EDIÇAO NºXIX , Iº NUMERO DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué
Menina / Mulher
(Poema dedicado a todas as meninas que foram obrigadas a ser adultas
antes do tempo)

Liliana Josué
Menina de expressão pálida
olhos rasgados de amêndoa
de certa cor doce e cálida
que a terra entorna e nos doa.
Boca vermelha, vincada
como rosa acetinada.
De cabeleira ondulada
esvoaçando com o vento
e cor negra, bem cerrada
brilhando ao sol do momento.
Seus reflexos espalham vida
calor, brasa enegrecida.
Seu corpo esguio de gazela
desliza graciosamente
num caminhar que é só dela
bem jovial e fremente.
Sua juventude alada
não é de pose estudada.
Menina de sol vestida
não queiras que o mundo apague
a esperança na tua vida
nem deixes que o medo estrague
teu desejo de vitória
ou esse grito de glória.
Arlete Deretti Fernandes
SEMENTES DE AMOR
Se eu for um plantador de esperanças,
jogarei lindas sementes pelos caminhos que passar.
Sementes de amor aos carentes,
sementes de paz aos sofridos,
sementes de alegria aos tristonhos.
E quando voltar da jornada,
pularei, cantarei versos de esperança
a todos que dela precisarem.
Verei ao longe o arco íris depois da chuva,
as estrelas, o capim e o cheiro de terra molhada.
E sorrirei, porque muitas sementes
brotaram na minha volta, e de seus brotos
saíram pétalas multicoloridas,
e as crianças têm boas escolas,
os doentes são tratados em bons hospitais,
os idosos recebem carinho.
E as sementes de amor proliferam cada vez mais..
SONHO
Quero chegar bem devagarinho.
Pé antepé, e com carinho,
Recordar aquela meiga criança
Que um dia esperou o coelhinho.
Passar a mão em seus lindos cabelos,
Beijar seu rosto inocente,
Olhar com alegria seus olhos,
Que amarei para sempre.
Quando chegam estas datas
Meu coração sente mais saudades
De um tempo que foi ontem.
Caminho pelos gramados
E no meio das plantas revejo
Um cinema inesquecível.
Arlete Deretti Fernandes
Laila Murad de Carvalho
Biografia e trabalho
Eu nasci sob o signo de Leão, em 1947, numa pequena cidadezinha banhada pelo rio Paraíba do Sul, no interior do estado do Rio de Janeiro, chamada Pureza, onde aprendi as primeiras letras. Estudei em diversos colégios, pois onde morava o único colégio existente à época era um Grupo Escolar com apenas o curso primário.
Mais tarde, em 1964, minha família transferiu-se para Niterói, naquele tempo capital do estado, onde terminei o Curso Normal no ano seguinte. Comecei a lecionar em março de 1967, numa escola distante de casa. Casei-me mais tarde, e em 1974 entrei para a Faculdade de Letras, que só terminei em 1979, tendo passado por duas gestações cujo resultado foi um casal de filhos lindos e adoráveis!
Às vezes, escrevo algumas coisinhas por gosto e prazer, que divido com amigos queridos que são como flores perfumadas no jardim de minha existência e a eles agradeço o carinho sempre presente e constante.
Um fato em minha vida
Eu era uma pessoa normal e feliz, quando, em 1985, estava eu na plenitude da vida, com 37 anos, quando me aconteceu algo, inesperadamente, como um terremoto ou algo semelhante (terremoto acho que não, pois já pode ser previsto)talvez uma tragédia, que mudou radicalmente, o curso de minha vida.
Estourou um aneurisma em meu cérebro e tive que passar por uma delicada intervenção cirúrgica, realizada por um competente neurocirurgião, o que me deixou hospitalizada por 30 dias, dos quais, uns 7 ou 8, estive em coma na UTI.
Foi como um duelo entre duas forças antagônicas e como em todo duelo, houve um vencido e um vencedor, que eu, apesar de vencer a batalha, não sai ilesa do combate, pois o vencedor, geralmente, exibe feridas difíceis de cicatrizar.
Tive o prazer de sair vencedora, mas o que ficou disso? Algumas seqüelas físicas, que afetaram a parte motora de meus membros direitos (braço e perna); sendo que da perna, com a ajuda de muita fisioterapia, consegui uma melhora parcial, pois consigo andar, com dificuldade e o auxílio de uma bengala, é verdade, mas dá para me virar... já a mão e o braço, continuam sem movimentos, ainda bem que eu era canhota e assim dá para eu escrever e realizar outras tarefas em que é necessário usar a mão.
Atualmente estou bem, apesar de não dar para sair por aí dançando nem correndo, o principal, graças a Deus, tenho de sobra, que é a alegria de viver! Afinal, todos temos nossas limitações, e pensando bem, nenhuma barreira é intransponível.
Aprendi, depois disso, a viver com mais calma e pude acompanhar o desenvolvimento e o crescimento de meus filhos, e como professora que sou, orientá-los nas tarefas escolares, coisa que ainda faço, apesar de já estarem na faculdade.
Hoje sou uma mulher mais calejada e amadurecida, que vê a vida com olhos repletos de bondade e boa vontade. Não busco piedade nem simpatia de ninguém, apenas uma amizade sincera, semelhante à que dedico a todos os meus amigos.
Nostalgia da Saudade
Que sentimento é este que
Devagarinho e insinuante invade o coração?
Algumas vezes vem como uma onda furiosa,
arrostando, com ímpeto, os resquícios de amor
que ainda ontem enchia o coração de afeto.
Outras, chega de mansinho, sorrateiro,
trazendo ecos de ternura e carinho,
como diáfanos fiapos de tênue gaze,
tentando cobrir uma ferida recente,
envolvendo-a num misto de dor e doçura.
Inútil tentativa vazia - a dor latente -
teima em fazer morada no sofrido coração.
Que sofre silencioso, chorando calado
engolindo tristonho o amargo pranto.
E faz-se de forte e sobranceiro,
abafando e sufocando a imensa dor e amargura
do sonho morto e já desfeito!
(Laila Murad) -
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autora