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EDIÇAO Nº X

COMENTARIOS

4ª SEMANA, 4º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

Mais importante do que saber como se fala é  fazer saber aquilo que se diz e dizer aquilo que se pensa. Este Jornal oferece-lhe a possibilidade de publicar colaborações. Não deixe que outros digam por si aquilo que você mesmo pode dizer. Contacte-nos.





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CARNAVAL NINGUEM LEVA A MAL

Joao Furtado

 

Carnaval e ninguém leva a mal

Que as loucas e néscias de juízo

Sejam alugadas para bombas levar

E destruir casas e cidades

E matar mais pessoas inocentes

é Carnaval e ninguém leva a mal



Carnaval e ninguém leva a mal

Que fabricantes de bombas artesanais

Continuem a fabrica-las e a coloca-las

Nas ruas e metros europeus

E milhões que deviam ser canalizadas

Para saúde e educação, enfim

é gasto na inteligência e contra-inteligência

Para evitar banhos de sangue, mas…

é Carnaval e ninguém leva a mal



Carnaval e ninguém leva a mal

Por criarmos a democracia

E com ela a eleições

Declararmos que são legais

Ou que foram viciadas

Mas fugirmos «como estrangeiros»

Nós os observadores

Quando os julgados injustos

A força das armas tentarem repor

A legalidade perdido ou ganhada, mas

é Carnaval e ninguém leva a mal



Carnaval e ninguém leva a mal

As mulheres espancadas

E os filhos violados

As crianças raptadas

As prostitutas forçadas

é Carnaval e ninguém leva a mal



Carnaval e ninguém leva a mal

A fome sofrida

Espancamentos e brigas

Os deslocados da guerra

Da guerra dos outros

é Carnaval e ninguém leva a mal



Carnaval e ninguém leva a mal

Os crimes e dinheiros sujos

Que suportam o mesmo Carnaval

No Reino MOMO, capital do Carnaval

é Carnaval e ninguém leva a mal



Carnaval o ano todo

E o Carnaval eterno será

E ninguém levará a mal

Enquanto farta mesa e bela musica

Seu estômago e seu ouvido ouvir

é Carnaval e ninguém leva a mal

Dos prantos e das lágrimas

Sofridas e deitadas por quem não é

Deste Carnaval dos outros

Este Carnaval dos ricos e poderosos

Bem digo mais uma vez e repito

é Carnaval e ninguém leva a mal

 

 

 

Novas tácticas da B.T. (brigada de trânsito)

Cuidado! Quem te avisa teu amigo é. :)

Isto é confidencial!
(Estes dados foram-me fornecidos pelo primo de um amigo meu, cujo pai trabalha com a irmã da cunhada mais nova de um agente, que mora ao lado de um coronel reformado. A filha deste pensionista namora com o filho mais velho do sapateiro que engraxa as botas dos militares.)

A Brigada de Trânsito acabou de adquirir 34 novas viaturas de intercepção e controlo. São meia- dúzia de Fiat 127... a debitar cerca de 185 cv. Costumam andar na A1 entre Condeixa e a recta de Pegões.

Atenção! Estes carros são conduzidos por mulheres austríacas, vestidas à vianense e levam a bordo três crianças. Para detectar os infractores estão equipadas com um radar rotativo no tejadilho. Como disfarce levam um autocolante da Milupa onde se pode ler «Bebé a bordo».

Fazem também parte da frota vinte e quatro Talbot Samba 1.1 (com 215 cv!) que circulam em fila indiana pelo IP5. Estes carros são conduzidos por antigos maquinistas da CP. A sirene está escondida por baixo de um mocho de plástico no tejadilho.

Na Nacional 125, desde o final do mês passado, circulam dois Renault 12 bèges, com condutores octogenários vestidos à sevilhana. Estes carros levam montada uma câmara de estúdio no tejadilho e sempre que alguém ultrapassa os limites, o condutor dá indicações ao operador de câmara para começar a filmar.

Em simultâneo é feita uma ligação via telemóvel para o segundo carro que prontamente acompanha o transgressor. Assim que estiverem lado a lado, o condutor do segundo carro liga de volta para o carro com a câmara dando-lhe a leitura exacta da velocidade.

Convém salientar que debaixo do capot deste Renault 12 estão mais de 245 cv... A centralina destas máquinas foi reprogramada em Luanda.

As restantes duas viaturas são Toyota Dyna 2.5D, de caixa aberta, e usam como disfarce 1500 kg de sacos de cimento. Na cabina vão três lutadores de sumo, dois dos quais comandam um sofisticado radar. A câmara é comandada pelo condutor que também está encarregue de todas as comunicações com a central.

Estas Toyotas estão preparadas com um kit TTE e já foram vistas na serra da Estrela, a subir do Sabugueiro para a Torre, atrás de um 2CV a 196 km/h.

 

 

Tradussão popular


Pelo menos 84% do povo não tiveram a oportunidade (propositalmente) de absorver ensinamentos que possibilitem a elevação de nossa qualidade de vida.

Foram condenados ao pasto para servirem aos anseios dos que se eternizaram no poder e pouco se importam com o futuro da pátria. Por isto temos estes modelos de políticos (aplaudidos) que gerenciam nossos impostos e subtraem grande parte do montante para construir seus castelos e manter suas capitanias hereditárias em nosso território.

Para estes iludidos (não por culpa total deles) eleitores que constam das «pesquisas de satisfação» forneço a «tradução» de alguns termos que muitas vezes não fazem parte de seu linguajar cotidiano. Vamos chamá-lo de : «tradussão prapular.»

Militarmente (Militar-mente) = sujeito de farda que conta lorotas.

Reumatologista(Reu-mato-logista) = Acusado que eliminou dono da loja (gulp).

Mamografia (Mamo-grafia) = Quem diz que absorve muita cultura escrita.

Elevador (Eleva - dor) = Quando a dor aumenta.

Flagelado (Fla-gelado) = Time do Fla quando joga sem entusiasmo.

Ecológico (Eco-lógico) = Um eco de bom senso.


Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ - Aulas de Matemática.





Carnaval

Numa pequena «sondagem» que fizemos, com os meios que a evidência da Net nos proporciona, verificámos que na generalidade dos países da CPLP Portugal é aquele que menos «goza» o Carnaval.

Há quem goze o Carnaval com maiores ou menores meios; grandes paradas, médias paradas e pequenas paradas são uma constante. Mas, em termos de impacto dos mídea, o país onde menos se fala do Carnaval é Portugal.

Não quisemos deixar passar em branco esta comemoração, por vezes com gastos tão contraditórios com as situações económicas reais dos países onde têm lugar, pelo que anexamos algumas colaborações que nos foram enviadas. E tendo em conta a diversidade de colaboradores que temos espalhados pelo mundo inteiro, não podemos deixar de notar que a insistência destes no tema também não foi muita...outros «carnavais» se vivem...

 

MAMADEIRA DE TEQUILA


Sandra Fayad



Meu Brasil de Norte a Sul,
Naquele domingo dourado
De verde, branco e azul,
Da metrópole ao povoado,
Cantava só para mim
Que na terra havia pousado.

Cheguei brilhante e faceira
Cheirando lança-perfume.
Ao invés de mamadeira
Tomei logo uma tequila.
Transformei-me em vaga-lume
Pra brilhar na Escola da Vila.

Vesti fraldas de cetim
Babador de paetês
Chupetinha de alecrim.
E sem perder a altivez,
Caí no samba de sapatim
Pela primeira vez.

Fevereiro, fevereiro!
Fevereiro é o meu mês
Carnaval, carnaval!
Carnaval rima com quê?
Carnaval é Fevereiro
Ah! Fevereiro é o meu mês...

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/

Bsb, 06/06/2006

Saúde de ferro

Vejam todos os presentes
Que pensamentos de horror
Ao passarmos dos setenta
Chegamos à fase do «condor».

Nadando pelo imenso rio
Fugindo do faminto jacaré
Subi no tronco flutuante
Pois estava com dor no pé.

Fugindo doido sem rumo
Fui bicado por um forte galo
Comecei a andar devagar
Caminhando com dor no calo.

Caminhando pelo deserto
No lombo de um alto camelo
Desci da sinuosa corcova
Estava com dor no tornozelo.

Correndo pelo meio do mato
Perseguindo um gordo coelho
Sentei numa pedra lascada
Pois estava com dor no joelho.

Postei-me estático sem piscar
Contemplando o olhar da mocha
Logo tive de abandonar a pausa
Pois estava com dor na coxa.

Estiquei o frágil esqueleto
Ouvindo o canto do periquito
Logo senti a perna dormente
Fiquei com dor no «pirulito».

Levantei-me tendo rasgado
A calça de pele de carneiro
O vento frio que penetrava
Deixou-me com dor no traseiro.

Passei com mais cuidado
A seguir a pequena formiga
Mas logo a deixei sozinha
Gemendo com dor de barriga.

Passei ao largo de um cercado
Onde ciscava uma alegra galinha
Não me atrevi a curvar-me
Podia ficar com dor na espinha.

Vou procurar evitar o mar
O lar natural do tubarão
Pois com toda certeza
Ficarei com dor no pulmão.

Já estava com algum receio
De encontrar ruidoso leão
Pois assim com toda certeza
Eu ficaria com dor no coração.

Resolvi subir numa árvore
Seguindo um peludo macaco
Desisti logo da aventura
Estava com dor no sovaco.

Esbarrei num animal menor
Que identifiquei como anta
Deixei-o sozinho na trilha
Tossi com dor na garganta.

Peguei minha leve câmera
Para filmar uma alegre perdiz
Mas o movimento delicado
Deixou-me com dor no nariz.

Chegando num belo pasto
Passei a fitar uma ovelha
Mas pelo frio que fazia
Fiquei com dor na orelha.

Fui para a beirada da lagoa
Observar a estática perereca
Mas a chuva grossa que descia
Deixou-me com dor na careca.

Andando a passos bem lentos
Ao lado da veloz tartaruga
Por incrível que lhe pareça
Fiquei com dor na verruga.

Até que finalmente esbarrei
Num rosado e gorducho porco
Rapidamente dele me afastei
Pois estava com dor no corpo.

O corte onde jorrou o sangue
Similar ao esguicho da baleia
Me desacordou na relva fria
Acordei com dor na veia.

Já estou fazendo uma prece
Para não encontrar um cachorro
Pois da forma que estou falido
Se isto ocorrer agora, eu morro!

Sobrevivendo a estas provações
Poderei ir para uma maratona
Se conseguir atingir a chegada
Com certeza vou para a zona!

 

Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ

 




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