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EDIÇAO NºXIX , Iº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           



   «O Vendedor de Elogios», de Michel Simonot
Teatro Municipal de Almada

Produção da Companhia de Teatro de Almada, com texto e encenação de Michel Simonot, interpretação de Alberto Quaresma, Joana Brandão, tradução de José Martins, cenário de Jean-Guy Lecat e luz de José Carlos Nascimento.


15-04-2009 a 10-05-2009
4ª-Sab: 21h30; Dom: 16h00
Entrada: EUR 11,00 / ... / EUR 8,00
Reservas: 212739360

Que responsabilidade é a nossa, quando na nossa vida, na nossa profissão, pomos as nossas palavras na existência dos outros em vez de vivermos por nós próprios?

Estamos em casa do Carteiro, um antigo polícia com um passado duvidoso. Agora, à noite, rouba cartas. Antes de as entregar aos destinatários, fotocopia-as, para as ler e coleccionar.

Na sua casa também vive o jovem Leslie, a quem algumas famílias encomendam elogios fúnebres para embelezar o passado dos seus defuntos.

Miss Oona, empregada num bar de onde vê partir os comboios como se fossem paquetes, vem visitá-los regularmente. Trata-se da amante de Leslie.

Um dia chega uma encomenda para um elogio fúnebre muito especial. Inicia-se uma perseguição. Para estas três personagens que, cada uma à sua maneira, vivem o real por procuração ou até o inventam, passa a ser necessário fazer face à realidade que as aprisiona. Uma realidade perigosa e terrível.

Esta peça aborda uma pergunta que persegue Michel Simonot no seu teatro: que responsabilidade é a nossa, quando na nossa vida, na nossa profissão, pomos as nossas palavras na existência dos outros em vez de vivermos por nós próprios?

Michel Simonot vive em Paris. Veio ao Festival de Almada em 2000 para criar L’enclos, de Armand Gatti, um grande autor francês.

Autor e encenador, foi, nos últimos anos, artista em residência permanente no Théâtre Gérard Philipe de Saint Denis – Centre Dramatique National.

Escreveu, em parceria com outros três autores, e encenou L’extraordinaire tranquilité des choses, a propósito dos tumultos nos subúrbios de Paris em 2005 (Éditions Espaces 34).

Em Janeiro próximo vai criar, em Montpellier, o novo texto de um importante jovem escritor francês: L’entretien, de Philippe Malone.

É produtor na France Culture. Para além dos seus textos de teatro, publica livros e artigos sobre teatro e a política cultural.

 

La Caja - Quatro Mulheres e um Morto

Numa pequena aldeia de pescadores nas Ihas Canárias, Don Lúcio, um homem odiado por todos, morre inesperadamente. No seu minúsculo apartamento que dividia com a sua mulher, não há espaço para fazer o funeral. Isabel, uma vizinha, acaba por ficar com o corpo do morto no seu pequeno apartamento. Enquanto a viúva tenta esquecer a sua tristeza, todos os vizinhos passam pelo o velório para ajustar contas passadas com o defunto.

Ver Trailler

 

 

Portugal assinala Revolução dos Cravos com alertas contra a crise internacional

«A humanidade atravessa um momento de perplexidade, indignação e angústia e o sistema capitalista parece ter entrado em ruptura»

Mais de 600 dirigentes políticos portugueses e personalidades públicas de vários partidos assinaram o apelo à participação nas manifestações a realizar no passado dia 25 de Abril, alusivas à Revolução dos Cravos de 1974, que derrubou o regime fascista e colonialista. O documento assinado por activistas de esquerda e centro-esquerda - do Partido Comunista Português, Partido Socialista, Bloco de Esquerda e os Verdes, e das centrais sindicais CGTP e UGT - alerta para a situação económica internacional e para os seus reflexos na sociedade portuguesa, contendo diversas críticas aos governos.

Segundo os promotores das comemorações da Revolução dos Cravos, verifica-se uma passiva tolerância dos poderes políticos face à crise internacional, alertando ainda para o facto de que os direitos dos trabalhadores têm sido prejudicados. A humanidade atravessa um momento de perplexidade, indignação e angústia e o sistema capitalista parece ter entrado em ruptura, lê-se no apelo.

As vertiginosas especulações financeiras que os paraísos fiscais e as modernas redes de comunicação propiciavam, perante a passiva tolerância dos poderes políticos, sobrepuseram-se (...) ao investimento na produção, afirmam os signatários do apelo. Segundo o documento, os direitos conquistados durante gerações, pelos trabalhadores, foram gradualmente postos em causa pela alteração das relações de trabalho e o desemprego e a precariedade alastraram-se simultaneamente com a desigualdade e o empobrecimento. A crise internacional não poderá servir de cobertura para perpetrar arbitrariedades e violências contra os trabalhadores, nem tão pouco para absolver quaisquer caprichos ou incompetências de poder, enfatizam. O apelo constata que Portugal é atingido pela crise e que uma solução não poderá ser obtida isoladamente. Os promotores das manifestações consideram ainda que às dificuldades e incertezas que afectam o país somam-se as vicissitudes de antigos desequilíbrios estruturais que vêm de muito longe e persistem.