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EDIÇAO NºXVI , 1º NUMERO  DE ABRIL  DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade

Continuação da Coluna Um (Ver início)

Já se tem assistido a verdadeiras reviravoltas no último minuto, como aconteceu na primeira eleição de Zapatero em Espanha, em que o elemento despoletador da reviravolta foi um trágico ataque terrorista e já aconteceu o inverso em França em que os distúrbios nos bairros periféricos de Paris acabaram por contribuir para eleição do então Ministro do Interior, agora Presidente Sarkosy.

Afinal será que o eleitorado anda mesmo às aranhas ou que não sabe analisar os comportamentos a longo ou a médio prazo e formar opinião ou será que tem a opinião tão frágil que um único acontecimento faz virar a balança do seu pensamento, que os últimos minutos são determinantes para a formação e consolidação dessa mesma opinião, ou será simplesmente, o mais provável na minha opinião, que o eleitorado, de uma forma geral, precisa que lhe digam mesmo de uma forma explícita em quem deve votar?

O facto de se fazerem grandes obras, de se inaugurarem outras grandes ou pequenas, até por várias vezes como já tem acontecido, terá de ser assim tão determinante para a formação de uma opinião de voto?

Afinal o resultado do voto, até que as coisas mudem, o que não convém absolutamente nada diga-se (incomoda-me verdadeiramente os países que andam em eleições quase mensais) o resultado desse voto não é para durar os tais exemplares 4 anos e não deveria ser estudado durante os anteriores 4 anos todos e não nos últimos 4 minutos da partida?

É dificil pensar em termos de estabilidade para se fazer alguma coisa quando, por exemplo em Portugal se sabe que os Presidentes da República são eleitos por um mais um mandatos, que os governos andam sempre vai não vai sem saber se ficam se vão embora, se as Câmaras Municipais, depois de atravessado um período de longas (e quase eternas) repetições eleitorais, têm ultimamente mudado globalmente a um ritmo acelerado, que as administrações dos Institutos Públicos mudam de acordo com a camisola governamental eleita, que existem milhares de cargos de nomeação que caem ou não caem depois das eleições e que, como se tudo isto não bastasse ainda se dá os tradicionais 100 dias de período de habituação aos lugares a este pessoal todo fora as alterações pontuais que se vão fazendo periodicamente.

Temos depois a também tradicional distribuição dos jobs for the boys que leva eternidades a assentar, que roda e volta a rodar consoante a adaptação de a, b, ou c para o lugar para onde foi nomeado.

Enfim é um rol quase interminável que leva a esta sensação de inconstância, de fragilidade estrutural, de trabalho de cada um por si (e para si) que os eleitores portugueses vão sufragar neste ano que corre muitos deles instavelmente durante os últimos minutos do jogo.

O Churchil dizia que a democracia era o pior dos sistemas políticos excluindo todos os outros: agora que só localizadamente existem outros sistemas talvez seja bom aperfeiçoar esta mesma coisa porque assim é mesmo desesperante.

 

Apetite voraz

Por Haroldo P. Barboza 

Quem tem esperança (como eu) que alguma entidade respeitável da sociedade venha empunhar a bandeira da cruzada pelo resgate da moralidade pública, mais uma vez fica decepcionado. Como se não bastasse o silêncio de antigos conglomerados de verdadeiros patriotas (agora dominados), neste momento se soma a este contingente a UNE, que na metade do século XX atuava (algumas vezes atabalhoadamente por força da impetuosidade da juventude) na luta pela preservação de algum ideal concreto.

Mas o tempo passou, os líderes foram banidos ou corrompidos e o grupo atual que a integra deve estar sendo afetado pelos efeitos da falta de valores morais e éticos dentro dos próprios lares. A entidade acaba de ser «agraciada» com uma doação (imposto nosso) federal de R$ 10 MI para atender seus «projetos»(?).

Desta forma, sem seus membros mais aguerridos para formar opiniões com argumentos saudáveis, quem acredita que ela se manifeste para exigir um processo digno de educação para nossos jovens desnorteados que em breve estarão em idade para começar a produzir projetos úteis à sociedade?

O que vemos atualmente? Trotes em faculdades onde calouros são afogados em piscina. Jovens drogados que queimam índios no planalto central. Médicos jovens (mal formados e mal assessorados) que operam o lado direito do crânio de uma moça que bateu com o lado esquerdo na pia de casa. Residentes que transitam entre o hospital e o restaurante com o mesmo guarda-pó onde vírus se aconchegam.

O processo para desmoralizar poderosas vozes de credibilidade segue em ritmo acelerado. Sobram poucas resistências entre as forças armadas e membros da Justiça. Verbas que deveriam ser aplicadas em programas sociais para aprimorar a nossa qualidade de vida e crescimento real da produção são usadas para farras dos cartões corporativos, mensalões e agrados.

E o exemplo logo é absorvido nas escalas inferiores. O Governador do Rio está pronto para adquirir um helicóptero francês (Carla Bruni fez lobby?) de R$ 12 MI para uso próprio. Este valor daria para manter ativas as unidades de ortopedia que foram suspensas nas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) nesta 1ª. Semana de março de 2009!

Este descaso com a saúde popular efetivamente representa um ato de traição (este foi seu trampolim eleitoral) que é a característica comum destes políticos que há mais de 20 anos se locupletam com nosso dinheiro na certeza de que nossa acomodação nada produzirá para terminar com a confortável impunidade reinante.

Os freqüentadores regulares das frias filas das madrugadas em busca da vergonhosa senha (já tem mercado negro nisto) estão entregues ao bom humor de seus anjos protetores. Ou ao apetite dos micróbios que infestam os imundos corredores hospitalares. Talvez com uma fome menor do que a dos devoradores de nossos impostos.
E de nossas paciências.

 

 

Parada burra.

Por Haroldo P. Barboza

Em 90% dos casos, uma greve retrata a justa luta da classe oprimida dos trabalhadores contra o capital imoral que define as leis. Cerca de 10% delas são por motivos políticos, para desacreditar alguma autoridade já com a ficha suja ou obter alguma quermesse sem merecimento.

Em qualquer dos casos, os promotores da paralisação, se pretendem receber apoio popular, devem anunciá-la com antecedência mínima de cinco dias para que os usuários prejudicados (que não têm culpa das divergências) tenham a chance de adotar medidas paliativas compatíveis com o momento. O objetivo deve ser apenas de cessar os lucros dos patrões e não prejudicar o povo oprimido e sem recursos de emergência.

Tal ação preventiva não foi adotada pelos sindicatos de motoristas de ônibus de Itaboraí, São Gonçalo, Niterói e mais dois municípios adjacentes. No dia 26/03/09 , em torno de 19 horas, decretaram a paralisação dos ônibus para começar a zero hora do dia seguinte, deixando milhares de pessoas prejudicadas que não souberam da decisão a tempo.

Vários sofredores que trabalham em turno ficaram sem voltar para suas casas. Centenas de consultas foram prejudicadas. Atrasos e faltas nos locais de trabalho. Motoristas de vans majorando preços em 100% em cima de passageiros com dinheiro contado. Fora os engarrafamentos pelo aumento de carros nas ruas.

Os dirigentes sindicais (antigos «cumpanheros» agora provavelmente usando ternos e sentados nos escritórios refrigerados) demonstraram uma «genialidade» ímpar. Jogaram a população contra a laboriosa classe de motoristas de ônibus. Resta saber se a intenção era realmente defender justos interesses dos trabalhadores ou atiçar desafetos superiores de outras facções políticas.

 

Cela selada.

Haroldo P. Barboza

Segundo notas da Bandnews-fm no decorrer de março de 2009, está em andamento no Senado um projeto para construir uma cela (para deter jornalista curioso?) dentro de suas dependências.

Mesmo não tendo a planta do local, imaginamos um ambiente de 50 m2, composto de sala/quarto e banheiro com hidromassagem. Claro que terá tv a cabo de 42 polegadas, ar refrigerado, internet e colchão de ar. O custo previsto é de R$ 560 MI (fora o salário do futuro «diretor» de cadeado do local), valor suficiente para recuperar dezenas de escolas e ensinar aos alunos a não votar em pilantras.

Não sabemos se a empreiteira vencedora foi a Camargo Correa ou uma concorrente ainda não investigada pela PF por estar «em dia» com suas «contribuições espontâneas».
Para efetuar uma economia nos cofres públicos já combalidos para sustentar os 181 “diretores� que recebem horas-extras nas férias, basta seguir uma sugestão que consta de um artigo meu publicado pelos idos de 2005, qual seja: gradear em volta das duas metades de laranjas podres com apenas uma porta que deve ser aberta uma vez por semana para receber os fornecedores e uma vez por dia para os coletores de detritos que contaminam a sociedade hipnotizada pelas rolas e periquitas que são exibidas no Big Bosta Brasil

 

Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Mais uma Páscoa…- (Ver Início)

Por isso o que proponho nesta crónica é que cada um neste ano de 2009, pense seriamente no significado da Páscoa, como símbolo de renascimento, e medite sobre o que necessita de fazer para fazer renascer o nosso planeta para deixar de usufruto aos nossos filhos e netos.

Todos os dias somos confrontados com espectáculos degradantes que nos enchem de tristeza e angústia, ao vermos os nossos recursos serem queimados nos fogos florestais, e não digo árvores, porque tudo arde, florestas, casas, carros, pessoas… e também os nossos rios serem poluídos e os peixes a boiar mortos, as barriguitas brancas á superfície da água suja e espumosa e lá vem a notícia: mais uma descarga no rio tal…tantos peixes mortos…no outro dia já tudo esqueceu…e que dizer da grande tragédia que aconteceu na Austrália aqueles incêndios dantescos e as pessoas carbonizadas dentro dos carros ao tentarem fugir?

Meditem em tudo isso, pensem em como cada um pode poupar um bocadinho dos recursos que desperdiçamos, para que não faltem aos nossos filhos, informem-se como podem poupar água, poupar electricidade, não estragar o que temos á nossa disposição.

Hoje entrei num escritório e num gabinete voltado ao sol da tarde que entrava por uma grande janela envidraçada tudo iluminando. A ocupante do gabinete (ela sabe a quem me refiro), trabalhava ao computador e também na máquina de calcular e tinha uma luz no tecto acesa, tudo consumindo electricidade.

Eu apaguei a luz do tecto, indagando para que era necessária a luz acesa, se havia tanto sol? Ela concordou comigo, mas entrou uma colega que a voltou a acender, indignada porque eu tinha apagado a luz. Elas acharam que não era nada, apenas um grão de areia um oceano de desperdício certamente, mas se todos pensarmos assim, como mudar as mentalidades?

Então vamos ver se na próxima primavera, os caudais subterrâneos têm mais água para regar as searas e se o planeta não aqueceu mais e se os fogos não queimam mais vidas e haveres?

Vamos pensar em como ajudar a natureza a renascer?

Arlete Piedade