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EDIÇAO NºXVIII , IIIº NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           



Causo e Poesias


     
      Antônio Carlos Affonso dos Santos.

          ACAS, o Caipira Urbano.



Meu amigo Zé ABC

 

Boi Assado

Diz que vai chegá o dia
Que na Terra vai decê
Um capeta mui perverso
Que se cuide vossuncê
Pro causa das demanda
Da tar de poluição
O chifrudo tamém vem
E vai sê triste a função

Se jogá cumida fora
O demônio te judia
Dexano fartá pra um ano
Cumida pra sua famía
Se ocê puluí um córgo
Coisa que ninguém merece
Vem o chifrudo e te benze
E suas lavôra num crece

Se ocê inda fais parte
Dessas gente que são tonta
Só vai sarvá sua arma
Quando ela tivé pronta
E Deus vai mandá fogo
Pra acabá com o mundo
Vai morrê tudo us inocente
E não sobra um vagabundo

Mais Deus vai mandá tamém
Um anjo decê do céu
Trazeno mensage nova
Em meio do fogaréu
Com ele vem tamém
Pra corrê tuda a Terra
Um enorme Boi Assado
Que mêmo assim ele berra

Já vem cum garfo e faca
Na carne bem espetado
Quem fô da religião
Pode cumê um bocado
Mais tudo quem num fô
Da certa e boa religião
Num pode cumê, seu moço
Nem um pedacinho não

E vão se embora da Terra
Sem cumê ninhum pedaço
E o Lúcifer inda corre atrais
Pra intentá pegá no laço
E cada um que ele pegá
Vai sê mandado pro inferno
Vai quemá os seus pecado
Bem longe do Pai Eterno.


Coleirinha

Como eu gostaria de ser
Um coleirinha do brejo:
-Pra disputar teu amor
Nesta terra do Além-Tejo!


Rima

Eu conheci a rima;
Quando ela era criança;
Aprendi como ela pensa;
Como nossa vida alcança;
Tem delas que pesa o poeta;
Como se fosse u´a balança;
Tem gente que faz pouco caso;
Isso eu vi, posso contar;
Mas aquele que é poeta;
Não poeta por acaso;
E gosta de fazer verso,
E fazer tudo rimar,
Faz do verso seu reverso,
Pois que pra falar com verso,
É preciso poetar!


Vivacidade

Ocêis pensa que os adurto é ladino
Ma, tudo os mulequim é muito mais:
-Os adurto faiz de um tudo;
Já os mulequim; nada faiz

 

Uruguai ensinará português nas escolas públicas a partir de 2010

O anúncio foi feito na 12ª Conferência Ibero-Americana de Ministros da Cultura, que se realiza nesta quarta-feira em Portugal.

A ministra uruguaia da Educação e Cultura, Maria Simón, anunciou que a partir de 2010 seu país terá o ensino do português como segundo idioma nas escolas públicas. O anúncio foi feito na 12ª Conferência Ibero-Americana de Ministros da Cultura, que se realiza esta quarta-feira em Portugal.

«Este ano (o ensino do português) começa nos Centros de Línguas, que são locais onde as pessoas podem aprender idiomas estrangeiros de graça. No próximo ano (letivo) vamos começar nas escolas públicas», afirmou. Além do português, os Centros de Línguas já ensinam o inglês e o francês e alguns também têm aulas de alemão e italiano.

Segundo a ministra, a introdução do português no currículo escolar deverá ser gradual. «Vamos começar pela fronteira, onde é mais fácil, por que existe o bilinguismo. Há casos de crianças cuja língua materna é o português. Muitos na região da fronteira falam uma espécie de dialeto, o portunhol, que vemos não como algo negativo, mas como uma possibilidade de ampliar os conhecimentos para as duas línguas».

Ela acredita que em cinco anos todos os estudantes uruguaios estarão aprendendo o português e em 11 o idioma será de conhecimento generalizado. «Acho que estarão todos falando português em mais seis anos, quando terminarem o ensino fundamental. Para nós, o ensino do português é o cumprimento de uma das nossas obrigações com o Mercosul e esperamos que os outros também cumpram.»

Algumas escolas poderão adiantar o processo, começando antes do que está previsto. «Na nova legislação, reservamos uma verba para cada escola - por meio dos Conselhos de Participação, em que participam os pais e a comunidade - decidir o que fazer. Podem decidir fazer uma reforma no estabelecimento ou ensinar uma língua estrangeira, como o russo, no caso de uma coletividade em que grande parte da população seja de origem russa»"

Simón considera que a ampliação do ensino de línguas vai ser uma forma de diminuir o abismo social no país. «Até agora, apenas as escolas privadas ofereciam o ensino de línguas, o que gerava uma diferença de oportunidades. Sou professora titular da Universidade de Engenharia e muitos dos livros são em inglês. Nós oferecemos um curso gratuito de inglês técnico na faculdade, optativo, mas isso não é a mesma coisa.»

Professores

Para as aulas de português, a ministra não prevê a contratação de professores brasileiros, mas a formação dos uruguaios. «Até agora temos intercâmbio com Portugal, que nos ofereceu os cursos de formação e livros».

Os cursos também poderão ser dados com a ajuda de computadores - no Uruguai, cada criança que está na escola tem a partir deste ano um computador. «O professor poderá atuar como mediador. Ele pode não ter a pronúncia perfeita, mas pode ajudar a corrigir quando as crianças repetirem as palavras do programa de computador de ensino do português».



 

                         
                         Por: Cecílio Elias Netto

(Por especial gentileza do autor)

Sem nada poder fazer, paralisado de impotência, continuo vendo o mundo acabar. O meu mundo, o de minha geração.

E, portanto, uma Piracicaba que se vai acabando para dar lugar a uma outra ainda indefinida e instável. Agora, lá se foi o nosso Zé ABC, meu amigo Zé ABC, de quem posso repetir, com orgulho, o que já escrevi quando ele em vida: foi um dos mais completos jornalistas de Piracicaba de todos os tempos. E, mais do que ser jornalista, foi um ser humano maravilhoso em sua humildade profunda, em sua generosidade inesgotável.

Mal saíra, eu, dos primeiros aprendizados no Jornal de Piracicaba, ajudando na revisão de textos, aos meus 16 anos, quando cheguei, intrometidamente, ao Diário de Piracicaba, do Sebastião Ferraz. Houvera, na realidade, uma revolução gráfica no jornalismo, promovida pelo Ferraz. E, se o Jornal acolhia os velhos medalhões da cultura piracicabana, o Diário começara a abrir-se para os mais jovens, os iniciantes.

Em meados dos 1950, a febre cultural, a busca do novo, a chegada de Juscelino, a euforia com Luciano Guidotti, o sonho de Brasília, tudo era uma só ebulição.

No Diário, fiquei quase em silêncio ouvindo o que, entre outros, diziam os também moços Osvaldo de Andrade, Edson Rontani, Isidoro Polacow, Zé ABC, Ditinho Linotipista e, logo depois – já no final da década – Mauro Pereira Vianna, o Marco Aurélio.

O notável Joaquim do Marco era o patriarca da casa. O riso e o humor de Zé ABC contagiavam. De máquina fotográfica pendurada no peito, lá se ia ele em busca de flagrantes, da cobertura esportiva e da reportagem geral, ora ficando, ora saindo, assessorando o deputado Bentão, o Bento Dias Gonzaga que sonhava em criar um outro jornal em Piracicaba.

A humildade de Zé ABC foi uma das responsáveis por ter-se, ele, tornado um dos mais injustiçados jornalistas de Piracicaba. Autodidata, seu conhecimento era amplo em todas as áreas, da política ao esporte, da arte ao entretenimento, circulando com serenidade por todos os círculos sociais.

Apaixonado por sua família, Zé ABC viveu e lutou por ela, a ninhada de filhos que ele tanto amou, a companheira inseparável. Zé ABC afastava-se dos holofotes, como se as luzes o ferissem em sua humildade. Preferia os bastidores, o segundo plano, sem jamais ter deixado de ser observador arguto e sagaz.

Uma das mágoas que causei ao também falecido e querido Sebastião Ferraz, foi quando, inadvertidamente, revelei que o verdadeiro autor da coluna «Sem flores e sem frutos» – a primeira e mais famosa coluna de humor do jornalismo piracicabano – era o Zé ABC.

Com o pseudônimo Cactus, Ferraz envaidecia-se por se dizer o autor. Mas o Cactus verdadeiro era o Zé ABC que trocava figurinhas quase diárias com o também genial Edson Rontani e suas tiras pioneiras de quadrinhos.

José Antônio Bueno de Camargo ocupou os mais altos postos em toda a imprensa piracicabana, jornais e revistas, de sua época. Com brilhantismo e, como por uma bênção cristã, sem jamais ter perdido a sua mais bela virtude: a humildade.

Foram anos sem fim de convívio com Zé ABC, um injustiçado. Poucos jornalistas foram tão competentes e honestos quanto ele, poucos viveram com tanta humildade a verdadeira função do jornalismo que, mais do que apenas informar, é informar servindo.

Zé ABC serviu. E serviu com dignidade e generosidade de alma.

Sua morte é outra pá de terra que se joga na cova de um tempo incrivelmente brilhante, magicamente decente. A esperança é a de que, em algum lugar desse infinito, Zé ABC esteja reunindo a velha turma, preparando um novo jornal.

Que guarde lugares para nós, os poucos que ainda restamos.

Adeus, amigo querido.

E bom dia.

Pode comentar este texto carregando no seguinte link da Província de Piracicaba: Comentário.


Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal A PROVINCIA

A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim. Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais.

O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba». Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.

 

Roda Mundo no mundo...

 

Muito já se falou sobre a importância da Semana do Escritor, criada e organizada por Douglas Lara (na foto), já em sua quinta edição, por ser um evento que congrega escritores, jornalistas, artistas, editores, e público em geral, em torno de várias ações culturais como saraus de poesia, lançamentos de livros, performances, apresentações musicais etc.

A Semana do Escritor é uma grande oportunidade de encontro entre profissionais afins porque além de ser uma grande festa literária, propicia um clima para conversas inteligentes, criação de projetos, possibilidades de trabalho e parcerias, troca de informações sobre o mercado editorial, enfim, estabelece-se uma verdadeira rede de relacionamentos profissionais pautada em qualidade, experiência, seriedade e abertura para novos contatos. Um verdadeiro «networking».

O Roda Mundo, coletânea de prosa e poesia, também organizada por Douglas Lara, publicada pela Ottoni Editora, é um grande veículo para realizar o desejo de publicar trabalhos e participar da Semana do Escritor, agendada para julho próximo. Esta obra contempla escritores nacionais e internacionais e conta com todo apoio da mídia e favorece mais visibilidade junto aos pares e leitores.

A cada nova edição do Roda Mundo amplia-se o universo de novos escritores e a sedimentação dos que já participaram. Com bom acabamento gráfico, capa criativa, apresentação feita por um grande nome do meio acadêmico, essa obra ocupa um lugar de destaque na produção editorial contemporânea. Importante ressaltar que a 4a. Semana do Escritor rendeu bons resultados também fora do Brasil. Vários escritores estrangeiros demonstraram interesse em participar da próxima coletânea, o que ratifica o alcance obtido por essa publicação.

Interessados em participar do Roda Mundo 2009 deverão entrar em contato com Douglas Lara e/ou Mylton Ottoni

Contatos: Douglas Lara: douglara@uol.com.br, Mylton Ottoni: ottoni@ottonieditora.com.br