários impostos, mas continuo a não ter direitos nenhuns. Sou peão.

Não tenho tempo de reflectir que nesta altura já devia saber o que existe para além desde mundo. O cheiro nauseabundo e mal cheiroso da água dos esgotos a céu aberto me paralisa o pensamento. Juro que um dia irei escrever sobre este descalabro, mas desisto. Seria possível, um quase analfabeto, escrever algo de bom? Mesmo se escrevesse, que digno Cabo-verdiano, no seu perfeito juízo iria ler?

Feita uma reflexão mais calma, chego à conclusão que a empresa de esgotos apenas quis fazer-nos lembrar que também podíamos ter agua a correr ribeira abaixo, como qualquer ribeira desde mundo fora. Na ausência da escassa e muito preciosa água potável, recorreu à indesejável e incomoda água do esgoto.

O estômago revolta-se. Acabei de tomar o pequeno-almoço. Sinto náuseas. Devia contornar e ir pela estrada. Bastam os mosquitos que abundam na zona por causa desta singela oferta, graças a Deus nem sempre são portadores do paludismo. Mas pela ribeira é muito mais perto. O desejo de chegar a horas para não ter problemas no trabalho, é maior.

Tropeço numa pedra colocada no dia anterior por mim mesmo para facilitar a passagem sobre o rio de água suja e meto o pé dentro do lamaçal. O cheio é insuportável. Não resisto, vomito. Volto a casa e troco de sapatos e de meias, depois de perder algum tempo, sabonete e água-de-colónia. Regresso pela mesma estrada, mas não é a mesma, são outras pessoas e outros animais que vejo e que com eles me encontro. Passo por outras plantas. Com mais ou menos folhas e flores e frutos.

Subo a passadeira aérea. Tomo a estrada rumo ao Plateau. Do lado esquerdo fica a CERIS, fábrica de Cervejas e refrigerantes. Embora todo o mal passado, tenho vontade de rir. As pessoas com quem cruzo devem ficar com ideia que estou maluco. Também penso o mesmo. Devo estar maluco. Lembro da concorrência desleal que a empresa das águas está a fazer à CERIS.

A empresa das águas está a oferecer sumo de laranjas a preço de água da rede pública de abastecimento. O sumo é distribuído um pouco por cada bairro. A população do Paiol, farta de beber sumo, querendo beber água, revoltou-se. Foi uma grande confusão. Apresentaram o sumo nas garrafas transparentes, por ironia, garrafas antes vasilhames de laranjadas, na comunicação social, não obstante as afirmações dos responsáveis da saúde de que o sumo era próprio para o consumo. A empresa não gostou da tamanha ingratidão, se não querem sumo, nem agua terão. Justa decisão. Passaram quase uma semana na penúria de água.

Estou perto do Hospital Agostinho Neto. Vejo umas mulheres a chorarem. Alguém provavelmente morreu ou esta em vias de morrer. Lembro do que passei quando a minha saudosa mãe foi colocada na sala de observações do Banco de Urgência. Foi horrível. Passei várias noites na sala de espera, na esperança de a poder ver e a dar o mínimo de asseio e afecto necessários naqueles momentos. Também serviu para eu ver a diferença de dois métodos totalmente diferentes de tratamento, quando o dinheiro não abunda. Mas só soube que a diferença estava no dinheiro meses depois quando notei que os mais abastados tinham quartos particulares, verdadeiros quartos de hotel. Não era o meu caso. Eu era dos não bafejados pela sorte.

Meu cunhado em Lisboa, no Hospital D. Francisco Xavier e minha mãe aqui, no Hospital Agostinho Neto. Em tempos diferentes mas com a mesma doença. Ambos tiveram um AVC. Aqui eu não podia entrar nem para lhe lavar o rosto. Tinha que mendigar. Esperar que a boa vontade do porteiro me fizesse entrar ou, ainda pior, o que mostra como é mísera a vida humana, entrar sorrateiramente, aproveitando o mínimo descuido do porteiro, na sua missão de guardião da porta. Na praia o isolamento do doente parece ser o método da cura.

Estava certo disto até conhecer os quartos particulares. Aí o tratamento é diferente. É quase igual ao de Lisboa. Em Lisboa, mais precisamente no Hospital D. Francisco Xavier é obrigatória a presença de um familiar durante o tempo em que o doente permanecer na sala de observação. O familiar funciona como auxiliar activo dos enfermeiros e médicos.

No cuidado intensivo é a família quem decide se o doente pode ou não receber outras visitas. O médico aconselha a continuação da presença da família do doente. A família sente-se útil e o doente protegido. Não sei se é melhor ou pior, mas posso afirmar que é diferente e que me senti útil e humano no dia da morte do meu cunhado. Fui chamado à parte e aconselhado a tomar um calmante. Só depois recebi a triste noticia que eu já sabia. O meu cunhado morreu.

Muito diferente do momento da morte da minha mãe. Passei a noite toda num banco deitado na porta da enfermaria «Santa Isabel». De manha recebi a notícia piedosa de uma enfermeira que é simultaneamente uma religiosa – A tua mãe esta melhor, dormiu muito bem, esta a descansar! – Mais calmo sai e fui fazer algumas compras. Regressei 10 minutos depois. A minha mãe estava morta e o seu corpo era levado para a casa mortuária. No momento em que eu e ela na paz de espírito deitada na maca, nos íamos cruzar, a servente exclamou aos berros:

-É o filho dela, é aquele que passou a noite deitado naquele banco.

Estava a precisar de um calmante que iria tomar anos depois em Lisboa… Continuo a caminhada, já nem sei onde estou. Já passaram anos, mas a dor continua como se fosse hoje. Chego ao trabalho. Passo por uma rua do mercado. Dificilmente consigo transitar entre as rabidantes e os cambistas. Imagino quando é que toda esta gente conseguirá entrar no histórico, tradicional, pitoresco e pequeno mercado da capital do país.

No fim do dia regresso a casa. Desta vez vejo o mar, o horizonte e a brisa marítima suavemente acaricia o meu rosto. Chego a casa descontraído, depois de falar com alguns conhecidos durante o caminho. Abro o computador e vejo se chegou alguma mensagem. Não é que chegou? Tenho uma mensagem a pedir para às 20 horas desligar a electricidade durante 5 minutos. É um protesto contra qualquer coisa que nem me recordo. Respondi:

Caros manifestantes.

Infelizmente não irei ter oportunidades de participar na vossa manifestação por uma das duas razoes. Se não for por estar sem electricidade para desligar, é porque ela, a electricidade, acabou de chegar e tenho que recarregar o telemóvel.

João Furtado


Achas-te assim tão diferente de mim?

Conceição Bernardino

 

 

Achas-te assim tão diferente de mim?

Olhas-me

como se eu fosse um rascunho

da tua semelhança,

feito à pressa num papel mata-borrão

onde as nódoas se aprisionam.

Olhas-me com apatia ou piedade

como quem desdenha a própria prolificação



Experimenta…

…não, não experimente nada



Caminha, olha, sente, ouve

não te aligeires

na ligeireza da minha deficiência.

Cada obstáculo que constróis

são precipícios para os meus olhos

muros nas rodas da minha cadeira

guilhotinas afiadas nos meus passos



Já pensaste?

que as larvas que carregas nos bolsos

não vão querer saber,

se és assim tão diferente de mim.

Inesquecível Carrossel

Conto de José Pedreira

da Cruz


Era grande o movimento de gente que chegava para a festa da padroeira. A cidade já estava muito alegre e até o sino da igreja parecia musicado e mais festivo. As crianças corriam pra cima e pra baixo; pra lá e pra cá, alegrando a todos.

Um velho caminhão pára no centro da praça e dele desce um homem gorducho, carregando algumas ferramentas. A criançada, cheia de curiosidades, cerca o caminhão e tão logo se vai embora. Apenas uma ficou de plantão: o Chiquinho.

- Moço! O que está fazendo?

O homem de joelhos no chão, parou de cavar. Enxugou o suor da testa com a costa da mão, encostou a cabeça no cabo da cavadeira e, olhando para o menino, calmamente lhe respondeu:

- Estou cavando um buraco.

- Pra quê? Pra quê você quer esse buraco? - Insistiu o garoto.

- Para plantar um brinquedo. - Respondeu-lhe com um largo sorriso e voltou a cavar.

- O que é que tem em cima desse caminhão, moço?

- Um brinquedo! Um lindo carrossel!

- A gente pra brincar nele paga?

- Sim! Só duas moedinhas, um Real.

O menino ficou a se perguntar: - como será um carrossel? - E com um olhar inquieto começou a vistoriar aquele caminhão, enorme, coberto com uma lona amarela; parado na praça; bem na frente de sua casa. Ele via aquele caminhão como se fosse um brinquedo gigante e não parava de alisá-lo e de se olhar reflectido na pintura da boléia. Tudo lhe era novidade. E enquanto o homem cavava buracos na praça para erguer o carrossel, o menino fazia-lhe companhia e embaraçosas perguntas.

Suas curiosidades e a vontade de brincar no carrossel, eram tantas, que Chiquinho passou a desobedecer a sua própria mãe.

- Chiquinho! Oou Chiquinho. Eu vou te bater, entra! - Ela gritava a todo instante, para que o menino parasse de amolar ao homem e voltasse para casa. Mas ele dava pouca importância as ameaças de uma surra, pois o que mais lhe preocupava era ver o carrossel e nele poder brincar.

- Moço! Como é o carrossel?

- É grande! Tem luzes, cavalos, leões e elefantes. Você vai brincar nele? - Questionou-lhe o gorducho, enquanto, furiosamente, arremessava a cavadeira no buraco.

O menino fez cara de tristeza e aquietou-se. Ficou olhando para os cabelos esbranquiçados da barba do gorducho. Por pouco não lhe veio uma lágrima.

- Não! Não tenho dinheiro. Mamãe não tem dinheiro. Lá em casa, ninguém tem dinheiro. - Disse e depois se calou. Após um curto silencio o gorducho lhe consolou: - dinheiro você arranja. É fácil! Muito fácil. É só pedir

A noite não demorou e as luzes do carrossel piscavam dentro de seus olhos como se fossem estrelas. Muitas fantasias corriam em sua mente, mas sua felicidade era nula: todas as crianças do lugar brincavam nos cavalos, leões e elefantes, menos ele que, apenas, a tudo assistia correndo em volta do carrossel.

- Moço me dê uma moeda! Por favor, moço, me dê um dinheiro!

A resposta era-lhe sempre a mesma:

- Não.

- Moço deixa-me entrar! - E o bilheteiro dizia-lhe categórico:

- Não.

Aquele “não� deixava-o triste e magoado. Chiquinho percebia claramente que o caminhão iria embora e nunca brincaria num carrossel.

A festa acabou e todos se foram.

O homem desmontou o brinquedo e o cobriu com a mesma lona sobre o velho caminhão. Depois sumiu na curva da estrada, deixando para Chiquinho apenas o som de sua buzina como única recordação.

O menino voltou para casa e chorou.




José Pedreira da Cruz

“Servidor Público do Estado de São Paulo�

Nasceu em 05 de Janeiro de 1948 em Sátiro Dias-Bahia/Brasil. Iniciou a escrever contos, crónicas e poesias aos cinquenta anos e, a cada letra que acrescenta a seus escritos, se sente mais prazeroso com a vida. Possui dezenas de textos em jornais, revistas e sites de literatura.


Os saltimbancos
Conto de Maria Petronilho

 

Chegaram em carroças.

Os miúdos da aldeia medieval onde estive entregue ao abandono, corriam atrás, rindo muito dos velhos chapéus de palha que os burros levavam enfiados nas cabeças, as orelhas felpudas surgindo por entre dois buracos, disfarçados com flores de papel desbotado.

À noite, lá fomos: eu, a minha avó e a Henriqueta, juntar-nos à roda de povo no pequenino largo.

As pessoas, de escuro no escuro, ficaram de pé.

Os aparelhos eram cadeiras, mesas e duas estacas espetadas no chão de terra batida, uma corda esticada entre elas.

Os artistas vestiam farrapos, velhos e rotos.

Na roda dos pobres, aquela miséria extrema provocou comentários.

Sobretudo a magreza da menina que atravessou de braços no ar, a corda. Levezinha como uma borboleta, ameaçando partir a voar.

A contorcionista vestia um maillôt e estava tão grávida que as mulheres cochichavam entre si:

- Coitados, já começam a trabalhar na barriga da mãe.

Na meia-luz dos lampiões, pouco mais vi que a lástima.

Escutava o que se dizia à volta, e no fim um menino pequeno e sério passou por entre todos o chapéu do pai, que apresentara o espectáculo, sem fausto.

Os homens remexeram as moedas raras no fundo dos bolsos das calças surradas, as mulheres remexeram as bolsas de feltro que ainda se usavam por baixo dos aventais.

E os tostões, pequeninos e negros, iam caindo um a um, dois a dois... com esforço, num mudo entendimento da fome compartilhada.

Só as crianças sorriram e bateram palmas. Os artistas aplaudiram no fim a plateia improvisada.

Nunca, nunca na minha vida gostei de circo!

Nem no Coliseu, por detrás da praça dos Restauradores, onde ofereciam bilhetes no Natal aos filhos dos funcionários, nem na TV do Circo do Mónaco, nem do magnífico circo de Moscovo.

Aquele primeiro que vi e ainda vejo por detrás das lágrimas que sinto bastou-me para toda a vida!


Lágrimas preciosas

Poema de Arlete Piedade


 

As nossas lágrimas são preciosas
como diamantes forjados na alma.
Só se usam mesmo para expressar
as mágoas e emoções bem dolorosas.
- As palpitações do corpo acalma
e os rios de lava faz congelar!

Poucas coisas merecem que choremos
no mundo em mudança em que vivemos
nesta era que dizem anunciar o fim
talvez a dor das crianças que vemos
ou o abandono dos velhos que serenos
esperam na morte, a libertação enfim!

também a lenta agonia a que assistimos
da terra mãe de todos nós, seres vivos
que por vis ambições a vão conspurcando
quando por nossa culpa, tudo destruímos
as selvas, os mares e homens nas tribos
e elegemos os governos que vão deixando

Então esqueçamos as lágrimas e sozinhos
Erguemos o olhar determinado para a meta
e em nosso coração tracemos os planos...
sejamos solidários com os nossos vizinhos
um a um, um movimento alagando o planeta
como um oceano composto de seres humanos!