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EDIÇAO NºXVII , 1Iº NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade



Mitos religiosos


     
      Antônio Carlos Affonso dos Santos.

          ACAS, o Caipira Urbano.



Meu amigo Zé ABC

 

Os Orixás e as entidades na Umbanda

-Intróito:

Comentário do Acas:

Quando os Africanos aqui chegaram para trabalhar como escravos, trazidos pelos portugueses, perceberam que haviam dificuldades em professar sua Religião; os colonizadores do Brasil não permitiam, pois consideravam profanos esses ritos. Com uma esperteza só percebida muito depois, os espiratualistas mais desenvolvidos dessas massas africanas, maquiavam seus ritos e divindades de Santos Católicos, podendo assim referir-se a eles, tal como os colonizadores faziam, sem nenhuma perseguição religiosa.
Aqui estão relacionados os orixás mais cultuados na Umbanda. Variando de terreiro pra terreiro podem aparecer outros cultos como por exemplo para Obá e Ossãem (Ossanha). Além desses, há ainda a incorporação de outras entidades como : crianças, pretos-velhos, baianos, boiadeiros e marinheiros. Existem ainda outros terreiros em que podem aparecer a linha das almas onde as pessoas incorporam pessoas da família que trabalharam no espiritismo e também outros santos como Joana D'Arc, porém esse tipo de trabalho é muito raro.

.OXALA

Oxalá a autoridade Suprema na Umbanda. Oxalá na Umbanda é Jesus Cristo. Ele é quem dá as ordens aos orixás para virem até a Terra ajudar seus filhos. Sua imagem é qualquer representanção de Jesus Cristo, normalmente sem a Cruz. Não há incorporação de Oxalá na Umbanda. Cor : Branca.

.OGUM

Ogum na Umbanda é São Jorge, ou como os umbandistas chamam São Jorge Guerreiro. Ogum é o orixá que vence demanda, que protege seus filhos e guarda sua casa. Ogum é um orixá que vira na esquerda, pois é chefe de Exu, essa característica pode ser percebida uma vez que seu nome aparece também em pontos cantados de Exu. Sua imagem é de São Jorge sobre o cavalo, mas também pode ser uma imagem de um Ogum especificamente (dependendo do terreiro).

Ogum tem em sua falange, outros Oguns que vem em seu nome, alguns deles se apresentam como : Ogum Megê, Ogum de Lei, Ogum Rompe Mato, Ogum Iara, Ogum Sete Ondas, Ogum Beira Mar, entre outros.A incorporação de Ogum é fácil de se perceber : Seus filhos tomam uma forma militar com os ombros retos, peito estufado, andar ereto e com a mão ou dedo esticado acima da cabeça. Cor : Vermelho e branco

Comentário do Acas: Aqui fica evidenciado que a cultura africana no Brasil absorveu a cultura indígena. Isso pode ser observado com frequência.

.XANGO

Orixá da Justiça, Xangô na Umbanda é São Jerônimo. Diz a lenda no Candomblé que Xangô teve três esposas : Iansã, Oxum e Obá. Xangô tem como lugar as pedreiras. Sua imagem é representanda por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado. Xangô tem sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô. Cor : Marrom

.IEMANJA

Rainha do Mar, é um do orixás mais conhecidos do Brasil. Senhora das águas, não há filho que não faça sua reverência ao por seus pés no mar. Iemanjá é Nossa Senhora da Imaculada Conceição na Umbanda. Iemanjá é conhecida nos terreiros pelo seu canto longo (outros dizem que é uma espécie de choro), suas mãos fazem movimentos para frente e para cima como se fossem ondas do mar.

Iemanjá não tem uma falange especifica, porém em sua linha há as sereias e princesas do mar, conhecida por Janaína. Sua imagem é representada por uma mulher de cabelos compridos e negros, com um vestido azul comprido de mangas largas sobre as águas e com flores a sua volta, de suas mãos saem gotas de águas que mais se parecem com moedas (a riqueza do mar), na cabeça uma coroa que pode ter uma estrela no centro. Cor : Azul ou Azul e Branco

.IANSA

Iansã é a rainha dos ventos e tempestades, na Umbanda também é reverenciada por Santa Bárbara ou como os umbadistas chamam «A Virgem da Coroa». No final dos anos 60, o dramaturgo Dias Gomes encenou uma peça de sua autoria, com o nome de «O Pagador de Promessas», que algum tempo depois virou filme, dirigido por Anselmo Duarte e estrelado por Glória Menezes e Leonardo Villar.

Este filme ganhou o primeiro prêmio internacional realmente importante para o cinema nacional; recebeu a «Palma de Ouro» no festival de Cannes, na França. Nessa história, Dias Gomes traveste os fazendeiros pelos padres e os escravos com o pobre e cândido «Zé do Burro», interpretado pelo Leonardo Villar: cristão ingênuo, que o vigário crê que era umbandista (já que a promessa de entregar uma cruz na igreja era para Santa Bárbara e o vigário, espertamente, vê a possibilidade de desacreditar Iansã, versão africana de Santa Bárbara).

Iansã é a santa de expressão séria e de porte de guerreira, batalhadora e lutadora. Iansã na umbanda incorpora com expressão altiva e com o braço direito estendido para cima e com a mão direita a balançar, como se estivesse chamando os raios. Iansã pode aparecer na corrente tanto na sua própria linha como na linha de Iemanjá - adentrando assim na linha das águas. A imagem de Iansã no terreiro é a imagem de Santa Bárbara, ou seja, uma moça de cabelos claros com uma túnica vermelha por cima de um vestido amarelo, pode estar segurando um ramo ou uma espada. Nos sertões do Brasil, quando um raio cai próximo da casa de um caboclo, logo dizem: - Me vale Santa Bárbara!

A cor de Iansã: amarelo-ouro.

.OXUM

Oxum a Senhora das águas doces, dos rios e cachoeiras. Na Umbanda ela é saudada como Nossa Senhora Aparecida. No terreiro Oxum com sua expressão serena aparece com os braços esticados na altura da cintura, fazendo o movimento circulares e para frente. Normalmente vem na linha das águas, logo após a incorporação de Iemanjá (isso pode variar de terreiro pra terreiro).

Cor : roxo ou azul escuro.

. Linha de Cosme, Damião e Doun ou Linha das Crianças

Os filhos de Ogum são a presença mais alegre da Umbanda. A presença das crianças na Umbanda traz renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas, pelo ar inocente que traz na face do médium. Aliás essa linha é fácil de perceber a incorporação pois o semblante da pessoa fica suave, sua voz mais fina e sempre com aquele ar de criança. Por sua natureza e pelos padrinhos da linha.

A linha de Cosme e Damião também traz a cura para os males do corpo e do espírito, além de darem proteção e benção extra às crianças. Podem aparecer no decorer do ano, mas o seu dia de comemoração e acaba virando uma grande festa de aniversário, onde tem bolo, bexigas, doces e refrigerante, não faltando é claro o «Parabéns à você». Mesmo as pessoas que vivem nas grandes cidades, como São Paulo, tem adoração por esta linha. É comum pessoas em 25 de setembro, dia de Cosme, Damião e Doum, distribuirem doces aos colegas de trabalho, ou até de dentro dos carros, oferecendo doces aos pedintes e vendedores autônomos informais de rua.

.Linha dos Pretos-Velhos

A linha mais experiente da Umbanda e sem dúvida a mais respeitada das entidades, pelo seu sofrimento e pela sua sabedoria e humildade. É isso tudo que passa a linha dos pretos-velhos, o que um preto velho fala ninguém discute. Como diz seu próprio ponto cantado «Filhos de Umbanda não tem querer» é assim que eles vem : trazendo saúde e esperança, ajudando seus filhos e cobrando deles a humildade e bondade no espírito. Se existe algo que os pretos-velhos não admitem é a soberbia em seus filhos de fé. Sua homenagem fica para o dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos. Nesse dia os filhos de umbanda servem a eles uma mesa repleta de legumes, verduras cozidas, feijão de corda e feijoada e frutas docinhas, uma vez que serviram tanto a nós em outras épocas.

 

 

 

                         
                         Por: Cecílio Elias Netto

(Por especial gentileza do autor)

Sem nada poder fazer, paralisado de impotência, continuo vendo o mundo acabar. O meu mundo, o de minha geração.

E, portanto, uma Piracicaba que se vai acabando para dar lugar a uma outra ainda indefinida e instável. Agora, lá se foi o nosso Zé ABC, meu amigo Zé ABC, de quem posso repetir, com orgulho, o que já escrevi quando ele em vida: foi um dos mais completos jornalistas de Piracicaba de todos os tempos. E, mais do que ser jornalista, foi um ser humano maravilhoso em sua humildade profunda, em sua generosidade inesgotável.

Mal saíra, eu, dos primeiros aprendizados no Jornal de Piracicaba, ajudando na revisão de textos, aos meus 16 anos, quando cheguei, intrometidamente, ao Diário de Piracicaba, do Sebastião Ferraz. Houvera, na realidade, uma revolução gráfica no jornalismo, promovida pelo Ferraz. E, se o Jornal acolhia os velhos medalhões da cultura piracicabana, o Diário começara a abrir-se para os mais jovens, os iniciantes.

Em meados dos 1950, a febre cultural, a busca do novo, a chegada de Juscelino, a euforia com Luciano Guidotti, o sonho de Brasília, tudo era uma só ebulição.

No Diário, fiquei quase em silêncio ouvindo o que, entre outros, diziam os também moços Osvaldo de Andrade, Edson Rontani, Isidoro Polacow, Zé ABC, Ditinho Linotipista e, logo depois – já no final da década – Mauro Pereira Vianna, o Marco Aurélio.

O notável Joaquim do Marco era o patriarca da casa. O riso e o humor de Zé ABC contagiavam. De máquina fotográfica pendurada no peito, lá se ia ele em busca de flagrantes, da cobertura esportiva e da reportagem geral, ora ficando, ora saindo, assessorando o deputado Bentão, o Bento Dias Gonzaga que sonhava em criar um outro jornal em Piracicaba.

A humildade de Zé ABC foi uma das responsáveis por ter-se, ele, tornado um dos mais injustiçados jornalistas de Piracicaba. Autodidata, seu conhecimento era amplo em todas as áreas, da política ao esporte, da arte ao entretenimento, circulando com serenidade por todos os círculos sociais.

Apaixonado por sua família, Zé ABC viveu e lutou por ela, a ninhada de filhos que ele tanto amou, a companheira inseparável. Zé ABC afastava-se dos holofotes, como se as luzes o ferissem em sua humildade. Preferia os bastidores, o segundo plano, sem jamais ter deixado de ser observador arguto e sagaz.

Uma das mágoas que causei ao também falecido e querido Sebastião Ferraz, foi quando, inadvertidamente, revelei que o verdadeiro autor da coluna «Sem flores e sem frutos» – a primeira e mais famosa coluna de humor do jornalismo piracicabano – era o Zé ABC.

Com o pseudônimo Cactus, Ferraz envaidecia-se por se dizer o autor. Mas o Cactus verdadeiro era o Zé ABC que trocava figurinhas quase diárias com o também genial Edson Rontani e suas tiras pioneiras de quadrinhos.

José Antônio Bueno de Camargo ocupou os mais altos postos em toda a imprensa piracicabana, jornais e revistas, de sua época. Com brilhantismo e, como por uma bênção cristã, sem jamais ter perdido a sua mais bela virtude: a humildade.

Foram anos sem fim de convívio com Zé ABC, um injustiçado. Poucos jornalistas foram tão competentes e honestos quanto ele, poucos viveram com tanta humildade a verdadeira função do jornalismo que, mais do que apenas informar, é informar servindo.

Zé ABC serviu. E serviu com dignidade e generosidade de alma.

Sua morte é outra pá de terra que se joga na cova de um tempo incrivelmente brilhante, magicamente decente. A esperança é a de que, em algum lugar desse infinito, Zé ABC esteja reunindo a velha turma, preparando um novo jornal.

Que guarde lugares para nós, os poucos que ainda restamos.

Adeus, amigo querido.

E bom dia.

Pode comentar este texto carregando no seguinte link da Província de Piracicaba: Comentário.


Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal A PROVINCIA

A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim. Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais.

O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba». Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.

 

Roda Mundo no mundo...

 

Muito já se falou sobre a importância da Semana do Escritor, criada e organizada por Douglas Lara (na foto), já em sua quinta edição, por ser um evento que congrega escritores, jornalistas, artistas, editores, e público em geral, em torno de várias ações culturais como saraus de poesia, lançamentos de livros, performances, apresentações musicais etc.

A Semana do Escritor é uma grande oportunidade de encontro entre profissionais afins porque além de ser uma grande festa literária, propicia um clima para conversas inteligentes, criação de projetos, possibilidades de trabalho e parcerias, troca de informações sobre o mercado editorial, enfim, estabelece-se uma verdadeira rede de relacionamentos profissionais pautada em qualidade, experiência, seriedade e abertura para novos contatos. Um verdadeiro «networking».

O Roda Mundo, coletânea de prosa e poesia, também organizada por Douglas Lara, publicada pela Ottoni Editora, é um grande veículo para realizar o desejo de publicar trabalhos e participar da Semana do Escritor, agendada para julho próximo. Esta obra contempla escritores nacionais e internacionais e conta com todo apoio da mídia e favorece mais visibilidade junto aos pares e leitores.

A cada nova edição do Roda Mundo amplia-se o universo de novos escritores e a sedimentação dos que já participaram. Com bom acabamento gráfico, capa criativa, apresentação feita por um grande nome do meio acadêmico, essa obra ocupa um lugar de destaque na produção editorial contemporânea.

Importante ressaltar que a 4a. Semana do Escritor rendeu bons resultados também fora do Brasil. Vários escritores estrangeiros demonstraram interesse em participar da próxima coletânea, o que ratifica o alcance obtido por essa publicação.

Interessados em participar do Roda Mundo 2009 deverão entrar em contato com Douglas Lara e/ou Mylton Ottoni

Contatos:

Douglas Lara: douglara@uol.com.br

Mylton Ottoni: ottoni@ottonieditora.com.br