EDIÇAO NºXIII , 3ª SEMANA, 3º NUMERO DE FEVEREIRO DE 2009 - COMENTARIOS
Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade
Escritores Baianos Homenageados na Bienal do Livro da Bahia

A «Nova Coletânea», Projeto de Inclusão Literária, home-nageará os escritores Carlos Vilarinho e Valdeck Almeida de Jesus em sua nova antologia «Contos e crônicas para viagem».
Parceiros do projeto em sua nova edição, Carlos Vilarinho e Valdeck Almeida de Jesus são conhecidos por trabalharem uma literatura engajada e focalizarem as questões sociais em seus trabalhos.
Pelos grandes serviços prestados
à literatura nacional, ambos fazem hoje parte da Câmara Bahiana do Livro e já
oportunizam a chegada dos novos autores a uma das maiores feiras literárias do
país, a Bienal do Livro da Bahia.
Valdeck Almeida de Jesus criou um concurso literário que leva à inclusão de
vários autores antes à margem do mercado editorial e realiza, deste modo, o seu
sonho da primeira publicação de muitos poetas.
Carlos, educador de jovens e adultos, disponibiliza em sua página espaço para a
exposição de textos publicados digitalmente a escritores de todas as regiões do
país. Agora, na diretoria da Câmara Bahiana do Livro, defende uma política de
inclusão, de geração de mercado e ampliação de oportunidades ao setor livreiro.
Ambos, conhecidos pela simplicidade e posicionamento crítico diante da
realidade, contarão com apoio irrestrito da Nova Coletânea, que prevê para o
povo baiano e brasileiro a chegada de um novo tempo.
«O Carlos e Valdeck foram imprescindíveis neste novo passo da Nova Coletânea que
é o de dar visibilidade ao novo autor. Queremos mostrar que em nosso trabalho há
uma continuidade, que aquele que se associa a nós é assumido para além da edição
do livro impresso. Eles são um modelo para nós, já tem estrada nesta via de
inclusão, a qual defendemos em todas as nossas ações. Os seus nomes já fazem
parte da nossa história e nossa gratidão se revela neste ato simbólico, uma
dedicatória que abre o livro para o Projeto 2009 (Bruno R. Ramos)».

Então, fica aqui o convite ao povo baiano e todos os que estiverem presentes à
9ª Bienal do Livro da Bahia. Às 17:00 do dia 19 de abril tem lançamento e
homenagem no estande da Câmara Bahiana do Livro. Não perca!
Valdeck Almeida de Jesus
Os eleitos, os eleitores e a democracia.

Brasileiro vota errado ou vota iludido?
Por: Valdeck Almeida de Jesus
E lá vai o povo, mais uma vez, rumo às urnas em 2010, movido pela esperança,
pela conveniência ou pela ingenuidade. Lá vai o povo, com suas mãos, eleger
homens públicos que os representarão no Congresso, no Poder Público, como fiéis
guardiões de seus direitos e necessidades, conforme prometeram nos palanques ou
nos «horários eleitorais», com todos os requintes da boa retórica.
A história se repete. Repete-se cada vez mais espantosamente, porém causando
cada vez menos espanto - parece até que estamos nos acostumando com a
impunidade. A história se repete. Tempos depois, abriremos os jornais e veremos
manchetes do tipo: «Funcionários do Senado recebem hora extra em mês de
recesso»; «Corporativismo impera no Congresso Nacional»; «Partidos se aliam para
votação no plenário», e por aí vai.
CPIs importantes são arquivadas. Conselho de Ética só existe no nome e para uma
ética muito própria e particular dos parlamentares. E os raros «Quixotes» que
existem por lá, e ainda sobem ao plenário para falar em nome do povo ou legislam
em defesa dos reais interesses da nação, são calados, neutralizados e
ridicularizados pelo poderoso jogo articulista dos que legislam em causa própria
e são ávidos de poder.
Este foi o destino do nosso voto? Até quando? Hoje vemos, especialmente nos
tapetes azuis do Senado – casa por onde passou Rui Barbosa – antigos vilões
voltando à cena para dar as cartas, e na Câmara, há deputado que tem até
«castelo» (Edmar Moreira – MG, sob investigação).
Vemos partidos e ideais se diluírem nos balcões de negociatas e enriquecimento
ilícito. Vemos engavetarem os projetos de lei que realmente se revestem do
sentido maior da democracia: saúde, educação, segurança, inclusão, justa
distribuição de renda e sustentabilidade para todos. Onde fica a sociedade em
tudo isso? Esquecida? Preterida? Mas como? Não foram esses os homens escolhidos
para representá-la?
Quando um brasileiro vai às urnas, com seu voto em punho, ele ali deposita seu
suor, anseios e esperanças, de um modo geral. Crédulos das promessas que
ouviram, esses eleitores esperam de seus candidatos, no mínimo, decência,
moralidade e espírito público na grandiosa missão de legislar em nome deles.
Mas, uma vez concluído o processo eleitoral, o ciclo costuma se repetir. Cadê as
promessas? Cadê a saúde? A educação? A segurança? A luta contra a seca
nordestina? O basta ao desmatamento? A moralidade no Congresso? A qualidade de
vida?
Atenhamo-nos aqui apenas a um fato recente, para tentar explicar os absurdos que
presentemente infestam o nosso Congresso – presumivelmente, ícone maior da
democracia, uma vez que dali saem as leis «deveriam» beneficiar o povo. O
inusitado fenômeno, de tão eloquente, fala por si: o Senado Federal, no mês de
janeiro - reconhecidamente período de recesso naquela Casa –, pagou horas extras
a um total de 3.883 funcionários, por «trabalhos complementares», conforme
alegam, quando não houve registro ali de qualquer atividade parlamentar. Tal ato
de corporativismo foi tão absurdo que logo tomou conta das primeiras páginas dos
jornais, indignando a população. A partir daí, desnecessário é abordar outros
absurdos.
Em tudo isso, um alento: pelo menos a imprensa faz o seu papel de informar e
alertar a população. Infelizmente, a mídia não é suficientemente forte para
manter na memória dos eleitores todos esses atentados à Constituição e aos
interesses do povo. Até porque muitos desses eleitores esquecem fácil o passado
diante da primeira promessa sedutora do próximo candidato.
E lá vamos nós, eleitores, novamente para as urnas em 2010 - e em todos os
futuros ciclos eleitorais. Quando vamos acertar? O que está havendo de errado
com as urnas? Excesso de ingenuidade? Falta de informação? Votos de
conveniência? Não se sabe ao certo. Os institutos de pesquisa não informam. Mas
sabemos que o voto ainda é a última arma que nos resta na defesa de nossos
interesses, é a expressão máxima da democracia.
E vamos continuar votando, até acertarmos, até conseguirmos eleger homens e
mulheres de bem, que realmente legislem para os milhões de brasileiros que, com
seu voto, lhes dão procuração legítima para agir única e exclusivamente em seu
nome.
Valdeck Almeida de Jesus
DESUMANO...
José Geraldo Martinez
No caniço triste verdade!
Por uma linha a vida de um pobre peixe...
Frágil ao prazer e maldade
do homem que o fisga por deleite!
Adeus rio que corre...
Igarapés floridos e roxos!
Vida aquática, insignificante...
É só um peixe que morre !
Pensasse assim nosso Pai,
a cada vida na terra partida...
Do humano que no desumano vai,
dando fim à qualquer vida...
Seríamos o peixe no mesmo caniço!
Vida terrestre que esvai...
Nada de muita importância !
Pensasse assim nosso Pai...
«Toda a vida presente na natureza,
tem justa medida de importância aos olhos do nosso Pai...
Até um insignificante peixe !
O valor da vida é o direito de vivê-la plena»
( Martinez)
Memorial do Inferno no Jardim do Éden Moreno -Tropical do Escritor Valdeck Almeida de Jesus
Artigo/Resumo (Pequena Resenha Crítica)
Silas
Correa Leite.
Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direi-tos Humanos, de Itararé- SP, Cidade Poema
E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogues: www.portas-lapsos.zip.net ou www.campodetrigocomcorvos.zip.net
«Não é de todo infeliz aquele que pode
contar a si mesmo a sua história...»
Maria Zambrano
A vida de cada um, cada ser, é a cruz de cada um. Páginas abertas de lágrimas e eventuais conquistas. A cruz de cada um, de cada ser-ente, está inserida na vida de cada um. Vidas são livros. O inferno são os outros, diria Jean-Paul Sartre. Cada um deve saber o que faz de si, depois do que a vida paulatinamente lhe der de lágrimas, espadas, toleimas, cruzes e enfrentações.
«A dor da gente/Não sai no jornal» canta Paulinho a Viola. Pois o belo livro «Memorial do Inferno», da Giz Editorial (SP), 190 páginas, Edição 2007, escrito pelo funcionário público e escritor Valdeck Almeida de Jesus, ainda tem, paradoxalmente ao nome, um irônico subtítulo: «A Saga da Familia Almeida no Jardim do Éden».
Um romance (?) recheado de memórias revisitadas, histórias de caminhaduras alegres-tristes, amargas-pungentes, quando uma mãe – e sempre adorei as mães dos romances (a última do romance Dois Irmãos de Milton Hattoum é genial) – brilha, assoma-se mesmo na sua limitação, e, ainda, para mim, algumas das acontecências de narrativas tendo muito a ver com a minha própria história de luta, e origem humilde, de humilhações, sofrências, e, por conseguinte, determinação e lições de vida.
Na Bahia, o jardim do éden «moreno-tropical» das famiglias estilo ACM e outros mandos (e desmandos), contrastes sociais, mais os registros de dor, e a nudez do nosso periférico e selvagem capitalhordismo americanalhado e, por outro lado, o humano brado retumbante do escritor contra tudo e contra todos, com páginas de horror e lágrimas, contadas na lata, com ternura e simplicidade.
Sensibilidade a flor da pele, rasgando memórias cruas, nuas, plangentes. Saí da leitura como se limado pelo serrote das contações que vão vazando as lágrimas letrais do autor. «O certo é para sempre/Na dúvida, volte ao ventre/Nunca saia da mãe/Pra não chorar depois», disse TAO (in, TAO, o Homem a Caminho do Céu, Lao Tse).
A mãe do autor (enormemente mãe no romance/memorial), não era uma bruxa, mas, certamente que espetacularmente um anjo, mas no limbo telúrico de nossas prosopopéias e refinamentos existenciais em inferior plano do mundo de nosotros. Triste Bahia, diria (cantaria) o Veloso Caetano.
Depois de vencer a miséria, a dor, a fome, o vencedor dilata o tempo de viver ao escrever sua história ? Uma viagem para dentro do que deveria ser um éden que, dizem, em se plantado tudo dá (carta de Pero Vaz Caminha/1500), mas, na verdade há uma elite desaforada, um descompromisso do estado com os seus carentes, um neoliberalismo câncer com tufos de espertos na sociedade podre.
Meu lado marxista-teórico (socialista
democrático e anarquista técnico) atiçou um sonho por um humanismo de
resultados. Dói viver. Dói saber. Dói ler sobre heróis anônimos que, atrelados à
carroça dos séculos, fazem a vida acontecer, apesar de tudo, pois a justiça
falha, ainda não temos uma democracia racial.
O autor, como se contando a história na sua frente, na sua cara, ao seu jeito
peculiar, aos poucos, homeopaticamente mas com tantas peculiaridades, diz dos
campos de plantações a engenhos, da periferia sociedade anônima a paragens
brasileirinhas, e assim vai despojando tudo que sofreu, tudo o que se passou; a
sua saga dentro dos tantos brasis gerais, abandonado pelos podres poderes, até o
inicio de uma nova esperança como a de agora no país, que é um operário que
passou fome, nordestino, e que no poder federal resgata o sonho do sofrido povo,
um metalúrgico-presidente, o Lula que também tem sua história de dor e
determinação, até o apogeu que nos honra, como a minha história e a de milhões
de descamisados, excluídos sociais, sem terra, sem teto, sem pão, sem amor, os
quase sem pátria da colonização exploradora, da libertação de escravo que
libertou mas não os indenizou (indenizou os patrões escravocratas filhotes da
elite dominante) depois a falta de uma reforma agrária (que era coisa de
comunista segundo a visão bocó dos incompetentes militares ditadores), depois
passando pela insensibilidade de um poliglota presidente-sociólogo que se aliou
a antros neoliberais do demo, daí um livro do peso como «Memorial do Inferno»
ser até um importante documento datado, pari passu, a contar com detalhes de
como rolam as coisas nos cantos do país continental, e como é extremamente muito
difícil sair na ponta da pirâmide, e ainda poder, vitorioso mas com seqüelas,
narrar, contar; a lágrima, a dor. E um povo, uma familia, uma região; de um
lugar, de um tempo, das injustiças pelos campos e cidades...a carne sentida, a
alma sentida, a narração sentida...
Escritor por temáticas evolutivas de percurso (da vida do autor), o livro faz
rir, faz chorar, assusta; ficamos vermelhos (raiva, vergonha, horror), leva e
traz a sua pulsação letral, fere a nossa sensibilidade a partir de uma realidade
pura (os brasis dentro do Brasil), a dura realidade; o sagrado coração da terra
está ali, numa edição com placas e capturas de tristices, tocando a sua alma,
ferindo o seu aguçado espírito por coisas que retratam amarguras, impunidades,
injustiças, medos, fugas, sonhos. Ai de ti Jequíe!
O Pai (quase sempre ausente), a Mãe, sempre força e luz, residências, formação escolar, religiosa, a roça, a represa, trabalhos, inundações, militância política, viagens - o colorido big brother brasil real é outra coisa (o espelho pode ser uma navalha) - os aflitos, os rios, as leituras como fugas, tudo um roteiro para desafiar a insanidade dos homens, peitar irrazões, fazer com que o bendito herói que cada um tem e traz consigo, aflore, brilhe, deixe lastro na passagem, ou vire marginal, fique louco, caia fora da estrada, pague seu preço – a barra pesada de viver, baby! – pois, ao contrário do que diz a balada antiga, o mundo não pára pra gente descer.
Castro Alves já dizia: «A luta é renhida/Viver é lutar.» E todo pensador
que leu Karl Marx, ou todo sentidor que lê a vida das riquezas injustas, dos
lucros impunes...das propriedades roubos, sabe o que há por trás da verdadeira
história oficial desse país. Cazuza cantava contra a infame elite dominante: «A
tua piscina está cheia de ratos/A tua memória não corresponde aos fatos(...)/O
tempo não pára...»
Poucos sobreviveriam lúcidos e inteiros(e poetas!), com sensibilidade inteira e
viçada, passando o que passou a Familia Almeida de Jesus, sob a tutela da Mãe do
autor e depois dele mesmo com seus erros e acertos, com seus sagraciais altos e
baixos, com tantos sonhos e pirações, nas idas e vindas, nas depressões, nas
causas frustradas e desesperos orquestrados, pagando seus micos, pagando seus
ritos, pagando com suor e sangue.
Fechando seus ciclos, a alma sendo testada entre os escorpiões do percurso, as orientações líricas e as escritas-derramas como testemunhos-depoimentos, contações de coisas duras de engolir, muito mais de sabê-las acontecidas. Como se uma espécie de refinação do Eu de si, que mal cabia em si, atrás de uma luz depois do fundo do poço, muito apem do fim do túnel. Para grandes heróis, grandes desafios? Essa é a obra. Esse é o Valdeck Almeida de Jesus.
A história daria um filme com final feliz. Que final feliz é a nossa cota de angustia e a nossa cota de dor que nunca daremos aos brancos, nós, mestiços, ainda assim, dos filhos deste solo, filhos da pátria? Diz o autor na página de apresentação: «...Esta familia não mediu esforços para superar as muitas barreiras que lhe foram impostas, vencendo os mais diversos obstáculos(...). Sem perder a fé no futuro, sempre incerto e duvidoso, a Familia Almeida conseguiu, com sua luta, atingir os objetivos almejados e marcar seu lugar ao sol» (Pg. 13).
Fibra e valentia. Honra e glória. Agonia e depois o sucesso. Lições? Valdeck Almeida de Jesus, filho de Paula Almeida de Jesus e de João Alexandre de Jesus, que era um João sem terra, nesse continental afrobrasilis, agora é um vencedor, autor de livros, dando seu depoimento. A dolorosa e angustiante compreensão intima dos acontecimentos, passa pela qualidade do livro de Valdeck, feito também um Memorial de Lágrimas.
Idel Becker
aponta a leitura e estudo do passado como uma releitura da história que nos
obrigue a algumas atitudes: intenções morais, indicação de rumos para a conduta
humana, diagnóstico e terapêutica. O autor cita a frase (em hebraico) de Cristo
na Cruz: “Eli! Eli! Lama Sabactâni (Deus Meu! Deus Meu! Por que me
Desamparaste?) narrado por São Mateus nos novos evangelhos. Talvez os
jesuscristinhos desses brasis gerais dentro de um outro o Brasil S/A (que só é
rico para os ricos, não é rixo para os pobres) precisem de arados letrais para
plantarem suas retóricas, suas narrativas, seus documentos literários de vida e
brilho. De sangue e luz. De consciência do dever cumprido, apesar de tudo. Com
atributos de fé, de coragem, de ousadia e de uma vontade de mudar para fazer
sentido o verbo viver, dar sustância na sua significância plena nesse nosso
plano terrestre.
Não é qualquer dia que a gente lê por inteiro e com clara tristeza – a história
é remorso, cantou Drumond – a vida-livro de um vencedor que pagou sua pena, até
literalmente mesmo que seja, tirou de letra.
Adorei ler o Memorial do Inferno escrito por um ser humano que está em plena forma e luz. Afinal, alguém de entre os fracos e oprimidos, tem que sobreviver para contar a verdadeira história do povo sofrido. Valdeck Almeida de Jesus, para finalizar, em sua homenagem, cito seu conterrâneo Caetano Veloso, meu ídolo: «Respeito muito suas lágrimas.»
BOX
Memorial do Inferno, A Saga da Familia Almeida no Jardim do Éden
Editora GIZ Editorial – SP/2007 - www.gizeditotial.com.br
Autor Valdeck Almeida de Jesus E-mail: valdeck@hotmail.com
RESENHA
Silas Correa Leite. Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em
Direitos Humanos, de Itararé-SP, Cidade Poema
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