EDIÇAO Nº VIII
2ª SEMANA, 2º NUMERO DE FEVEREIRO DE 2009
Prosa Poética por Maria Petronilho

A Sinfonia da Vida
Ao nascer solfejam os tambores e as trombetas, anunciando a vida.
Escutam-se a seguir os clarins dos risos e a flauta doce dos sonhos.
Crescemos ao som de tambores.
As trombetas irrompem, os clarins tocam mais baixo e estremecem os primeiros violinos, com os arcos gemendo, ainda de leve, na tristeza das cordas.
Na juventude trinam as guitarras e cantam as violas, de amores, desejos.
O piano ressoa e a flauta assobia. Desta feita redobra o ribombar dos
tambores, numa percussão contínua, de marcha.
Nascem os filhos, o timbre dos tambores cresce, guitarras tocam baixinho e
sobressalta o bombo.
O bombo! O bombo! O bombo!
A bateria irrompe em todo o fulgor, dominando a orquestra.
Os filhos crescem e vão; a juventude passou.
Afogaram-se as guitarras.
Os tambores retumbam ainda, se bem que lentos e leves.
Gemem os violinos e choram de saudade os contra-baixos.
Na velhice, lastima-se o órgão.
Os tambores cessam.
Soam alguns violinos e os clarinetes estremecem,
... No Toque do Silêncio.
Poesia Caipira

Antônio
Carlos Affonso dos Santos.
ACAS, o Caipira Urbano.
Malemà e Meu Canarinho e Eu
Malemà
Das veiz garro a pensá
Que vancê num gosta d´eu
Eu gosto de arrastá mala
Mais num tenho um amô só meu
Sô impacado nas coisa
Que o amô sempre me traiz
Malemá eu sô poeta,
Sô «caipirês»; muito mais!!!!!!!

Meu Canarinho e Eu
Oh canarinho, perguntei,
Porquê que ocê tá triste;
Se eu lhe dô água fresca
Carinho, painço e arpiste?
E o canarinho responde
De mansinho, sem maldade;
Eu morro de pena de ocê
Que do sertão tem sodade
Oh canarinho, suspirei, mais triste
Como que ocê pode sabê
Que eu daria tudo que tenho
Pra vortá pro meu bem-querê?
Eu tô aqui já faiz ano
Respondeu o canarinho
E só num morro de tédio
Pruquê tenho seu carinho
ACAS
Jejum matinal e besteira

Por: Cecílio Elias Netto
(Por especial gentileza do autor)
Li, certa vez, na imprensa local, surpreendente artigo sobre jejum matinal.
E lá se me confirma o que o complicado Rosa entendeu antes: viver é, mesmo,
perigoso. Quando se pensa ter aprendido algo, eis que se mostra falso o que
existia antes.
Senti-me vítima de besteiras. E responsável por outras tantas. Pois, desde a meninice, meus pais me falavam, às vezes até com histeria: «Tem que comer pela manhã. E a principal refeição.» E me forçavam a comer banana com aveia, quando tinha banana e aveia. E a beber leite com Toddy. Quando e se houvesse leite e Toddy.
Essas necessidades, passei-as a meus filhos. E eles, aos filhos deles. Na realidade, é luta de todas as famílias, esse ter o que comer logo pela manhã. Sinto-me ainda mais tolo do que sempre fui. Pois, ainda hoje, não me esqueço de uma doída manhã de tempos de lutas políticas quando a mãe de meus filhos me mostrou vazia a mesa do desjejum.
Não tínhamos pão e nem leite e nem manteiga. Nem mamadeira para os filhos. Era 1968. Para não matar ou roubar, fui jogar baralho. Ganhei uns trocados, levei, para minha casa, a refeição da manhã. Eu tinha 28 anos. Não sabia que jejum matinal é ótimo.
Mas li, de gente apenas curiosa, a afirmativa que contraria toda a fome e a saúde humanas: é importante e saudável jejuar pela manhã. E que a prova disso está no Eclesiastes, também no jejum de Jesus, dos santos e dos profetas. Foi o que me perturbou. Pois eu não sabia ter-se tornado, a saúde, uma questão de fé.
Já vi isso antes. O tempo passa e tudo continua igual. Em mais de 50 anos de jornalismo, posso dizer ter visto muito dessa nossa mixórdia humana. Das pouquíssimas coisas que aprendi, uma delas é a de que ciência não é questão religiosa.
Ora, santos, profetas, místicos, amantes, loucos, até jornalistas podem jejuar, dando-se o direito da fome penitencial. O trabalhador braçal, no entanto, não pode. Nem deve. E não quero ver meus netos jejuando pela manhã. Seria uma judiação.
Ora, as pessoas têm o direito de acreditar no que bem lhes aprouver, até em vaca que voa. Mas vaca não voa. E não é porque o Eclesiastes fala em jejum pela manhã, que isso seja verdade científica. Seria bom fosse. Pois, por fontes semelhantes, ninguém mais precisaria sequer trabalhar, bastando ver as avezinhas do céu e os lírios dos campos.
Que não voam, nem tecem e nem fiam e o Pai do céu lhes provê o sustento. Não é lindo? Dizem, até, que a fé remove montanhas. Isso me encanta. Mas não desprezo a cautela de Maomé: a montanha não foi até ele, lá se foi Maomé à montanha. Não esperou.
Há alguns anos, enfrentei dificuldades afetivas em relação a um amigo querido, cientista notável. Enfermo, já tomado da demência senil, o admirável homem não mais diferenciava alhos de bugalhos. Religião, arte e ciência haviam-se misturado em seu mundo fantástico, naquilo que ele passara a escrever.
Ora, eu não poderia desrespeitar toda a notável história de vida daquele grande homem. Mas, também, não seria honesto confundir o leitor. Fui, então, em busca do «selo» orientador daqueles escritos delirantes. E encontrei: «Ficção». Então, que o homem continuasse com seus escritos, o leitor que os lesse, mas o aviso estava lá: era ficção.
Quando a imprensa permite que curiosos dissertem sobre questões científicas, o principal prejudicado é o leitor. A má informação é pior do que a falta de informação. De qualquer maneira, se fosse verdade que o jejum matinal é saudável e bom, parte dos problemas do presidente Lula estaria resolvido: em vez de três refeições diárias, ele poderia lutar para dar apenas duas aos brasileiros. E responsabilizaria o Eclesiastes.
Bom dia.
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Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal
A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim.
Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais.
O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba».
Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.