Artesã
Por: Sandra Fayad
Nem sabes o
estrago que fazes no meu coração!
Meus olhos (tristes) sorriem à tua imagem.
Nos meus sonhos, és constante perseguição.
Do meu filme, és o principal personagem.
Vejo-te sempre e tão bem iluminado
Em cada canto da face nua exposta,
Ofertando sorridente um bocado
Da beleza descoberta em cada encosta.
As tentativas de fugir de ti são vãs...
Como um imã me atrais de volta
A mais um soneto da minh'alma artesã.
Mesmo que atrás de ti haja forte escolta,
Não perco a esperança de apaixonada fã
E armo-me das Letras para a reviravolta.
Bsb, 21/11/2008
Mais importante do que saber como se fala é fazer saber aquilo que se diz e dizer aquilo que se pensa. Este Jornal oferece-lhe a possibilidade de publicar colaborações. Não deixe que outros digam por si aquilo que você mesmo pode dizer.
COLUNA
DE JOSE GERALDO MARTINEZ
O livro de Ocimar
Lá estava ele, meu amigo Ocimar lançando um livro de auto-ajuda. Nos
seus setenta anos de idade, muitos deles dedicados a educação.
Professor nível três, conhecido pela seriedade e dureza com as chamadas
«turminhas do fundo» ( Aquelas no fundo da classe, normalmente
organizando o churrasquinho ou a festinha na república das meninas).
Ocimar não perdoava!
Os mais sortudos conseguiam ficar de recuperação, quando não, eram
reprovados incondicionalmente! Conhecido pelo mal humor e não poderia
ser diferente para um homem de setenta anos que na infância conheceu a
palmatória, além de ser filho do senhor Donato, calabrês de poucos
amigos !
Prestigiando o lançamento do tal livro de auto-ajuda de Ocimar e
pensando na pergunta que ele havia me feito: -Martinez, você gosta de
escrever, nunca pensou num livro de auto-ajuda? Cheguei a algumas
conclusões: Eu deveria mesmo escrever um livro de auto-ajuda...Afinal,
virou moda!
Além do que, tenho experiências terríveis de vida no meu meio século de
existência: passadas de mão, quatro casamentos, idas e vindas...
sociedades desarrumadas, negócios mal feitos, troca de igrejas e algumas
tentativas de religião, adoção de filho, ajuntamentos, paixões tórridas,
desilusões...
Mas, percebo que ainda me faltam alguns anos de experiência...Nos
setenta anos a gente começa realmente filosofar ou estou mentindo?
Perdemos aos poucos a nossa condição física e começam falhar algumas
coisas: audição, olfato, intestino, estômago, libido...
Chega a tal ponto que apenas o cérebro permanece em perfeito estado! E
ele começa a comandar a nossa vida de certa forma ociosa, à sombra
de grandes varandas e arbustos, no joguinho de baralho, nas pequenas
caminhadas com os netos ou até a padaria. Hábito de anos a fio trazidos
do velho pai.
Começamos a filosofar e coitado dos netos! Não paramos por aí !
Inconformados começamos pelos vizinhos e depois amigos incomuns! Sem
contar a pobre da esposa que convive connosco o dia inteiro! Esquecemos
a poesia! Lotamos os nossos arquivos com textos filosóficos...
Pobre daquele que ficou só com o cérebro e este ainda tem problemas!
Alguns voltam à infância, outros caducam completamente! Não é incomum
vermos alguns desfilarem pelas ruas se dizendo a reencarnação de Cristo,
Buda, Dalai Lama, Hitler...Aí meus amigos, é um Deus nos acuda! Outro
dia não é que apareceu um Saddam Husseim? Como se não bastasse, gritava
por Bush com todo pulmão!
Enquanto nosso cérebro mantém a saúde e certa coerência, acho salutar
filosofar! Ainda mais na cabeça dos outros! Ocupa nosso tempo e nos
deixa com a sensação de poder, perdida em nossas fracassadas
experiências. Compensa as nossas debilidades físicas e melhora nossa
auto-estima.
Escrever um livro de auto-ajuda, estamos nos ajudando e, com sorte,
ainda pegamos alguns desavisados, sugestionáveis e melhoramos a vida
dele. Mal não faz! Com mais sorte ainda, conseguimos vender toda tiragem
e de repente virarmos um bestseller, que o diga Paulo Coelho com « O
Alquimista», pai de tantos outros ainda mais filosóficos! Nada contra «O
Mago», ainda acredito que as respostas estão dentro de nós
mesmos...Todas as soluções de nossos problemas!
A nossa mente é capaz de proezas intermináveis e usamos muito pouco de
nosso cérebro...Por enquanto ainda filosofamos no tempo das pedras, com
um cigarrinho dependurado no canto da boca e os neurônios dormindo por
algum asilo ou à sombra de nosso guarda chuva em tarde quente de verão.
Após os setenta anos, o que nos resta senão seguir a moda do
«filosofar», rindo de nosso libido, sem que a patroa saiba ou os
amigos...
Mil mentiras ditas como verdadeiras, tornam-se verdadeiras! Afinal,
nesta fase de filósofo e mentiroso, todo mundo tem um pouco. Está certo
Ocimar! Logo estarei escrevendo meu livro de auto-ajuda!
Gol de placa

Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ
Se no alto do planalto central os dirigentes da pátria praticam desmandos com nosso suado dinheiro (e ainda recebem altos salários para isto), outros setores da sociedade contaminada e acomodada também se acham no direito de praticar suas barbaridades.
Pouco se importam se a mídia ou algum fotógrafo amador ocasionalmente gravam suas ações
danosas. Contam com a impunidade que é a marca principal de nossa nação.
Dentro deste cenário se alastra em nosso território todo tipo de
impensáveis atitudes por parte dos que ainda preservam alguma lucidez.
Governadores, Prefeitos, Vereadores e genéricos desviam nossos impostos,
abandonam as comunidades à própria sorte e exibem os patrimônios (até
castelo) que jamais obteriam trabalhando na vida pública.
Quem pode condenar flanelinhas que cobram R$ 20,00 para «tomar conta» de
um carro parado em local proibido na porta de uma casa de show? E
preciso levar em conta que o flagelado do local tem de repassar pelo
menos R$ 15,00 ao guarda do quarteirão que por sua vez precisa repassar
R$ 10,00 ao superior que o escalou para dar plantão no trecho onde a
arrecadação é de alto montante.
E como não poderia deixar de ser, até nos estádios de futebol onde
deveríamos ter o direito de relaxar e esquecer um pouco das trilhas
tortas por onde nosso país caminha, os desmandos sem punição ocorrem.
Além de pagarmos para sentar em cadeiras sujas, usar banheiros imundos e
digerir alimentos de origem duvidosa, ainda corremos riscos de morte
pelas brigas armadas agora constantes nos jogos entre times mais
populares.
As tais torcidas organizadas perderam o controle sobre seus membros e
agora abrigam altas quantidades de marginais letais que promovem as
brigas regulares, que são marcadas com antecedência pela internet.
O pior é observarmos que as autoridades públicas que jamais demonstraram
capacidade para resolver facilmente este problema através das leis,
acabam de determinar que a partir de agora os ingressos para a torcida
mandante deve ser de 95% da capacidade do estádio.
Se os torcedores
contrários ficarem fora do estádio aguardando os de dentro para uma
carnificina nas ruas, certamente eles determinarão que não circulem
veículos em volta das arenas duas horas antes e depois dos jogos. No ano
seguinte os jogos serão realizados com portões fechados. Dentro de 50
anos não teremos mais torcedores deste esporte.
Enquanto os vândalos se trucidam nas ruas entupidas de veículos e lixo,
os governantes trucidam nossas inteligências com suas medidas
«preventivas». Esta linha de ação deverá produzir bons frutos no limiar
da copa de 2014.
Seria ótimo trocar as chacinas urbanas por uma faxina nos antros
administrativos de todas as esferas públicas. Seria um gol de
placa
inesquecível.
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