EDIÇAO NºXVIII , IIIº NUMERO DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué
Opinião de um Imortal
Por
Sandra Fayad
Ignácio de Loyola Brandão, Membro da Academia Brasileira de
Letras, Autor de mais de vinte romances, dentre eles «Não Verás
PaÃs Nenhum», «Veia Bailarina», «O Verde Violentou o Muro», «O
Anônimo Célebre», vencedor do Prêmio Jabuti/2008, categoria
Infantil com o livro "«O Menino que Vendia Palavras», leu o
livro Animais que Plantam Gente, de minha autoria e escreveu:
De: Ignácio de Loyola Brandão
Enviada em: sábado, 28 de março de 2009 09:31
Para: Sandra Fayad
Assunto: Re: SOBRE SUA PALESTRA EM BRASÃ?LIA
«Sandra,
Vim lendo seu livro sobre as plantas no avião.
Não parei. É lindo, é gostoso, é interessante, flui suavemente
por dentro da gente.
Ele é melhor do que mil manifestos pró meio ambiente. Merecia
maior divulgação, maior penetração.
Sabe? Seria um livro bom para escolas, para faculdades, para
donas de casa, para escritores, professores.
Deveria ser adotado.
Enfim, bom para todos.
E você escreve prosa com tal poesia e encantamento que
ficamos... encantados, claro».
Um abraço

«Animais que Plantam Gente é o resultado da vivência da autora aliada à ampla pesquisa sobre a sensibilidade e o comportamento de plantas e animais em extinção.
O livro tem o formato de 42 conjuntos (foto, poesia e crônica), que podem ser lidos em grupo ou individualmente e em qualquer ordem.
Cada conjunto descreve um animal ou uma planta, destacando sua importância na natureza.
O leitor poderá enredar-se em curiosidades como as de que o fruto da Lobeira é a razão de ser da elegância do Lobo-Guará, que a sociedade não vê com bons olhos o comportamento da Ema Fêmea e se divertir com um Show de Lagartixas no Asfalto, enquanto a florzinha do Jambu deixa as mulheres excitadas e confiantes na eficácia da Catuaba e nos poderes do AçaÃ.»
http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/
http://www.sandrafayad.rtvabrali.com/
Embrapa Africa participa do Salão Internacional do Marrocos (SIAM)

Pela primeira vez, a Embrapa �frica (Acra-Gana) estará
participando do tradicional Salão Internacional do Marrocos
(SIAM), um dos maiores eventos do setor agrÃcola no continente
africano, que acontece de hoje (22) até o dia 27, na cidade de
Meknès, no Marrocos.
Para os empresários do setor agrÃcola e agricultores marroquinos
é uma surpresa a participação institucional da Embrapa �frica (Acra-Gana),
cuja equipe estará apresentando tecnologias avançadas com ênfase
para pesquisas de produção em regiões de clima semiárido.
O coordenador da Embrapa �frica, Cláudio Bragantini, explicou
que «as condições de clima e de solo de grande parte do Marrocos
são muito semelhantes às do semiárido brasileiro e, durante o
encontro, estaremos apresentando pesquisas desenvolvidas para a
produção de alimentos nestes locais».
Informações sobre as vantagens do uso do monitoramento por
satélite à agricultura é outro tema que também desperta
interesse no Marrocos, em especial à iniciativa privada (que tem
forte participação no SIAM).
Segundo informações do pesquisador e coordenador técnico da
Embrapa �frica, Paulo Roberto Galerani, «a participação no
evento é uma oportunidade única para levar nossa tecnologia a
outros paÃses e, com isso, abrir possibilidades para discutir
demandas da iniciativa privada marroquina».
Também estarão disponibilizadas informações sobre a produção de
grãos, hortaliças, saúde animal, manejo e melhoramento de raças
bovinas leiteiras.
«A cooperação entre a Embrapa e instituições marroquinas tem
sido desenvolvida por meio de cursos e treinamentos ministrados
por pesquisadores da estatal brasileira, principalmente em
universidades», comenta Cláudio Bragantini. Ele informa que a
Embrapa Ã?frica participa do estande da Embaixada do Brasil no
Marrocos.
A EMBRAPA
Missão e Atuação
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, foi criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é
viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para
a sustentabilidade da agricultura , em benefÃcio da sociedade
brasileira.
A Embrapa atua por intermédio de Unidades de Pesquisa e de
Serviços e de Unidades Administrativas, estando presente em
quase todos os Estados da Federação, nos mais diferentes biomas
brasileiros.
Para ajudar a construir a liderança do Brasil em agricultura
tropical, a Empresa investiu sobretudo no treinamento de
recursos humanos; possui hoje 8.275 empregados, dos quais 2.113
são pesquisadores - 25% com mestrado e 74% com doutorado. O
orçamento da Empresa em 2008 ficou acima de R$ 1 bilhão.
Está sob a sua coordenação o Sistema Nacional de Pesquisa
Agropecuária - SNPA, constituÃdo por instituições públicas
federais, estaduais, universidades, empresas privadas e
fundações, que, de forma cooperada, executam pesquisas nas
diferentes áreas geográficas e campos do conhecimento
cientÃfico.
Tecnologias geradas pelo SNPA mudaram a agricultura brasileira.
Um conjunto de tecnologias para incorporação dos cerrados no
sistema produtivo tornou a região responsável por mais de 40% da
produção brasileira de grãos, uma das maiores fronteiras
agrÃcolas do mundo.
A soja foi adaptada à s condições brasileiras e hoje o PaÃs é o segundo produtor mundial. A oferta de carne bovina e suÃna foi multiplicada por 4 vezes enquanto que a de frango aumentou 18 vezes. A produção de leite aumentou de 7,9 bilhões em 1975 para 25,4 bilhões de litros, em 2006 e a produção brasileira de hortaliças, elevou-se de 9 milhões de toneladas, em uma área de 700 mil hectares, em 1980, para 17,5 milhões de toneladas, em 771,4 mil hectares, em 2006.
Além disso, programas de pesquisa especÃficos conseguiram
organizar tecnologias e sistemas de produção para aumentar a
eficiência da agricultura familiar e incorporar pequenos
produtores no agronegócio, garantindo melhoria na sua renda e
bem-estar.
Na área de cooperação internacional, a Empresa mantém 68 acordos
bilaterais de cooperação técnica com 37 paÃses e 64
instituições, mantendo ainda acordos multilaterais com 20
organizações internacionais, envolvendo principalmente a
pesquisa em parceria.
Para ajudar neste esforço, a Embrapa instalou nos Estados Unidos
e na França, com apoio do Banco Mundial, laboratórios para o
desenvolvimento de pesquisa em tecnologia de ponta. Esses
laboratórios contam com as bases fÃsicas do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos, em Washington, e da Agrópolis,
na Universidade de Montpellier, na França, permitindo o acesso
dos pesquisadores à mais alta tecnologia em áreas como recursos
naturais, biotecnologia, informática e agricultura de precisão.
Recentemente, a Empresa instalou também um laboratório em
Wageningen, na Holanda.
Outra ação de destaque na área internacional é o escritório da
Embrapa Ã?frica, sediado em Gana, que tem o objetivo de
compartilhar conhecimento cientÃfico e tecnológico para todo o
continente, e assim contribuir para o desenvolvimento
sustentável, social e econômico, para a segurança alimentar e
para combate à fome em toda a região.
As atividades estão concentradas na transferência de tecnologia, enfatizando as demandas especÃficas de cada paÃs compatibilizados em projetos de desenvolvimento agrÃcola. Além disso, a Embrapa Ã?frica desenvolve ações de assistência técnica e oportunidades de treinamento e desenvolvimento de Recursos Humanos bem como a prospecção de oportunidades para o agronegócio brasileiro.
Unesco lança biblioteca mundial digital
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura) lança nesta terça-feira a Biblioteca
Digital Mundial, que permitirá consultar gratuitamente pela
internet o acervo de grandes bibliotecas e instituições
culturais de inúmeros paÃses, entre eles o Brasil.
Dezenas de milhares de livros, imagens, manuscritos, mapas,
filmes e gravações de bibliotecas em todo o mundo foram
digitalizados e traduzidos em diversas lÃnguas para a abertura
do site da Biblioteca Digital da
Unesco.
A nova biblioteca virtual terá sistemas de navegação e busca de
documentos em sete lÃnguas, entre elas o português, e oferece
obras em várias outras lÃnguas.
Entre os documentos, há tesouros culturais como a obra da
literatura japonesa O Conde de Genji, do século 11, considerado
um dos romances mais antigos do mundo, e também o primeiro mapa
que menciona a América, de 1507, realizado pelo monge alemão
Martin Waldseemueller e que se encontra na biblioteca do
Congresso americano.
Entre outras preciosidades do novo site estão as primeiras
fotografias da América Latina, que integram o acervo da
Biblioteca Nacional do Brasil, o maior manuscrito medieval do
mundo, conhecido como a BÃblia do Diabo, do século 18, que
pertence a Biblioteca Real de Estocolmo, na Suécia, e
manuscritos cientÃficos árabes da Biblioteca de Alexandria, no
Egito. Até ao momento, o documento mais antigo da Biblioteca
Digital da Unesco é uma pintura de oito mil anos com imagens de
antÃlopes ensanguentados, que se encontra na Ã?frica do Sul.
A Biblioteca Nacional do Brasil é uma das instituições que
contribuÃram com auxÃlio técnico e fornecimento de conteúdo ao
novo site da Unesco.O projeto contou com a colaboração de 32
instituições, de paÃses como China, Estados Unidos, França,
Grã-Bretanha, México, Rússia, Arábia Saudita, Egito, Uganda,
Israel e Japão.
O lançamento do site será acompanhado de uma campanha para
conseguir aumentar o número de paÃses com instituições parceiras
para 60 até o final do ano.
BRASIL EM MACAU CHINA
NotÃcia
de António Cambeta
A comunidade brasileira em Macau resolveu finalmente organizar-se. E ainda bem. Os nossos amigos brasileiros - provavelmente o povo mais fantástico do mundo - dão um sabor especial a qualquer terra por onde passam, mesmo num enclave cinzento e deprimido como é Macau.
Quando falamos de Brasil vem-nos à ideia o samba, o futebol, a praia, as
novelas, os dentistas e todos esses estereotipos. Claro que o Brasil é tudo
isso, e muito, muito mais. O Brasil é, como disse o professor Agostinho da
Silva, «Portugal à solta».
São o apanhado do nosso lado bom, espirituoso, divertido, musical. São os nossos alunos que um dia passaram a mestres. Onde há brasileiros há cor, festa, alegria e diversão. Nem preciso falar da comida brasileira, outro exercÃcio de imaginação, e de que temos uma ligeira amostra no Restaurante «Yes Brasil» (Travessa de S. Paulo, a caminho das ruÃnas), da Maria, a incansável brasileira que todos conhecem a adoram, ou o Churrascão, na Taipa, herdeiro do Boi na Brasa, onde se serve o divinal rodÃzio.
Onde chegam, os brasileiros fazem questão de trazer o que é seu e com isso contribuir para melhorar o local que os recebe. E fazem-no sem que seja preciso pedir. E ainda bem. Só lhes podemos retribuir com muito amor e carinho. Os brasileiros são o primeiro povo deste planeta movido a energia solar. Para um brasileiro está sempre tudo bem, desde que haja sol.
Pode ser aqui na China, em Portugal, na Rússia ou na Gronelândia, o brasileiro mexe com as coisas, dá calor e dá vida. Nem devia ser necessário passaporte ou um visto onde há brasileiros. Devia-se encorajar a sua vinda, e só eles sabem como é viver longe do seu Brasil. Não estão aqui ou em lado nenhum para chatear ninguém. Vêm trazer um pouco do seu Brasil, e como nós agradecemos. Enoja-me a forma como ainda recebemos os brasileiros em Portugal, como se fossem piratas, malandros e ladrões. No mÃnimo devÃamos estender-lhes uma passadeira vermelha e agradecer-lhes a sua vinda.
Não é assim que se recebe um irmão. Nunca vi um povo tão aberto, tão fácil de lidar, tão comunicativo. Um povo que respeita para ser respeitado, inteligente, que aprende facilmente os costumes do seu local de acolhimento para, só se pode explicar assim, ter mais amigos, socializar melhor. Sendo o Brasil um paÃs com tantos recursos, é natural que com um povo que aprendeu com os seus erros e soube usar isso para se tornar melhor e mais forte, seja uma das economias com maior potencial do mundo.
É só normal que muitos estrangeiros queiram aprender português não por amor a Camões ou Pessoa, mas para abrir a porta desse verdadeiro universo que é o Brasil. E digo tudo isto sem qualquer tipo de paternalismo ou fascÃnio bacoco pelas «bundas» brasileiras que é apanágio do nosso imaginário lusitano. Hoje não sei quantos brasileiros vivem em Macau, mas conhecia-os quase todos quando cheguei há 17 anos.
Enquanto a nossa comunidade era (e continua a ser) praticamente impenetrável, muito devido a esse maldito elitismo e mania da superioridade, os brasileiros estavam aà de peito aberto sempre prontos a receber mais um estranho, mais um amigo. Eram homens e mulheres de fé, futebolistas, bailarinas, senhoras que chegavam com os maridos macaenses, que regressavam do Brasil depois da onda emigracional que se deu nos anos 70 no território.
Hoje são ainda músicos, jornalistas, pilotos de avião, empresários, professores, todos preparados para nos dar o seu melhor. Nunca vi um brasileiro falar mal de Macau, e nem sempre foram aqui bem tratados, ou tiveram sorte. Jane Martins, Roberval Teixeira e Carla Fellini Martinelli, todos gente simpática e sorridente, deram agora o grande passo que antes tinha sido dado timidamente por outros brasileiros nos anos 90, e fundaram a Casa do Brasil em Macau.
Que nos tragam tudo o que o Brasil tem de melhor para dar: caipirinhas,
churrascos, samba, capoeira, futebóis, tucanos, Ãndios, tudo. Queremos tudo.
Precisamos da sua "frescura" para os dias mais quentes e húmidos, e do seu calor
para os dias mais frios e secos. Bem hajam. Saravá!
Publicada por Leocardo em 11:08
ARTIGO ESTE PUBLCADO NO BLOG BAIRRO DO ORIENTE, CM OS MEUS SINCEROS CUMPRMENTOS
POIS ESTOU TOTALMENTE SINTONIZADO COM QUE O ESCREVEU O MEU ESTIMADO AMIGO
LEOCARDO.
Moçambique
Abuso sexual de alunas é uma afronta à moral
O abuso sexual da rapariga nas escolas continua a constituir, no nosso paÃs, uma
preocupação não só para as autoridades da Educação, que prometem medidas severas
aos prevaricadores, como também e, sobretudo, a para os pais, encarregados de
educação e sociedade, no geral, que consideram o acto imbuÃdo de imoralidade.
Mesmo com as campanhas de sensibilização de professores e comunidades sobre a
necessidade do combate ao abuso sexual de raparigas, docentes há que desafiam as
estruturas e continuam a engrossar a lista de raparigas fora das escolas, como
consequência de gravidezes precoces, tendo como autores os seus próprios
professores.
O Ministério da Educação e Cultura e a Organização Nacional de Professores (ONP)
reconhecem a existência deste fenómeno e dizem que tal constitui um desafio que
passa pela mudança de atitude do professor, dos pais das raparigas e de toda a
comunidade que continuam a considerar a menina como um instrumento de trabalho e
de reprodução.
No encontro promovido recentemente pela Actionaid, no Bilene, provÃncia de Gaza,
com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), foram reveladas
situações que agridem a moral, de envolvimento de professores com as suas
alunas, que em alguns casos culminaram com a morte destas, por complicações no
parto, tendo em conta a sua tenra idade.
Dados indicam que em Sofala, no distrito de Chibabava, pelo menos 5 meninas
foram violadas sexualmente em 2008 e um dos casos envolve um professor, que terá
seduzido uma rapariga de 13 anos de idade. O professor continua suspenso das
suas actividades.
Ainda em Chibabava, outro professor, casado e pai de três filhos, abusou
sexualmente e engravidou uma aluna sua de 15 anos de idade, mas continua a dar
aulas. O outro caso, no mesmo distrito, é de um professor que engravidou três
raparigas na mesma escola, uma das quis acabou perdendo a vida devido à s
complicações de parto.
Já na provÃncia de Gaza, um professor também engravidou uma aluna, no posto
administrativo de Chicumbane, no distrito de Xai-Xai, cujo processo disciplinar
está a correr.
Na Manhiça, em Maputo, cinco casos de abuso sexual contra raparigas, três deles
envolvendo professores, foram reportados em 2008. Destes casos, uma das
raparigas tinha apenas 11 anos de idade, frequentando a 7ª classe.
No distrito de Maganja da Costa, na Zambézia, um professor engravidou três
raparigas, tendo uma delas perdido a vida. O professor continua a exercer a sua
actividade.
Em Nampula, pelo menos 108 raparigas estudantes foram engravidadas em diferentes
distritos em 2008, onde estão envolvidos professores, familiares e alguns
membros da comunidade.
Estes dados, que preocupam o Ministério da Educação e Cultura, a Organização
Nacional dos Professores (ONP) e outros sectores da sociedade civil que lutam
contra este mal foram revelados por delegações de diferentes provÃncias que
participaram na conferência sobre a rapariga no distrito de Bilene, Gaza.
Segundo a chefe do Departamento de Género e Desenvolvimento da Comunidade no
sector da Educação e Cultura, Esmeralda Muthemba, o Governo está a trabalhar há
bastante tempo na questão do abuso sexual da rapariga. Revelou que já existem
inclusive instrumentos que penalizam o professor que se envolva com alunas.
Sobre as denúncias feitas por alunas e professores que participaram no encontro
do Bilene, em relação aos professores que mesmo depois de se ter chegado Ã
conclusão de que abusaram sexualmente as suas alunas continuarem a dar aulas, ou
transferidos para uma outra escola, Muthemba explicou que este é um caso por
analisar, porque o normal é imediatamente suspender o docente e depois
levantar-se um processo disciplinar que culmina com a sua expulsão do aparelho
do Estado. Ele só volta a dar aulas quando não se confirmar o seu envolvimento
com a aluna.
Questionada Esmeralda Muthemba sobre se o professor está proibido de se envolver
com toda a aluna da escola, ou apenas com a sua, a mesma respondeu que nenhum
docente deve ter uma relação amorosa com uma aluna da escola onde lecciona.
«Esta é uma das preocupações que os professores nos colocam, mas a orientação é
que o professor é proibido de se envolver com a menina menor de 18 anos. Esta é
a primeira questão, independentemente de ser sua aluna ou não. Segundo, quando
for sua aluna ou da escola onde lecciona, não pode se envolver com ela porque
toda a seriedade dessa relação não vai ser reconhecida», explicou Esmeralda
Muthemba, salientando que a orientação é que o professor, quando sente atracção
por uma aluna, tem que trabalhar para que ela faça o nÃvel e passe para uma
outra escola. Se ela for maior de 18 anos é preciso seguir os passos necessários
junto à famÃlia da rapariga.
Disse a fonte que o docente, mesmo nesses casos, não pode ser descoberto pelos
pais ou pela comunidade; é preciso que se apresente em casa da rapariga e fique
claro na comunidade que ele está a namorar com a aluna.
Em relação à s provÃncias que apresentam maiores casos de abuso sexual da
rapariga pelos professores, Esmeralda Muthemba explicou que ainda não foi feito
qualquer estudo sério sobre esta problemática, mas garantiu que já há distritos
onde o fosso do género nas escolas está controlado.
Disse que em 2006, dos 128 distritos do paÃs, apenas 51 é que apresentavam fraca
presença da rapariga, calculado em 45 por cento. Destes, Mangaja da Costa, na
Zambézia, Chibabava, Sofala, e Macossa, em Manica, são os distritos mais
problemáticos.
Entre campo e cidade, Esmeralda explicou que as zonas rurais são as que
apresentam mais casos de gravidezes precoces e de abuso sexual de raparigas
pelos professores.
«Este problema é mais notório nas zonas rurais e nas escolas primárias, porque é
lá onde está enraizada a cultura de que a mulher é para cuidar das crianças, e
também porque a menina ainda não tem a coragem de dizer não ao professor,
enquanto que na cidade ela está mais informada e é capaz de se defender», disse,
salientando que as violações começam aos 11 anos de idades.
Para o Ministério da Educação e Cultura, mesmo com 18 anos, a rapariga não deve
ser forçada a uma relação sexual, aliás um envolvimento que acontece sem regra e
fora do consenso é considerado abuso sexual.
Muthemba explicou que na tentativa de estancar o problema, o currÃculo do ensino
básico foi revisto e já contempla alguns componentes referentes à educação
sexual, mas mesmo assim é preciso preparar a comunidade para perceber que isso é
importante para a rapariga poder aprender.
Paula Vera Cruz, da Organização Nacional de Professores (ONP), reconheceu que
tem estado a subir o número de casos de professores que assediam e abusam,
sexualmente, a rapariga. Para ela, os abusos sempre aconteceram, associados ao
crescimento dos números de vÃtimas à s denúncias. «O crescimento do número de
casos deve-se às denúncias porque as raparigas já ganharam consciência e este é
um indicativo de que as pessoas estão a tomar consciência de que este é um
problema», disse..
Paula Vera Cruz disse que quando se trata de abuso sexual não existem
intocáveis, o que acontece é um pouco de fraqueza das estruturas locais.
«Sabemos que tudo aquilo que envolve relações do género, mesmo os nossos
dirigentes nas escolas têm o lado machista e têm a tendência de dar razão aos
homens».
Segundo Vera Cruz, ainda existe tendência de se dar razão ao homem, mesmo
naqueles casos em que é um homem de 40 anos que violou uma rapariga de apenas 12
anos, diz-se geralmente que ela foi violada ou abusada, porque provocou. «É um
acto que nós temos que ver como um processo, pois não podemos nos esquecer que
durante uma vida inteira eles aprenderam a olhar para a mulher como um
instrumento e o professor não está alheio a esta sociedade».
O grande desafio, segundo Paula Vera Cruz, é trabalhar no sentido de criar
mudanças no seio da comunidade e consciencializar a rapariga para denunciar este
tipo de crimes.
Segundo ela, o comportamento actual do cidadão reflecte a desestruturação das
famÃlias, isso vemos pela maneira como algumas crianças chegam à escola, onde se
vê a ausência dos pais.