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EDIÇAO NºXVI , 1º NUMERO  DE ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade



Causo e mitos religiosos


     
      Antônio Carlos Affonso dos Santos.

          ACAS, o Caipira Urbano.



Covardia e tolerância

Causo de Gaucho Contá Cumé

(Dedicado ao Escritor Gaucho T.S.Jr.)

O Tiesse foi caçá a cavalo, cunforme custume dos gaucho. Cuma apareceu a mula sem cabeça prele, muntada pelo Negrinho do Pastoreio, seu cavalo ispantô i deitô cabelo na carrera, dirrubano e arrastano o Tiesse nas quiçaça: só ficô o bacamarte.

Mêmo escalabrado, ele disse:
-Sô home gaucho macho e vô infrentá tudas coisa que vinhé pela frente!
Nessa hora a onça roncô bem perto dele. Ele viu a bicha i puxô u gatío. Nada. A arma tava ingasgada.Saiu correno por onde tinha sido arrastado e achô a guaiaca. Mais tudo tinha se perdido, menos pórva e iscorva.

Na farta de chumbo grosso, o Tiesse achô que ía morrê, pois a bicha vinha na sua direção. Daí, ele achô um morão de cerca cuns prego grande, desses de prendê trío de trem nos dormente. Ele arrancô us prego i enfiô no cano do bacamarte; encheu o cano de pórva, pois a iscórva; e a bicha chegano, chegano... .

Quando virô a espingarda, a onça tava até babano de apetite, a treis metro de distança. O Tiesse, gaucho macho, carcô fogo. Foi um istrondo danado, escuitado até em Farroupilha i Bento Gonçalves. No meio da fumaça, u Tiesse num viu mais a onça!
-Acho que ela cagô de medo desse gaudério, disse naquele seu linguajar isquisito.
Mais ele ficô por ali pricurano, campiano, tár e coisa. Nisso sentiu arguma coisa cair de mansinho no seu chapéu de gaucho.Tirô u chapéu i ôtra gota de sangue caiu na cabeça, que chegô a rolá nos zóio.

Oiô pra cima e viu o oiá curioso da onça estertorano, pregada no gáio do jacarandá, cum aqueles prego que falei procêis, inda agorinha... . -Dá pra acreditá no Tiesse?

ACAS

 

Os Orixás e as entidades na Umbanda

-Intróito:

Comentário do Acas:

Quando os Africanos aqui chegaram para trabalhar como escravos, trazidos pelos portugueses, perceberam que haviam dificuldades em professar sua Religião; os colonizadores do Brasil não permitiam, pois consideravam profanos esses ritos. Com uma esperteza só percebida muito depois, os espiratualistas mais desenvolvidos dessas massas africanas, maquiavam seus ritos e divindades de Santos Católicos, podendo assim referir-se a eles, tal como os colonizadores faziam, sem nenhuma perseguição religiosa.

Aqui estão relacionados os orixás mais cultuados na Umbanda. Variando de terreiro pra terreiro podem aparecer outros cultos como por exemplo para Obá e Ossãem (Ossanha). Além desses, há ainda a incorporação de outras entidades como : crianças, pretos-velhos, baianos, boiadeiros e marinheiros. Existem ainda outros terreiros em que podem aparecer a linha das almas onde as pessoas incorporam pessoas da família que trabalharam no espiritismo e também outros santos como Joana D'Arc, porém esse tipo de trabalho é muito raro.

.OXALA

Oxalá a autoridade Suprema na Umbanda. Oxalá na Umbanda é Jesus Cristo. Ele é quem dá as ordens aos orixás para virem até a Terra ajudar seus filhos. Sua imagem é qualquer representanção de Jesus Cristo, normalmente sem a Cruz. Não há incorporação de Oxalá na Umbanda. Cor : Branca.

.OGUM

Ogum na Umbanda é São Jorge, ou como os umbandistas chamam São Jorge Guerreiro. Ogum é o orixá que vence demanda, que protege seus filhos e guarda sua casa. Ogum é um orixá que vira na esquerda, pois é chefe de Exu, essa característica pode ser percebida uma vez que seu nome aparece também em pontos cantados de Exu. Sua imagem é de São Jorge sobre o cavalo, mas também pode ser uma imagem de um Ogum especificamente (dependendo do terreiro).

Ogum tem em sua falange, outros Oguns que vem em seu nome, alguns deles se apresentam como : Ogum Megê, Ogum de Lei, Ogum Rompe Mato, Ogum Iara, Ogum Sete Ondas, Ogum Beira Mar, entre outros.A incorporação de Ogum é fácil de se perceber : Seus filhos tomam uma forma militar com os ombros retos, peito estufado, andar ereto e com a mão ou dedo esticado acima da cabeça. Cor : Vermelho e branco

Comentário do Acas: Aqui fica evidenciado que a cultura africana no Brasil absorveu a cultura indígena. Isso pode ser observado com frequência.

.XANGO

Orixá da Justiça, Xangô na Umbanda é São Jerônimo. Diz a lenda no Candomblé que Xangô teve três esposas : Iansã, Oxum e Obá. Xangô tem como lugar as pedreiras. Sua imagem é representanda por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado. Xangô tem sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô. Cor : Marrom

.IEMANJA

Rainha do Mar, é um do orixás mais conhecidos do Brasil. Senhora das águas, não há filho que não faça sua reverência ao por seus pés no mar. Iemanjá é Nossa Senhora da Imaculada Conceição na Umbanda. Iemanjá é conhecida nos terreiros pelo seu canto longo (outros dizem que é uma espécie de choro), suas mãos fazem movimentos para frente e para cima como se fossem ondas do mar.

Iemanjá não tem uma falange especifica, porém em sua linha há as sereias e princesas do mar, conhecida por Janaína. Sua imagem é representada por uma mulher de cabelos compridos e negros, com um vestido azul comprido de mangas largas sobre as águas e com flores a sua volta, de suas mãos saem gotas de águas que mais se parecem com moedas (a riqueza do mar), na cabeça uma coroa que pode ter uma estrela no centro. Cor : Azul ou Azul e Branco

.IANSA

Iansã é a rainha dos ventos e tempestades, na Umbanda também é reverenciada por Santa Bárbara ou como os umbadistas chamam «A Virgem da Coroa». No final dos anos 60, o dramaturgo Dias Gomes encenou uma peça de sua autoria, com o nome de «O Pagador de Promessas», que algum tempo depois virou filme, dirigido por Anselmo Duarte e estrelado por Glória Menezes e Leonardo Villar.

Este filme ganhou o primeiro prêmio internacional realmente importante para o cinema nacional; recebeu a «Palma de Ouro» no festival de Cannes, na França. Nessa história, Dias Gomes traveste os fazendeiros pelos padres e os escravos com o pobre e cândido «Zé do Burro», interpretado pelo Leonardo Villar: cristão ingênuo, que o vigário crê que era umbandista (já que a promessa de entregar uma cruz na igreja era para Santa Bárbara e o vigário, espertamente, vê a possibilidade de desacreditar Iansã, versão africana de Santa Bárbara).

Iansã é a santa de expressão séria e de porte de guerreira, batalhadora e lutadora. Iansã na umbanda incorpora com expressão altiva e com o braço direito estendido para cima e com a mão direita a balançar, como se estivesse chamando os raios. Iansã pode aparecer na corrente tanto na sua própria linha como na linha de Iemanjá - adentrando assim na linha das águas. A imagem de Iansã no terreiro é a imagem de Santa Bárbara, ou seja, uma moça de cabelos claros com uma túnica vermelha por cima de um vestido amarelo, pode estar segurando um ramo ou uma espada. Nos sertões do Brasil, quando um raio cai próximo da casa de um caboclo, logo dizem: - Me vale Santa Bárbara!

A cor de Iansã: amarelo-ouro.

.OXUM

Oxum a Senhora das águas doces, dos rios e cachoeiras. Na Umbanda ela é saudada como Nossa Senhora Aparecida. No terreiro Oxum com sua expressão serena aparece com os braços esticados na altura da cintura, fazendo o movimento circulares e para frente. Normalmente vem na linha das águas, logo após a incorporação de Iemanjá (isso pode variar de terreiro pra terreiro).

Cor : roxo ou azul escuro.

. Linha de Cosme, Damião e Doun ou Linha das Crianças

Os filhos de Ogum são a presença mais alegre da Umbanda. A presença das crianças na Umbanda traz renovações e esperança, reforçando a natureza pura e ingênua dos seres humanos. É a linha que mais cativa as pessoas, pelo ar inocente que traz na face do médium. Aliás essa linha é fácil de perceber a incorporação pois o semblante da pessoa fica suave, sua voz mais fina e sempre com aquele ar de criança. Por sua natureza e pelos padrinhos da linha.

A linha de Cosme e Damião também traz a cura para os males do corpo e do espírito, além de darem proteção e benção extra às crianças. Podem aparecer no decorer do ano, mas o seu dia de comemoração e acaba virando uma grande festa de aniversário, onde tem bolo, bexigas, doces e refrigerante, não faltando é claro o «Parabéns à você». Mesmo as pessoas que vivem nas grandes cidades, como São Paulo, tem adoração por esta linha. É comum pessoas em 25 de setembro, dia de Cosme, Damião e Doum, distribuirem doces aos colegas de trabalho, ou até de dentro dos carros, oferecendo doces aos pedintes e vendedores autônomos informais de rua.

.Linha dos Pretos-Velhos

A linha mais experiente da Umbanda e sem dúvida a mais respeitada das entidades, pelo seu sofrimento e pela sua sabedoria e humildade. É isso tudo que passa a linha dos pretos-velhos, o que um preto velho fala ninguém discute. Como diz seu próprio ponto cantado «Filhos de Umbanda não tem querer» é assim que eles vem : trazendo saúde e esperança, ajudando seus filhos e cobrando deles a humildade e bondade no espírito. Se existe algo que os pretos-velhos não admitem é a soberbia em seus filhos de fé. Sua homenagem fica para o dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos. Nesse dia os filhos de umbanda servem a eles uma mesa repleta de legumes, verduras cozidas, feijão de corda e feijoada e frutas docinhas, uma vez que serviram tanto a nós em outras épocas.

 

 

 

                         
                         Por: Cecílio Elias Netto

(Por especial gentileza do autor)

Das brincadeiras infantis, do folclore ingênuo das gentes, havia uma charada – adormecida em algum escaninho da memória coletiva – que parecia explicar tudo. Era assim, ainda me lembro:

«Cadê o toucinho daqui? /O gato comeu./ Cadê o gato? /Tá no mato./ Cadê o mato?/ O fogo queimou./ Cadê o fogo? /A água apagou./ Cadê a água?/ O boi bebeu./ Cadê o boi?/ Tá amassando trigo./ Cadê o trigo?/ A galinha espalhou./ Cadê a galinha?/ Tá botando ovo./ Cadê o ovo?/ O frade bebeu./ Cadê o frade?/ Tá rezando missa./ Cadê a missa?/ O povo ouviu./ Cadê o povo? /O povo sumiu, o povo sumiu...»

Essas coisas, escrevo-as na certeza e convicção de o mundo ter acabado, aquele das pessoas com mais de 50 anos, em todas as latitudes e longitudes. As paredes ruíram, o telhado caiu, a esperança é a de que ainda restem pedaços de alicerces. Pelo menos alguns. O massacre moral do ser humano está próximo de transformar as pessoas em excrescência.

O toucinho começou a ser comido pelo gato acho que nos 1960. A meus pais, até a morte deles, chamei-os de senhor e de senhora. Às pessoas mais velhas, também. E a mulheres jovens, quando ou se casadas. Não carrego trauma algum disso e nem precisei de terapias para me livrar de possíveis pesos da hierarquia das coisas, do respeito por pessoas.

Ficávamos em fila para entrar na sala de aula e usávamos uniformes. E nós, os pobrezinhos, sentíamo-nos mais aliviados por nossas roupas feitas de remendos e de consertos não serem comparadas com as dos coleguinhas mais abonados. Os uniformes nos nivelavam, da mesma forma como as filas – criança atrás de criança, conforme a altura – nos davam um estranho mas real senso de justiça e de equilíbrio.

Quando professores chegavam à porta da sala de aula, os alunos levantavam-se, até mesmo quando já nas faculdades. E, nos grupos escolares, a professora era como que uma deusa intangível, admirada, querida e temida. A disciplina impunha respeito e despertava o temor. Temor de ser colocado para fora da sala de aula, temor de ficar de castigo, temor de ser reprovado no fim do ano, temor de outras punições acontecerem em casa, a partir do que se fizera na escola. A mestra era a senhora professora. O mestre era o senhor professor. Tios eram parentes, nada mais do que parentes. Não há educação sem dor.

Estou, na verdade, querendo dizer de minha recusa a aceitar a confusão entre tolerância e covardia moral. Ora, tolerância é uma virtude e pode ser um ideal moral. Será tolo quem pretender, em poucas linhas, emitir conceitos conclusivos de tolerância sem considerar pluralismos morais, autonomia e liberdade, um sem fim de considerações.

No entanto, há questões que não admitem vãs filosofices e interpretações de conveniência. Não podemos, por exemplo, admitir a tolerância diante da corrupção de políticos e governantes; não há como ser tolerante diante de estupradores, traficantes de drogas, pedófilos. Há situações e atos intrinsecamente maus e, portanto, ser tolerante diante deles é moralmente injusto, pois estaríamos sendo coniventes com coisas moralmente más.

Nos últimos tempos, porém, insistimos em falar descompromissadamente de tolerância e de estigmatizar os que nos parecem intolerantes. Mas está mais do que passada a hora de implantarmos a tolerância zero diante do caos a que fomos jogados. Nestes últimos tempos, ser tolerante, quase sempre, é demonstração de covardia moral.

O gato está roubando o toucinho e todo mundo tolera. Cadê o povo? O povo sumiu, o povo sumiu...

Bom dia.

Pode comentar este texto carregando no seguinte link da Província de Piracicaba: Comentário.


Cecílio Elias Netto é fundador do Jornal A PROVINCIA

A PROVINCIA, como jornal impresso, foi fundada em 28 de Agosto de 1987, pelos jornalistas Cecílio Elias Netto e Gustavo Jacques Dias Alvim. Durante duas décadas, com idas e vindas, ela cumpriu o seu propósito e o sonho desenvolvido: recuperar a memória de Piracicaba, especialmente através da oralidade de seus mais antigos moradores, contar a história do município e da região, com fartura de documentos e de fotos e postais.

O lema continuou vivo quando, há cerca de dois anos, A PROVINCIA ingressou no universo digital, criando A PROVINCIA electrónica, com o mesmo objectivo e a mesma motivação: «Paixão por Piracicaba». Piracicaba é um município do estado de São Paulo. Sua população estimada em 2008 era de 365.440 habitantes.

 

Festa da Colônia de Gramado

Tradições da cultura alemã, italiana e portuguesa

Gramado realiza de 19 de março a 5 de abril a Festa da Colônia. Durante este período a cidade vai exibir, na Praça das Comunicações, ao lado da Rodoviária, a diversidade cultural dos moradores da área rural do município. As culturas italiana e alemã, herdadas dos primeiros colonizadores na região, serão lembradas pelas famílias descendentes, que mantêm os hábitos e costumes de seus antepassados.

Com desfiles de carretas enfeitadas com objetos utilizados no dia-a-dia do campo, apresentações de bandinhas e grupos de dança, degustação de comida caseira e exposição e venda de produtos coloniais, a Festa da Colônia incentiva o desenvolvimento do agroturismo e o intercâmbio cultural entre o homem do campo e o homem da cidade na Serra Gaúcha.

Duas princesas e uma rainha - eleitas entre as comunidades dos colonos - vão dar as boas-vindas aos visitantes.

«É uma bela festa que mostra a harmonia e a exuberância das tradições no cultivo das tradições portuguesa, italiana e alemã, tão importantes para o crescimento econômico e turístico do o Rio Grande do Sul onde está uma das maiores colônias de alemães e italianos do país», diz o Presidente da Festa, Noreh Michalski.

Na Rua Coberta, será realizado um culto ecumênico. Guias culturais vão conduzir e orientar os visitantes para que aproveitem o melhor da festa. Os restaurantes vão servir cardápios típicos, onde não faltam itens da culinária italiana - como sopa de capeletti, polenta, frangos, carnes e saldas - assim como os pratos da cozinha alemã - chucrute, batata com linguiça, carne de porco na panela, aipim etc.

Para quem procura petiscos com sotaque germânico, a Bier Platz será o endereço certo, um espaço onde serão servidos produtos típicos, incluindo chope e bolinho de batata. A Kaffeehaus, um café colonial embaixo de parreiras, também na praça, que fica no centro da cidade, servirá iguarias típicas de um café da colônia, com muitas guloseimas à disposição do público.

Os fornos de barro, montados para o evento na praça são uma atração à parte, exibindo a produção de pães e cucas, que poderão ser levados quentinhos pelo visitante. Os demais produtos feitos pela colônia também estarão à venda.

Aos sábados, o Desfile de Carretas terá lugar a partir das 16h, com a participação dos colonos, vestidos a caráter, que levam seus instrumentos de trabalho, produtos coloniais, frutas e verduras para a encencação que acontece no centro da cidade.

Quem busca um contato mais intenso com a colônia pode fazer o Passeio de Agroturismo, a bordo do ônibus temático, o «Princesinha», que revela curiosidades da região, como conhecer o local onde o casal da história que originou o filme o «O Quatrilho» estão enterrados e inclui a degustação de produtos típicos da colônia, prova de grappa (cachaça feita do bagaço da cana) etc.

Mais informações: www.festadacoloniagramado.com.br,

ou pelo telefone 54-3286 3211.