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A fórmula das tragédias anunciadas

Haroldo P. Barboza

Autor do livro: Brinque e cresça feliz


O lamentável acidente do desabamento do teto da Igreja Renascer em SP no início de Janeiro de 2009 com quase 10 vítimas fatais e dezenas de outros feridos, nada mais retrata do que o «acordo» das autoridades (?) com as empresas (que patrocinam suas campanhas eleitorais) que manipulam as vidas das populações em todos os estados deste país. Obras que foram erguidas antes de 1950, sem a manutenção pública adequada (devido aos impostos desviados), hoje tornam-se armadilhas contra a população que transita dentro destas áreas.

Podemos recordar fatos trágicos sem ordem cronológica que ceifaram dezenas de vidas pelo descaso dos responsáveis, pela falta de fiscalização adequada e pela ausência de penalidades exemplares. Obras do metrô com 8 mortes (SP), queda da arquibancada do Estádio da Fonte Nova (BA), queda do viaduto Paulo de Frontin (RJ), queda do Palace II (RJ), incêndio do Joelma (SP) e do Serrador (RJ), afundamento do Bateau Mouche (RJ), queda da Gameleira (MG), plataforma P36 da Petrobras (RJ), rompimento do emissário de Ipanema (RJ), das barragens de lama (MG), de pontes, estradas, escolas e hospitais públicos, encostas de morros acumulando favelas (BR) e aviões que poderiam ter sido evitadas (BR). Fora outras dezenas de tragédias espalhadas pelo país e nem sempre destacadas na imprensa controlada.

Todos estes fatos acontecem por duas razões básicas:

1 - a corrupção que começa no topo e já contaminou o nível mais baixo de qualquer construção ou prestação de serviço;
2 – a impunidade que não castiga os mentores e executores destas picaretagens.

A fórmula de manipulação das verbas basicamente é esta:

Preço real de uma obra/serviço: R$ Y milhões.

Preço a ser faturado (sai de nossos impostos) em nota «suplementar»: R$ 5Y MI.

Distribuição do excedente (R$ 4Y MI):

R$ 2Y MI para os que assinam o contrato. Com direito a coquetel e aparição na imprensa, anunciando o «novo marco da cidade».

R$ Y/2 MI para entidades «esquecerem» pendências e fiscais fecharem os olhos em relação às anormalidades, principalmente as relativas à segurança dos operários e futuros usuários.

R$ Y/2 MI para que membros do judiciário sabotem possíveis processos indenizatórios mais lentos do que a média atual que é de 15 anos.

R$ Y/2 MI para «acalmar» donos de jornais não darem ênfase a algum fato negativo descoberto oriundo das mutretas montadas.

R$ Y/2 MI para os responsáveis diretos (engenheiros, por exemplo) não fazerem alarde pelo uso de material de 3ª. categoria no lugar do previsto em contrato nem da redução do tempo de secagem do concreto.

Para a obra sobraram R$ Y MI. Como não foi prevista uma «cota» para a turma dos explorados lá de baixo (capatazes, motoristas, operários, cozinheiros, turma da limpeza), eles são contaminados pelos exemplos passados pelos escalões acima. Criam seus mecanismos de desvios e substituição furtiva de material. Isto acaba consumindo R$ Y/4 do valor que seria usado para o projeto. Caso ele não desabe antes da entrega, será condenado pela Natureza dentro de algum tempo pela falta de manutenção adequada e pela ação das intempéries.

Resta esclarecer se somos cúmplices passivos por ficarmos assistindo a estas barbaridades sem que nossa indignação seja despertada para mudar de forma contundente este cenário que nos denigre perante nossos herdeiros!

Quantos estádios, viadutos, escolas e hospitais terão de desabar matando gente para que a população esqueça a anestesia oriunda de processos «Big-Bobo-Brasil» e tenha consciência de que precisa aprender a cobrar seus direitos de sobreviver com um mínimo de qualidade?

Nota complementar - lá acima, onde você leu «Y» milhões, parta da seguinte teoria:
«Y» nunca é menor que 100.

Se a empreitada se referir a algo do porte de uma represa ou dragagem de um rio, no lugar de milhões, leia Bilhões.

Aí eles fazem uma verdadeira dragagem nas contas públicas e não há represa que aprisione nosso dinheiro. E mortes continuarão ocorrendo sem prisão de culpados nem ressarcimento adequado aos parentes das vítimas.

(Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Entrudo na Aldeia ) - (Ver Início)

Os jovens reuniam-se em casa de um deles, e então combinávamos cuidadosamente qual a «máscara» de cada um, e digo entre parêntesis, porque não tínhamos máscaras, o que nos servia para fantasiar, era a roupa dos pais, das avós, o vestido de noiva da vizinha...então decidido qual a fantasia de cada um, começava o «assalto» á arca da roupa dos familiares, em busca dos adereços adequados, e cada qual se revestia da personagem escolhida.

Uma era a noiva, outra a velhinha, os meninos, vestiam-se de pedintes, velhos coxos, enfim cada um se fantasiava nas suas personagens favoritas e conforme a roupa e a ocasião assim o ditassem.

Apenas uma coisa era essencial: formado o cortejo, pelas ruas da aldeia, visitando casa por casa, a identificação de cada um, era um dos segredos mais bem guardados, e os comentários dos vizinhos provocavam as mais hilariantes gargalhadas, ao confundirem uns com os outros, apenas com base em pressupostos como altura, ou algum outro detalhe esquecido.

Então como recompensa pela diversão proporcionada, todos nos ofereciam algum presente, geralmente comestível, ou dinheiro, podiam ser ovos, chouriço, frutas, ou outros.

E o desfile findava então em casa de um de nós, fazendo um lanche geral, com os presentes ganhos, no qual todos ríamos e contávamos vezes sem conta, as peripécias da tarde.

Eram assim as nossas brincadeiras carnavalescas e desde ontem nunca mais me diverti assim inocentemente no Carnaval, pois que ver os outros rir e brincar, ficando apenas a olhar numa bancada ou atrás de um aparelho de televisão, não faz parte dos meus ideais de diversão.

Arlete Piedade

 

Milícias libertam crianças-soldado

AS milícias Mai-Mai, do leste da República Democrática do Congo, libertaram na semana passada 85 crianças - soldado com idades entre os sete e os 17 anos, informou ontem o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF). As Mai-Mai são uma milícia local que combate ao lado das forças governamentais contra a rebelião tutsi congolesa de Laurent Nkunda, activa na região do Kivu Norte.

Um primeiro grupo de 65 crianças, incluindo duas raparigas, foi libertado quinta-feira passada, e um segundo grupo de 20 crianças, do qual faziam parte três raparigas, no domingo. «As crianças estavam esfomeadas, traumatizadas e amedrontadas quando as encontrámos», disse a porta-voz, acrescentando que foram acolhidas no centro de desmobilização de crianças da ONU em Goma, a capital da província do Kivu Norte.

A mesma responsável indicou que se vai iniciar o processo de identificação das famílias das crianças, mas adiantou que será «um processo longo e nem sempre fácil» porque as famílias estão por vezes em zonas do país onde não é possível aceder por razões de segurança. Segundo a ONU, as milícias da região ainda integram cerca de 2000 crianças. O UNICEF espera que nos próximos meses sejam libertadas mais crianças recrutadas pelas milícias, talvez 1500.

GRUPO / SEDECONTACTOBLOGPAGINA UM

 

EDIÇAO Nº VIII

2ª SEMANA, 2º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira

UTILIZE ESTE ESPAÇO PARA ANUNCIAR OS EVENTOS DA SUA ASSOCIAÇÃO, OS FESTEJOS DA SUA TERRA, OS ACONTECIMENTOS CULTURAIS DA SUA CIDADE. DÊ A CONHECER AQUILO QUE DEVE SER CONHECIDO.



(Continuação da COLUNA UM ) (Ver inicio)

O ser humano, muito antes disto, antes de existirem a Comunidade Europeia e os países, as cidades e as vilas e mesmo as casas em pedra ou em tijolo tinha a mesma ambição (não passar muita fome ou nenhuma, sumariamente) e ainda tinha tempo (segundo rezam os antropólogos com maior ou menor aldrabice) para se dedicar a fazer preces pintadas em cavernas para que o boi, bisonte ou suíno da altura fossem fartos na passagem à sua frente e os seus braços certeiros na pedrada, na cacetada ou na frechada.

As diferenças entre os primeiros homens, descendam eles ou não do símio, e os burocratas da C. Europeia é apenas uma diferença de dimensão, de vestimentas, de hábitos alimentares e de mordomias, que, na sua relação com os tempos decorridos, os tais milhões de anos ou milhares segundo os calendários religiosos, até podem em rigor ser comparáveis. Um casaco de pele de ovelha a tresandar (suponho) valeria ou poderia valer na altura em termos relativos, tanto quanto a mais in bruxelense fatiota com carimbo actualmente.

Mas, sem nos afastarmos da questão, e criado o cenário deste teatro universal para onde fomos jogados, os processos, contrariamente ao que se diz, repetem-se, cabulam-se (colam-se como dizem os brasileiros ou fazem copy past como se diz agora) como se pode verificar mais uma vez.

A ambição da Politica Agrícola Comum é o mesmo que a ambição da política energética comum, da política financeira comum e de tudo aquilo que possa entrar nesta denominação de comunidade: desejar para uma multiplicidade de pessoas aquilo que o homem das cavernas desejava para si mesmo, para a sua prole, para a sua tribo e por aí adiante.

Os meios ou a estratégia utilizada também não diferem senão na dimensão assim como não vai diferindo a reacção das pessoas quando confrontadas perante possibilidades pouco desejadas ou nada desejadas. Um pouco por toda a Europa (e pelo mundo em geral) tenta-se gerir a escassez que existe e aquela que se prevê: a mesa farta ao visitante é primeiro menos farta, a seguir escassa e por último nula. É aquilo a que se chama pejorativamente de «cada um por si».

Nem temos de estranhar que assim seja, ou que assim venha a ser: ainda que inseridos em estruturas mediaticamente cobertas, a fronteira entre o «cada um por si» e o cavalheiresco «um por todos e todos por um» sendo metaforicamente interessante nunca foi uma evidência senão em termos «legislativos».

O afã escrevinhador dos burocratas foi e é um mero escrevinhar...uma bolsa de valores abstractos que caminhará progressivamente para uma cada vez maior rotura com a realidade que nunca espelhou.

Entretanto e em vez de se terem atenuado as potenciais fontes de conflito a própria dinâmica dos processos de rentabilização levou ao seu agudizar: quem cultivava e pouco colhia e quem produzia e pouco produzia e quem lucrava e pouco lucrava teve de ceder o seu lugar, normalmente por via indemnizatória mas a maior parte por sumário afogamento, àqueles que os ultrapassavam desde logo e àqueles que os iam ultrapassando à posteriori.

A concentração das actividades produtivas no sector primário, nas transformadoras e no terciário, sendo muito interessante em termos estatísticos criaram uma «pirâmide» quase quadrada que se foi afunilando cada vez mais na base e só se mantém de pé com escoras.

Mais que «reinventar» o sistema capitalista, como diz o Presidente francês, é preciso primeiro reparar as asneiras que ele mesmo construiu ao longo destes tempos. Recompor estruturas abandonadas, descentralizar as actividades e as produções, fomentar em suma a arte e o engenho que nos têm mantido à tona nestes milhões de anos todos: em suma, trata-se de «desartificializar» o que é natural, mesmo que isso custe alguns dos faustosos salários que pagámos e vamos pagando para chegar a este beco de saída cada vez mais estreita.

Temos sido «lixados», temos pago por isso...é justo exigir que agora arranjem o que estragaram!

Daniel Teixeira