
(Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Entrudo na Aldeia ) - (Ver Início)
Os jovens reuniam-se em casa de um deles, e então combinávamos cuidadosamente
qual a «máscara» de cada um, e digo entre parêntesis, porque não tínhamos
máscaras, o que nos servia para fantasiar, era a roupa dos pais, das avós, o
vestido de noiva da vizinha...então decidido qual a fantasia de cada um,
começava o «assalto» á arca da roupa dos familiares, em busca dos adereços
adequados, e cada qual se revestia da personagem escolhida.
Uma era a noiva, outra a velhinha, os meninos, vestiam-se de pedintes, velhos
coxos, enfim cada um se fantasiava nas suas personagens favoritas e conforme a
roupa e a ocasião assim o ditassem.
Apenas uma coisa era essencial: formado o cortejo, pelas ruas da aldeia,
visitando casa por casa, a identificação de cada um, era um dos segredos mais
bem guardados, e os comentários dos vizinhos provocavam as mais hilariantes
gargalhadas, ao confundirem uns com os outros, apenas com base em pressupostos
como altura, ou algum outro detalhe esquecido.
Então como recompensa pela diversão proporcionada, todos nos ofereciam algum
presente, geralmente comestível, ou dinheiro, podiam ser ovos, chouriço, frutas,
ou outros.
E o desfile findava então em casa de um de nós, fazendo um lanche geral, com os
presentes ganhos, no qual todos ríamos e contávamos vezes sem conta, as
peripécias da tarde.
Eram assim as nossas brincadeiras carnavalescas e desde ontem nunca mais me
diverti assim inocentemente no Carnaval, pois que ver os outros rir e brincar,
ficando apenas a olhar numa bancada ou atrás de um aparelho de televisão, não
faz parte dos meus ideais de diversão.
Arlete Piedade
Milícias libertam crianças-soldado
AS milícias Mai-Mai, do leste da República Democrática do Congo, libertaram na
semana passada 85 crianças - soldado com idades entre os sete e os 17 anos,
informou ontem o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF). As Mai-Mai são uma
milícia local que combate ao lado das forças governamentais contra a rebelião
tutsi congolesa de Laurent Nkunda, activa na região do Kivu Norte.
Um primeiro grupo de 65 crianças, incluindo duas raparigas, foi libertado
quinta-feira passada, e um segundo grupo de 20 crianças, do qual faziam parte
três raparigas, no domingo. «As crianças estavam esfomeadas, traumatizadas e
amedrontadas quando as encontrámos», disse a porta-voz, acrescentando que foram
acolhidas no centro de desmobilização de crianças da ONU em Goma, a capital da
província do Kivu Norte.
A mesma responsável indicou que se vai iniciar o processo de identificação das
famílias das crianças, mas adiantou que será «um processo longo e nem sempre
fácil» porque as famílias estão por vezes em zonas do país onde não é possível
aceder por razões de segurança. Segundo a ONU, as milícias da região ainda
integram cerca de 2000 crianças. O UNICEF espera que nos próximos meses sejam
libertadas mais crianças recrutadas pelas milícias, talvez 1500.
EDIÇAO Nº VIII
2ª SEMANA, 2º NUMERO DE FEVEREIRO DE 2009
UTILIZE ESTE ESPAÇO PARA ANUNCIAR OS EVENTOS DA SUA ASSOCIAÇÃO, OS FESTEJOS DA SUA TERRA, OS ACONTECIMENTOS CULTURAIS DA SUA CIDADE. DÊ A CONHECER AQUILO QUE DEVE SER CONHECIDO.
(Continuação da COLUNA UM ) (Ver inicio)
O ser humano, muito antes disto, antes de existirem a Comunidade
Europeia e os países, as cidades e as vilas e mesmo as casas em pedra ou
em tijolo tinha a mesma ambição (não passar muita fome ou nenhuma,
sumariamente) e ainda tinha tempo (segundo rezam os antropólogos com
maior ou menor aldrabice) para se dedicar a fazer preces pintadas em
cavernas para que o boi, bisonte ou suíno da altura fossem fartos na
passagem à sua frente e os seus braços certeiros na pedrada, na cacetada
ou na frechada.
As diferenças entre os primeiros homens, descendam eles ou não do símio,
e os burocratas da C. Europeia é apenas uma diferença de dimensão, de
vestimentas, de hábitos alimentares e de mordomias, que, na sua relação
com os tempos decorridos, os tais milhões de anos ou milhares segundo os
calendários religiosos, até podem em rigor ser comparáveis. Um casaco de
pele de ovelha a tresandar (suponho) valeria ou poderia valer na altura
em termos relativos, tanto quanto a mais in bruxelense fatiota com
carimbo actualmente.
Mas, sem nos afastarmos da questão, e criado o cenário deste teatro
universal para onde fomos jogados, os processos, contrariamente ao que
se diz, repetem-se, cabulam-se (colam-se como dizem os brasileiros ou
fazem copy past como se diz agora) como se pode verificar mais uma vez.
A ambição da Politica Agrícola Comum é o mesmo que a ambição da política
energética comum, da política financeira comum e de tudo aquilo que
possa entrar nesta denominação de comunidade: desejar para uma
multiplicidade de pessoas aquilo que o homem das cavernas desejava para
si mesmo, para a sua prole, para a sua tribo e por aí adiante.
Os meios ou a estratégia utilizada também não diferem senão na dimensão
assim como não vai diferindo a reacção das pessoas quando confrontadas
perante possibilidades pouco desejadas ou nada desejadas. Um pouco por
toda a Europa (e pelo mundo em geral) tenta-se gerir a escassez que
existe e aquela que se prevê: a mesa farta ao visitante é primeiro menos
farta, a seguir escassa e por último nula. É aquilo a que se chama
pejorativamente de «cada um por si».
Nem temos de estranhar que assim seja, ou que assim venha a ser: ainda
que inseridos em estruturas mediaticamente cobertas, a fronteira entre o
«cada um por si» e o cavalheiresco «um por todos e todos por um» sendo
metaforicamente interessante nunca foi uma evidência senão em termos
«legislativos».
O afã escrevinhador dos burocratas foi e é um mero escrevinhar...uma
bolsa de valores abstractos que caminhará progressivamente para uma cada
vez maior rotura com a realidade que nunca espelhou.
Entretanto e em vez de se terem atenuado as potenciais fontes de
conflito a própria dinâmica dos processos de rentabilização levou ao seu
agudizar: quem cultivava e pouco colhia e quem produzia e pouco produzia
e quem lucrava e pouco lucrava teve de ceder o seu lugar, normalmente
por via indemnizatória mas a maior parte por sumário afogamento, àqueles
que os ultrapassavam desde logo e àqueles que os iam ultrapassando à
posteriori.
A concentração das actividades produtivas no sector primário, nas
transformadoras e no terciário, sendo muito interessante em termos
estatísticos criaram uma «pirâmide» quase quadrada que se foi afunilando
cada vez mais na base e só se mantém de pé com escoras.
Mais que «reinventar» o sistema capitalista, como diz o Presidente
francês, é preciso primeiro reparar as asneiras que ele mesmo construiu
ao longo destes tempos. Recompor estruturas abandonadas, descentralizar
as actividades e as produções, fomentar em suma a arte e o engenho que
nos têm mantido à tona nestes milhões de anos todos: em suma, trata-se
de «desartificializar» o que é natural, mesmo que isso custe alguns dos
faustosos salários que pagámos e vamos pagando para chegar a este beco
de saída cada vez mais estreita.
Temos sido «lixados», temos pago por isso...é justo exigir que agora
arranjem o que estragaram!
Daniel Teixeira