EDIÇAO NºXIV , 4ª SEMANA, 4º NUMERO DE MARÇO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade
Continuação da Coluna Um (Ver inÃcio)
Veio depois o plantio dos infalÃveis eucaliptos, ditos de crescimento rápido e a
vivência das miseráveis reformas de toda aquela gente. Desapareceu um mundo,
ali, em várias fases, mas sem outras opções de sobrevida. Uma forma de ver
vencida pela roda trituradora do alegado progresso. Falta saber se foi mesmo um
progresso...
Na situação em que estamos penso que não haverá grandes dúvidas de que
eucaliptos não dão de comer a ninguém, salvo a meia dúzia de pessoas e durante
perÃodos limitados de tempo. Dão de comer sim aos grandes industriais, à s suas
grandes empresas que investem na bolsa ou noutros locais menos conhecidos e que
agora estão cai não cai no domÃnio da intervenção económica estatizante.
Pode assim fazer-se um balanço, ainda que os indicadores não sejam todos
favoráveis à tese de que «antes era melhor». Não era, de facto, melhor trabalhar
de sol a sol, com meios técnicos rudimentares, envelhecendo prematuramente, não
tendo condições de apoio à saúde, trabalhar para o boneco, praticamente, porque
o resultado económico obtido era inferior ao esforço e aos meios envolvidos, não
era melhor. Só que agora é ainda pior...
Aqui em Portugal 150 milhões de euros dão para alargar o perÃodo de benefÃcio do
subsÃdio de desemprego, mais 150 milhões de euros dão para reduzir
temporariamente para metade uma parte substancial dos pagamentos mensais de quem
comprou casa a crédito (sob garantia hipotecária antes e agora). Isso soma 300
milhões de euros.
Só para alegadamente garantir os depósitos de um banco que só não se chama de
falido porque ainda ninguém se lembrou disso foram dados, pelo Estado, 750
milhões de euros. Para um outro, que segundo alguns é um caso de polÃcia, já se
vai perto, com as novas exigências de reequilÃbrio, dos 300 mil milhões de euros
(não são 300 milhões, são 300 mil milhões, repete-se). Isto numa altura em que o
Governo Alemão já mandou às urtigas este tipo de apoios e em que a França se
debate com forte contestação social que pode resultar no habitual. Entretanto em
Espanha vai fervendo em fogo lento...
Fazendo contas simples, toda essa massaroca, cerca de 400 mil milhões de euros,
davam para aumentar a garantia do benefÃcio do subsÃdio de desemprego mais dez
anos, garantindo ao mesmo tempo alguma confiança social, dava para reduzir as
prestações de pagamento de casas à banca em perÃodo de carência durante outros
dez anos, contribuindo para descomprimir os gastos no consumo corrente,
fomentando e reforçando empresas e credibilizando a hipótese da retoma, e, de
uma forma ou de outra, o retorno seria certo e seguro (o dinheiro ironicamente
já é desde logo também deles). E alinda sobrava algum pois que 300 milhões vezes
dez dá 300 mil milhões e estamos a falar de um plafond concedido e a conceder de
400 mil milhões.
E isto retornaria, todo este dinheiro retornaria, porque os desempregados
arranjariam emprego ou reformavam-se sem andarem por aà a viver de forma pouco
digna nalguns casos (a maioria), revoltados, fervendo ainda em águas mansas e os
proprietários de casas compradas nestas condições acabariam por ter de resolver
a situação logo que pudessem.
Ora, também, reactivar algumas actividades que têm substância de desenvolvimento
e de produção efectiva e outras que estejam relacionadas com actividade
verdadeiramente produtiva é trabalho que deve preocupar qualquer pessoa que
tenha alguma altura de testa.
Mas não...arranja-se dinheiro ou crédito para fazer grandes investimentos que
bem poderiam esperar, pressiona-se a banca para conceder crédito às pequenas e
médias empresas de vida periclitante, como se a banca estivesse em condições de
andar a fornecer dinheiro sem garantias efectivas de retorno sob risco de piorar
ainda mais a sua situação e entrar mais no ciclo vicioso da intervenção estatal.
Ora, dentro daquilo que foi jogado fora, incluindo as oportunidades de aplicar
melhor os fundos que já não voltam, e repetindo parte do sermão aos peixes do
Padre António Vieira, o que terão até agora feito os homens senão manter no mar
aquilo que eventualmente tem hipóteses de ser reactivado e de fomentar o
encaminhamento da resolução de situações?
Que tem feito esse tal de aparelho de estado para ver estas coisas? Por onde
anda a razão mais simples que qualquer um usa no dia a dia ao ir buscar coisas
que por pequenas desvantagens relativas em relação ao novo colocou na
prateleira/armazém para resolver agora temporariamente os inconvenientes da
falência da sua máquina nova?
Esta gente não pensa ?? Não sabe pensar?? Não consegue pensar!!???
Vou fazer um slideshow para você.
Enviado por uma nossa colaboradora que muito respeitamos, segue um texto cuja autoria é atribuÃda a um profissional da comunicação e da publicidade famoso no Brasil, mas que por razões de agenda não foi possÃvel contactar atempadamente...
Texto atribuÃdo a Neto, director de criação e sócio de uma das maiores agências
de propaganda do Brasil, sobre a crise mundial.
«Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da �frica.
Aquelas com os ossos visÃveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na �ndia ou em Bogotá
sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de lÃderes que se sucederam nas
nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da
fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum
canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso polÃtico ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos lÃderes, as mesmas potências, tiraram da cartola
2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome
quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na
mÃdia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.
Se quiser, repasse, se não, o que importa?
O nosso almoço tá garantido mesmo...
Carteira da paz
Por
Haroldo P. Barboza
Um «alumiado» figurão do poder que se locupleta no planalto com nossos impostos
elevados, acordou com uma «brilhante» idéia!
Criar uma carteira para ser adquirida pelos freqüentadores dos estádios de futebol e a ser passada numa catraca. Deve ser o projeto «piloto». Depois deve ser expandido para ginásios de basquete, vôlei, skate, circuito de corridas de carros e talvez igrejas (onde corre a sacolinha para quem não quiser ser excomungado).
Segundo o autor da idéia, de posse desta carteira o torcedor terá garantia para adquirir ingresso (será que o cambista vai exigir este documento?) e a violência entre as torcidas será reduzida, pois a polÃcia facilmente identificará os brigões.
Quatro perguntas para começar a polêmica:
1 – como deve proceder um turista paraguaio para comparecer ao estádio?
2 – como a tal carteira evitará que valentões em grupos se esfaqueiem a duas quadras do estádio?
3 – Num paÃs onde a impunidade está disseminada, a tal carteira vai garantir a prisão dos condenados considerando que muitos são da linha «filhos das elites queimadores de Ãndios Pataxós»?
4 – Se a carteira tiver um mecanismo para impedir a entrada do incauto isto vai evitar que ele use a carteira de um primo ou dê 20 pilas ao roleteiro para entrar pela porta dos fornecedores e jornalistas?
Tal medida está cheirando a alguma armação para plastificar um pedaço de papelão com foto e implantação de catracas para dar dinheiro a alguma empresa fabricante de crachá de propriedade de algum gajo ligado à FIFA e que deverá vencer a licitação «honesta». Sem esquecer de ratear a diferença do superfaturamento, é claro.
Caso um ser normal crie um «banzé» num restaurante pelo bife duro e pise no pé do garçon, é processado por danos fÃsicos. Um arruaceiro de estádio que depreda as instalações locais e coloca um torcedor em coma ou na cova, filmado, identificado e capturado é levado à mesa do Delegado. Se tiver cabelos louros e olhos azuis, é liberado com a seguinte mensagem aos pais que vão buscá-lo: «- não faça mais isso que é muito feio!».
Se for mulato, tiver emprego e tÃtulo de eleitor, é levado à presença do Juiz que o condena a pagar 5 cestas básicas e o libera para novos confrontos.
Se for escuro, maltrapilho, desempregado e bêbado, dorme uma noite no corredor da delegacia e no dia seguinte é chutado para as ruas.
Conclusão: temos muitos cadastros e controles mas não executamos o básico: CADEIA neles!
Para evitar desperdÃcio de recursos (tempo, dinheiro e futura CPIzza), sugiro que cada torcedor, ao atravessar a roleta do estádio, passe seu tÃtulo de eleitor numa leitora ótica que simultaneamente fotografa seu rosto.
Desta forma, este atual inútil documento passará a ter alguma serventia. Se fosse bem usado (e com transparência do sistema) formarÃamos uma legião decente de polÃticos.
E poderÃamos freqüentar os estádios com a famÃlia em paz. Sem carteira.
Continuação da Crónica de Arlete Piedade - Arvores, Povos e Poesia (Ver InÃcio)
Mas o que são povos indÃgenas? São os povos originários de uma determinada zona
do globo e que viram os seus paÃses e territórios serem invadidos por povos
ditos mais civilizados que em procura de riqueza usaram a força para se
apropriarem dos recursos dessas terras, expulsando e matando os seus legÃtimos
habitantes, que desde há milhares de anos aà viveram e desenvolveram uma cultura
própria e sustentável com o meio ambiente.
Depois ainda lhe chamam em tom depreciativo «Ãndios» ou «pretos», como se o
homem branco fosse o único que tem direito ao estatuto de ser humano legÃtimo. É
esse o paradigma que temos que combater, promovendo a igualdade de todos os
seres humanos seja qual for a cor da sua pele, cultura, local de nascimento,
ideologia ou religião, enfim sem distinções de espécie alguma.
Afinal entre os recursos dos povos indÃgenas apropriados pelo homem branco,
estão as florestas, em especial a floresta amazónica, que todos os dias é
queimada e cortada para estabelecer novas culturas e venda das suas riquezas
para outros paÃses, destruindo a habitat de povos, animais e espécies vegetais
únicas no mundo, bem como poluindo os rios e mares com os desperdÃcios de
indústrias mal geridas.
Cabe pois a todos nós usar a força da palavra para denunciar essas situações e
organizarmo-nos em associações e outros mecanismos para promover o bem estar
ambiental e das comunidades, senão que herança vamos deixar para os nosso filhos
viverem neste planeta, quente, sufocante, poluÃdo e em crise?
Arlete Piedade
Ver também logo abaixo os meus poemas: «Amazónia - Pulmão Verde Rubro» e «Herança».
Amazónia - Pulmão verde e rubro
És verde e rubro, o pulmão deste planeta azul e branco
Verde das florestas em extensão, rubro das queimadas
Estendendo longos dedos negros em direcção ao flanco
Da mãe ignorada pelos filhos de quem devia ser amada
Noutros tempos eras verde, azul, claro, limpo e puro
No teu seio criavas belos seres, de alma transparente
Um belo e imponente rio atravessava teu corpo e juro...
eras a mais preciosa jóia deste planeta de alma doente
Mas os homens de distantes terras, foram chegando
De teu sadio, fértil, bravio e belo corpo se apossando
Para seu deleite, prazer, sendo a riqueza fácil, o tema
Teus tesouros foram furtando, teus rios conspurcando
Teus habitantes foram corrompendo, mulheres violando
Ainda será tempo de te salvar, sendo esse nosso lema?
Arlete Piedade
06/02/2006
Herança
Ã?gua lÃmpida, pura e cristalina,
risos em regatos rumorejantes!
Desses meus tempos de menina,
recordo claros dias já distantes!
No Inverno o gelo brilhante e frio,
os campos já lavrados, recobrindo!
Bebendo da água da fonte no estio
e no fundo poço os peixes sorrindo!
A rega na horta e no florido jardim...
brincando na fresca água, já molhada,
sentindo a alegria de menina amada!
E os filhos de agora, recordarão assim?
Se a água d'hoje poluÃda, engarrafada,
é o lhe damos da herança a nós deixada!
Arlete Piedade