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EDIÇAO NºXIX , Iº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

 V Encontro Empresarial de Negócios da Língua Portuguesa

O V Encontro Empresarial de Negócios da Língua Portuguesa, que é uma iniciativa do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio, da Câmara Brasil Portugal no Ceará, Governo do Estado do Ceará e do Conselho Empresarial da CPLP, será realizado no Estado do Ceará nos dias 28 e 29 de Setembro e irá reunir cerca de 1.000 empresários e representantes das comunidades dos oito países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) e de câmaras portuguesas do comércio lusófonas ao redor do mundo.

Segundo Rômulo Soares, advogado e presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas no Brasil, que congrega as onze câmaras de Comércio Luso-brasileiras, a decisão por fazer esse evento extrapolando as fronteiras do Brasil e de Portugal que foi uma marca dos eventos anteriores, é uma resposta inequívoca a um movimento que várias empresas desses países estão a fazer no mesmo universo linguístico e de proximidade geográfica. Para o presidente da Câmara Brasil Portugal no Ceará e empresário do sector eólico, Armando Ferreira, exemplos notórios do movimento de investimentos são, por um lado, o investimento português no Ceará, que já soma mais de 450 empresas constituídas nos últimos dez anos, e os fluxos de comércio e investimento cearense em Cabo Verde. «No contexto dos grandes grupos económicos são visíveis os movimentos de empresas brasileiras e portuguesas para Angola e Moçambique, frequentemente citados nos jornais portugueses e brasileiros», comenta Ferreira.

A escolha do estado do Ceará para sediar o V Encontro Empresarial de Negócios na Língua Portuguesa, é fruto das sinergias que o Estado vem desenvolvendo no âmbito lusófono, tendo reunido em Junho de 2003 o II Fórum Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Fórum Brasil - Africa e, recentemente, com a definição do estabelecimento no Ceará de uma Universidade Lusófona, a UNILAB. Cinco empresas são apontadas como exemplo do movimento de negócios envolvendo os países de língua portuguesa. São elas, a PETROBRAS, o BNDES, a TAAG, o Grupo Riviera e a SOGIM, empresa do Grupo Pereira Coutinho.

Todas essas empresas têm em comum a actuação em vários países lusófonos. A Petrobras, por exemplo, além de estar presente em Portugal e Moçambique, tem investido fortemente em Angola, onde está presente desde 1979 e, actualmente, mantém participação em seis blocos offshore naquele país, e projecta investimentos entre 2009 e 2013, de cerca de US$ 800 milhões.

Outro exemplo do interesse brasileiro na �frica de língua portuguesa, é o BNDES que, desde 2006, tem uma linha de crédito voltada ao financiamento de equipamentos brasileiros para obras de infra-estrutura em Angola. Por sua vez, o Grupo Pereira Coutinho, mantém importantes negócios no Brasil e Moçambique, sendo reconhecida sua actuação no Brasil, por intermédio da Unidas e da SOGIM e em Moçambique, pelos investimentos na produção de bicombustíveis. Também se destaca a actuação do Riviera Group, empresa de capital português, porém com origens no Brasil, na cidade de Santos, litoral do Estado de São Paulo. Com mais de 30 anos de experiência, o grupo detém posições relevantes em Portugal e no Brasil, actuando nas áreas do imobiliário, turismo e hotelaria, shopping centers, geração e distribuição de energia, mineração e indústria naval.

«Acreditamos que o crescimento dos negócios entre os países de língua portuguesa é uma tendência irreversível e decisiva para a maioria das economias dos oito países que integram esse bloco linguístico», reforça Rômulo Soares. Essa aposta de ampliação dos negócios entre os países de língua portuguesa é visível no sector de transportes aéreos também. Nos últimos anos as companhias áreas dos países de língua portuguesa aumentaram as frequências aéreas ligando os países lusófonos. Além da companhia portuguesa TAP, a TAVC (Cabo Verde) e a TAAG (Angola) fazem voos para o Brasil e outros países da CPLP, tendo a TAAG recentemente anunciado a criação para este mês de Abril de uma nova linha aérea ligando Luanda e São Paulo.

Para o presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, é possível perceber nos jornais diários desses países o aumento de notícias envolvendo negócios de empresas de um país em outros. «Os países da �frica que falam o português são mercados extremamente interessantes para o investimento de médias e grandes empresas, sobretudo porque o potencial de expansão da língua na �frica é extremamente significativo, em especial no hemisfério sul», acrescenta Soares. Segundo as estimativas da ONU, a população dos Países de língua portuguesa naquele continente crescerá, para 58 milhões em 2025 e para 83 milhões em 2050.

Na sua quinta versão, o Encontro Empresarial terá como objectivo desenvolver a temática económica e empresarial no âmbito dos «Negócios na Língua Portuguesa», destacando os sectores do turismo, infra-estrutura, recursos naturais, agro negócio e inovação tecnológica, sobretudo buscando atrair e promover o diálogo entre a classe empresarial e representantes de governos e organizações actuantes nos países e comunidades de língua portuguesa, bem como fomentar o estabelecimento e a ampliação de negócios entre empresas lusófonas.

Com o apoio das instituições empresariais e governamentais dos países de língua portuguesa a organização do evento, a cargo da empresa Dinâmica Eventos – empresa responsável pelos maiores eventos internacionais já realizados no Ceará (Reunião Anual do BID e Encontro Económico Brasil -Alemanha) – espera reunir em 2009 no Centro de Convenções, cerca de 1000 pessoas, provenientes do Brasil e do exterior, em especial dos países e comunidades de língua portuguesa além das câmaras portuguesas em vários países da América do Sul e outros continentes.

O projecto de ambientação do Centro de Convenções do Estado do Ceará, a cargo do arquitecto cearense Luiz Deusdará que tem escritórios em Portugal, Moçambique e Cabo Verde, será um espectáculo à parte tendo como tema chave os Oceanos que são o elemento que unem esses 8 países de língua portuguesa nos quatro continentes.

 

 


    
VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (XIX)

Há tempos, fui a uma conferência de um monge tibetano! Não imaginava o que me esperava, nem do que ele iria falar, … apenas sentia que certamente poderia influenciar-me no modo de olhar as coisas, de ver e sentir a vida… e devo dizer, que felizmente a minha intuição estava repleta de razão!

Noite cerrada, pessoas, iam invadindo um auditório, ávidas por vê-lo, por senti-lo! Pacatamente, um robusto homem, envergando vestes compridas até ao chão, evidenciava um sorriso radioso só mesmo possível de uma canalização directa com a alma!

Os seus corpulentos braços nus, reflectiam as vivas cores do vermelho e do laranja, tal como se fossem reflectores ou melhor ainda, o próprio sol, a própria vida! A careca premeditadamente escolhida, reluzia opulentamente, sem desmerecer um cérebro tanto de tranquilo, como de inteligente! A sua energia corporal irradiava luz por todos os poros, continua e constantemente… até os mais cépticos, ficaram rendidos à grandiosidade do momento!

Era por demais visível a energia do monge a mexer com as da plateia, como que brincando com as auras de cada um, penteando-as graciosamente e… aos poucos e poucos, as cores das auras modificavam-se para tons mais claros, mais dourados … e magicamente os humores tornavam-se leves, muito leves e sem tensões…

Só o momento presente interessava…. Só ouvir o monge importava!... Só a sua sapiência bastava para imanar compreensão e bem-estar!

À medida que a conferência decorria, a minha atenção e interesse crescia. Como queria aprender, e perceber tudo! Inabalável, o monge parecia perceber as minhas dúvidas, e as dos outros! Como ele continuava inabalável e seguro de si!

Exactamente, o facto de ele nada fazer, de permanecer impávido e sereno, deu-me a resposta que tanto ansiava: - o ser igual a si mesmo, o de acreditar em si mesmo, o de viver com e de acordo com a natureza, o de agradecer o dia a dia e tudo o que temos acesso e ao nosso alcance, desde a comida que nos permite alimentar, os amigos que temos, o ar que respiramos, os pais que temos, e tudo, mesmo tudo o que nos rodeia, até o telefonema de um ente - querido ou uma flor que nos foi dada!...

E foi essa simplicidade que o monge me transmitiu, mas apenas porque estava presente, igual a si mesmo, e com a alma escancarada a rir-se dele, para ele e para nós, a plateia presente.

Nesse dia, e talvez pela primeira vez, agradeci a existência de tudo, de todos e inclusive desse sábio monge. Agradeci o facto de ter ido à conferência.

Agradeci o facto de ter tido amigos que me informaram do evento, e de amigos que comigo foram ao evento. Agradeci por estar viva e por todas as coisas belas que existiram na minha vida e que eu não tinha dado conta. E aquele sorriso profundo da alma do monge, acompanhou-me durante aquela noite, hoje e, decerto, sempre!

Sem dúvida, foi para mim, uma prova inegável de vida e do que ela pode ser: pura, singela e até extremamente feliz.

Lembrem-se pois, de pensarem carinhosamente no assunto e com a certeza que o melhor, é mesmo não se fazerem julgamentos...