CARREGUE AQUI PARA VOLTAR AO INDICE 

EDIÇAO Nº IX 

3ª SEMANA, 3º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira


O Flautista


Conto por Marcelo Torca

Lá estava ele de novo, o músico, o flautista tocando o seu instrumento, portátil, assim poderia levar a qualquer lugar, onde estivesse poderia executar melodias, quase como um passarinho.

As vezes era um estorvo, outras, era o animador, o comandante da dança, da euforia, da alegria de estar mais um dia vivo, num dos bairros mais violentos daquela cidade. Nem sempre fora assim, devido à desestruturação das famílias, a perda do poder aquisitivo, o estímulo do pensamento fútil, foram responsáveis por gerar gerações perdidas, onde os valores básicos quase não existiam, e para discordar de tudo isso, o flautista Zé da Roda tocava o seu instrumento. Tinha este apelido, pois quando criança brincava com pequenos pneus conduzidos por um pedaço de pau, tendo a ponta um arame. Mas não era só nas brincadeiras, ia para a escola com este brinquedo, para onde fosse a pé, levava. Um dia este menino cresceu, tornou-se músico, com uma família para cuidar, trabalhava em qualquer situação de músico, tinha coragem para enfrentar qualquer problema, desde que estivesse tocando o seu instrumento, a flauta.

Como tocava onde fosse convidado, um grupo de forró o chamou, esta parceria durou por uns dois anos e meio aproximadamente, era um conjunto em início de carreira, tinham apenas sete meses de experiência, sendo a infra-estrutura, de certa forma precária, o transporte era um caminhão, daqueles antigos, e os quatro músicos tiveram de ir na cabine, dois foram sentados, e dois de pé, de costas e encurvados ao pára brisa, o motorista não fazia parte do grupo.

A viagem demorou cerca de uma hora e meia, e quando chegaram ao seu destino, mesmo sentindo dores, foram arrumar o som, descarregando as caixas do caminhão e montando em cima do palco, depois de terem colocado todos os cabos, testado a energia, fizeram a passagem de som do conjunto.

Tinham saído de casa às treze horas, e eram quase nove horas da noite, quando veio a notícia de que o jantar não iria chegar, alguém da organização do evento tinha esquecido de encomendar, e faltando uma hora para dar início ao baile, não seria mais possível ir há algum lugar, mas tentaram negociar para levarem uns salgadinhos no decorrer do baile. Quando o relógio marcou dez horas da noite, teve início o forró, o salão já estava com metade do recinto ocupado, tinha tudo para faturarem bastante.

Passavam das duas horas da madrugada, ainda não havia chegado nenhum salgadinho, mas o salão estava cheio, e a pista de dança era contínua, nunca ficava vazia e assim foi até às quatro horas da manhã, onde se deu o desfecho, e também apareceram três coxinhas de frango miúdas, como eram em quatro músicos, tiveram de dividir. O pior ainda estava por vir, quando estavam carregando o caminhão, o tecladista e cantor da banda foi procurar o promotor do evento, não encontra, conversa com vários da equipe, eles alegam que logo estaria ali presente, pois fora resolver alguns problemas pessoais.

Já passavam das cinco horas da manhã, e nada, mais meia hora se passou, e veio a notícia, só daria para acertar o baile no meio da semana, como não havia como dizer não, aceitaram e foram embora.

Até hoje não viram nem sombra deste dinheiro, para pagar o frete foi outro grande problema, o flautista negociou a sua bicicleta, o tecladista a única televisão que tinha, era de catorze polegadas e o baixista ainda teve de entregar o aparelho de som. Era vida difícil, porém, fazia parte da profissão, nem sempre conseguiam receber pelo serviço, e às vezes ainda eram considerados vagabundos.

O Zé da Roda desfez a parceria, pois fora convidado a participar de um programa de rádio, onde apresentava um programa e fazia gravações para as propagandas, o tempo era curto e era difícil conciliar as duas atividades. Era uma rádio comunitária, a legalização estava em andamento, portanto era considerada pirata, a documentação para deixar em ordem era difícil, mas como uma cidade poderia ficar sem rádio, e ouvir os programas locais, de interesses da comunidade onde estava inserida? Pergunta quase impossível de ser respondida.

O flautista não desanimava, tinha sempre o pensamento positivo, e cada dia, era um outro dia, onde novas oportunidades poderiam vir, surgir espaços novos, um músico precisava lutar, mas se não tiver um pequeno apoio, é quase impossível a sobrevivência deste, e com este pensamento, o Zé da Roda tocava todas as tardes no programa da Rádio Praça Central.

 

Horta Comunitária 713 Norte, em Brasília

Carta- Texto de Sandra Fayad

Alegra-me o fato de estar presente agora em Portugal e talvez em outras praças que falam a nossa Língua. Assim, quem sabe consigamos expandir essa atividade pelo mundo lusófono e contribuir para uma melhor qualidade de vida dos animais e plantas e, por fim, do Planeta Terra.

Hoje temos mais de cem espécies de plantas na Horta Comunitária 713 Norte, em Brasília. E não param de chegar mais e mais... Ontem encontrei na calçada de acesso cerca de trinta mudas de jabuticabas. Somando com as de cacau e algumas outras frutíferas perfazem mais de duas centenas de mudas, que não poderão aqui permanecer por falta de espaço.

Olho para elas e fico triste. Sei que a nossa relação é efêmera e não consigo imaginar qual será o seu destino em breve. Sinto que as campanhas pelo reencontro com a natureza está surtindo um efeito (indesejável?) nos humanos. Querem se sentir aliviados da responsabilidade transferindo-a para quem de fato se envolve com as atividades.

Assim é que, ao invés de virem colaborar, trabalhando a terra e ajudando a plantar, recolhem sementes, plantas em desenvolvimento e especialmente adoentadas e maltratadas e as depositam ao lado de quem cuida, da mesma forma que agem com as criancinhas recém nascidas, que aparecem nas portas da residências. Ou como os que vão ao templo, pedem perdão a Deus pelos pecados, rezam três orações e se sentem perdoados.

Depois vão dormir tranqüilas, com a impressão do dever cumprido. Acho que as campanhas na mídia estão sendo contornadas assim.

Será que nossos semelhantes um dia vão se dar conta que o caminho é em outra direção? Será que vão abrir mão de algumas horas de busca incessante pelo dinheiro para comprar o que a natureza lhes dá: uma vida mais saudável?

Noutro dia ouvi um professor dizendo que a palavra HUMANO vem de HUMUS (Terra) e que é usada para nos definir justamente porque somos componentes dela.

Dela viemos e para ela retornaremos. E só uma questão de tempo.

Veja uma matéria na RTVAbrali c/ Sandra Fayad.

 

Agua para Todos - Angola

As comunas do interior do município do Lobito (Canjala, Biópio, Egipto Praia), província de Benguela, vão beneficiar este ano do programa «�gua para todos» do Governo, anunciou quarta-feira última, o administrador municipal, Amaro Ricardo. De acordo com o administrador, que falava no acto comemorativo da data que marca o início da luta armada, o programa água para todos a nível do Lobito será extensivo as povoações da Hanha do Norte e Kulango.

Para além do programa, a administração municipal está a proceder a abertura de furos, para que a população possa beneficiar de água potável para o seu consumo.

Em algumas localidades, a administração faz a distribuição do precioso líquido através de camiões-cisternas. Amaro Ricardo disse que todos os projectos sobre a água visam melhorar a condição de vida das populações residentes nas zonas rurais.

O município do Lobito, com uma extensão de 3.685 quilómetros quadrados tem certas localidades onde se regista ainda a escassez de água, questão que é já do domínio da administração, que pretende solucionar a todo o custo.

Comente esta página.


GRUPO / SEDE CONTACTO BLOG PAGINA UM

VOCÊ VIU ? LEU ? OUVIU FALAR ? TIROU FOTOS ?r /> O NOSSO JORNAL PODE SER AINDA MAIS SEU, PODE SER MAIS RICO, MAIS COMPLETO. /> MANDE PARA O JORNAL.CONTACTE-NOS.







    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (IX)

Deste sempre, recordo-me da palavra «sucesso» como de suma importância no pilar e suporte de muitas vidas. Geralmente associada ao triunfo e ganhos no trabalho, as primeiras imagens que se tem sobre o «êxito» ou «sucesso» é dinheiro, reconhecimento, abundância. Mas, será só isso mesmo?... Não haverá outra faceta?

E claro que existe, mas é decerto a menos falada e associada a este famoso termo do «sucesso»! O outro lado pode e deve reflectir mudanças mais no domínio do companheirismo e da humildade. O «êxito» e o «sucesso», podem bem ser confinados no empreendimento do caminho da aprendizagem, do reconhecimento nos méritos pessoais e do EU de cada um.

Sem desfalecer ou esmorecer, estou convencida de que é um direito inato ir de sucesso em sucesso, durante toda a nossa vida. Se isso não acontece, é porque não caminhamos em sintonia com as nossas capacidades inatas, ou por não acreditarmos que possa ser verdade para nós ou ainda por não reconhecermos os nossos sucessos. Por vezes ávidos de «vencer na vida» e ser-se finalmente «reconhecido e bem aceite na sociedade», estabelecemos padrões demasiados elevados para o ponto evolutivo em que estamos no momento. Não nos sendo possível atingi-los imediatamente, fica latente e patente o tão «envergonhado» e «doloroso» falhanço tão rejeitado na sociedade actual....

Quando uma criança está aprender andar ou a falar, encorajamo-la e louvamo-la por cada pequenino progresso que ela faz. A criança sorri e procura avidamente fazer ainda mais e melhor. Se pensarmos bem, não é desta forma que na generalidade, cada um de nós faz. Em vez de auto-coragem e auto-elogios quando se faz alguma coisa nova, é usual tornar a tarefa ainda mais difícil, com mimos como «que trapalhão, eu sou» ou «sou mesmo um fracasso». Devo confessar, que era uma prática usual em mim, esse tipo de auto-mutilações, que me levava a recusar práticas novas, simplesmente porque não sabia como o fazer e o medo do ridículo era enorme! Hoje, tenho a certeza que uma das coisas boas que aprendi com a prática da meditação, foi que além da calma inerente a esta «actividade», foi indubitavelmente ver o «outro lado» das coisas, mais doce, mais puro, mais confortante e onde tudo é bastante simples. Rapidamente, percebi que o aprender, não é mais do que o conjugar de vários erros, até que a nossa mente subconsciente consiga «unir» as imagens certas. Assim, eu aprendo com cada experiência, que claramente ,podem-me proporcionar um percurso constituído por uma série de passos para sucessos sempre crescentes.

Associado a todos estes «conceitos», visualizemos agora dois alpinistas. Claramente, um deles destaca-se, escalando mais e melhor do que o outro. «Vitorioso», sentindo-se contente e orgulhoso por ter chegado mais além, ganha com por «mágica» mais energia e forças para apoiar o outro alpinista. Isso faz com este último alpinista suba com mais confiança, segurança e consciente da ajuda. E este é sem dúvida o maior «êxito e sucesso» – o de pedir e o de dar; o da consciência e o da inter-ajuda. Enfim, simples práticas que tornam o dia-a-dia, a sociedade e, a vida melhor, bem melhor!

Por tudo isto, lembrem-se pois, de pensarem «nestes assuntos» carinhosamente e de ter a certeza que o melhor mesmo é não se fazerem julgamentos...