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EDIÇAO Nº XI

COMENTARIOS

1ª SEMANA, 1º NUMERO  DE MARÇO DE 2009

Artesã

Por: Sandra Fayad

Nem sabes o estrago que fazes no meu coração!
Meus olhos (tristes) sorriem à tua imagem.
Nos meus sonhos, és constante perseguição.
Do meu filme, és o principal personagem.

Vejo-te sempre e tão bem iluminado
Em cada canto da face nua exposta,
Ofertando sorridente um bocado
Da beleza descoberta em cada encosta.

As tentativas de fugir de ti são vãs...
Como um imã me atrais de volta
A mais um soneto da minh'alma artesã.

Mesmo que atrás de ti haja forte escolta,
Não perco a esperança de apaixonada fã
E armo-me das Letras para a reviravolta.

Bsb, 21/11/2008

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COLUNA DE JOSE GERALDO MARTINEZ  


O livro de Ocimar


Lá estava ele, meu amigo Ocimar lançando um livro de auto-ajuda. Nos seus setenta anos de idade, muitos deles dedicados a educação. Professor nível três, conhecido pela seriedade e dureza com as chamadas «turminhas do fundo» ( Aquelas no fundo da classe, normalmente organizando o churrasquinho ou a festinha na república das meninas). Ocimar não perdoava!

 

Os mais sortudos conseguiam ficar de recuperação, quando não, eram reprovados incondicionalmente! Conhecido pelo mal humor e não poderia ser diferente para um homem de setenta anos que na infância conheceu a palmatória, além de ser filho do senhor Donato, calabrês de poucos amigos !

 

Prestigiando o lançamento do tal livro de auto-ajuda de Ocimar e pensando na pergunta que ele havia me feito: -Martinez, você gosta de escrever, nunca pensou num livro de auto-ajuda? Cheguei a algumas conclusões: Eu deveria mesmo escrever um livro de auto-ajuda...Afinal, virou moda!

 

Além do que, tenho experiências terríveis de vida no meu meio século de existência: passadas de mão, quatro casamentos, idas e vindas... sociedades desarrumadas, negócios mal feitos, troca de igrejas e algumas tentativas de religião, adoção de filho, ajuntamentos, paixões tórridas, desilusões...

 

Mas, percebo que ainda me faltam alguns anos de experiência...Nos setenta anos a gente começa realmente filosofar ou estou mentindo? Perdemos aos poucos a nossa condição física e começam falhar algumas coisas: audição, olfato, intestino, estômago, libido...

 

Chega a tal ponto que apenas o cérebro permanece em perfeito estado! E ele começa a comandar a nossa vida de certa forma ociosa, à sombra de grandes varandas e arbustos, no joguinho de baralho, nas pequenas caminhadas com os netos ou até a padaria. Hábito de anos a fio trazidos do velho pai.

 

Começamos a filosofar e coitado dos netos! Não paramos por aí ! Inconformados começamos pelos vizinhos e depois amigos incomuns! Sem contar a pobre da esposa que convive connosco o dia inteiro! Esquecemos a poesia! Lotamos os nossos arquivos com textos filosóficos...

 

Pobre daquele que ficou só com o cérebro e este ainda tem problemas! Alguns voltam à infância, outros caducam completamente! Não é incomum vermos alguns desfilarem pelas ruas se dizendo a reencarnação de Cristo, Buda, Dalai Lama, Hitler...Aí meus amigos, é um Deus nos acuda! Outro dia não é que apareceu um Saddam Husseim? Como se não bastasse, gritava por Bush com todo pulmão!

 

Enquanto nosso cérebro mantém a saúde e certa coerência, acho salutar filosofar! Ainda mais na cabeça dos outros! Ocupa nosso tempo e nos deixa com a sensação de poder, perdida em nossas fracassadas experiências. Compensa as nossas debilidades físicas e melhora nossa auto-estima.

 

Escrever um livro de auto-ajuda, estamos nos ajudando e, com sorte, ainda pegamos alguns desavisados, sugestionáveis e melhoramos a vida dele. Mal não faz! Com mais sorte ainda, conseguimos vender toda tiragem e de repente virarmos um bestseller, que o diga Paulo Coelho com « O Alquimista», pai de tantos outros ainda mais filosóficos! Nada contra «O Mago», ainda acredito que as respostas estão dentro de nós mesmos...Todas as soluções de nossos problemas!

 

A nossa mente é capaz de proezas intermináveis e usamos muito pouco de nosso cérebro...Por enquanto ainda filosofamos no tempo das pedras, com um cigarrinho dependurado no canto da boca e os neurônios dormindo por algum asilo ou à sombra de nosso guarda chuva em tarde quente de verão. Após os setenta anos, o que nos resta senão seguir a moda do «filosofar», rindo de nosso libido, sem que a patroa saiba ou os amigos...

 

Mil mentiras ditas como verdadeiras, tornam-se verdadeiras! Afinal, nesta fase de filósofo e mentiroso, todo mundo tem um pouco. Está certo Ocimar! Logo estarei escrevendo meu livro de auto-ajuda!

 



  Gol de placa

Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ

Se no alto do planalto central os dirigentes da pátria praticam desmandos com nosso suado dinheiro (e ainda recebem altos salários para isto), outros setores da sociedade contaminada e acomodada também se acham no direito de praticar suas barbaridades.

Pouco se importam se a mídia ou algum fotógrafo amador ocasionalmente gravam suas ações danosas. Contam com a impunidade que é a marca principal de nossa nação.

Dentro deste cenário se alastra em nosso território todo tipo de impensáveis atitudes por parte dos que ainda preservam alguma lucidez. Governadores, Prefeitos, Vereadores e genéricos desviam nossos impostos, abandonam as comunidades à própria sorte e exibem os patrimônios (até castelo) que jamais obteriam trabalhando na vida pública.

Quem pode condenar flanelinhas que cobram R$ 20,00 para «tomar conta» de um carro parado em local proibido na porta de uma casa de show? E preciso levar em conta que o flagelado do local tem de repassar pelo menos R$ 15,00 ao guarda do quarteirão que por sua vez precisa repassar R$ 10,00 ao superior que o escalou para dar plantão no trecho onde a arrecadação é de alto montante.

E como não poderia deixar de ser, até nos estádios de futebol onde deveríamos ter o direito de relaxar e esquecer um pouco das trilhas tortas por onde nosso país caminha, os desmandos sem punição ocorrem.

Além de pagarmos para sentar em cadeiras sujas, usar banheiros imundos e digerir alimentos de origem duvidosa, ainda corremos riscos de morte pelas brigas armadas agora constantes nos jogos entre times mais populares.

As tais torcidas organizadas perderam o controle sobre seus membros e agora abrigam altas quantidades de marginais letais que promovem as brigas regulares, que são marcadas com antecedência pela internet.

O pior é observarmos que as autoridades públicas que jamais demonstraram capacidade para resolver facilmente este problema através das leis, acabam de determinar que a partir de agora os ingressos para a torcida mandante deve ser de 95% da capacidade do estádio.

Se os torcedores contrários ficarem fora do estádio aguardando os de dentro para uma carnificina nas ruas, certamente eles determinarão que não circulem veículos em volta das arenas duas horas antes e depois dos jogos. No ano seguinte os jogos serão realizados com portões fechados. Dentro de 50 anos não teremos mais torcedores deste esporte.

Enquanto os vândalos se trucidam nas ruas entupidas de veículos e lixo, os governantes trucidam nossas inteligências com suas medidas «preventivas». Esta linha de ação deverá produzir bons frutos no limiar da copa de 2014.

Seria ótimo trocar as chacinas urbanas por uma faxina nos antros administrativos de todas as esferas públicas. Seria um gol de placa inesquecível.





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