A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO
Nota introdutória elucidativa:
(Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no
seguinte endereço:
Arquivo
IV. )
PSICOLOGIA APLICADA
Em Sá da Bandeira (Lubango, década de 50), viveu um jovem mas exímio alfaiate (o Domingos) que tinha atrofiada (poliomielite?) a perna esquerda, de tal forma que inactiva lhe pendia a talvez vinte ou trinta centímetros do chão. Apesar disso, corria, jogava futebol e tudo fazia sempre amparado pela muleta que governava com espantosa habilidade.
Nessa época, o emprego de qualquer calão estava perfeitamente proibido e se evitava logo que se pressentia a proximidade de qualquer representante do sexo frágil. (Sempre havia um que logo alertava : Há roupa no estendaaaal ! ). Em tais circunstâncias, a simples menção a «gajo», por exemplo, estava fora de toda a cogitação fosse de quem fosse .
Aos domingos, quando não nos jardins da cidade, era hábito passearmos por uma longa avenida, o que fazíamos em animados grupos de rapazes e/ou de raparigas. (Havia um tácito e sempre cumprido acordo apesar de nunca negociado entre os motoristas e a juventude de que nas tardes em que o passeio se realizasse na avenida por ela não circularia nenhuma viatura automóvel).
Num desses domingos, o nosso mestre alfaiate com a muleta debaixo do
braço montado em desgovernada bicicleta, em disparada descia a avenida.
Depara-se-lhe, subindo, um rancho de moças que quase por completo tomava
toda a largura da avenida.
Em aflição, lhes grita o DOMINGOS:
- MENINAS !!! FUJAM DA FRENTE QUE ESTA P.... NAO TEM TRAVOES !!!!
Todas prontamente se afastaram e o Domingos mais a montada passam qual
raio, sem problemas, indo deter-se lá ao fundo, por pura inércia. Mais
tarde, em conversa com ele, o grupo de rapazes que presenciara o quase
acidente autoritariamente chamou-lhe a atenção para a grossaria, e dele
ouviu a explicação que se impunha:
- E vocês pensam que se educadamente eu tivesse dito: - fujam que a
bicicleta perdeu os freios, alguém se moveria ? Todas iriam pensar que
se tratava de brincadeira, iriam rir e..não me ligariam nenhuma !!!!.
Assim, como viram, todas rapidamente se afastaram e se evitou o pior
!!!! »
POETA E CANTOR
Este mesmo Domingos tocava violão e frequentemente se acompanhava em musiquinhas que, na sua voz mais ou menos agradável, ia entoando. Uma vez, apresentou-nos, duas criações humorísticas, com letra e música de sua autoria. Tenho imensa pena de me não recordar dos versos por inteiro, mas para ambos os poemas ele criara fadinhos corridos que a eles deram o respectivo suporte. As melodias ? De ambas se me esvaziou a memória musical.
O primeiro:
N’outro dia, no chafarizes
Eu vi-te a tomares um pozes
Tu tomaste uma dozes
Eu sou um desinfelizes.
.............................fazes
......................................
Então tu dizes que dazes
Um soco no meu narizes ?
O segundo:
Brincando com a figura histórica de D. NUNO ALVARES PEREIRA, o
CONDESTAVEL (1360-1431) jovem guerreiro como se sabe mais tarde tornado
Santo que se distinguiu em todos os variadíssimos confrontos militares
de que tomou parte activa, tendo liderado a chamada ALA DOS NAMORADOS
naquela que se tornou a conhecidíssima Batalha de Aljubarrota (1385).
O Nunes Alves Pereira
Foi um grande Condestável
Pois ‘inda depois de morto
E Santo o seu cadável !
Muito amigo do Camões
Mais do poeta Bocage
Foi um homem de corage
Que se bateu nos sertões.
Com sua espada certeira
Desbaratou muitos mouros
.Quem ganhou esse e outros louros ?
- O Nunes Alves Pereira !

Continuação «Mulher recebe menos em todos os países»
(Ver Início)
Ana acrescenta que a falta de mulheres em cargos de chefia não acontece
somente por culpa das empresas.» O UNIFEM tem um programa de promoção da
igualdade de gêneros nas companhias, que promove cursos de capacitação
para que as mulheres estejam aptas a ocupar cargos de gerência. E muitas
empresas dizem que é difícil preencher as vagas dos cursos, pois não há
procura das próprias mulheres», afirma.
Ranking
O país com melhor índice (que indica menor desigualdade de gêneros) é a
Suécia (MDG de 0,925), que também conta com a menor diferença entre
rendimento (a mulher ganha 84% do salário do homem). Apesar disso, as
mulheres ocupam apenas 32% dos cargos legislativos, 47% dos de alto
escalão. Na ponta de baixo está o Iêmen (MDG de 0,136), onde as mulheres
ganham apenas 30% do salário dos homens, ocupam 0,7% dos cargos
legislativos e têm 4% das posições de alto escalão. No Brasil, elas
ocupam 9,4% dos cargos legislativos, 35% dos de alto escalão, e 53% dos
postos de gestão.
Nas estatísticas do índice de 2008, a baixa presença das mulheres em
cargos legislativos (os menos ocupados por mulheres), de alto escalão e
de gerência acontece até mesmo nos países que têm as menores diferenças
entre o rendimento das mulheres e dos homens.
Uma das formas de reverter a situação brasileira é «investir numa
educação que valorize o papel da mulher no trabalho e encoraje as
meninas para áreas mais técnicas», afirma o consultor do PNUD na área de
desenvolvimento humano, Flávio Comim.» Esses dados mostram que o
problema brasileiro é no mercado de trabalho, e por isso, as políticas
devem ir além de uma universalização da educação, visar valores e
qualidade. Devemos traduzir o avanço educacional que tivemos para o
mercado de trabalho».
«As mulheres dedicam 27 horas semanais para os trabalhos domésticos,
enquanto os homens dedicam dez, independentemente de trabalharem fora ou
não», acrescenta a assistente do UNIFEM. Ana lembra que um fator
importante para a diferença de renda é o tipo de carreira escolhido por
cada sexo. Segundo ela, as mulheres procuram cursos como Assistência
Social, Enfermagem e Letras, menos valorizados, enquanto os homens,
associados a características como objetividade e racionalidade, buscam
Engenharia, Direito e Medicina. Para que essa mudança de mentalidade
aconteça, Ana acredita na importância da divulgação de dados como o MPG,
revelando desigualdade existente entre os gêneros.» E preciso mostrar
que este não é um quadro natural», afirma.
Africanos estão entre os menos desiguais
Os países escandinavos, primeiros no ranking do IDH, disputam os
primeiros lugares da lista de países com menor diferença de renda entre
homens e mulheres com países africanos, que figuram no final do ranking
do IDH. O Quênia, 144º no ranking do IDH, está em segundo lugar em
igualdade de rendimento entre os sexos (as mulheres ganham 82% dos
homens). Moçambique, 175º no IDH, é o terceiro de menor desigualdade de
renda (mulheres ganham 81% do salário masculino). Na lista dos dez
primeiros colocados ainda estão duas naçõses africanas — Burundi e
Malawi —, com baixo IDH.
A explicação para isso, segundo Comim, está no fato de que ter um
desenvolvimento mais baixo não significa que a discriminação contra as
mulheres seja maior. A mesma lógica vale pra os países desenvolvidos
que, independentemente do alto IDH, apresentam grandes diferenças nos
rendimentos feminino e masculino — como é o caso da Austria (que está em
19º lugar no ranking do IDH e é o 144º na comparação entre rendimentos
de homens e de mulheres), do Japão (8º no IDH e 126º na comparação dos
rendimentos) e da Itália (19º no primeiro ranking e 117º no segundo) . Comim afirma ainda que os casos específicos do Quênia e de Moçambique
podem refletir uma tradição desses países de ter um papel das mulheres
forte.
Se um número considerável de países africanos está entre os de menor
diferença entre o rendimento das mulheres e dos homens, no final da
lista há uma outra constante: os países islâmicos. Os dez últimos
lugares são todos de religião muçulmana. A assistente da UNIFEM explica:
«Essas desigualdades são convenções sociais, e nos países muçulmanos o
papel da mulher é mais subordinado.»
Questão Antiga
A igualdade de gêneros foi tema do RDH (Relatório de Desenvolvimento
Humano) de 1995, quando, pela primeira, vez foram calculados a MPG e o
IDG (Indice de Desenvolvimento Humano Ajustado ao Gênero). Sobre a
importância do assunto, o relatório diz: «O reconhecimento de direitos
iguais para mulheres e homens, e a determinação em combater a
discriminação de gênero, são conquistas iguais em importância à abolição
da escravidão, à eliminação do colonialismo e ao estabelecimento de
direitos iguais para minorias étnicas e raciais.» Segundo o relatório,
desenvolvimento humano significa o aumento das escolhas para todas as
pessoas, não só para uma parte da sociedade. «Este processo torna-se
injusto e discriminatório se a maioria das mulheres são excluídas de
seus benefícios. A contínua exclusão das mulheres de muitas
oportunidades econômicas e políticas é uma contínua acusação ao
progresso moderno», afirma o texto.
Já nessa época, o estudo constatou que as maiores barreiras para a
mulher eram a econômica e a política. «A participação da força de
trabalho feminina [no total] cresceu somente quatro pontos percentuais
em 20 anos — de 36%, em 1970, para 40%, em 1990. Em comparação com dois
terços de crescimento no número de mulheres adultas alfabetizadas e nas
matrículas escolares.»
ESTE JORNAL PRECISA DE TODOS
FAÇAMOS DESTE PROJECTO UM DESAFIO DE VENCEDORES