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EDIÇAO NºXVIII , IIIº NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

Patricia Neme

Nota biográfica e trabalho


Patricia Neme, 58 anos, engenheira, tradutora/intérprete (Cursos realizados na Alemanha), poeta.

Uma pessoa simples, transbordante de fé em Deus, apaixonadíssima por Jesus, o Cristo.

Mãe do David, do João Carlos e da Angela Victória; «vó» da Luíza - neles reside o meu amor.

Adoro cães, montanhas, principalmente as de Minas, silêncio e música erudita.

Alguém que sente dor ante o sofrer alheio e uma profunda indignação com o que nossos governantes fazem desta pátria.

Alguém que sonha... muito... Por isso, escreve.

Livros editados: RELICARIO, 2006; O LIVRO DA INTIMIDADE, 2008.

Meus versos podem ser visitados em:

http://www.crlemberg.com.br/poeta/patricia/patricia.htm


Saudade

Eu, hoje,
acordei com saudade.
E, assim como quem procura,
na gaveta da ventura,
entre mil e um guardados...
Achei o teu rosto amado,
no agora,
amanhã,
no passado,
dos sonhos, o mais sonhado,
minha mais terna ilusão.
E sem temer tempo ou idade,
envolta em doce loucura,
me dei a ti com ternura,
me dei a ti sem cuidados,
num ato,
tão encantado,
que o Tempo,
de emocionado,
deixou o mundo parado...
E dormiu na minha mão.


LEPRA: uma realidade brasileira.

O Brasil é o país no mundo com o maior número de portadores de lepra. Há uma ong que diz sermos os segundos, porque nos compara com a �ndia, que tem um bilhão e quatrocentos milhões de pessoas; nós, temos cento e oitenta milhões. Então, que lá exista mais gente doente, é, pelo menos, óbvio. Proporcionalmente...

Em 1995, através do que é considerada uma conquista da dita ong, o então sociólogo - presidente promulgou uma lei, proibindo o uso da palavra lepra, mudando-a para hanseníase. Resta saber se a população sabe que se fala da mesma coisa.

Hoje, encontramo-nos em estado epidêmico; mas o Ministério da Saúde nega essa realidade, que pode conspurcar sua imagem no exterior. E eu me pergunto se, com os políticos que temos, ainda temos alguma imagem...

Eu tenho lepra; prefiro essa palavra, é mais esclarecedora. E me livra de dar muitas explicações quando pessoas, inclusive com doutorado, me perguntam «hansen... o quê?» Lepra já diz tudo, principalmente para quem não é sociólogo.

Levei quase três anos para receber um diagnóstico, pois os médicos quase nunca consideram essa hipótese. Na verdade, enquadrada nas «doenças negligenciadas» pelo Ministério da Saúde (e pode haver tal categoria de doença?), durante o curso de medicina fala-se a respeito em apenas uma aula; quando falam. Minha sobrinha, recém-formada em excelente faculdade federal, jamais ouviu a esse respeito.

Fiz o tratamento poliquimioterápico, mas estou altamente sequelada, o que significa que já não me encontro apta para executar qualquer trabalho. Além disso, apesar de eu não ser mais um agente transmissor da doença, já que os bacilos estão mortos, sigo sob seus efeitos. O corpo necessita de, pelo menos, cinco anos para expelí-los; e isso causa uma dor insuportável.

Meu sistema imunológico tem dificuldades em reconhecer meu sistema nervoso, que foi o alvo do ataque dos bichinhos. Então, o já combalido sistema nervoso segue sendo atacado, pois é considerado corpo estranho. E isso, não há remédio que conserte.

Como resultado da PQT (poliquimioterapia), fiquei com catarata na vista direita e, quase um ano após terminado o tratamento, ainda estou às voltas com uma esteatose hepática; se não for bem cuidada, pode degenerar em cirrose.

A PQT, embora mate os bacilos, é uma bomba de efeitos devastadores... E não muito conhecidos pelo dito ministério, pois não existe um acompanhamento durante e pós-tratamento. Como não consideram se o paciente é alérgico à sulfona, um componente da PQT gerador de grande transtornos; me pergunto por quê não fazem um teste para verificar se somos ou não alérgicos.

Embora uma doença bastante estudada em todo o mundo, ainda não se conseguiu descobrir uma vacina que impeça esse mal. E o diagnóstico, em muitíssimos casos, é feito tardiamente, o que gera as seqüelas. E as seqüelas são irreversíveis.

O tema é extenso, seriam necessárias páginas para descrever o que é exatamente esse drama, que espreita cada brasileiro como uma caninana prestes a dar o bote, e é tão mal elucidado em campanhas televisivas: eu tive hanseníase, tomei a medicação e estou curada! Coisa mais absurda e patética! E incompetente!

Agora, surge mais um desvario, capitaneado por gente lá do sul do país, como se já não bastassem os tantos que pretendem abranger o tema: alguns desocupados, embora médicos (eu sempre digo que diploma de medicina está ficando por demais barato...), estão tendo a ousadia de afirmar que o Brasil encontra-se em processo de erradicação da hanseníase.

Piada de mau gosto. Como se erradica o que mal se consegue diagnosticar, até porque pode ser, e o é, confundido com várias outras enfermidades? Se a única forma de prevenção é o diagnóstico precoce e início de tratamento o quanto antes, pois só assim a contaminação não se alastra?

E la nave va (em bom italiano, «e lá vai o barquinho...», sabe Deus pra onde!).

Saldo do rescaldo:

Um Ministério da Educação que não adequa o currículo de medicina às nossas reais necessidades. Um Ministério da Saúde, que estabelece um conceito de «doenças negligenciadas»; afirma, em propaganda enganosa, que tem cura algo que inutiliza pessoas (jura, de pé junto, que 70% são curados; e os outros 30%, não merecem consideração?); não possui qualquer trabalho de acompanhamento de colateralidades durante o tratamento e pós-PQT; não se mexe para fabricar no país a medicação necessária, doada por uma ong holandesa.

Aliás... Repararam como estão falando a respeito da tuberculose? É que já chegamos a níveis aterrorizantes. Até então, o bicho comendo solto e eles, caladinhos...

Um grupo de viajantes na maionese (essa expressão significa «delirar»), que tem a ousadia de afirmar que estamos erradicando a doença (eles é que deveriam ser erradicados).

Um INSS que torna a vida negra, a quem, por direito legal, busca sua aposentadoria por invalidez (dá pra entender porque eu disse que seriam necessárias páginas?). (INSS é o nosso INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL)

Eu, eterna portadora da lepra – à espera que o Senhor minore ou elimine as minhas dores.

Você, que mesmo vivendo de forma e onde considere inatingível, já está com o bichinho aí dentro, só esperando a sua imunidade baixar um pouquinho.

Ah, sim.... e os que foram eleitos por nossos votos, sempre com malas e cuecas comprometidas.

Paz em Deus.

Patrícia Neme

nemepatricia@hotmail.com



Denise de Souza Severgnini

Notas biográficas

Denise de Souza Severgnini, é natural de Porto Alegre, SS.

É licenciada em Biologia pela UFRGS. Professora no Ensino Fundamental, lecionou em várias escolas municipais de Novo Hamburgo.

Atualmente exerce sua função de docente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Pres. Washington Luiz, ministrando as disciplinas de Ciências, Matemática e Artes.

Biografia Poética

Nasci menina, sapeca desde pequena
Numa cidade, época serena, Porto Alegre
Numa manhã de março, aos dezenove do mês
Ao meu pai, causei embaraço,ele esperava menino
Enganei o destino, guria e poetisa, eu nasci
Nos pagos do meu Rio Grande, cresci, estudei
Já mocinha, na UFRGS, em Biologia, eu me formei
Hoje, com muito orgulho, professora, eu sou
E desempenho, com amor, a profissão, que Deus
Felizmente, me presenteou
Nas encruzilhadas da vida, encontrei o amor
Na figura de alguém que amigo sempre foi
Meu querido,marido Márcio,companheiro
Para seja lá o que for
Pouco mais tenho a dizer
A paixão dos meus dias é poesias escrever

Tem textos publicados nas antologias Festa na Janela, Cacos de Luar, Antologia de Escritores Brasileiros, 3ª edição e Aquarela (6ª Antologia da ALVALES).

Também publica seus textos em diversos sites, entre eles:

http://denisesevergnini.recantodasletras.com.br

http://www.notivaga.com.br

Http://www.usinadaspalavras.com

 

Coluna da Denise

RABO DE GUARDA-CHUVA

Sempre gostei da elegância do caminhar de gatos em geral.
Observando minhas gatas «sialatas» (siamês com vira-lata) caminharem, chamou-me a atenção a postura da cauda delas. Andam com a mesma erguida e a ponta dobra-se como a alça de um guarda-chuva.

Por muito tempo, também, eu olhei para minha gata Ling achando algo de «estranho» nela. A estranheza foi o fato ela ser vesga(estrábica). Isto nunca tinha chamado a minha atenção antes.

Pesquisando, encontrei algo bem interessante:

Há uma lenda que reza o seguinte: milênios atrás, os gatos siameses eram venerados como guardiões dos templos.

Conta-se que, em tempo de guerra, o povo do Sião teria deixado dois gatos dessa raça guardando o templo de Buda.

A fêmea era tão atenta e vigilante que nunca quis tirar os olhos do cálice dourado do templo, envolvendo-o com a cauda, com medo de adormecer e descuidar da tarefa.

E a guerra durou tanto tempo, a espera foi tão longa, que os seus gatinhos acabaram por nascer com as características que ela tinha adquirido para assegurar a vigilância: com os olhos estrábicos de tanto fixar o mesmo ponto no espaço, e de cauda entortada, para melhor proteger o objeto sagrado.

Vivendo,observando e aprendendo...


Gaúcha eu sou

«Gaúcha eu sou, nasci feliz»
Feliz, sigo neste pago abençoado
Campeando risos, alegre com o meu Colorado
Nas manhãs de inverno, sopra o Minuano
Um pala de lã agasalha o peito
Um chimarrão quentinho dá um jeito
De aproximar os gaudérios, junto
Ao fogo de chão. São todos um só coração

«Gaúcha eu sou, nasci feliz»
feliz eu sigo, amando e sendo amada


AMOR ETERNO

Sinto teu olhar em mim. É mais que um simples olhar...É uma leitura silenciosa de minha alma.

Tu me compreendes tão bem, que parece que habito em ti.Nada preciso dizer-te, pois já sabes a resposta.

Chamam isto de amor .Ah! Este perfeito entendimento entre a minha alma e a tua surgiu faz tempo...outras eras...

Também sei de ti desde a gênese do teu ser. Estávamos destinados!

Passarão mil anos e muitos outros mais, continuaremos nosso eterno reencontro.

Denise de Souza Severgnini

 

O dia do Indio

Em 1940, no México, houve o I Congresso Indigenista Interamericano com a presença de diversos países, e por mais que o assunto discutido fosse a cultura indígena, os próprios se mantiveram distantes. Apesar de enfrentarem o constante desrespeito das pessoas, depois de alguns dias os índios voltaram atrás e foram ao Congresso. Afinal, eram os seus direitos que estavam sendo decididos. Por isso, ao entrarem no recinto do evento em 19 de abril, o dia se tornou, automaticamente, uma data histórica em todo o continente americano.

O Brasil, por questões de políticas internas, não aderiu de imediato às decisões desse Congresso. Três anos depois, graças aos apelos de Marechal Rondon, Getúlio Vargas tratou de seguir o exemplo de outras nações e assinou um decreto (nº 5. 540), determinando que 19 de abril fosse o Dia do �ndio.

Filho da pátria

Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ

Você não serra os galhos
Que guardam o orvalho da noite
Não mancha a água que bebe
E ao solo não aplica o açoite.

Não precisou passar na escola
Cheia de teoria e vazia de pureza
Apenas ouvindo os antepassados
Aprendeu a preservar a Natureza.

Os consumidores diplomados
Pagam pela autodestruição
Você recebe o sustento de graça
Pela graça que traz no coração.

Aquele que deseja ofende-lo
Diz que índio é cabeça de vento
Pobre espírito que blasfema
E longe da vida passa o tempo.

A sociedade não lhe dá título
Para votar no próprio Brasil
A criança só curte índígena
No curto dezenove de abril.