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EDIÇAO Nº X

COMENTARIOS

4ª SEMANA, 4º NUMERO  DE FEVEREIRO DE 2009

AGENDA
Nesta pagina serão colocados notícias sobre eventos realizados ou a realizar que possam interessar no plano cultural mais localizado ou com maior especificidade temática (Concursos regionais, eventos locais, etc.)                         

Cesmac publica peças de Homero Cavalcante

Obras serão lançadas no mês de Março.

Duas peças do dramaturgo alagoano Homero Cavalcante estão no prelo: o drama «Calabar: Sonho e Liberdade» e a comédia «Eira, beira e ramo de figueira ou Dona Moça solteira». Juntas, as duas obras serão publicadas em Março pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), em parceria com a Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal). A organização do livro está sendo realizada pelo mestre em literatura brasileira, Antônio José Rodrigues Xavier, professor da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas (Facet) da instituição.

A publicação das peças faz parte de uma série de iniciativas do Núcleo de Projetos de Extensão (NPE) do Cesmac que visa valorizar e fortalecer a cultura alagoana. O Núcleo é coordenado pela escritora e professora Vera Romariz. No ano passado a peça «Calabar: Sonho e Liberdade» foi montada pelo grupo de teatro amador do Cesmac, sob direcção do próprio autor. O espectáculo ficou em cartaz no Teatro de Arena Sérgio Cardoso, em Maceió, e percorreu algumas cidades do interior, como Porto Calvo - cidade Natal do senhor de engenho Domingos Fernandes Calabar, personagem central da peça, polêmico herói alagoano, morto em 1635 pela Coroa Portuguesa acusado de traição.



A narrativa criada por Cavalcante propõe uma revisão histórica da trajetória do militar e senhor de engenho nascido em Porto Calvo, desfazendo o estigma de traidor que ainda permeia sua biografia. «Calabar foi um patriota visionário que se desiludiu com os colonizadores portugueses no Brasil.

Apesar de ter inicialmente lutado para expulsar os holandeses do País, ao lado dos portugueses, ele mudou de posicionamento durante o conflito por acreditar que a ocupação holandesa poderia ser mais positiva para os brasileiros, já que a Companhia das �ndias Orientais, liderada por Maurício de Nassau, tinha oferecido a contrapartida do desenvolvimento em Pernambuco, construindo uma grande infra-estrutura urbana, as cidades do Recife e Olinda», afirma.

Proprietário de terras nordestino, Domingos Calabar, apoia as invasões holandesas em Pernambuco e é acusado de traição pelas autoridades coloniais portuguesas. Domingos Fernandes Calabar (1600? - 1635) nasce em Porto Calvo, Alagoas, então parte integrante da capitania de Pernambuco.

Mulato, estuda com os jesuítas e torna-se senhor de terras e engenhos. A partir de 1630 luta contra os holandeses sob as ordens de Matias de Albuquerque, governador da capitania. Profundo conhecedor da região, prepara emboscadas nas quais os invasores são sistematicamente derrotados. Em 1632 passa a auxiliá-los em troca da liberdade civil e religiosa que oferecem a quem os apoiar. Além de Calabar, aderem à proposta cristãos-novos, negros, índios e mulatos. Ele orienta os ataques às vilas de Igarassu e Goiana, à ilha de Itamaracá e ao forte de Rio Formoso, que obrigam as tropas coloniais portuguesas a recuar para o norte.

Numa contra-ofensiva em Porto Calvo, o governador pernambucano supera as forças holandesas e consegue vencê-las em 1635. Calabar é preso, mas insiste em defender sua convicção de que o domínio holandês seria mais benéfico par o Brasil do que o controle português. Nesse mesmo ano é enforcado por ordem de Matias de Albuquerque.

Numa outra visão sobre Calabar e a traição dois importantes artistas escreveram uma das páginas mais importantes do teatro brasileiro contemporâneo, tornando-a exemplo de utilização da matéria histórica como instrumento gerador de reflexão.

Calabar - o elogio da traição, escrita justamente entre os anos de 1972 e 1973, no auge da ditadura militar brasileira e as vésperas do Abril florido da revolução portuguesa — o que criou obstáculos à montagem da peça — é uma alegoria histórica que se passa na época das invasões holandesas em Pernambuco, no século XVII. Aborda a questão da lealdade e da traição, numa clara alusão à conjuntura política do período em que foi escrito. Inclui canções famosas de Chico Buarque, como Anna de Amsterdã e Bárbara.

Com sensibilidade e inteligência, a peça amplia o debate ideológico de forma provocativa, irônica, quase caricatural. Os conceitos de traidor e traição, se subjetivos per se, tornam-se ainda menos palpáveis na obra de Chico e Ruy. Afinal, onde está a traição: nos mantenedores da ordem ou na rebeldia dos heróis? E quem são, de fato, os heróis e os vilões? Como escrevia Fernando Peixoto, em 1980, o texto de Calabar - o elogio da traição é « um espetáculo debochado, capaz de assumir a quase anárquica, mas organizada colagem e a justaposição de imagens e épocas».

Há sensibilidade e inteligência na utilização da matéria histórica como instrumento capaz de instaurar uma consequente reflexão que ultrapassa os limites de determinadas circunstâncias político - económicas e amplia o debate ideológico de forma irónica, provocativa, apoiada em extrema e contagiante teatralidade, usando a postura crítica e a desmedida coragem de assumir o grotesco. A obra desmistifica o conceito de traidor e a noção vazia e abstracta de traição.


2º Workshop APDR

13 de Março de 2009

Evora, Universidade de Evora - Colégio Espirito Santo

Cenários de Transformação da Paisagem Face aos Factores de Mudança Globais

As paisagens da Europa e do Mundo tem vindo a registar transformações radicais ao longo das últimas décadas, e muitas outras mudanças são expectáveis num futuro próximo, pelas modificações, por um lado, nos mercados e estrutura da produção, e por outro na procura de outros bens e serviços proporcionados por estas paisagens, que resultam também em novos mercados.

Estas são transformações provocadas pelo crescimento económico global, pelas latentes revoluções e evoluções tecnológicas, pela constante modificação de políticas e acordos, e pela alteração mais lenta dos objectivos e valores das pessoas e dos povos.

Estas transformações criam um desafio à reflexão que vai muito para além do estudo dos sistemas de agricultura e das estruturas da paisagem, envolvendo necessariamente a análise dos processos económicos, sociais, tecnológicos, ambientais e políticos, que interagem no espaço ao longo do
tempo e que se reflectem em alterações contínuas destas paisagens, e também dos desafios à sua gestão – tanto mais que envolve escalas diferentes de decisão e de actuação.

A organização de um Workshop em Évora sobre o tema «Cenários de Transformação da Paisagem face aos factores de Mudança Globais» pretende ser um contributo para responder a questões muito práticas e crescentes que se colocam a decisores públicos e privados quando confrontados com as transformações radicais na paisagem.

Como atender às modificações bruscas que se fazem sentir sobre o território variando entre o abandono e as pressões de ocupação de carácter ideológico, sejam ela produtivistas ou ambientalistas? Como responder à desertificação e degradação dos espaços rurais e ao congestionamento e alastramento dos espaços urbanos? Como reagir à queda acentuada dos preços das habitações ou à forte corrupção associada ao valor dos terrenos em espaços planeados?

A Associação Portuguesa de Ecologia da Paisagem e a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional com o apoio da Universidade de Évora e a cooperação da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais, da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Economia Agrária e da Associação Portuguesa de Geógrafos decidiram criar um momento para aprofundar esta reflexão.

Para isso mobilizámos especialistas para apresentarem as questões mais relevantes; desafiamos os investigadores portugueses a apresentarem os seus trabalhos sobre o tema; e convidamos os comunicadores, os agentes, os políticos e o público a participarem nos trabalhos e no debate final, mas também ao longo do encontro.

Para além da informação e divulgação dos resultados do encontro, os trabalhos apresentados serão seleccionados não só para um número especial da Revista Estudos Regionais mas também para um livro sobre Problemas Emergentes do Desenvolvimento Regional a editar pela APDR no fim do ano de 2009 com base nos trabalhos dos workshops efectuados sobre «Impacto dos Aeroportos», «Cenários de Transformação da Paisagem», «Turismo e Sustentabilidade» e «Imigração e Desenvolvimento».

Contactos:

APDR - Elisabete Martins, Tel.: +(351) 295 402 229

Fax: + (351) 295 402 205, E-mail: elisabetemartins@uac.pt

A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) foi fundada em 1984, visando contribuir para a inovação, aprofundamento e divulgação de conhecimentos no âmbito do desenvolvimento regional, promover a troca de informação e experiências entre os seus associados e profissionais de instituições diversas, promover o encontro entre as diferentes disciplinas envolvidas e fomentar a colaboração entre a Universidade e a Administração Pública, tendo em vista uma mais estreita ligação entre o conhecimento científico e a prática do desenvolvimento regional.

A APDR é a secção portuguesa da European Regional Science Association (ERSA) e tem actualmente cerca de 220 membros, que desenvolvem as suas carreiras em instituições académicas ou noutras instituições públicas e privadas ligadas ao desenvolvimento regional.

 

Nazaré - Pós-graduação em Etnologia Portuguesa

A vila da Nazaré foi o local escolhido pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias para ministrar um curso de pós-graduação em Etnologia Portuguesa Contemporânea.

Sob coordenação do sociólogo e investigador Moisés Espírito Santo, a pós-graduação pretende contribuir para «um melhor conhecimento científico da cultura e da civilização portuguesas actuais». Daí que o currículo do curso seja composto por áreas como Teorias da Cultura e das Identidades; Aculturação e Globalização; Família, Género e Sexualidades; Territórios Rurais e Urbanos, Agrícolas, Industriais e Piscatórios; Religiões e Espiritualidades; Saúde e Doença; Moda, Consumo e Imagens; Educação Familiar e Escolar.

Nove professores doutorados compõem o corpo docente, entre os quais o próprio reitor da Universidade Lusófona, Mário Moutinho.

A pós-graduação possibilitará a realização de uma especialização complementar e elaboração de dissertação para obtenção do título de Mestre em Etnologia Portuguesa Contemporânea.

A pós-graduação vai ser leccionada na Biblioteca Municipal da Nazaré às sextas-feiras, das 18h30 às 22h30, e aos sábados, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00, ao longo de 24 semanas. As inscrições devem abrir brevemente, podendo os interessados obter mais informações através de e-mail para unigefa@ulusofona.pt ou do telefone 21 751 55 00.

Segundo a Universidade Lusófona, a escolha da Nazaré para a realização do curso é justificada pelas suas «tradições laborais e culturais e da sua posição central no território nacional e no Litoral onde, no nosso tempo, a sociedade portuguesa tende a desenvolver-se».

A apoiar esta iniciativa, a autarquia local espera que a pós-graduação seja o embrião para a instalação de uma Escola de Altos Estudos em Etnologia Portuguesa Contemporânea da Universidade Lusófona na vila piscatória.

O que se pretende é que a instituição seja um espaço privilegiado de debates, colóquios, semanas de estudos e congressos sobre contemporaneidade.

 

 

 

 

Apex- Brasil e Anprotec: R$ 6 mi para ensinar a exportar



A Apex - Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e a Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreen-dimentos Inovadores) lançam um projeto que pretende fomentar as exportações do setor brasileiro de TIC. A iniciativa conta com recursos de R$ 6 milhões e é voltada a empresas instaladas em incubadoras e parques tecnológicos de todo o país.

A meta do projeto, cujas ações de divulgação e captação de empresas iniciam já em março, é sair de exportações de US$ 100 mil em 2008 para US$ 1,4 milhões em 2009 e US$ 2,3 milhões em 2010. Os mercados-alvo iniciais serão EUA, México, França, Reino Unido, Alemanha, Portugal, Espanha e Colômbia.

Segundo dados da Anprotec, do universo de aproximadamente 6,3 mil companhias vinculadas a incubadoras e parques brasileiros, cerca de 45% são de base tecnológica, representando aproximadamente 2,8 mil micro e pequenos negócios de TIC.

«Com o convênio Anprotec/Apex, nossa ideia é atender ao menos a 120 empresas dentro de dois anos», conta André Limp, gestor do projeto. «Faremos um trabalho de cunho instrutivo, preparando pequenas companhias para uma cultura exportadora. Das 120 que pretendemos atingir, a perspectiva é que até 2010 metade já tenha atingido maturidade suficiente neste quesito para exportar por conta própria. As demais poderão levar mais tempo», complementa.

Para fomentar a cultura exportadora, a iniciativa vai aplicar os R$ 6 milhões, divididos em recursos da própria Apex e de contrapartida das empresas, em ações como estudos setoriais de inteligência comercial, com apontamento de produtos e mercados viáveis; e incentivo à participação das companhias em feiras e missões empresariais – começando pela Cebit, no mês que vem.

«Também focaremos o diagnóstico, análise e consultoria seguindo a metodologia EMM (Export Maturity Model) ou Modelo de Maturidade Exportadora», ressalta Alessandro Teixeira, presidente da Apex-Brasil. «O foco é alavancar estratégias de internacionalização, atrair investimentos estrangeiros produtivos para o setor e promover o intercâmbio tecnológico orientado para negócios», acrescenta o presidente da Anprotec, Guilherme Ary Plonski.

Potencial homogêneo


Segundo Limp, todos os grandes centros urbanos brasileiros abrigam incubadoras e parques tecnológicos cujas empresas oferecem condições de exportar.

«Além das capitais, há outras cidades onde a TIC também apresenta muita força, devido à concentração de bons profissionais, organizações e estrutura universitária. São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, é um bom exemplo», destaca ele.

Via incubadora


As empresas interessadas em participar do projeto serão instruídas pelas incubadoras sobre como fazê-lo. Por hora, basta aguardar, já que as ações da parceria Apex/Anprotec iniciam no mês que vem.


Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira.
Chefe de Redacção: Arlete Piedade.










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