Coluna
Um
Os períodos eleitorais
Os períodos eleitorais são para mim um verdadeiro paradoxo quando atingem
aquela febre que já se vai tornando habitual nas suas pontas finais. Penso,
por aquilo que leio e ouço que o fenómeno é geral, que existe em todos os
países, mas não deixa de ser curioso que o processo tenha sido adoptado nos
mais diversos quadrantes, também um pouco resultado do facto das campanhas
terem períodos determinados no tempo, com princípio, meio e fim.
É no fim, quer dizer nos últimos meses antes das ditas eleições e nos
últimos dias antes da sua realização que os ânimos aquecem, quer por
necessidade de dar resposta aos chamados adversários ou por iniciativa
própria que os diversos intervenientes no jogo ajustam o vocabulário,
aumentam o volume da sua voz e utilizam os meios que julgam necessários para
conquistar pontos aos adversários, baseados em análises resultantes de
sondagens, em criteriosos estudos que dividem o eleitorado em faixas
etárias, faixas de género, faixas de condição económica, faixas de intenção
de voto, de utilidades de voto, enfim, a terminologia daria para encher pelo
menos algumas páginas.
Faz-me sempre lembrar os jogos de futebol em que uma equipa, que em 90
minutos de jogo não consegue meter um golo na baliza adversária, protesta,
pede cartão amarelo, reclama contra as lesões dos adversários que por
princípio são sempre fingidas. nesta perspectiva, nos minutos finais e em
que o outro, o adversário, aproveita o tempo para fazer as substituições que
não fez porque não achou necessário mas que agora já acha que são
necessárias ao cair do pano, faz uma falta ou outra desnecessária, enfim,
empatam-se as coisas na perspectiva de um e aceleram-se as coisas nesses
tais minutos finais na perspectiva de outros.
Um governo, ou qualquer órgão institucional eleito tem pelo menos 4 anos
para mostrar aquilo que vale e se vale alguma coisa, as oposições têm também
4 anos pelo menos para mostrar aquilo que acham que o outro não vale, mas
tudo se resume (dizer resumir é excessivo) aos tais minutos finais (que
podem ser duas semanas, dois meses).
O matraquear ou metralhar do pobre eleitor é um verdadeiro abuso e tudo se
conjuga para que as ideias mais ou menos guardadas durante os tais de 4 anos
(ex.) sofram uma reviravolta ou se mantenham sem reviravolta, consoante os
interesses e os intervenientes. «Descobrem-se» nestes períodos os mais
diversos escândalos, sejam eles financeiros sejam eles políticos ou mesmo de
outras índoles e no final, quer dizer, no dia das eleições, no dia do
depósito efectivo do cartãozinho na urna, pelo menos uma percentagem
razoável dos eleitores vota. não com a consciência, mas com a percepção algo
abstracta de que o seu voto vai no caminho certo ou é «dado» a quem de facto
o merece.
A COLUNA DE ARLETE PIEDADE
Mais
uma Páscoa…
Caros leitores e amigos, eu poderia fazer como sempre faço, uma pesquisa
sobre os assuntos focados nesta coluna, pela internet, intercalada com os
meus conhecimentos académicos ou transmitidos pela tradição oral e escrever
sobre as origens da Páscoa, como festa religiosa com proveniência das
tradições judaicas.
Também poderia escrever sobre a história dos coelhinhos da Páscoa que parece
que põem ovos, uma coisa que nunca compreendi lá muito bem como funciona,
pois coelhos não são aves. Mas coelhos são símbolos geralmente aceites de
grande fertilidade, pois têm muitos filhotes por cada ninhada, daí que são
um símbolo importante de renascimento da natureza coincidente com o início
da Primavera, no hemisfério norte, época em que se celebra a Páscoa.
Sabem todos que a Pascoa é símbolo de ressurreição de Cristo, a vitória da
vida sobre a morte, e que esta festividade foi entretanto adquirindo
símbolos de outras festividades pagãs mais antigas, como os coelhinhos e os
ovos de chocolate com que presenteamos as pessoas queridas.
EDIÇAO NºXVI , Nº 1 do mês de ABRIL DE 2009 - COMENTARIOS
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