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EDIÇAO Nº IX 

2ª SEMANA, 2º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

Mais importante do que saber como se fala é  fazer saber aquilo que se diz e dizer aquilo que se pensa. Este Jornal oferece-lhe a possibilidade de publicar colaborações. Não deixe que outros digam por si aquilo que você mesmo pode dizer.





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COLUNA DE JOSE GERALDO MARTINEZ  


O livro de Ocimar


Lá estava ele, meu amigo Ocimar lançando um livro de auto-ajuda. Nos seus setenta anos de idade, muitos deles dedicados a educação.

 

Professor nível três, conhecido pela seriedade e dureza com as chamadas «turminhas do fundo» ( Aquelas no fundo da classe, normalmente organizando o churrasquinho ou a festinha na república das meninas). Ocimar não perdoava!

 

Os mais sortudos conseguiam ficar de recuperação, quando não, eram reprovados incondicionalmente! Conhecido pelo mal humor e não poderia ser diferente para um homem de setenta anos que na infância conheceu a palmatória, além de ser filho do senhor Donato, calabrês de poucos amigos !

 

Prestigiando o lançamento do tal livro de auto-ajuda de Ocimar e pensando na pergunta que ele havia me feito: -Martinez, você gosta de escrever, nunca pensou num livro de auto-ajuda? Cheguei a algumas conclusões: Eu deveria mesmo escrever um livro de auto-ajuda...Afinal, virou moda!

 

Além do que, tenho experiências terríveis de vida no meu meio século de existência: passadas de mão, quatro casamentos, idas e vindas... sociedades desarrumadas, negócios mal feitos, troca de igrejas e algumas tentativas de religião, adoção de filho, ajuntamentos, paixões tórridas, desilusões...

 

Mas, percebo que ainda me faltam alguns anos de experiência...Nos setenta anos a gente começa realmente filosofar ou estou mentindo? Perdemos aos poucos a nossa condição física e começam falhar algumas coisas: audição, olfato, intestino, estômago, libido...

 

Chega a tal ponto que apenas o cérebro permanece em perfeito estado! É ele que começa a comandar a nossa vida de certa forma ociosa, à sombra de grandes varandas e arbustos, no joguinho de baralho, nas pequenas caminhadas com os netos ou até a padaria. Hábito de anos a fio trazidos do velho pai.

 

Começamos a filosofar e coitado dos netos! Não paramos por aí ! Inconformados começamos pelos vizinhos e depois amigos incomuns! Sem contar a pobre da esposa que convive connosco o dia inteiro! Esquecemos a poesia! Lotamos os nossos arquivos com textos filosóficos...

 

Pobre daquele que ficou só com o cérebro e este ainda tem problemas! Alguns voltam à infância, outros caducam completamente! Não é incomum vermos alguns desfilarem pelas ruas se dizendo a reencarnação de Cristo, Buda, Dalai Lama, Hitler...Aí meus amigos, é um Deus nos acuda! Outro dia não é que apareceu um Saddam Husseim? Como se não bastasse, gritava por Bush com todo pulmão!

 

Enquanto nosso cérebro mantém a saúde e certa coerência, acho salutar filosofar! Ainda mais na cabeça dos outros! Ocupa nosso tempo e nos deixa com a sensação de poder, perdida em nossas fracassadas experiências. Compensa as nossas debilidades físicas e melhora nossa auto-estima.

 

Escrever um livro de auto-ajuda, estamos nos ajudando e, com sorte, ainda pegamos alguns desavisados, sugestionáveis e melhoramos a vida dele. Mal não faz! Com mais sorte ainda, conseguimos vender toda tiragem e de repente virarmos um bestseller, que o diga Paulo Coelho com « O Alquimista», pai de tantos outros ainda mais filosóficos! Nada contra «O Mago», ainda acredito que as respostas estão dentro de nós mesmos...Todas as soluções de nossos problemas!

 

A nossa mente é capaz de proezas intermináveis e usamos muito pouco de nosso cérebro...Por enquanto ainda filosofamos no tempo das pedras, com um cigarrinho dependurado no canto da boca e os neurônios dormindo por algum asilo ou à sombra de nosso guarda chuva em tarde quente de verão. Após os setenta anos, o que nos resta senão seguir a moda do «filosofar», rindo de nosso libido, sem que a patroa saiba ou os amigos...

 

Mil mentiras ditas como verdadeiras, tornam-se verdadeiras! Afinal, nesta fase de filósofo e mentiroso, todo mundo tem um pouco. Está certo Ocimar! Logo estarei escrevendo meu livro de auto-ajuda!

 



  Custos da «renovação»

Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ

A eleição para as presidências das duas casas legislativas em Brasília realizadas agora no início de fevereiro de 2009 nos custou caro.

Por apenas UM dia de «trabalho» para esta heróica façanha, os 513 Deputados Federais, 81 Senadores e seus respectivos suplentes receberão o mês integral. Um valor em torno de R$ 19.332.000,00!

E a resultante deste rombo em nossos cofres foi a entrega do comando dos antros aos «garotões» Sarney e Temer.

Cheios de idéias «novas», certamente no sentido de acabar de exaurir nossas últimas reservas financeiras e de paciência.

Aproveitando o ensejo, observemos o desperdício que a nação realiza anualmente em troca de medidas que em 90% dos casos beneficiam os banqueiros, empreiteiros, fazendeiros e outros «eiros» (menos nós, fuleiros) encastelados nos subterrâneos podres do poder nacional.

Focalizemos inicialmente os custos mensais.


R$ 8.208.000,00 - 513 Deputados x salário de R$ 16.000,00.

R$ 1.458.000,00 - 81 Senadores x salário de R$ 18.000,00.

R$ 11.680.000,00 - 584 x R$ 20.000,00 (viagens, gasolina, moradia, lanches, hospedagem, correios, etc).

R$ 5.840.000,00 - 584 x R$ 10.000,00 (Isto se considerarmos que um suplente gaste apenas metade).

R$ 23.360.000,00 - 5840 aspones x R$ 4.000,00 (se cada um possuir apenas 10 aspones no seu séqüito).

R$ 50.546.000,00 - BAGATELA mensal acumulada até agora.

R$ 606.552.000,00 - MIXARIA anual que sai de nossos bolsos.

R$ 8.208.000,00 - 13º. dos Deputados.

R$ 1.458.000,00 - 13º. dos Senadores.

R$ 23.360.000,00 - 13º. dos Aspones.

R$ 16.416.000,00 - Jetons dos Deputados quando comparecem pelo menos uma vez na câmara durante as duas férias anuais.

R$ 2.916.000,00 - Jetons dos Senadores ... idem acima.

R$ 658.910.000,00 - Rombo anual que a nação sofre com gastos diretos.

R$ 341.090.000,00 - Gastos indiretos englobando:

Contas telefônicas, compras de materiais higiênicos, curativos e de escritório, contratos (superfaturados) de limpeza de carpetes e cortinas, ar refrigerado, conexão com internet, compra de cuecas com bolsos camuflados.

Atingimos a modesta cifra de R$ Um Bilhão para oferecer mordomias monstruosas a elementos que trabalham (para quem?) em torno de 720 horas por ano (40 semanas x 3 dias x 6 horas). Então chegamos ao valor aproximado de R$ 3.000,00 do homem/hora do legislativo!

Se algum leitor mais dedicado tiver a paciência de relacionar outros itens, não ficaremos surpresos se este montante dobrar.

Como a oportunidade de estudo e cultura é vedada para 95% da população, esta parcela do povo não recebe estas informações detalhadas em nenhum balancete periódico.

Esta massa de eleitores adoradores do Big Bosta Brasil (que eles consideram gado) imagina na sua inocência que Um Milhão é um milho grande.

Rapidamente conclui que Bi-lhão são dois (bi) milhos grandes. E continua trabalhando 2880 horas por ano recebendo em média, R$ 2,00 por hora! Talvez possibilite a compra de um quilo de fubá (de milho).

Ainda bem para estes beneméritos «defensores» da moralidade pública, pois se o povo tivesse a exata noção do que ocorre nos pântanos dos gabinetes públicos (mais sujos que banheiros de estações rodoviárias), a convulsão social prevista para 2045/2050 (quando nossas minas estiverem exauridas) seria iniciada amanhã mesmo.





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