Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter ConvíviosLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


EDIÇAO NºXVI , 1º NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade

BABOSA, OU SE PREFERIR, ALOE ...  

  Sandra Fayad

 

Com mais de 3.300 visitas, apresento-lhes o texto em prosa mais lido no meu site

http://www.sandrafayad.prosaeverso.net/.

Em segundo e terceiro lugar estão os afrodisíacos Guaraná e Jambu, respectivamente.

Ela tem um pouco de roseira, cacto e alcachofra. Com boa vontade, pode-se dizer que lembra a rosa-dos-ventos. Planta baixinha, pesada, rente ao chão e composta de folhas largas e gorduchas na base e finas e pontiagudas na parte aérea, a babosa não possui tronco ou galhos visíveis. Da cor verde escuro, já adulta chama a atenção ao florescer. Seus pendões coloridos de até um metro de altura, entre as folhas, dão-lhe uma característica física um pouco mais atraente. Paisagistas e decoradores se aproveitam disso para plantá-la diretamente em jardins externos ou em grandes vasos nas varandas, áreas de lazer e entradas de edifícios.
No entanto, quando, por acidente ou de propósito, ocorre sangria em uma de suas folhas, ela apresenta um cheiro forte, capaz de afastar insetos, pragas e até gente das proximidades. É uma das plantas menos sujeita a problemas de doenças e de fácil cultivo, podendo adaptar-se até em clima seco e pobre, a sol pleno, como é o caso de Brasília, na maior parte do ano.
A denominação científica Aloe vera vem do hebráico halal ou do arábico alloeh (= substância amarga, brilhante) e do latim vera (= verdadeira). Antigamente, muçulmanos e judeus usavam as folhas penduradas na porta de entrada da casa, porque acreditavam que representava uma proteção para todos os males.
É uma das plantas mais pesquisadas e de vasta aplicação na medicina alternativa. Objeto de controvérsias quanto à extensão dos seus benefícios, a babosa está presente em diversos produtos de beleza e em medicamentos que prometem desde a prevenção até a cura completa de males considerados irreversíveis.
De família grande, a babosa tem mais de trezentas irmãs (espécies) conhecidas. Mas duas ou três delas têm despertado mais interesse por parte dos comestólogos e farmacólogos, pesquisadores e curiosos. As espécies conhecidas pelos nomes científicos Aloe vera, e Aloe arborescens (babosinha) são as mais famosas.

Em seu livro «Câncer tem cura» - Manual que ensina a tratar do câncer e de outras doenças, o Frei Romano Zago apresenta a seguinte receita: duas ou três folhas de aloe arborescens (sem os espinhos e não lavadas, apenas limpas com um pano), meio quilo de mel puro e quatro colheres de bebida destilada (cachaça, uísque, tequila, grappa ou conhaque). Bater tudo no liquidificador e coar em pano limpo, em local sem luz direta. O xarope deve ser acondicionado em vidro escuro esterilizado. O autor recomenda a observância prévia de alguns cuidados, já na colheita das folhas. A operação deverá ocorrer à noite e com tempo firme a, pelo menos, uma semana. Plantas que tenham recebido aplicações de venenos ou que tenham ficado expostas à poluição, como beira de estradas e locais que tenham sido usados para detritos industriais devem ser descartadas, assim como as folhas externas e as da babosa florida, pois suas propriedades ficam reduzidas, já que a planta dirige toda a sua energia para as flores.

Certo da eficácia da receita, Frei Romano propõe que se tome, no máximo, três colheres do composto ao dia, por período não superior a dez dias, com intervalos iguais de tempo, até a cura completa do mal. Aplica-se às seguintes doenças: câncer, alergias, asma, anemia, artrose, hemorróidas, furúnculos, feridas venéreas, infecções de bexiga, rins e próstata, reumatismo, úlceras, varizes, diabetes e outras, além de “frear� o avanço da Aids. Mesmo que não esteja com nenhum problema, a ingestão do preparado é indicada para “fazer uma faxina� no organismo e fortalecer o sistema imunológico de qualquer pessoa que não esteja grávida, por um período de apenas dez dias a cada ano.
Desde sua primeira edição, o livro vem gerando controvérsias até porque, em seu próprio texto, Frei Romano admite a possibilidade da existência de vários efeitos colaterais. Além disso, alguns adversários da proposta afirmam que a cura propalada só se dará para determinados tipos e/ou estágios das doenças apontadas.

Fato é que estudiosos do assunto já comprovaram que a babosa fortalece o sistema imunológico e tem ação antiinflamatória e antiviral. Embora o uso da planta tenha sido aprovado nos Estados Unidos para testes em pacientes com Aids e câncer, desde 1994, ainda não foi divulgado nenhum resultado. Na Rússia, as pesquisas mostram que a erva exerce importante papel no fortalecimento dos pulmões e tem curado até tuberculoses crônicas. Algumas pesquisas isoladas mostraram que os oligossacarídeos presentes na babosa ajudam a combater as células malignas. No entanto, concluiu-se também que seu consumo não deve ser indiscriminado, pois pode provocar dores abdominais, fortes diarréias (que os defensores do uso afirmam ser o “efeito limpeza�) e, em doses elevadas, pode causar até inflamação nos rins.
A preocupação de autoridades e gestores da saúde pública tem sido no sentido de evitar que o uso incorreto deste e de outros produtos naturais cause intoxicações e efeitos adversos ao organismo.

Se, por um lado a comunidade científica procura fazer com o uso interno da babosa fique bem definido, é unânime o reconhecimento das suas propriedades no uso externo, especialmente sobre a pele.
Neste caso, as principais indicações, ainda em tratamentos e cura, são:
queimaduras (fogo, raio X ou raios solares); acne, coceiras, eczemas, erisipela, manchas escuras de sol, ferimentos difíceis de cicatrizar congestão nasal crônica e picadas de insetos.
Conta-se que Alexandre, o Grande, teria conquistado as Ilhas de Socotorá, no Oceano �ndico (século IV a.C.), porque lá vegetava abundantemente um tipo de babosa, da qual conhecia os poderes cicatrizantes, para curar os ferimentos dos seus soldados, após as batalhas.

Seus benefícios na área cosmética são explorados desde a descoberta dos segredos de beleza de Cleópatra e tem sido dia-a-dia ampliados.

É largamente utilizada no preparo de cremes, xampus, loções, sabonetes, máscaras. É também excelente desodorante, removedor de impurezas da pele, fortalecedor do couro cabeludo. Ajuda a combater a caspa, previne contra as rugas, hidratando peles ressecadas e flácidas e, aplicada como loção após a barba, é ótima suavizante para a pele.

O melhor de tudo é que¸ para essas indicações, não é necessário nenhum tipo de preparo especial. Basta cortar a folha no sentido longitudinal, raspar a popa e aplicar diretamente sobre a região a ser tratada.

Há mais de três mil anos, em todo o mundo, a polpa desta planta um pouco desajeitada, amarga e de aspecto desagradável aos olhos tem feito verdadeiros milagres. Vale a pena conhecê-la e fazer com ela uma boa amizade. Mas, nunca é demais lembrar que uma boa conversa com o médico é sempre recomendável, em qualquer situação que envolva nossa saúde.

Fontes:
1- http://www.jardimdeflores.com.br/ERVAS/babosa1.html#topo2
2- Livro: Câncer tem cura, Frei Romano Zago OFM – Ed. Vozes
3- Curso: Ervas Medicinais, do SENAR/DF
4- Experimentos e Conhecimento Empírico por parte da Autora

 

 

 

 


Aguarela

Conto de Liliana Josué



Enquanto caminhava deparei com um espectáculo digno dos deuses de gostos mais requintados.

Não pela sua magnificência, mas pela singeleza, constatando que muitas vezes ali passara sem que realmente nada tivesse visto, na pressa da minha vida.

A planície era um manto longo a deixar de se ver. Papoilas vermelhas de olhar atrevido salpicavam o extenso tapete verde. O sol, estrela imponentemente e estática, ruborizava ainda mais essas frágeis criaturas, ao mesmo tempo que doirava os pequenos mal-me-queres que por ali se espraiavam.

Alguns chorões deixavam que a brisa acariciasse suas macias cabeleiras, num rostilhar de perpétuo alívio e bem estar, murmurando segredos que só ela entendia.

E os gira-sois, que seres simpáticos e divertidos, de grandes olhos castanhos enfeitados de loiras pestanas, cantavam o sol em felicidade suprema e, quando ele partia, baixavam suas cabecitas e adormeciam rezando para para que nunca lhes faltasse.

Prestei mais atenção em meu redor e deparei com duas delicadas borboletas, de sedosas asas brancas, poisando num discreto lírio cor de marfim, acasalando felizes. Todos os outros lírios viraram suas corolas em direcção ao pequeno riacho num sorriso envergonhado.

Este, corria um tanto travesso por entre as pedras, suas companheiras, vestidas de verde musgo e adornadas por avencas.

Não resisti por muito tempo a descalçar meus pés e mergulhá-los nessa água de cristal. Arregacei a comprida saia azul- marinho sarapintada de cerejas encarnadas, tirei o chapéu de palha decorado com uma fita cor-de rosa e ramo de violetas. Coloquei-o sobre a margem; manta castanha protectora do riacho.

Senti um frio que me arrepiou a espinha, olhei para baixo num pasmo estático e assim permaneci sem tempo. Em seguida, meus pés dançaram num serpentear de água, brincaram lá no fundo, sobre a condescendente areia. Meus dedos ondulantes arrebitaram como meninos traquinas. Deleitada sorri para a o riacho frio, ele numa atitude gaiata devolveu-me esse sorriso.

O arrepio desapareceu e a alegria invadiu-me.

Dei um grito de libertação enquanto meus desgostos eram levados por aquelas renovadoras águas de mistério.

Pulei para fora do riacho e corri até mais não poder, de saia esvoaçando pelo vento e cabelos flutuando pelo ar.

De exaustão deitei-me sobre a terra quente, senti seu coração a palpitar e o som da vida em permanente actividade.

Apertei-me toda contra ela e, sem saber porquê, chamei-lhe MÃE.

Liliana Josué

 

O Vale e suas histórias.

 

Conto de Arlete Deretti Fernandes

O rio que fertilizava o vale, carregava em seu curso segredos e histórias de um povo e de seus muitos amores. A imigração italiana deixou ali suas marcas – homens e mulheres que da terra tiravam seu sustento. O que muito faziam era trabalhar e procriar.

Uma família de caboclos morava num barranco, à margem direita, próxima ao povoado. Sua modesta casa servia de teto a uma velhinha benzedeira, sua filha e seus dois netos.

O trem que fazia o percurso do vale passava todos os dias, com seu apito estridente, os passageiros a acenar, já fazia parte da paisagem. Quando apitava na curva deixando a montanha para trás, Joana dizia para o filho:
-  Vai cortar capim para as vacas, que está na hora.
_ O filho mais velho respondia:
_ Já vou, mãe.
Enquanto isto, o filho mais novo brincava com o som do trem:
_ Jaca-taca, jaca-taca, piuíiiiiiii, piuíiii.

Viviam à maneira deles, porque não tinham ambição nem apegos. A cada dia que Deus colocava no mundo, dava-lhes o que precisavam: tinham um telhado para abrigar-se e comida para matar-lhes a fome. Para eles isto era muito.

Na escola os meninos aprendiam a ler e escrever e fazer contas. Seu mundo se limitava aquelas montanhas que os circundavam, ao pequeno espaço em que viviam.

Eram criaturas que viviam sob o ensinamento da máxima bíblica: «Olhai os lírios do campo, que não tecem nem fiam, no entanto nem Salomão com toda a sua riqueza jamais se vestiu como um deles!�

A avó, Dona Rosa, sempre com um rosário na mão a rezar estava. Ela era uma rosa muito desfolhada pelo tempo.

Lembro-me quando bem pequena, minha avó me levava pela mão, atravessando os trilhos do trem e umas roças de cana e mandioca, para ser benta de dor de cabeça e de luxações que os brinquedos ocasionavam, como cair de bicicleta ou então de uma árvore de nossa chácara.

Jamais esquecerei das palavras que dizia a anciã:
_ Co coso?
E eu tinha que responder:
_ Carne rasgada e nervo torto.
Aquele ritual tinha que ser repetido por nove dias seguidos.

Impressionava-me o rosto da benzedeira, porque me parecia um terreno cheio de rachaduras, tantas e tão profundas eram suas rugas.
O gato dormia no calorzinho ao lado do fogão a lenha.

Joana, a mãe dos meninos, carregava às costas o balaio de roupas. Quando chegava à beira do rio, largava o peso sobre uma pedra. Naquele dia ajoelhou-se diante da Natureza, ou melhor, diante de seu trabalho.

Ensaboava devagar peça por peça, cantarolando uma música sertaneja. Os ecos se espalhavam na imensidão. Colocava peça por peça ao sol, para clarear.

Sentou-se na pedra e olhou-se no espelho das águas que tremulavam, já conhecia aquela imagem, tinha em casa um espelhinho quebrado, pendurado num prego, no quarto de dormir. Espelhando-se, usava pó de arroz e batom quando ia à domingueira dançar.

Lembrou-se de uma história que seu filho leu no livro da escola, sobre um jovem vaidoso chamado Narciso, que virou flor porque admirou sua própria beleza no espelho das águas. Ficou com medo e parou de mirar-se. Recordou-se de um sujeito que lhe disse que ela era bonita, e sorriu.

A cadela vira-lata dormia sob uma moita de carqueja.



Tudo era ermo naquele fim de mundo. Apenas se ouvia o piar de uma ave que cortava os ares, e o choc-choc do remo de uma canoa que vinha da outra margem. Um vulto, quanto mais se aproximava, ia se delineando um rosto moreno. De onde vinha e o que queria aquele barqueiro? Seria um amor secreto?

O palco do encontro era ali, o grande rio por testemunha. Uma jacucaca piava numa árvore, os peixes procriavam, tudo conspirava à fertilidade.

Se fosse no norte brasileiro, certamente este barqueiro seria o Boto cor de rosa encantado em homem.