Agenda de EventosEmail BlogMotor de BuscaNewsletter ConvíviosLivro de Visitas Anuncios Gratis Homepage Album FotosIndice Geral Arquivo


EDIÇAO NºXIX , Iº NUMERO  DE MAIO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade.
Relações Publicas: Liliana Josué           

JORNADA CREPUSCULAR

Por Mário Henrique Matta e Silva

Cada livro é um filho

Ando por aqui, em jornada crepuscular, já lá vão uns anos, sofrendo sobressaltos com as palavras que alinho, cada vez que me disponho a alinhavar mais uma crónica para as páginas deste jornal.

As palavras, as frases, as linhas, os parágrafos, têm de me sair ao sabor do meu estado de espírito, sem pensar talvez, no estado de espírito daqueles que depois me vão ler pacientemente.

Mas, ao mesmo tempo, vou deslizando com as teclas do computador (por vezes, antes, com a caneta, numa ginástica mental mais saudável) por textos que componho em páginas, que, meticulosamente, se transformarão em livro.

A poesia escorre, quando a maré cresce dentro de mim, nem sempre desfeita por ondas desventradas e agigantadas de um mar tenebroso que me desassossega, por vezes sacudida por uma aragem ténue e meiga.

Com o emaranhar do verso, componho abstracções ou imagens de suposta realidade, na construção edílica de estrofes, que se vão arrumando em cada folha, tirando-lhe o que antes era imaculado e estéril.

Quando começo a entender que o livro se está a formar, sinto-me gratificado e grito: vem aí mais um filho! Feliz de quem tem estas loucuras sãs, querendo fazer passar mensagens fluidas e cristalinas, numa aventura tantas vezes incompreendida.

Basta que eu compreenda assim como compreendi um Antero, um Camilo Pessanha, um Cesário Verde, um Nobre, um Pessoa, um José Régio, um Mourão Ferreira, um Couto Viana… ou tantos outros, quase anónimos, que nos chegam às mãos, nas imensas leituras que as manhãs crepusculares vão trazendo e as jornadas da noite mo permitem.

Na azáfama da escrita, só mais tarde me lembro de revisões, impressão, editoras, todo esse trabalho cirúrgico, gélido e confuso, necessário para «parir» este filho.

Vou empilhando as folhas, saboreando as páginas, relendo cada linha, emendando no compasso das coerências de cada instante e de cada angustia, desenhada em ses: se isto fosse assim, se lhe mudar aquilo, se lhe colocar mais qualquer coisa, se riscar aqui, se emendar ali….se…se…se.

Descontentamento descontente, para que tudo dê certo! Exigência na minúcia de cada passo à frente. E o livro não vê o seu fim. A gestação é longa até à exaustão. Mas o livro ganhará forma na trama do seu conteúdo, Grito contra o tempo, contra a urgência, a impaciência, a descrença e a ousadia.

Escrever mais um livro! Para quem? Para o Mundo, claro! Para todos em geral e para ninguém em particular! Mas que seja bonito, saudável, límpido, agradável ao toque e à leitura. Que seja também apreciado e aplaudido! Quantos autores morreram sem verem obra feita, consultada, criticada, atirada a uma posteridade magoada, sem a partilha de uma glória ou de uma ventura florida e terna!

Quanta poesia póstuma deixando o timbre da ansiedade desfeita de cada autor defunto? Depois, quanta artimanha e azáfama na ausência de cada autor, por vezes naquela ansiedade de um aproveitamento ignóbil e leviano, sempre que se desmonta um trabalho de forma póstuma, sem respeito pelo seu autor. Arte sofre!

E quando vem a penumbra crepuscular logo se avança mais umas linhas, umas páginas… e vai-se compondo a obra, por muito singela que seja.

Os sintomas de afectividade vão-se manifestando ao sentir o livro avançar, tomar corpo. Depois é nascer enlevado e feliz.

 Folheado, lido, sentido, manuseado. É preciso coragem, sensibilidade e amor… porque um livro é como um filho, bem tratado e cá dentro muito acarinhado.

Não tarda vai-me nascer mais um livro e tudo foi vivido desta forma, numa vertigem quase crepuscular.

Mário Matta e Silva

 

PORQUE HOJE E DOMINGO

Porque hoje, é domingo,eu acordei-me um pouco mais tarde.
Perdi o espetáculo do nascer do sol, mas ele não fez caso...continuou a brilhar.

Da minha cama, posso ver uma paisagem maravilhosa. Moro na zona rural de Novo Hamburgo,Rio Grande do Sul. A localidade chama-se Lomba Grande.

E porque hoje é domingo, véspera dos 181 anos da imigração alemã, temos desfile na rua principal. Tudo em homenagem aos imigrantes ou colonos.

Há carros de boi, pessoas com trajes típicos, animais domésticos, a turma do Centro de Tradições Gaúchas (CTG).É tudo muito bonito, pena que me faltam as palavras para descrever...prosa não é a minha praia.

Porque hoje é domingo, vou postar esta crônica(?) e ir ver o desfile.

Desejo um bom domingo de sol e paz a todos.

Denise de Souza Severgnini

 

 



Carta a David Fonseca

Isabel Fontes

Bem, hoje o dia não começou lá muito bem devido à greve normal dos maquinistas da CP, mas não foi por este assunto que eu vim a este site «www.litleboyworld.com» e prestar a minha (como é que se diz!?), a minha palavra, o meu cunho?

Ontem, depois de um dia cansativo no trabalho (diga-se mais mental que físico), depois de uma terrível caminhada pelo comboio da linha de Sintra, cheguei a casa. Como todos os dias a 1ª coisa que faço é largar tudo o que trago comigo no chão, despir-me e meter-me logo no duche.

Logo de seguida vem o botão da televisão, sou viciada nos botões, desde o 1º até ao 54(da tvcabo), vejo um pouco de todos, mas acabo por ir parar sempre ao mesmo, o canal História. è o meu canal preferido, vemos guerras, mortes, vidas passadas, não é como os nossos noticiários onde as guerras, mortes e vidas são sempre presentes, mas, além desse canal fixei-me no da Tv2, e porquê?

O David Fonseca estava numa entrevista, que por coincidência (tirando o canal História), é o único programa seguido que eu vejo na televisão portuguesa sem fazer o meu «Zaping». A pessoa a ser entrevistada para mim é misteriosa, logo a minha curiosidade não me larga, e a mudança de focos com as câmaras como sempre estava óptima, transparece o muito á vontade dos entrevistados. Como boa portuguesa que sou, adoro saber coisas sobre a vida dos outros, e uma enorme curiosidade por eu na minha família ter um tio Fonseca e que a família era de Leiria, será que ele é meu primo afastado? Bem não sei...

Fiquei agarrada ao ecrã enrolada na minha toalha e com uma meia já calçada, a ver o programa (diga-se muito bem apresentado e seguido), o David respondeu a todas as questões que eu queria saber sem evasivas e esconderijos (será por isso que as pessoas gostam tanto dele?), gostei das questões colocadas e muito das respostas.

Como já tinha apanhado o programa a meio, cedo acabou o meu pequeno gosto, quando acabou ainda fiquei na preguiça enrolada na toalha em cima da minha cama questionando-me sobre uma das últimas perguntas, a morte. A morte, nunca sei se devo escrevê-la com letra grande ou pequena, mas considero escrever com pequena um sinal de fraqueza portanto...Para mim é um assunto tabu, não gosto muito de o abordar e de ouvir falar dele, mas gostei ontem, e não senti receio, em geral costumo ficar um pouco atrapalhada com a minha respiração, mas ontem nada, não estava ansiosa nem com medo, deixei-me ficar a reflectir sobre o assunto.

A ideia que o David transpôs fez-me pensar e até certo ponto é uma ideia que pode ser seguida e mais trabalhada, mas agradou-me ver alguém sem receio de falar sobre este meu tabu. Tudo isto porque no domingo não consegui ligar a televisão, pois só davam o transporte da SRª Amália do cemitério para o Panteão (situação que me agradou...), mas o facto de ser uma situação de morte arrepiava-me.

Não consegui, tive que me dedicar ainda mais ao meu hobbie preferido «ler», o que me fez ir ontem á Bertrand comprar mais uns quantos livros porque esgotei os poucos que me faltavam ler da minha biblioteca, mas quem corre por gosto não cansa, não é o que se diz! Enfim... Isto tudo por causa da «morte», ultimamente tenho comprado imensos livros de Esoterismo, de religiões, mas nenhum ainda satisfez a minha curiosidade nem me retirou o medo de falar sobre o assunto, mas ontem no fim da entrevista fiquei satisfeita e calma, continuei uns 20 minutos deitada na minha cama só enrolada na toalha e com uma meia calçada, fiquei a matutar na perspectiva do David e hoje no meio da lata de sardinhas em que eu vinha no comboio, fez-me pensar e respirar. Gostei.

Não sou uma «dita» fã dos Sillence 4, mas gosto de ouvir a música e escutar as letras com muita atenção, e tentar tirar algum conhecimento daquilo que estou a ouvir, coisa que faço com todas as músicas que ouço, tentar perceber sempre o porquê!

Aconteceu por acaso ouvir Sillence 4, tenho um amigo meu que por acaso é de Leiria e antes de se saber quem eles eram, trouxe uma cassete para o trabalho e perguntou-me se queria ouvir que era de uma banda onde a amiga dele (Sofia) cantava, disse que sim. Ouvi e gostei, mas como tinha o meu gravador estragado não consegui gravar para outra cassete e pedi-lhe, ainda nessa semana estava eu como todas as manhãs a ouvir a rádio comercial e estava a tocar um remake dos Erasure, I try to ...Uma canção que marcou por completo a minha adolescência, fiquei «gamada» naquela versão mais calma, quando o meu colega trouxe a cassete gravada já não foi necessário, o Cd já estava nas bancas.

Mas eu continuava intrigada no nome da banda do remake, e a minha surpresa foi maior quando ouvi o lado B da cassete e lá estava ela, mas o nome da banda não era conhecido e dos «Sillence 4» nunca tinha ouvido falar. Ao sair da escola á noite depois de uma terrível aula de matemática, passei numa montra da Valentim, e vi o cartaz enorme a dizer «Sillence 4», de manhã antes de entrar no trabalho passei na Valentim e comprei o CD, á noite depois das aulas quando cheguei a casa, coloquei-o no rádio Cd, pus os fones, pois já era muito tarde e fiquei a noite toda a ouvir o Cd, no fim a reacção foi muito positiva. Nunca fui a um concerto deles, mas sempre que podia ouvia o Cd.

Nesta conversa já muito longa, e de passagem já por diversos temas, uns tabus outros nem por isso, o 2º álbum não foi uma surpresa para mim, continuava a ter músicas óptimas com letras excelentes, em 1º plano a referenciada ontem na entrevista, muito «foge» mas muito In.

Continua assim David, continuem assim Sillence 4, que eu continuo a gostar. Em relação ao tema tabu é um assunto que gostava de debatê-lo com mais força e contigo David.