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EDIÇAO Nº X

COMENTARIOS

4ª SEMANA, 4º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira



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A COLUNA DE Jorge M. Pinto
CASOS AO ACASO

Nota introdutória elucidativa: (Essencial à compreensão de quanto se relata...). (Ver esta nota no seguinte endereço: Arquivo IV. )
                          

 

PSICOLOGIA APLICADA

Em Sá da Bandeira (Lubango, década de 50), viveu um jovem mas exímio alfaiate (o Domingos) que tinha atrofiada (poliomielite?) a perna esquerda, de tal forma que inactiva lhe pendia a talvez vinte ou trinta centímetros do chão. Apesar disso, corria, jogava futebol e tudo fazia sempre amparado pela muleta que governava com espantosa habilidade.

Nessa época, o emprego de qualquer calão estava perfeitamente proibido e se evitava logo que se pressentia a proximidade de qualquer representante do sexo frágil. (Sempre havia um que logo alertava : Há roupa no estendaaaal ! ). Em tais circunstâncias, a simples menção a «gajo», por exemplo, estava fora de toda a cogitação fosse de quem fosse .

Aos domingos, quando não nos jardins da cidade, era hábito passearmos por uma longa avenida, o que fazíamos em animados grupos de rapazes e/ou de raparigas. (Havia um tácito e sempre cumprido acordo apesar de nunca negociado entre os motoristas e a juventude de que nas tardes em que o passeio se realizasse na avenida por ela não circularia nenhuma viatura automóvel).

Num desses domingos, o nosso mestre alfaiate com a muleta debaixo do braço montado em desgovernada bicicleta, em disparada descia a avenida. Depara-se-lhe, subindo, um rancho de moças que quase por completo tomava toda a largura da avenida.
Em aflição, lhes grita o DOMINGOS:
- MENINAS !!! FUJAM DA FRENTE QUE ESTA P.... NAO TEM TRAVOES !!!!

Todas prontamente se afastaram e o Domingos mais a montada passam qual raio, sem problemas, indo deter-se lá ao fundo, por pura inércia. Mais tarde, em conversa com ele, o grupo de rapazes que presenciara o quase acidente autoritariamente chamou-lhe a atenção para a grossaria, e dele ouviu a explicação que se impunha:
- E vocês pensam que se educadamente eu tivesse dito: - fujam que a bicicleta perdeu os freios, alguém se moveria ? Todas iriam pensar que se tratava de brincadeira, iriam rir e..não me ligariam nenhuma !!!!.
Assim, como viram, todas rapidamente se afastaram e se evitou o pior !!!! »

POETA E CANTOR

Este mesmo Domingos tocava violão e frequentemente se acompanhava em musiquinhas que, na sua voz mais ou menos agradável, ia entoando. Uma vez, apresentou-nos, duas criações humorísticas, com letra e música de sua autoria. Tenho imensa pena de me não recordar dos versos por inteiro, mas para ambos os poemas ele criara fadinhos corridos que a eles deram o respectivo suporte. As melodias ? De ambas se me esvaziou a memória musical.

O primeiro:

N’outro dia, no chafarizes
Eu vi-te a tomares um pozes
Tu tomaste uma dozes
Eu sou um desinfelizes.
.............................fazes
......................................
Então tu dizes que dazes
Um soco no meu narizes ?

O segundo:

Brincando com a figura histórica de D. NUNO ALVARES PEREIRA, o CONDESTAVEL (1360-1431) jovem guerreiro como se sabe mais tarde tornado Santo que se distinguiu em todos os variadíssimos confrontos militares de que tomou parte activa, tendo liderado a chamada ALA DOS NAMORADOS naquela que se tornou a conhecidíssima Batalha de Aljubarrota (1385).

O Nunes Alves Pereira
Foi um grande Condestável
Pois ‘inda depois de morto
E Santo o seu cadável !

Muito amigo do Camões
Mais do poeta Bocage
Foi um homem de corage
Que se bateu nos sertões.

Com sua espada certeira
Desbaratou muitos mouros
.Quem ganhou esse e outros louros ?
- O Nunes Alves Pereira !

 





Continuação «Mulher recebe menos em todos os países» (Ver Início)

Ana acrescenta que a falta de mulheres em cargos de chefia não acontece somente por culpa das empresas.» O UNIFEM tem um programa de promoção da igualdade de gêneros nas companhias, que promove cursos de capacitação para que as mulheres estejam aptas a ocupar cargos de gerência. E muitas empresas dizem que é difícil preencher as vagas dos cursos, pois não há procura das próprias mulheres», afirma.

Ranking

O país com melhor índice (que indica menor desigualdade de gêneros) é a Suécia (MDG de 0,925), que também conta com a menor diferença entre rendimento (a mulher ganha 84% do salário do homem). Apesar disso, as mulheres ocupam apenas 32% dos cargos legislativos, 47% dos de alto escalão. Na ponta de baixo está o Iêmen (MDG de 0,136), onde as mulheres ganham apenas 30% do salário dos homens, ocupam 0,7% dos cargos legislativos e têm 4% das posições de alto escalão. No Brasil, elas ocupam 9,4% dos cargos legislativos, 35% dos de alto escalão, e 53% dos postos de gestão.

Nas estatísticas do índice de 2008, a baixa presença das mulheres em cargos legislativos (os menos ocupados por mulheres), de alto escalão e de gerência acontece até mesmo nos países que têm as menores diferenças entre o rendimento das mulheres e dos homens.

Uma das formas de reverter a situação brasileira é «investir numa educação que valorize o papel da mulher no trabalho e encoraje as meninas para áreas mais técnicas», afirma o consultor do PNUD na área de desenvolvimento humano, Flávio Comim.» Esses dados mostram que o problema brasileiro é no mercado de trabalho, e por isso, as políticas devem ir além de uma universalização da educação, visar valores e qualidade. Devemos traduzir o avanço educacional que tivemos para o mercado de trabalho».

«As mulheres dedicam 27 horas semanais para os trabalhos domésticos, enquanto os homens dedicam dez, independentemente de trabalharem fora ou não», acrescenta a assistente do UNIFEM. Ana lembra que um fator importante para a diferença de renda é o tipo de carreira escolhido por cada sexo. Segundo ela, as mulheres procuram cursos como Assistência Social, Enfermagem e Letras, menos valorizados, enquanto os homens, associados a características como objetividade e racionalidade, buscam Engenharia, Direito e Medicina. Para que essa mudança de mentalidade aconteça, Ana acredita na importância da divulgação de dados como o MPG, revelando desigualdade existente entre os gêneros.» E preciso mostrar que este não é um quadro natural», afirma.

Africanos estão entre os menos desiguais

Os países escandinavos, primeiros no ranking do IDH, disputam os primeiros lugares da lista de países com menor diferença de renda entre homens e mulheres com países africanos, que figuram no final do ranking do IDH. O Quênia, 144º no ranking do IDH, está em segundo lugar em igualdade de rendimento entre os sexos (as mulheres ganham 82% dos homens). Moçambique, 175º no IDH, é o terceiro de menor desigualdade de renda (mulheres ganham 81% do salário masculino). Na lista dos dez primeiros colocados ainda estão duas naçõses africanas — Burundi e Malawi —, com baixo IDH.

A explicação para isso, segundo Comim, está no fato de que ter um desenvolvimento mais baixo não significa que a discriminação contra as mulheres seja maior. A mesma lógica vale pra os países desenvolvidos que, independentemente do alto IDH, apresentam grandes diferenças nos rendimentos feminino e masculino — como é o caso da Austria (que está em 19º lugar no ranking do IDH e é o 144º na comparação entre rendimentos de homens e de mulheres), do Japão (8º no IDH e 126º na comparação dos rendimentos) e da Itália (19º no primeiro ranking e 117º no segundo) . Comim afirma ainda que os casos específicos do Quênia e de Moçambique podem refletir uma tradição desses países de ter um papel das mulheres forte.

Se um número considerável de países africanos está entre os de menor diferença entre o rendimento das mulheres e dos homens, no final da lista há uma outra constante: os países islâmicos. Os dez últimos lugares são todos de religião muçulmana. A assistente da UNIFEM explica: «Essas desigualdades são convenções sociais, e nos países muçulmanos o papel da mulher é mais subordinado.»

Questão Antiga

A igualdade de gêneros foi tema do RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) de 1995, quando, pela primeira, vez foram calculados a MPG e o IDG (Indice de Desenvolvimento Humano Ajustado ao Gênero). Sobre a importância do assunto, o relatório diz: «O reconhecimento de direitos iguais para mulheres e homens, e a determinação em combater a discriminação de gênero, são conquistas iguais em importância à abolição da escravidão, à eliminação do colonialismo e ao estabelecimento de direitos iguais para minorias étnicas e raciais.» Segundo o relatório, desenvolvimento humano significa o aumento das escolhas para todas as pessoas, não só para uma parte da sociedade. «Este processo torna-se injusto e discriminatório se a maioria das mulheres são excluídas de seus benefícios. A contínua exclusão das mulheres de muitas oportunidades econômicas e políticas é uma contínua acusação ao progresso moderno», afirma o texto.

Já nessa época, o estudo constatou que as maiores barreiras para a mulher eram a econômica e a política. «A participação da força de trabalho feminina [no total] cresceu somente quatro pontos percentuais em 20 anos — de 36%, em 1970, para 40%, em 1990. Em comparação com dois terços de crescimento no número de mulheres adultas alfabetizadas e nas matrículas escolares.»

 

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