EDIÇAO Nº IV
2ª SEMANA, 2º NÚMERO DE JANEIRO DE 2009

Pura ficção
CONTO DE JOÃO
FURTADO
Saio e caminho, rumo ao trabalho.
A vida pacata que levo dia após dia
num marasmo rotineiro que apenas a faculdade de ver tudo diferente cada
vez que torno a ver o mesmo é que transforma esta rotina quotidiana na
alegria de viver. É mais uma folha da arvore que diariamente por ela
passo. Mais um rapaz que acrescenta no grupo que passa a vida a
filosofar o nada que é a vida que levam. Sentados no polivalente Zeca
Santos. Tão entretidos ficam quem nem o bom dia ou boa tarde dita é
ouvida ou, se ouvida não é tomada em consideração..
Recordo que foi mesmo ali, dentro do polivalente, que a minha filha
quase perdia a vida. Numa aula de educação fÃsica, uma das balizas caiu
sobre ela. Por sorte apenas perdeu dois dedos. Bem. Perdeu porque
tivemos que a levar ao hospital. O tratamento não foi lá dos melhores.
Depois de passarmos quase o dia e a noite toda no Banco de urgência, de
terem incomodado o medico ortopedista, que provavelmente estava a jantar
naquele momento ou a ver a novela das nove, lá conseguimos sair com ela
e com o pé engessado em todas as partes menos a única que devia estar
tratada, que era onde ficavam os dois dedos molestados.
Fomos várias vezes ao hospital e vistos por vários médicos, cada um
melhor que o anterior, pelo menos era a ideia com que se ficava, pela
forma como criticavam o anterior e para depois deixarem tudo na mesma. A
desculpa era aceitável: não podiam mexer, o doente não era deles. Muito
aceitável mesmo. Estávamos perante a verdadeira lei da concorrência em
pleno hospital do estado. Mas o tempo tudo resolve. A dor foi passando e
ela foi melhorando…o único senão foi ela ter ficado com dois dedos
imobilizados.
Bem…ainda sinto tremura dos pés à cabeça sempre que lembro
as noites passadas em claro, sofrendo emocionalmente, enquanto ela
sofria com as dores.
Bem…. Mais um bem…….enfim. Depois de todo o mal que passamos, não é que
um médico de Lisboa – fomos meses depois para Lisboa com ela – ao
terminar a análise do pé com toda a seriedade nos perguntou:
-Em Cabo Verde são os sapateiros quem tratam dos problemas
traumatológicos?
Perguntei porquê, ele não respondeu. Pelo sim pelo não afirmei que se
estava a pensar menosprezar o sapateiro, Cabo Verde tinha bons
sapateiros.
Lembrei-me do Fogo, a alcunha deve ser por ter vindo da Ilha do Fogo.
Era óptimo sapateiro. A minha mulher tem a diferença de 3 milÃmetros de
altura entre os dois lados. Parece que é o lado esquerdo o mais
comprido. Foi-lhe descoberto também em Lisboa. Tem problemas de coluna.
Fez vários exames e como o problema persistia foi fazer consulta em
Lisboa. Tinha que acrescentar três milÃmetros no sapato direito.
O
trabalho do Fogo é irrepreensÃvel, nem mesmo ela, a minha mulher
encontra algum defeito no trabalho dele. Admiro muito o trabalho do Fogo
para aceitar ao médico, seja ele quem for, menosprezar a digna classe
dos sapateiros. Digna e em vias de extinção. Médicos existem muitos,
sapateiros estão cada vez mais raros. E o Fogo é um dos poucos e
últimos.
Nem a afirmação de que se fosse em Portugal, aqueles médicos seriam
processados, me fez sentir melhor.
Continuo a caminhar. Para não entrar na rotina de todos os dias fazer a
mesma caminhada, imagino e lembro a minha infância. A verdade, a
realidade e o sonho se confundem. Quase não tenho noção de onde estou a
andar. Atravesso a estrada, sou quase atropelado. O condutor manda umas
palavras, que não consigo repetir. Preparo-me para responder à letra,
mas ele já não está onde estava. Pisou no acelerador e foi embora. Ele
tinha razão, eu estava errado. Ele pagava o imposto de circulação, eu
pago vários impostos, mas continuo a não ter direitos nenhuns. Sou peão.
Não tenho tempo de reflectir que nesta altura já devia saber o que
existe para além desde mundo. O cheiro nauseabundo e mal cheiroso da
água dos esgotos a céu aberto me paralisa o pensamento. Juro que um dia
irei escrever sobre este descalabro, mas desisto. Seria possÃvel, um
quase analfabeto, escrever algo de bom? Mesmo se escrevesse, que digno
Cabo-verdiano, no seu perfeito juÃzo iria ler?
Feita uma reflexão mais calma, chego à conclusão que a empresa de
esgotos apenas quis fazer-nos lembrar que também podÃamos ter agua a
correr ribeira abaixo, como qualquer ribeira desde mundo fora. Na
ausência da escassa e muito preciosa água potável, recorreu Ã
indesejável e incomoda água do esgoto.
O estômago revolta-se. Acabei de tomar o pequeno-almoço. Sinto náuseas.
Devia contornar e ir pela estrada. Bastam os mosquitos que abundam na
zona por causa desta singela oferta, graças a Deus nem sempre são
portadores do paludismo. Mas pela ribeira é muito mais perto. O desejo
de chegar a horas para não ter problemas no trabalho, é maior.
Tropeço
numa pedra colocada no dia anterior por mim mesmo para facilitar a
passagem sobre o rio de água suja e meto o pé dentro do lamaçal. O cheio
é insuportável. Não resisto, vomito. Volto a casa e troco de sapatos e
de meias, depois de perder algum tempo, sabonete e água-de-colónia.
Regresso pela mesma estrada, mas não é a mesma, são outras pessoas e
outros animais que vejo e que com eles me encontro. Passo por outras
plantas. Com mais ou menos folhas e flores e frutos.
Subo a passadeira aérea. Tomo a estrada rumo ao Plateau. Do lado
esquerdo fica a CERIS, fábrica de Cervejas e refrigerantes. Embora todo
o mal passado, tenho vontade de rir. As pessoas com quem cruzo devem
ficar com ideia que estou maluco. Também penso o mesmo. Devo estar
maluco. Lembro da concorrência desleal que a empresa das águas está a
fazer à CERIS.
A empresa das águas está a oferecer sumo de laranjas a preço de água da
rede pública de abastecimento. O sumo é distribuÃdo um pouco por cada
bairro. A população do Paiol, farta de beber sumo, querendo beber água,
revoltou-se. Foi uma grande confusão. Apresentaram o sumo nas garrafas
transparentes, por ironia, garrafas antes vasilhames de laranjadas, na
comunicação social, não obstante as afirmações dos responsáveis da saúde
de que o sumo era próprio para o consumo.
A empresa não gostou da
tamanha ingratidão, se não querem sumo, nem agua terão. Justa decisão.
Passaram quase uma semana na penúria de água.
Estou perto do Hospital Agostinho Neto. Vejo umas mulheres a chorarem.
Alguém provavelmente morreu ou esta em vias de morrer. Lembro do que
passei quando a minha saudosa mãe foi colocada na sala de observações do
Banco de Urgência. Foi horrÃvel. Passei várias noites na sala de espera,
na esperança de a poder ver e a dar o mÃnimo de asseio e afecto
necessários naqueles momentos. Também serviu para eu ver a diferença de
dois métodos totalmente diferentes de tratamento, quando o dinheiro não
abunda. Mas só soube que a diferença estava no dinheiro meses depois
quando notei que os mais abastados tinham quartos particulares,
verdadeiros quartos de hotel. Não era o meu caso. Eu era dos não
bafejados pela sorte.
Meu cunhado em Lisboa, no Hospital D. Francisco Xavier e minha mãe aqui,
no Hospital Agostinho Neto. Em tempos diferentes mas com a mesma doença.
Ambos tiveram um AVC. Aqui eu não podia entrar nem para lhe lavar o
rosto. Tinha que mendigar. Esperar que a boa vontade do porteiro me
fizesse entrar ou, ainda pior, o que mostra como é mÃsera a vida humana,
entrar sorrateiramente, aproveitando o mÃnimo descuido do porteiro, na
sua missão de guardião da porta. Na praia o isolamento do doente parece
ser o método da cura.
Estava certo disto até conhecer os quartos
particulares. Aà o tratamento é diferente. É quase igual ao de Lisboa.
Em Lisboa, mais precisamente no Hospital D. Francisco Xavier é
obrigatória a presença de um familiar durante o tempo em que o doente
permanecer na sala de observação. O familiar funciona como auxiliar
activo dos enfermeiros e médicos.
No cuidado intensivo é a famÃlia quem
decide se o doente pode ou não receber outras visitas. O médico
aconselha a continuação da presença da famÃlia do doente. A famÃlia
sente-se útil e o doente protegido. Não sei se é melhor ou pior, mas
posso afirmar que é diferente e que me senti útil e humano no dia da
morte do meu cunhado. Fui chamado à parte e aconselhado a tomar um
calmante. Só depois recebi a triste noticia que eu já sabia. O meu
cunhado morreu.
Muito diferente do momento da morte da minha mãe. Passei a noite toda
num banco deitado na porta da enfermaria «Santa Isabel». De manha recebi
a notÃcia piedosa de uma enfermeira que é simultaneamente uma religiosa
– A tua mãe esta melhor, dormiu muito bem, esta a descansar! – Mais
calmo sai e fui fazer algumas compras. Regressei 10 minutos depois. A
minha mãe estava morta e o seu corpo era levado para a casa mortuária.
No momento em que eu e ela na paz de espÃrito deitada na maca, nos Ãamos
cruzar, a servente exclamou aos berros:
-É o filho dela, é aquele que passou a noite deitado naquele banco.
Estava a precisar de um calmante que iria tomar anos depois em Lisboa…
Continuo a caminhada, já nem sei onde estou. Já passaram anos, mas a dor
continua como se fosse hoje. Chego ao trabalho. Passo por uma rua do
mercado. Dificilmente consigo transitar entre as rabidantes e os
cambistas. Imagino quando é que toda esta gente conseguirá entrar no
histórico, tradicional, pitoresco e pequeno mercado da capital do paÃs.
No fim do dia regresso a casa. Desta vez vejo o mar, o horizonte e a
brisa marÃtima suavemente acaricia o meu rosto. Chego a casa
descontraÃdo, depois de falar com alguns conhecidos durante o caminho.
Abro o computador e vejo se chegou alguma mensagem. Não é que chegou?
Tenho uma mensagem a pedir para às 20 horas desligar a electricidade
durante 5 minutos. É um protesto contra qualquer coisa que nem me
recordo. Respondi:
Caros manifestantes.
Infelizmente não irei ter oportunidades de participar na vossa
manifestação por uma das duas razoes. Se não for por estar sem
electricidade para desligar, é porque ela, a electricidade, acabou de
chegar e tenho que recarregar o telemóvel.
João Furtado
Achas-te
assim tão diferente de mim?
Conceição Bernardino
Achas-te assim tão diferente de mim?
Olhas-me
como se eu fosse um rascunho
da tua semelhança,
feito à pressa num papel mata-borrão
onde as nódoas se aprisionam.
Olhas-me com apatia ou piedade
como quem desdenha a própria prolificação
Experimenta…
…não, não experimente nada
Caminha, olha, sente, ouve
não te aligeires
na ligeireza da minha deficiência.
Cada obstáculo que constróis
são precipÃcios para os meus olhos
muros nas rodas da minha cadeira
guilhotinas afiadas nos meus passos
Já pensaste?
que as larvas que carregas nos bolsos
não vão querer saber,
se és assim tão diferente de mim.
InesquecÃvel
Carrossel
Conto de José Pedreira
da Cruz
Era grande o movimento de gente que chegava para a festa da padroeira. A cidade
já estava muito alegre e até o sino da igreja parecia musicado e mais festivo.
As crianças corriam pra cima e pra baixo; pra lá e pra cá, alegrando a todos.
Um velho caminhão pára no centro da praça e dele desce um homem gorducho,
carregando algumas ferramentas. A criançada, cheia de curiosidades, cerca o
caminhão e tão logo se vai embora. Apenas uma ficou de plantão: o Chiquinho.
- Moço! O que está fazendo?
O homem de joelhos no chão, parou de cavar. Enxugou o suor da testa com a costa
da mão, encostou a cabeça no cabo da cavadeira e, olhando para o menino,
calmamente lhe respondeu:
- Estou cavando um buraco.
- Pra quê? Pra quê você quer esse buraco? - Insistiu o garoto.
- Para plantar um brinquedo. - Respondeu-lhe com um largo sorriso e voltou a
cavar.
- O que é que tem em cima desse caminhão, moço?
- Um brinquedo! Um lindo carrossel!
- A gente pra brincar nele paga?
- Sim! Só duas moedinhas, um Real.
O menino ficou a se perguntar: - como será um carrossel? - E com um olhar
inquieto começou a vistoriar aquele caminhão, enorme, coberto com uma lona
amarela; parado na praça; bem na frente de sua casa. Ele via aquele caminhão
como se fosse um brinquedo gigante e não parava de alisá-lo e de se olhar
reflectido na pintura da boléia. Tudo lhe era novidade. E enquanto o homem
cavava buracos na praça para erguer o carrossel, o menino fazia-lhe companhia e
embaraçosas perguntas.
Suas curiosidades e a vontade de brincar no carrossel, eram tantas, que
Chiquinho passou a desobedecer a sua própria mãe.
- Chiquinho! Oou Chiquinho. Eu vou te bater, entra! - Ela gritava a todo
instante, para que o menino parasse de amolar ao homem e voltasse para casa. Mas
ele dava pouca importância as ameaças de uma surra, pois o que mais lhe
preocupava era ver o carrossel e nele poder brincar.
- Moço! Como é o carrossel?
- É grande! Tem luzes, cavalos, leões e elefantes. Você vai brincar nele? -
Questionou-lhe o gorducho, enquanto, furiosamente, arremessava a cavadeira no
buraco.
O menino fez cara de tristeza e aquietou-se. Ficou olhando para os cabelos
esbranquiçados da barba do gorducho. Por pouco não lhe veio uma lágrima.
- Não! Não tenho dinheiro. Mamãe não tem dinheiro. Lá em casa, ninguém tem
dinheiro. - Disse e depois se calou. Após um curto silencio o gorducho lhe
consolou: - dinheiro você arranja. É fácil! Muito fácil. É só pedir
A noite não demorou e as luzes do carrossel piscavam dentro de seus olhos como
se fossem estrelas. Muitas fantasias corriam em sua mente, mas sua felicidade
era nula: todas as crianças do lugar brincavam nos cavalos, leões e elefantes,
menos ele que, apenas, a tudo assistia correndo em volta do carrossel.
- Moço me dê uma moeda! Por favor, moço, me dê um dinheiro!
A resposta era-lhe sempre a mesma:
- Não.
- Moço deixa-me entrar! - E o bilheteiro dizia-lhe categórico:
- Não.
Aquele “não� deixava-o triste e magoado. Chiquinho percebia claramente que o
caminhão iria embora e nunca brincaria num carrossel.
A festa acabou e todos se foram.
O homem desmontou o brinquedo e o cobriu com a mesma lona sobre o velho
caminhão. Depois sumiu na curva da estrada, deixando para Chiquinho apenas o som
de sua buzina como única recordação.
O menino voltou para casa e chorou.

José Pedreira da Cruz
“Servidor Público do Estado de São Paulo�
Nasceu em 05 de Janeiro de 1948 em Sátiro Dias-Bahia/Brasil. Iniciou a escrever
contos, crónicas e poesias aos cinquenta anos e, a cada letra que acrescenta a
seus escritos, se sente mais prazeroso com a vida. Possui dezenas de textos em
jornais, revistas e sites de literatura.

Os
saltimbancos
Conto de
Maria Petronilho
Chegaram em carroças.
Os miúdos da aldeia medieval onde estive entregue ao abandono, corriam atrás,
rindo muito dos velhos chapéus de palha que os burros levavam enfiados nas
cabeças, as orelhas felpudas surgindo por entre dois buracos, disfarçados com
flores de papel desbotado.
À noite, lá fomos: eu, a minha avó e a Henriqueta, juntar-nos à roda de povo no
pequenino largo.
As pessoas, de escuro no escuro, ficaram de pé.
Os aparelhos eram cadeiras, mesas e duas estacas espetadas no chão de terra
batida, uma corda esticada entre elas.
Os artistas vestiam farrapos, velhos e rotos.
Na roda dos pobres, aquela miséria extrema provocou comentários.
Sobretudo a magreza da menina que atravessou de braços no ar, a corda. Levezinha
como uma borboleta, ameaçando partir a voar.
A contorcionista vestia um maillôt e estava tão grávida que as mulheres
cochichavam entre si:
- Coitados, já começam a trabalhar na barriga da mãe.
Na meia-luz dos lampiões, pouco mais vi que a lástima.
Escutava o que se dizia à volta, e no fim um menino pequeno e sério passou por
entre todos o chapéu do pai, que apresentara o espectáculo, sem fausto.
Os homens remexeram as moedas raras no fundo dos bolsos das calças surradas, as
mulheres remexeram as bolsas de feltro que ainda se usavam por baixo dos
aventais.
E os tostões, pequeninos e negros, iam caindo um a um, dois a dois... com
esforço, num mudo entendimento da fome compartilhada.
Só as crianças sorriram e bateram palmas. Os artistas aplaudiram no fim a
plateia improvisada.
Nunca, nunca na minha vida gostei de circo!
Nem no Coliseu, por detrás da praça dos Restauradores, onde ofereciam bilhetes
no Natal aos filhos dos funcionários, nem na TV do Circo do Mónaco, nem do
magnÃfico circo de Moscovo.
Aquele primeiro que vi e ainda vejo por detrás das lágrimas que sinto bastou-me
para toda a vida!

Lágrimas
preciosas
Poema de Arlete Piedade
As nossas lágrimas são preciosas
como diamantes forjados na alma.
Só se usam mesmo para expressar
as mágoas e emoções bem dolorosas.
- As palpitações do corpo acalma
e os rios de lava faz congelar!
Poucas coisas merecem que choremos
no mundo em mudança em que vivemos
nesta era que dizem anunciar o fim
talvez a dor das crianças que vemos
ou o abandono dos velhos que serenos
esperam na morte, a libertação enfim!
também a lenta agonia a que assistimos
da terra mãe de todos nós, seres vivos
que por vis ambições a vão conspurcando
quando por nossa culpa, tudo destruÃmos
as selvas, os mares e homens nas tribos
e elegemos os governos que vão deixando
Então esqueçamos as lágrimas e sozinhos
Erguemos o olhar determinado para a meta
e em nosso coração tracemos os planos...
sejamos solidários com os nossos vizinhos
um a um, um movimento alagando o planeta
como um oceano composto de seres humanos!
