Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter ConvíviosLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


EDIÇAO NºXVIII , IIIº NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

CHE GUERRILHA

 

Estreou em todo o país a segunda e última parte da biografia que Steven Soderbergh filmou sobre Ernesto Guevara (Che), o revolucionário e herói da revolução cubana. Na primeira, «O Argentino», relata-se a participação de Che na Revolução Cubana (1959) e avança-se até ao discurso do guerrilheiro em Nova Iorque, na Assembleia-Geral da ONU, em 1964. Esta 2ª parte do filme está centrada nos 341 dias que Che passou na selva boliviana, entre os guerrilheiros, até à sua morte.

A continuação de «Che», que era para ser parte de um grande filme de quatro horas de duração, serve principalmente para lembrar o espectador que o épico não é sobre a Revolução Cubana, mas sim sobre Che Guevara. «Che» (1ª parte) e «Che - Guerrilha» compreendem uma obra grandiosa de cinema, e não deve em nada à idéia coletiva que se tem de Che Guevara, um dos ícones do século que até agora não tiveram suas vidas retratadas de forma séria na tela grande.

Com Cuba tomada em na primeira parte em «Che», o que resta contar são os anos de Guevara na guerrilha da Bolívia, onde Guevara também tentou trazer a Revolução.

«Guerrilha» tem uma estrutura diferente de «Che». Não é cortado por segmentos paralelos, como a entrevista de Che à jornalista americana. «Guerrilha» também dá pulos temporais freqüentemente, dividindo a história em «dias»: «Dia 67», «Dia 113» etc.

Isso ajuda a tornar as coisas menos maçantes, já que «Guerrilha» é bem mais parado do que «Che», principalmente pelo fato de se concentrar quase que integralmente na… guerrilha. É mato para todo lado e, claro, conflitos éticos envolvendo guerrilheiros de caráter duvidoso e muito cuidado para não ser interceptado pelo exército boliviano.

Com Fidel em Cuba, o palco agora é todo de Benicio del Toro. Quem também tem mais chances de brilhar é a alemã Franka Potente (protagonista de «Corra, Lola, Corra»), no papel de Tania Bunke. Apesar de ser mais longo do que a primeira parte, «Guerrilha» dá a impressão de ser mais curto, já que relativamente pouco acontece e, se não fosse pelos pulos, daria sono no espectador.

«Che» e «Guerrilha» compõem um trabalho competente do cineasta Steven Soderbergh e um retrato digno do legado de Ernesto Che Guevara. O conjunto da obra, visto seguido ou separado, compõe um clássico sem qualquer dúvida.

Veja o trailer aqui:

 

Arco Madrid
Seis galerias que participaram pediram apoio ao MC

Seis das doze galerias de arte portuguesas que estiveram este ano na Feira Arco Madrid, realizada em Fevereiro na capital espanhola, entregaram pedidos de apoio ao Ministério da Cultura (MC), informou hoje fonte oficial.

Em meados de Janeiro deste ano, na sequência de negociações entre o MC e a Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA) sobre o apoio às galerias que iriam representar Portugal no certame dedicado à arte contemporânea, o ministro José António Pinto Ribeiro anunciou que apoiaria aquelas que comprovassem ter tido prejuízos.

Contactado pela Agência Lusa sobre o número de pedidos recebidos na Direcção-Geral das Artes (DGA), Jorge Barreto Xavier, director-geral, indicou que seis galerias que estiveram na Arco Madrid formalizaram esse pedido.

«Os processos estão ainda em fase de avaliação», indicou o responsável da DGA.

Das 12 galerias portuguesas que estiveram na Feira Arco Madrid 2009, as seis que apresentaram pedido de apoio ao MC são a Galeria António Henriques, a Cristina Guerra - Contemporary Art, a Galeria Carlos Carvalho, a Galeria Graça Brandão, a Galeria Presença e a Galeria Mário Sequeira.

Ainda segundo a mesma fonte, também pediram apoio ao MC quatro das cinco galerias de arte portuguesas que estiveram presentes na Art Madrid 2009, certame também dedicado à arte contemporânea que decorre na mesma altura na capital espanhola.

António Prates - Arte Contemporânea, Perve Galeria, Galeria São Mamede e Galeria Art Lounge foram as galerias que solicitaram apoio estatal.

Em Janeiro, o ministro da Cultura justificou que tinha decidido dar um apoio às galerias devido à situação do mercado marcada pela crise, e «a necessidade de sustentar a presença portuguesa» na Arco Madrid «como rede de apoio à internacionalização das artes plásticas de artistas portugueses».

A condição para receber apoio financeiro era ter espaço próprio na feira e comprovar ter tido prejuízo. O MC estabeleceu um limite máximo de 8.000 euros por espaço/galeria para as galerias inscritas no Programa Geral, e de 4.500 euros por espaço/galeria para as galerias inscritas no Programa Arco 40.

Na altura, o presidente da APGA, o também galerista Pedro Cera, tinha considerado, em declarações à Lusa, que o apoio do MC constituía «uma espécie de seguro de risco da actividade comercial».

Sobre os custos que uma galeria suporta para estar presente na Arco Madrid, indicou que oscilam entre os 25 e os 30 mil euros, incluindo o aluguer de um espaço mínimo, com 65 metros quadrados, deslocações e estada.

A edição deste ano da Feira de Arte Contemporânea de Madrid - ARCO decorreu de 11 a 16 de Fevereiro tendo a �ndia como país convidado, com a presença de 250 galerias de todo o mundo.


António Lobo Antunes estará na Festa Literária Internacional de Paraty

O que é a FLIP

Em agosto de 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) tornou-se a caçula da família de importantes festivais literários como Hay-on-Wye, Adelaide, Harbourfront de Toronto, Festival de Berlim, Edimburgo e Mântua. Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira FLIP estabeleceu um padrão de excelência às edições seguintes. Em um curto período, ficou conhecida como uma das principais festas literárias internacionais, sendo reconhecida pela qualidade dos autores convidados e pelo irresistível entusiasmo de seu público.

A FLIP já recebeu alguns dos grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.

Dos brasileiros, alguns dos autores mais talentosos já estiveram na FLIP, como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

Com um repertório eclético de convidados – do dramaturgo inglês Tom Stoppard à psicanalista Elisabeth Roudinesco, do quadrinhista Neil Gaiman à roteirista argentina Lucrecia Martel –, a sexta edição da FLIP confirma mais que nunca sua vocação a mercado cosmopolita de todo tipo de idéias manifestadas através da palavra escrita.



A cada ano a FLIP homenageia um expoente das letras brasileiras. No primeiro ano, em 2003, celebrou-se o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1917-1980). João Guimarães Rosa (1908-1967) foi o homenageado no ano seguinte. Em 2005 foi a vez de Clarice Lispector (1920-1977), em 2006, do baiano Jorge Amado (1912-2001), e, em 2007, do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980). Em 2008, ano do centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), a FLIP presta homenagem ao grande escritor carioca. A sétima FLIP (2009) homenageia o escritor pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968).

A obra poética de Bandeira ocupa lugar indiscutível na tradição literária brasileira. Livros como A cinza das horas (1917), Carnaval (1919) e Libertinagem (1930) tornaram-se marcos da poesia brasileira – mas há tempos não são objeto de atenção do meio editorial.

Manuel Bandeira teve papel igualmente central em diversos âmbitos da cultura: foi crítico literário e de artes plásticas, professor, cronista, compositor, autor de obras infantis e tradutor de clássicos da literatura, como Shakespeare, Schiller e Proust. Ainda que tenha sido objeto de lançamentos recentes importantes, boa parte dessa produção em prosa permanece à sombra.

O tributo oferecido pela Flip tem como objetivo alterar esse cenário. «A homenagem da Flip pretende contribuir para a revalorização da obra poética e para tornar mais conhecidas as diversas faces de Manuel Bandeira», afirma Flávio Moura, Diretor de Programação da FLIP.

Manuel de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife, no dia 19 de abril de 1886. Publicou seu primeiro livro em 1917, A Cinza das Horas, e com Libertinagem (1930), passou a ser considerado um dos autores mais importantes do modernismo brasileiro. Já estabelecido como poeta, contribuiu para a imprensa, grande e especializada, escrevendo sobre literatura, artes plásticas e música. Publicou ainda uma autobiografia literária, Itinerário de Pasárgada(1954), escreveu importantes estudos literários, preparou edições de obras de poetas e organizou antologias. O autor morreu em 1968, no Rio de Janeiro, onde viveu quase toda a vida.

A música brasileira, uma das maiores riquezas da nossa vida cultural, não poderia estar ausente da FLIP. Os shows de abertura, que já valeriam a ida a Paraty, ofereceram aos convidados a chance de assistir Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e José Miguel Wisnik, Orquestra Imperial e Maria Bethânia darem as boas-vindas aos visitantes da FLIP.

Enquanto a programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão, vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor, é realizada por grandes autores brasileiros e internacionais. Há também uma programação exclusiva para as crianças – a FLIPINHA –, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados. O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows e lançamentos de livros, batizada de Off-FLIP.

Desde a primeira edição, o crescimento da Festa Literária está intimamente ligado à vida e às necessidades de Paraty. Artistas locais, comerciantes, hoteleiros e donos de restaurantes acolhem a FLIP, que, por sua vez, mantém os habitantes locais ativamente envolvidos. Por tudo isso, a FLIP se destaca de outros encontros literários contribuindo para a atmosfera alegre e calorosa que tem caracterizado esse grande evento.

O tradicional encontro literário brasileiro acontecerá este ano entre os dias 1 e 5 de julho. O escritor António Lobo Antunes, um dos mais conceituados escritores portugueses, é uma das presenças confirmadas na próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP).

Lobo Antunes, o médico, com especialização em psiquiatria, serviu entre 1970 e 1973 no Exército Português durante a guerra colonial na Angola, experiência que utilizou depois em sua produção ficcional. Entre seu primeiro livro, «Memória de Elefante» (1979), e o mais recente, «O Arquipélago da Insônia» (2008), publicou outras 26 obras, entre os quais «Os Cus de Judas» (1979) e «O Esplendor de Portugal» (1997).

Em 2007, António Lobo Antunes recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. Em junho a Objetiva/Alfaguara publicará sua sexta obra no Brasil, «O Meu Nome é Legião» (2007).