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EDIÇAO Nº IX 

3ª SEMANA, 3º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira
Chefe de Redacção: Arlete Piedade.



Fim de tarde

Arlete Deretti Fernandes


Anoitece lentamente...
O horizonte apresenta os mais lindos matizes.
O Pintor Eterno espalhou muitas tintas de cores variadas .
As aves, uma a uma, cortam o espaço sideral
Em um traçado perfeito,.
geométrico, indescritível, asas brancas desenham
os mais belos perfis, num ritmo sincronizado.
Seguem em frente para o ninhal que as abriga.
Lá os seus filhotes esperam o alimento.

Como estas aves emplumadas cumprindo leal missão,
A Natureza perfeita ascende suas estrelas, seus faróis.
Eu cá embaixo as aprecio embevecida
Contemplando tanta harmonia e perfeição.
Gostaria de ter asas e voar bem alto,
Sentir a suprema sensação de liberdade.
Enquanto sinto e olho, minha imaginação
me alça até as nuvens, passo por nimbos, cirros e estratos.
Extasiada com a beleza universal.

 

Manta de retalhos

Arlete Piedade


Manta quentinha formada de amizade,
que a todos nós aquece com carinho,
que afasta para longe essa saudade,
atapetando de flores, este caminho!

Caminho que percorremos nesta vida
e quem sabe já o fizemos outra vez,
talvez não fosse antes tão florida...
mas já esquecemos agora os porquês!

Nesta era queremos é solidariedade,
para compartilharmos nossa verdade,
entre todos que estendem suas mãos...

paz entre os povos, essa é vontade,
de todos que buscam pela liberdade,
manta de retalhos unida por irmãos!

Arlete Piedade - Fada das Letras

www.mundopoeta.net/fadadasletras

 

Maria Louca!

José Geraldo Martinez

Por onde andaria Maria Louca?
Nega pedinte e pinéu...
Talvez nesta vida pouca,
já tenha ido para o céu...
Lá, aprontaria com todo mundo!
Espantaria os passarinhos das mãos de São Francisco...
Como se não bastasse, nada que lhe faltasse,
beberia o café de São Benedito!
Maria Louca, nega andarilha, da minha infância,
era amada e não sabia!
Com largo sorriso branco na boca,
candura distribuia...
Tudo que ganhava dava:
bolachas, balas, doces...
Era a festa da molecada!
Pra eles contava longas histórias
e a gente até acreditava:
- Fui amiga de Jesus! ( por certo era)
- Tirei a sua coroa na cruz ( duvido)
- Os pregos de suas mãos ( duvido)
- Vi a ressurreição! ( duvido)
- Briguei com Judas e Pilatos,
arrumei a maior confusão! (não duvido)
Relatava fatos da época!
O Padre sempre a escomungava...
Quem garante que não vivera em outras vidas,
aquilo que tudo falava?
Proibida de entrar na igreja e
ainda assim confessava...
Dizia que era com Deus e que ele sempre
a escutava! (acredito)
Em baixo de uma seringueira,
começava a rezadeira e a sua sua igreja montava!
Naquela hora, parece que eu via
ao seu redor muitos santos...
Jesus com ela sorria e no colo de Maria,
sobrepunha o seu manto!
Maria?
Eu disse, Maria?
Quem garante que não era?
Mãe de Jesus? (dúvida)
Nega pinéu ... (é fato)
Um minuto para pensar...
Maria estaria no céu? (Não duvido)
Ela tinha tempo para amar...


« Nenhum tempo há de ser perdido se for gasto
com amor»


( Martinez )

 

Ode ao Quinhentão

ACAS

(Esta poesia foi feita em sala de aula, durante Curso Livre de Poesias e Literatura Brasileira, no distante ano de 2000)

I

A bruxa vestida de negro
Com muitas verrugas e muitos pêlos
No nariz, pilota vassoura
Já gasta puída, careca
Que o diabo à guinchar agoura.

II

O que é o Brasil, que ninguém vê?
-Zunzuns, assovios, vastos gritos
Permeiam a mata, onde o ipê
Se destaca, belo altaneiro:
Onde mora o saci pererê.

III

Montado num porco, o caipóra
Vigia gnomos brasucas e Yara
Mãe d’água, que sonha com botos
Que atraem moças virgens pro rio...
E o curupira que vigia as matas
Por cinco e longos séculos à fio
Pra que não se façam queimadas
Nem deixar que poluam as cascatas
Onde se banha Yemanjá.
O esforço parece que é vão...

IV

Matas tantas, quantas, imensas
Manacás, mandaquis, jabotis
Mangabas, goiabas, sapotis
Que o fogo aos poucos consome...
Fechemos nossos olhos à dor
Joguemos sal por sobre os ombros
-Que vá de retro, lobisomem.

V

São os entes imaginários
Que povoam nossas cabeças
Antropofagia de mários
Provocando muitos enleios
Bois-mamão, bumbá e as mulas
Sem cabeça, são os cavalos
Marinhos, reizados, catiras
E o negrinho do pastoreio
Cabeça urbana, pés caipiras.

VI

Justifica-se o meu Brasil
Tão caboclo, caipira, gentil
Tão audaz, sereno, dolente
Esse mulato insoneiro
Ainda moço, só quinhentão
Que crê: para ser brasileiro
E preciso amansar barbatão
E com meia braça de corda
Chegar um touro ao mourão
E preciso calçar esporas
E cair muitos, muitos tombos
E sentir o ardor das chibatas
E fugir para poucos quilombos
E ter na cabeça um mote
Paciência, a mais não poder
E muito peso no cangote
Fazer verso de pé quebrado
E sofrer, viver o agora
Ser índio, ou mulato indolente
Contar «causos», onde se gabe
Que o Brasil é terra da gente!

Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS

 

 

 

 
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