Continuação da CARTA DE HERMANN BLUMENAU (ver inicio)
Cheguei em julho no Desterro (hoje Florianópolis, a capital do Estado), e em vez
de uma viagem de seis dias, em tempos regulares, gastei um mês inteiro para
chegar a esta colônia, sempre retido em caminho por chuvas e águas de monte.
Este mau tempo continuou até meados de dezembro, havendo uma vez onze dias
consecutivos, que não apareceu um só raio de sol.
Ao lavrador apenas permitiu plantar a semente ao solo. O prejuízo foi grande,
tanto aos colonos como à minha pessoa, que me obrigou a coadjuvá-los com
adiantamentos muito maiores do que podia calcular, mas ainda tive que conservar
o ânimo e a coragem perante os colonos, que às vezes queriam se desesperar e
muito me acabrunhavam com as suas lamentações.
Neste estado de coisas houve uma interrupção muito desagradável, em princípio de
novembro, quando o engenho de serrar de um de um antigo colono e amigo,
localizado de seis a oito léguas daqui no Itajahy-mirim, foi atacado pelos
bugres, que mataram dois trabalhadores e saquearam inteiramente o estoque e
dependências, escapando somente meu amigo pela sua extraordinária coragem e
força, mas com duas flechas no corpo, que por sorte não o haviam ferido
mortalmente, e o retiveram na cama durante bastante tempo.
Tendo visitado este meu amigo e querendo voltar para cá, na véspera do dia
fixado da minha partida, 17 de novembro, trouxe-me lembranças funestas, pois um
temporal furioso iniciou de S.SE., acompanhado de chuva diluvial, que somente
cessou no dia 20. Menos de 36 horas foram suficientes para encher o rio até a
altura de mais de 63 palmos do nível normal antes do início do temporal. O rio
alagou quase todos dos seus barrancos e as casas neles estabelecidas, causando
inúmeros males e prejuízos diretos, tanto na colônia quanto no território
habitado.
Não se pode avaliar os prejuízos em menos de 60 até 80 contos de réis, antes
mais do que menos. Das plantações de milho, feijão e batatas em todo o rio não
ficou senão apenas 30% e fui obrigado a mandar buscar destas sementes, destas
últimas duas em Santa Catarina (Desterro) e do Rio de Janeiro; mandioca e cana
de açucar ficaram afogadas e apodreceram pelo menos três quartos das plantações
novas e velhas.
A situação foi tristíssima em toda parte, os mantimentos subiram a um preço
enorme e para não ver os colonos perecerem de fome e perderem inteiramente o
fruto de anos de trabalho pela sua dispersão, não houve remédio, senão
sustentá-los de novo com fortes adiantamentos, que abateram todos os meus
cálculos anteriores.
Pessoalmente tive a lastimar ainda muitas outras perdas diretas: minha casa, em
que moravam o meu guarda-livros e o jardineiro, construída numa bela ponta de
terra, foi carregada pelo furor das águas, levando todo o seu conteúdo de
livros, instrumentos, mercadorias e outras coisas de valor pecuniário, como
muitos objetos de lembrança e recordação, que me foram muito caros e não serão
restituídos.
Não se salvou coisa alguma da casa senão algumas pesadas ferramentas, e por
verdadeira sorte, uma barra de ferro, que continha pouco dinheiro. Mas todos os
meus títulos de terra se foram. (...) O jardim que cingia minha casa desapareceu
quase completamente e com ele meu único recreio, ao qual me havia permitido.
Aliás, minha maneira de viver é a mais econômica possível e às vezes até
espartânica, para não me privar das despesas indispensáveis e permitir a
continuação da minha empresa. Embora não sendo característica de meu
temperamento, não pude deixar de chorar como uma criança, vendo a cena de
destruição em toda a parte, no momento de minha chegada. Desde o meu retorno da
Alemanha havia gastado bastante dinheiro e trabalho com imensa paciência e pena,
para trazer a este sertão tudo o que poderia alcançar de útil, interessante e
belo do reino vegetal, tanto da Europa quanto do Rio e de Santa Catarina.
E, depois de muitas experiências perdidas, tinha conseguido enfim aclimatar aqui
muitas plantas exóticas, árvores frutíferas e os mais belos arbustos de
ornamento.
Somente no mês de julho trouxe do Rio de Janeiro mais de 400 novas qualidades. Havia um grande viveiro de árvores frutíferas, para distribuição aos colonos com milhares de exemplares. O jardim foi belo e florescente com as mais belas rosas, etc. Refugiava-me nele, quando me sentia cansado, triste e oprimido – e quando voltei, tudo estava desaparecido, havia apenas barrancos dilacerados e uma praia de areia.
Em todo o comprimento do rio e em partes muito mais expostas, não foi
demolida nem uma só casa, mas a minha foi-se embora por inteira e com ela o
único divertimento que podia me permitir, foi levado como por ironia, pela mão
maliciosa de um mau gênio instruído ad hoc.
Além destas perdas maiores, sofri ainda várias perdas de alcance menor. A morte
de gado, destruição de ranchos e casas de abrigo para os colonos recém chegados,
mantimentos e indiretamente a necessidade de perdoar a quase todos os meus
colonos os juros de suas dívidas etc., somando-se assim os meus prejuízos em 3 e
meio a 4 contos de réis, antes mais do que menos.
Não posso avaliá-los em exatidão Com os demais objetos, também desapareceram
todos os meus livros de contas, pequenos créditos, etc, que farão falta nas mãos
do meu guarda-livros.
Enfim, sucumbi ainda ante os abalos espirituais e morais, e diante das duras fadigas corporais, fiquei doente por algumas semanas. Em geral a minha saúde desde 18 meses está enfraquecida, negando-se muitas vezes o meu corpo à minha vontade. (...)
Instituto EDP distribui material escolar para 19 mil alunos de escolas municipais
O Programa EDP nas Escolas beneficiará estudantes do ensino fundamental de 62 escolas públicas municipais.
O Instituto
EDP, pertencente ao grupo EDP Energias do Brasil, lança nacionalmente o Programa
EDP nas Escolas e iniciou em meados de Fevereiro a distribuição de 19 mil kits
escolares para alunos do ensino fundamental de escolas da rede municipal de
ensino.
A entrega gratuita dos materiais escolares será feita a 62 escolas em regiões de
atuação da EDP nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina,
Tocantins e Mato Grosso do Sul e contribuirá com a atividade de pelo menos 1.000
professores.
Criado em 2001, o Programa EDP nas Escolas ganhou credibilidade e reconhecimento
por ser uma iniciativa social que contribui para o desenvolvimento do aluno e
para a melhoria da qualidade do ensino fundamental em escolas públicas.
Nos últimos sete anos, o programa vem sendo encabeçado pela Bandeirante Energia,
distribuidora controlada pela EDP, com atuação nas regiões do Alto Tietê, Vale
do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo. Porém, a partir deste ano, sob a gestão
do Instituto EDP, o programa ganhou maior dimensão e passa a beneficiar também a
estudantes de mais regiões.
«Este é um programa que está alinhado com o foco de atuação do Instituto. Com
isso, o nosso objetivo é fortalecer o capital humano das comunidades onde
estamos presentes, promovendo o acesso às atividades escolares», afirma Pedro
Sirgado, diretor Executivo do Instituto EDP.
Cada aluno receberá um kit completo contendo mochila, cadernos, lápis, borracha,
canetas, apontador, régua, caixa de giz de cera, papel sulfite, caixa de lápis
de cor, tesoura e tubo de cola.
O Programa EDP nas Escolas conta ainda com um grupo de colaboradores que atuam
de forma voluntária na solução de problemas de infra-estruturas diagnosticados
nas escolas, tal como pintura das quadras poliesportivas, horta escolar,
manutenção das salas de aulas e dos jardins, entre outras.
Na esteira do Programa EDP nas Escolas, outras ações serão realizadas pelo
Instituto ao longo do ano letivo nas escolas beneficiadas pela iniciativa, como
concurso de arte com energia, campanha da saúde bucal, teatro nas escolas, além
de apoio aos projetos que já fazem parte do calendário de atividades das
instituições de ensino.
Sobre o Instituto EDP Energias do Brasil- Instituição sem fins lucrativos
responsável pelo desenvolvimento e coordenação das ações ambientais e
sócio-culturais da EDP Energias do Brasil e suas controladas.
Sobre a EDP Energias do Brasil - A EDP Energias do Brasil é a holding que
consolida ativos de energia elétrica nas áreas de geração (Enernova, Energest,
Enerpeixe e Investco), comercialização (Enertrade) e distribuição (Bandeirante e
Escelsa). E controlada pela EDP Energias de Portugal.
Morangos com açúcar no Brasil
Equipe de
produção da série Morangos com Açúcar, novela de sucesso da televisão portuguesa
direcionada ao público jovem, esteve no último final de semana visitando praias
do litoral cearense para gravação de episódios da novela no Ceará.
Cerca de 40 pessoas, entre elenco e produção, compõem a equipe da TVI que
chegará a Fortaleza para início das gravações que acontecerão na primeira
quinzena do próximo mês de março.
A exemplo da novela brasileira Malhação, da Rede Globo, a qual teve episódios
gravados em Canoa Quebrada, paradisíaca praia do Litoral Leste cearense
localizada no municio de Aracati, os atores de Morangos com Açúcar são , em sua
maioria , adolescentes e a história desenrola-se em cenários coloridos e
dinâmicos com ingredientes tais como sol, praia, esportes radicais, escola,
juventude, gente bonita, conflitos e amizades.
Morangos com Açúcar atingiu uma posição de destaque junto aos amantes de
televisão portuguesa tendo conquistado um inigualável sucesso entre o público
jovem que se revê nas personagens e nos enredos. O acordo para trazer a série
portuguesa para o Ceará foi firmado pelo Secretário do Turismo do Ceará,
Bismarck Maia, em parceria com o complexo turístico Beach Park.
As Crónicas da Alexa
Alexa Wolf 
ENGATE
Se há coisa que me irrita é sentir e constatar que estão a olhar para mim descaradamente, em forma de provocação e ainda por cima feitos macacos de imitação.
A bem da verdade, mesmo que se trate de alguém bem parecido que até nos capte o olhar, assim que se torna em algo obsessivo começa a irritar e a criar um péssimo mau estar. Realmente o caso agrava-se quando do outro lado está um idoso armado em engraçadinho.
Fazem de tudo pensando que, vamos cair nas suas boas graças através das
figuras ridículas que fazem. Neste preciso momento estou como de costume no
café, pedi uma merendinha aquecida e um café. Ao meu lado numa outra mesa
está um velhote com os seus setenta e muitos anos, que desde que entrei
ainda não parou de olhar para mim. Porquê eu no sei...
O que é certo é que continua ali especado a olhar fixamente para mim...
Que sina!
Pelo que já mirou com movimentos de cabeça, dá para ter a certeza que já me
tirou as medidas todas, não deve haver cantinho algum do meu corpo que não
tenha sido medido visualmente e calculado os centímetros correspondentes.
Assim que me levantei para escolher um gelado, comecei a ouvir um cantarolar
desafinado e em voz baixa, mas de maneira a que eu não ficasse indiferente.
Que rica cantilena... Credo!
Começo a questionar-me em pensamento que mal teria cometido para estar a
passar por tal castigo. Enquanto me delicio com o dito gelado o prezado
senhor olha-me cada vez mais, com olhos esbugalhados, boca aberta com
ausência já de muitos dentes, facto que o faz babar-se ...
Penso eu que seja essa a razão...
A verdade é que estou desconfortável com a situação e acabando o gelado levanto-me para comprar uma pastilha. Enquanto mordo na pastilha consigo disfarçar a raiva com que estou do pobre homem. Só que ou não tem vergonha nenhuma na cara ou está mentalmente doente. Então não é que se põe a imitar-me como se ele próprio tivesse uma pastilha elástica na boca?
Dá vontade de me dirigir a ele e perguntar se ele não sabe olhar para outro
lado...
Ou seria que é cego e eu estou a ser um ser humano horrível?
Qual cego, qual carapuça pois assim que me levanto para me ir embora, ele
diz-me com voz trémula:
- Se estivéssemos sozinhos comia-te toda!
Ai que nervos!!!
Que vontade de lhe pregar um estalo! Francamente! Seria no fundo descer ao
nível dele, nem pensar. Por isso, dei uma gargalhada, olhei-o nos olhos
enquanto que abanava a minha cabeça em forma de reprovação.
Agora temos de dar a mão à palmatória, pois o velhinho era persistente. Mal me voltei para ir embora do café, ele levanta-se e tenta seguir-me os passos.
Que vontade de rir disparatadamente, como era possível uma alminha daquelas com as pernitas atrofiadas e arqueadas pensar lá para os seus botões que tinha capacidade para acompanhar a minha passada apressada...
Graças a Deus o meu marido aparece entretanto e como de costume, cumprimenta-me com um beijo nos lábios, só que eu desta vez, perdi um pouco a vergonha que tinha na cara e no meio da rua, agarro-me pela cintura, puxo-o com força contra mim e em vez do habitual beijo nos lábios, prego-lhe um grande e prolongado beijo na boca.
A principio ele não entende nada mas assim que sente o velhote a passar por
nós e a dizer entre dentes:
- Desgraçada, tinhas de ser casada...
Aperta-me ele ainda mais e continua o beijo, com um olho fechado e o outro
aberto a ver a reacção do velho que se afasta rua abaixo praguejando.
Respirei aliviada...
Por um lado por me ter visto livre do tormento que aquele malvado homem me
tinha feito passar, mas por outro lado também, recuperando o fôlego, pois
assim que o meu companheiro se apercebeu do que se passava quase me sufocou
com o seu beijo ciumento mas muito provocador.
Só de me lembrar já me chegam os calores... UFA...
No entanto posso-vos segredar uma coisa...
Não senti o meu ego subir à lua pelo descaramento do velhinho, mas que uma
ponta de ciúme provocado às nossas caras metades consegue fazer maravilhas e
fugir à rotina, isso vos garanto que é fantástico.
Nota da Redacção:
As «Crónicas da Alexa»
aqui reproduzidas fazem parte de uma trilogia com o Título
«Pensamentos e poemas tortos» de que é autora e editora a Alexa Wolf, com
o ISBN: 978-989-8018-02-1.
Os Direitos de reprodução destes textos estão reservados segundo a
legislação em vigor e fazemo-lo neste jornal com autorização expressa da
autora.
Para qualquer contacto com a autora utilize o email:
Páginas da internet onde pode encontrar alguns trabalhos da autora:
http://alexawolf.spaces.live.com/