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EDIÇAO Nº V 

3ª SEMANA, 3º NÚMERO  DE JANEIRO DE 2009

Este Jornal resulta de colaborações espontâneas sendo propriedade dos seus autores os créditos que delas advenham assim como a responsabilidade pelo conteúdo das mesmas. Direcção interina de Daniel Teixeira



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Continuação Ciclo de homenagem a Paul Newman (Ver início)

Face à sua perda, precisamos, pelo menos, de não deixar a memória cair na banalidade mediática que tende a descrever os actores como seres mais ou menos fúteis e pitorescos, menosprezando a intensidade humana que o seu trabalho pode envolver», tendo igualmente lido aos microfones da Antena 1, no dia da sua morte, o seguinte texto:

«Era uma notícia esperada — mas é uma notícia inevitavelmente, irremedia- velmente triste. De facto, sentimos que desapareceu um dos monstros sagrados da mais nobre tradição de Hollywood: um grande actor, também um grande cineasta e uma figura pública sempre empenhada na defesa da dignidade humana.

Em termos especificamente cinematográficos, sentimos também que há um capítulo que, definitivamente, se encerra — os seus protagonistas eram três actores cuja fulgurância mudou o cinema americano em meados dos anos 50. Ou seja: James Dean, que teve um fim trágico em 1955, contava apenas 24 anos; Marlon Brando, que faleceu em 2004; e Paul Newman.

Todos eles passaram pela escola do Actors Studio, todos eles impuseram um novo modo de representar, inspirado no Método de Stanislawski e favorecendo a expressão das emoções mais recônditas, porventura mais proibidas, dos seres humanos. Um filme dessa época, «Vício de Matar», realizado por Arthur Penn em 1958, pode simbolizar a revolução estética que Newman protagonizou — aí, ele interpretava a figura mítica de Billy the Kid, transformando-o num herói atormentado, expondo no écran as convulsões de todos os seus fantasmas interiores.

A mesma intensidade ficou em títulos lendários como “Gata em Telhado de Zinco Quente� (também em 1958), «A Vida É um Jogo» (em 1961), «Buffalo Bill e os �ndios» (em 1976), «O Veredicto» (em 1982) ou «A Cor do Dinheiro» (em 1986) — no caso de «A Cor do Dinheiro», por assim dizer, passando o testemunho a um dos seus herdeiros directos, o actor Tom Cruise.

Vale a pena lembrar que a última personagem de Newman foi apenas uma personagem de voz. Chama-se Doc Hudson e fazia parte das figurinhas do filme «Carros», o desenho animado dos estúdios Pixar.

Talvez seja um bom símbolo da excelência de Newman — mesmo só com a voz, ele sabia dar vida a uma personagem. Não tenhamos dúvidas: vamos sentir a sua falta.»

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VER E SENTIR


                  
Cristina Maia Caetano
   (III)

Hoje, nesta crónica, vamos «aflorar» questões inerentes ao «bem viver», à «vida» com alma e espírito!

Iniciemos com o nosso quer, o nosso desejo, a nossa libertação, o viver melhor e em maior abundância de felicidade, primeiro connosco, e depois... é só esperar para irradiar à nossa volta, para os outros, para a sociedade, para o mundo...

Depois,...apercebendo-nos de que a alma é o que sente e que o espírito o que sabe. Com essa consciência presente em cada um de nós, libertem-se... e vivam intensamente cada minutinho que a vida presenteia cada um de nós. Quanto ao viver,... bem..., é de facto a questão talvez mais importante de todas. A consciência de como se vive, porquê é que se vive e com quem, são talvez os trunfos mais importantes para nos sentirmos bem connosco próprios, estáveis, pacientes e sabedores.

Deste miúda que me lembro de ouvir várias achegas populistas, que consoante o momento serviam ou deviam servir para perceber a razão da lógica de se viver. «A vida nem sempre é o que nós queremos»; «dá tempo ao tempo»; «o que é teu à tua mão vem parar», são bem o exemplo desses apanágios. Depois,... Rapidamente percebi que para ser de facto verosímil, tinha de acreditar no que dizia. E o tempo? … Esse passou e continuou a passar! Até que… comecei a duvidar, questionar e sem confiar! E aí… depressa me apercebi que «tinha de ver para crer».

Sei bem que isto não é apenas comum a mim, mas a dezenas de milhares de pessoas. A viagem ao interior de qualquer ser humano, é pois decerto, penosa e pode bem demorar mais tempo do que se pretendia, mas é sem dúvida preciosa para a compreensão da vida com um aproveitamento positivo e uma amplitude maximizada. Também é a única que dá sentido e enche em plenitude as achegas populistas referidas. Se a vida nem sempre é o que queremos, se calhar, é porque podemos ainda não termos descoberto o que melhor se encaixa a nós, ou simplesmente porque ainda não chegou a altura certa... mas talvez apenas a altura de experiências para mais tarde chegarmos lá mais fortes e bonitos. E é aqui que «dar tempo ao tempo» pode ser uma prova penosa e inultrapassável.

Cansados de penar, sofrer, pouca realização e alienados pela «depressa» da «busca da felicidade», um instante só, um passo mais apressado, um passo mais descontrolado…E tudo pode ficar vetado, bloqueado, … causando retrocessos inimagináveis… causando retrocessos complicados! Sem entender, o que «é teu, à tua mão vem parar», revoltas podem surgir. Não entendem que calma, paz, harmonia são indispensáveis... não entendem que o que se é hoje, é o acumular dos actos do passado...

Tentem pois lembrar-se que se não têm certeza de como actuar; do que fazer e de como deixarem de se sentir encurralados, não desesperem! Pensem que talvez não tenha mesmo chegado a altura certa de agir, ou então reflictam muito e bem! Não tenham medo de escutar a vossa voz, a voz do vosso interior, aquela que guia sem nunca nos enganar, a voz da centena divina de cada um de nós...

E depois..., não se esqueçam de ficar sempre acompanhados com a certeza que o melhor é mesmo não se fazerem julgamentos...