EDIÇAO NºXIX , Iº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué
Patricia Neme
I dreamed a dream...
Esta semana ouvi severas críticas de um amigo, pela minha forma despojada de escrever poesias.
Versejo o que sinto, o que está na minha alma: sonhos, tristezas, alegrias, frustrações, anseios, revoltas, dores...
Ele não concorda com isso, pois considera que me exponho em demasia.
Mas não tenho do que me envergonhar. Eu sou assim: um poço de sentimentos.
E, por assim ser, sou capaz de dizer, de forma muito espontânea: EU TE AMO, quer
seja a um amigo, a uma amiga, a um filho... A um homem especial. E ouso sonhar!
Acontece, sim, que algumas vezes há os que olhem para esse EU TE AMO e permitam
que suas mentes se voltem à sexualidade – ou à homossexualidade.
Porque vivemos tempos em que a palavra amor foi tão degenerada, que perdeu seu
verdadeiro sentido; e isso faz com que falar de sentimentos seja algo...
Vergonhoso?
É preciso que repensemos isso.
É urgentemente necessário que devolvamos ao verbo amar o seu sentido. Só assim,
só expondo o que nos vai na alma, fortaleceremos a chance de que o bem se
sobreponha a todo esse horror que nos cerca.
Só através do amor, só através da expansão de nossos sentimentos... Poderemos
sonhar e abraçar as dores do mundo e transmutá-las em Paz.
E, a propósito... Estamos vivendo um momento de admiração por quem ousou sonhar
e ser quem é:
http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo
Deus nos abençoe e guarde.
Patricia Neme
Pode ver mais relacionado com o vídeo acima aqui. N. Red.
Eu sou assim !
Me pedes das feições... Contempla os traços
das vidas, cujo lar é uma calçada.
Caminhos, onde os sonhos são escassos,
aos quais o fado oferta o nada... Nada !
Encontra-me no olhar do pequenino
privado de carinhos, de alimento;
na infância - filha de único destino:
um chão, sem sepultura, alma em tormento.
É minha a voz pungente em elegia
às ilusões ceifadas pela guerra
(por quê pretendem vã toda agonia
da cruz, a suplicar por paz na terra ?).
Meu rosto é feito da pura energia,
criando as esperanças do amanhã;
é cheiro de pão quente e mão macia
que planta e colhe o fresco do hortelã.
Em mim repousa o credo na igualdade
dos povos, pouco importam credo ou raça;
e a gratidão à eterna divindade
que a bichos, gente, plantas, tudo abraça.
Eu sou o verso aceso, alma serena,
sou noite perfumada de jasmim;
mãe de toda Maria - ou Madalena...
Me pedes das feições... Eu sou assim !
Patrícia Neme
Os Peixinhos (poema Infantil)
Denise Severgnini
Que lindos animais são os peixinhos!
Eles nadam livres, nos rios e no mar
Têm escamas nos seus corpinhos
E só dentro da água podem respirar.
De plantas ou bichinhos vão se alimentar
E ovinhos botam depois de casadinhos.
Que lindos animais são os peixinhos!
Eles nadam livres, nos rios e no mar
São pretos, brancos ou bem coloridinhos
Vivem livremente... Alguns podem saltar
Os pequeninos são mais engraçadinhos
Tem aqueles que no aquário podem morar.
Que lindos animais são os peixinhos!
Publicado no Recanto das Letras em 26/04/2009
Código do texto: T1561130
Rosa Pena
Notas biográficas e trabalho
Rosangela Pena nos registros.
Rosa Pena como gosto de ser chamada.
Sou carioca.
Escrever foi uma das alternativas que encontrei para mostrar o meu jeito de
agir, ser e reagir diante deste tumultuado mundo contemporâneo.
Ler e escrever. Tentativas de decifrar enigmas. Criar novos.
O sal nosso de cada dia no feijão com arroz.
Comida insossa é piada sem riso.
Quero voltar a semear sol com chuva para colher arco-íris.
Anseio pela volta, mais ainda, volta e meia dos girassóis.
Juro que ainda vou ver o volver da Terra boa e rever o giro da flor que paralisou de espanto diante de tantos sentimentos vis.
Os oceanos com ondas de depressão jorram dos olhos da Maysa que canta na TV, justamente essa semana, que seu mundo caiu.
O meu fica caidinho quando vejo na Veja fotos de crianças com fome e frio por conta das coroas diabólicas dos reis de araque e babel, majestades da insensatez, da arrogância, dos argumentos «estou certo», mas nenhum monarca de sentimentos que queira dar chances às abelhas de produzirem mais mel para adoçar esse mundo onde o lobo vale mais que a Chapeuzinho.
A explosão de bombas de fósforo provoca
cegueira até no zangão, logo adeus aos favos e as ilusões. Busco a romã fruta de
início de ano que invoca os três reis magos que não eram três, muito menos reis,
apenas astrônomos que viram uma estrela que indicava onde estava o menino que
cada qual tem o direito de achar ou não que é o filho de Deus, mas que não
justifica essa vontade - carcará de pegar e matar.
Volto aos antigos magos que representavam as raças do mundo. Branca, negra e
amarela. Que mundo? O imundo. E as raças? Separadas pelas crenças. As diferenças
se curam com cápsula de Césio ou com cela solitária?
Amor e respeito é
balela. Quando e onde foi o penúltimo parágrafo pontilhado de sangue inocente?
Quando será aquele que terá a honra de levar o ponto final?
Volto às coroas feitas do argumento «tenho razão em matar colônias de formigas».
Elas não produzem ouro.
E as abelhas? Apenas mel.
E o girassol? Apenas uma flor.
E a romã? Apenas uma fruta.
E o arco-íris? Apenas um fenômeno ótico.
E a estrela? Mais uma no céu.
E o menino? Qualquer criança sem esperança.
E o carcará? Agora só falta «o come».
E a poesia? Não falta nada.
Some!
Insaciáveis
Queremos falar com olhos.
Digitamos baixinho:
— Mais perto.
Grito seu nome.
Como se o som mudo
se propagasse na tela.
Distâncias desaparecem.
O visor vira chama,
o teclado fica cego...
Inverte os pronomes.
— Diga que me ama!!!!!
O Windows reclama:
— Outra vez?
Ameaça fechar a janela.
Me nego!
— Bill Gates vá chupar um prego.
Rosa Pena