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EDIÇAO NºXVIII , IIIº NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

Lembranças da Fazenda 

  Sandra Fayad

 

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/.

Até os doze anos de idade, minha vida esteve intimamente ligada ao campo.

Minhas lembranças da última casa da fazenda estão sempre associadas à fartura, aos riscos na convivência com animais e aos acidentes domésticos.

Lá não faltava comida. Havia sempre carne de aves e peixe de água doce, grãos, ovos, doces, frutas, legumes e verduras, leite e derivados, pães, bolos, biscoitos. Tudo era caseiro e preparado pela mãe, tia, avó. Elas estavam quase sempre na cozinha. Ali inventavam e trocavam receitas. Às vezes uma fazia doce de goiaba e a outra de mamão. Depois dividiam entre as casas para que tivéssemos variedade.

Matavam galinhas, destroncando-lhes o pescoço ou cortando-lhes a goela. Depois as mergulhavam em água fervente, depenavam e esquartejavam, para o cozimento. Eu sentia repulsa ao cheiro das penas de galinha escaldada e, se me lembrasse da cena, não conseguia comê-la.

Quando matavam porco ou vaca, faziam um mutirão, convocando as mulheres da redondeza para ajudar, porque dava muito trabalho preparar tudo no mesmo dia, já que não havia geladeira. Para conservá-las, guardavam as carnes dentro de latões mergulhadas em gordura e enchiam as tripas com carne moída manualmente - virava lingüiça. Os miúdos cozinhavam com feijão. Fritavam a pele - virava torresmo. Misturavam as sobras com soda cáustica em um tacho grande – virava sabão.

Na época de colheita das safras de arroz, feijão, milho, mandioca e algodão também faziam mutirão para preparar farinha, fubá, tecidos e ensacamento para o ano todo. Os homens colhiam e colocavam tudo no paiol ou na casa do monjolo. Vinham então as mulheres e preparavam desde a seleção até o produto final. Às vezes o trabalho demorava uma semana e era bom ver aquele movimento na fazenda. Enquanto trabalhavam, cantavam, contavam causos e faziam miniaturas e bonecos com os produtos para nos agradar.

Havia muitas cobras na fazenda. Para evitar que se aproximassem da casa, papai procurava manter limpo o terreno em volta, mas mesmo assim era comum vê-las passeando pelo quintal e tínhamos que estar sempre atentos para não pisar em nenhuma quando andássemos pelos pomares e pastos um pouco mais distantes. Papai era caçador de cobras e sempre trazia várias delas em sacos amarrados pela boca que ficavam pulando no quintal, para encaminhar ao Instituto Butatã, através do meu tio, que passava de caminhonete em direção à cidade.

Uma manhã, após o café, mamãe lembrou-me que era hora de arrumar as camas. Eu gostava daquela tarefa, porque sempre retirava os lençóis e enfiava as mãos pela abertura do colchão de palha para remexê-las. Isto fazia com os colchões ficassem bem altos permitindo que mergulhássemos na cama quando fôssemos dormir.

Naquele dia, levei um susto enorme. Ao levantar justamente o lençol da minha cama e esticar a mão em direção à abertura, vi uma cobra de duas cabeças, enrolada na “boca� do colchão. Ela só se mexeu quando comecei a gritar desesperada, acordando-a. Mamãe quando compreendeu o motivo dos meus gritos, pegou uma vassoura e matou-a ali mesmo dentro do quarto.

Outra vez fomos, meu irmão e eu, ao pomar de frutas e legumes rasteiros, que ficava a uns quinhentos metros da casa. O local era cercado com quatro ou cinco fios de arame farpado, para evitar que animais pisoteassem as ramas de melancias, melões, maxixes e abóboras. Quando estávamos chegando à entrada do cercado, vimos passar na nossa frente nada mais nada menos que uma jibóia. Com medo de sermos atacados por ela na saída, ficamos horas dentro do cercado chorando e rezando. Até que papai apareceu para nos levar de volta à casa.

Arranhões, quedas de árvores e de lombo de animais ainda não amansados , topadas em pedras, picadas de mosquitos, piolhos e carrapatos eram comuns. Mamãe ficava sempre apreensiva, se não estivéssemos ao alcance dos seus olhos pois sabia que, se algo grave nos acontecesse, poderíamos morrer antes que o socorro chegasse da cidade. Foi assim com a vovó, que morreu a mingua, após uma picada de cobra cascavel.

O mais gratificante desse tempo eram as cavalgadas pelos pastos na sela de um cavalo baio amansado, que papai reservou somente para nós, crianças.

Ali, eu me sentia forte, poderosa, superior, em perfeita sintonia com a postura elegante do Baião e livre.

 

QUEM SOU (Sandra Fayad com Sá de Freitas)

Quem sou ?

Sá de Freitas

Eu sou um homem humilde... Sou do campo:
Tenho marcas do sol na minha pele;
Aspereza nas mãos de tantos calos;
Vincos nas faces de tanto suor.
Sou rude no falar, digo o que sinto;
Sou brando no olhar, amo as pessoas;
Procuro ser humilde quanto posso...
Sinto-me forte todos os momentos,
Mas choro, às vezes, com a dor alheia.
Não paro nunca, nunca perco tempo,
No tempo que tem ida e não tem volta.
Eu sou um homem rude... Sou do campo:
Capino, roço, planto, enfrento a chuva;
Componho melodias, faço versos;
Canto, toco violão, toco teclado,
Mas gosto mesmo é de tocar a vida.
Quem sou ?
Sou um nada no meio desse tudo,
Que Deus criou...
Mas sou um nada, que sente ser o tudo,
Quando me dizes: «TE AMO.»

http://sadefreitaspoesias.sites.uol.com.br/index.htm

Quem sou

Sandra Fayad

Sou filha de parto normal
sob árvores secas contorcidas.
Cortaram meu cordão umbilical
com duras folhas verdes afiadas
pelo sol do planalto central.

Cresci olhando de perto o céu
repleto de pássaros em revoada
formando aqui e ali um anel
com seu estridente piar em coral.
Colhi frutos dos pés nas estações
sem subir ao último degrau.
Deitei-me na relva macia do cerrado
E sonhei com um planeta fraternal.

Corri mundo a partir do meu chão
à procura de algo fenomenal.
Encontrei as pedras de Atenas
Caminhei ao longo do litoral
Vi cachoeiras e também os Andes
Descortinando lindo visual.

Voei sobre o Pacífico e o Atlântico
De barco passei de um ao outro lado
Ouvi Jazz, Country e Som Romântico
Assisti muito evento e festival
Mas voltei sempre ao meu rincão
onde finquei o referencial.

Aqui onde abri e vou fechar os olhos
Dei aos pés seus primeiros passos
Senti o coração de amor inundar...
Seus batimentos e descompassos...
«Garrei» no trabalho pra me sustentar
Vivi meus melhores momentos
E os piores também...
Criei vínculos indissolúveis,
parâmetros, objetivos, fundamentos.
E decidi que a cor da felicidade
Tem os tons multicores destes ventos.

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net

 

Rasgos de Vidas

By Isabel Fontes

Nomes que habitam seres,
Coabitam com a vida.
Rasgos de memórias,
Invadidas por imagens.

Vozes místicas ecoam no vento,
Sopram forte nos pensamentos
Instinto leve como uma pena,
Alcançado por uma gaivota.

Vegetais tornam-se homens,
Buscam cérebros de palha.
O fluir do ardor,
Dói como a pomba da paz.

Enigmas gestuais,
Sonham com símbolos celulares.
Partidas eventuais,
Em dias de incêndios.

 

 


Maria do Mar

 

Conto de Armando C. Sousa

Ontário- Canadá

 

 

 

Muitos anos atrás lá longe naquela faixa de terra que me viu nascer, a cada sol que nascia sem ser encoberto pelas nuvens entrava pela única janela daquela quase barraquinha encostada ao penedo grande que resguardava do vento norte e zimbro do mar.

Esta barraquinha foi construída pelas mãos fortes e pele queimada do João do mar e amigos, nome que lhe vinha de seu pai pescador nas fainas do bacalhau, onde passava metade de sua vida, e mais três quartos da mesma vida na pesca da sardinha, o povo lhe chamavam o Tapume do Mar.

João cresceu com seu pai olhando as estrelas que o guiavam na pesca da sardinha, e ainda novo seguia na campanha do bacalhau na Terra nova... ou como se diz em Inglês New Fund Land, mas sempre que chegavam da faina as moças do lugar organizavam bailes para cortejar os rapazes que 6 meses desapareciam imigrados do mar, tinham como pátria o navio, e como lugar o seu barco dorei e seus anzóis, encantados pelas notas que poderiam ganhar como embarcadiços.

Todo aquele tempo no mar depois de estender seus anzóis que tinham preparado com iscas de doze sardinhas que recebiam; cortadas em muitos bocados, para aumentarem mais a chance de encherem o barco de pescado; estes pescadores se deitavam no fundo do barco esperando que as sereias ou as mossas da terra os viessem levantar do sono, para os levar para loucos e inimagináveis prazeres onde os lábios das sereias vermelhos e grossos se tornavam no único sexo que João amava da sereia e único que conhecia, a beleza e meiguice desses arcanos do mar eram as criaturas mais desejáveis no sonho.

Outras vezes vinham as moças da terra ao sonho, corriam por entre o centeio, onde os rapazes procuravam ver e sentir o mistério que existia ao cimo das pernas, naquele sitio onde existia o infinito da vida; por onde vida nascia e a loucura do prazer morria por instantes.

Numa dessas corridas verdadeiras, Maria, que era louca por João do Mar, se deixou cair entre as palhas amarelecidas e macias do centeio, esperando o desconhecido com que João do mar também sempre sonhava; esta queria ser a Maria do Mar esposa de João e ir viver para a barraquinha virada ao sul, livre do vento norte do mar, e receber as carícias do sol da manhã, e ver o mesmo descer no disco infinito daquele mar que a enfeitiçava, ao ouvir as historias de sonho de seu João que tanto adorava, desde aquelas corridas de criança no meio do milho ou centeio, aqueles sonhos loucos com as sereias quando este adormecia no fundo do seu dorei esperando que o bacalhau mordesse o isco, ou ver e acariciar onde terminariam suas belas pernas, fonte da vida.

Maria e João estavam loucos de prazer, Maria sentia suas entranhas abrir em dor e prazer, como um botão abrindo em flor, os dois rolavam, fazendo mil promessas de amor; ela seria a Maria esposa de João do Mar.

Os preparativos do casamento iniciaram-se, e havia azafama na aldeia piscatória, barcos se engalanavam, os amigos levariam os dois noivos a se unir, iriam todos em procissão fazer votos há rainha do mar, esboço rupestre gravado no penedo da gruta, talvez cinzelado pelas águas ondas e espuma, pelo sol ou o vento, mas era o esboço era uma imagem bem visível duma sereia, a quem os pescadoras adoravam e temiam a considerando Rainha do Mar; ali João e Maria do Mar juraram fidelidade que apenas poderia ser quebrada pelo sonhos, a dormir a mente teria liberdade de quebrar promessas e satisfazer o desconhecido da mente dos poros de suor, o gustativo do pensar viajando num alem desconhecido dum viver de prazer que apenas a morte pode explicar.

Poucos dias depois João partia para a Campanha do bacalhau, deixando Maria do Mar fervendo do prazer louco a que se habituara naqueles poucos dias de amor.

Maria satisfazia todas as loucuras que João sonhara com as sereias, amor que esperava ser para a vida.

Na noite, antes de João partir para a campanha do bacalhau, foram os dois visitar a rainha do mar, e perante aquele esboço e promessas adormeceram.... vieram os sonhos lindos e cheios de prazer.

Maria sonhando... encontrava-se deitada no penedo que abrigava sua casinha do vento do mar norte, enquanto esperava por seu amado... a ela chegou um lindo e fogoso cavalo Marinho, este desafiou Maria a ir ver as maravilhas do mar. Os corais, as conchas com pérolas negras, pequeninos bugios de diamantes e o verdadeiro prazer, o encontro com seu João do Mar, tudo isto antes de acordar.

Maria concordou, entrou nua no mar e montou no cavalo marinho que principiou a cavalgar nas ondas: Ho... o prazer de saltar no cavalo era indescritível, este principiou a crescer seu sexo no dorso, e a penetrar em Maria, levando-a ao delírio do prazer da loucura voluptuosa do querer mais e mais; Maria depois do adorar a Rainha, e do seu adormecer... vivia apenas no sonho que também é viver.

João no seu sonho de loucura, estava no seu barco a pescar, as sereias com ele a fazer amor, estas o levaram para a praia onda as moças do lugar o encontraram nu principiando uma brincadeira louca quando ele não tinha mais para dar, aflito o fez acordar, Maria acordada também envergonhada de todo seu vai e vem...

Maria confessou seu sonho ao seu marido João... dizendo, vivendo amor, eu te adoro de meu coração, e não te quero perder contigo quero sempre viver... João confessou onde esteve e a aflição que o fez acordar, dizendo: Querida não, não te vou deixar, podemos ser pobres mas juntos na nossa casinha... os dois viveriam das ostras e da sardinha.

Um dia, os dois mergulhando na cave do penedo da rainha, entraram numa galeria onde sonharam ter visto clareza do dia, foram dar a uma quase ilha dentro da cave, ali as ostras eram grandes e diferentes, muitas continham pérolas negras e cor do vinho, os dois abriram o suficiente para fazer um colar que era uma riqueza.

Maria e João do mar se orgulhavam de seu segredo, e do único colar que jamais tinham visto nos mercados por onde passavam.

Um dia veio uma Rainha passar e ver a beleza daquele lugar, ela viu Maria com seu colar nunca visto igual, logo o quis comprar, Maria não o queria vender, mas tinha medo de seu poder, lhe propôs um preço para a Rainha não aceitar...

Disse, senhora: este colar é único: aqui precisamos de casas para os pescadores, e uma estalagem para os visitantes, não temos outra coisa a oferecer...

A rainha sorriu e mandou erguer uma vila, ao lado do penedo uma boa estalagem que lhes foi dado o nome Estalagem Maria do Mar.

Junto ao mar Maria e João explorando a estalagem viveram muito felizes sem nunca ter ciúmes dos sonhos, mas sabendo que sonhar é também em muitos sonhos um verdadeiro viver, estes sabem que o momento pode encaminhar todo o ser humano para o prazer, assim quiseram, viver a vida juntinhos, e de seu amor nasceram seu filhinhos todos baptizados na gruta da deusa do mar.

Maria e João do mar, sabem que a mente que criou as sereias tem muitas historias para contar, das fadas andinas e arcanos do espaço e do mar.

Se quiseres amigos e amigas eu mesmo um dia voltarei para vos escrever, se vós gostais de passar tempo a me ler.

 

O Vale e suas histórias.

 

Conto de Arlete Deretti Fernandes

O rio que fertilizava o vale, carregava em seu curso segredos e histórias de um povo e de seus muitos amores. A imigração italiana deixou ali suas marcas – homens e mulheres que da terra tiravam seu sustento. O que muito faziam era trabalhar e procriar.

Uma família de caboclos morava num barranco, à margem direita, próxima ao povoado. Sua modesta casa servia de teto a uma velhinha benzedeira, sua filha e seus dois netos.

O trem que fazia o percurso do vale passava todos os dias, com seu apito estridente, os passageiros a acenar, já fazia parte da paisagem. Quando apitava na curva deixando a montanha para trás, Joana dizia para o filho:
-  Vai cortar capim para as vacas, que está na hora.
_ O filho mais velho respondia:
_ Já vou, mãe.
Enquanto isto, o filho mais novo brincava com o som do trem:
_ Jaca-taca, jaca-taca, piuíiiiiiii, piuíiii.

Viviam à maneira deles, porque não tinham ambição nem apegos. A cada dia que Deus colocava no mundo, dava-lhes o que precisavam: tinham um telhado para abrigar-se e comida para matar-lhes a fome. Para eles isto era muito.

Na escola os meninos aprendiam a ler e escrever e fazer contas. Seu mundo se limitava aquelas montanhas que os circundavam, ao pequeno espaço em que viviam.

Eram criaturas que viviam sob o ensinamento da máxima bíblica: «Olhai os lírios do campo, que não tecem nem fiam, no entanto nem Salomão com toda a sua riqueza jamais se vestiu como um deles!�

A avó, Dona Rosa, sempre com um rosário na mão a rezar estava. Ela era uma rosa muito desfolhada pelo tempo.

Lembro-me quando bem pequena, minha avó me levava pela mão, atravessando os trilhos do trem e umas roças de cana e mandioca, para ser benta de dor de cabeça e de luxações que os brinquedos ocasionavam, como cair de bicicleta ou então de uma árvore de nossa chácara.

Jamais esquecerei das palavras que dizia a anciã:
_ Co coso?
E eu tinha que responder:
_ Carne rasgada e nervo torto.
Aquele ritual tinha que ser repetido por nove dias seguidos.

Impressionava-me o rosto da benzedeira, porque me parecia um terreno cheio de rachaduras, tantas e tão profundas eram suas rugas.
O gato dormia no calorzinho ao lado do fogão a lenha.

Joana, a mãe dos meninos, carregava às costas o balaio de roupas. Quando chegava à beira do rio, largava o peso sobre uma pedra. Naquele dia ajoelhou-se diante da Natureza, ou melhor, diante de seu trabalho.

Ensaboava devagar peça por peça, cantarolando uma música sertaneja. Os ecos se espalhavam na imensidão. Colocava peça por peça ao sol, para clarear.

Sentou-se na pedra e olhou-se no espelho das águas que tremulavam, já conhecia aquela imagem, tinha em casa um espelhinho quebrado, pendurado num prego, no quarto de dormir. Espelhando-se, usava pó de arroz e batom quando ia à domingueira dançar.

Lembrou-se de uma história que seu filho leu no livro da escola, sobre um jovem vaidoso chamado Narciso, que virou flor porque admirou sua própria beleza no espelho das águas. Ficou com medo e parou de mirar-se. Recordou-se de um sujeito que lhe disse que ela era bonita, e sorriu.

A cadela vira-lata dormia sob uma moita de carqueja.



Tudo era ermo naquele fim de mundo. Apenas se ouvia o piar de uma ave que cortava os ares, e o choc-choc do remo de uma canoa que vinha da outra margem. Um vulto, quanto mais se aproximava, ia se delineando um rosto moreno. De onde vinha e o que queria aquele barqueiro? Seria um amor secreto?

O palco do encontro era ali, o grande rio por testemunha. Uma jacucaca piava numa árvore, os peixes procriavam, tudo conspirava à fertilidade.

Se fosse no norte brasileiro, certamente este barqueiro seria o Boto cor de rosa encantado em homem.