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EDIÇAO Nº XIV , 4ª SEMANA, 4º NUMERO  DE MARÇO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade


ATITUDE PESSOAL  FAUNA

Por Sandra Fayad

No prefácio de «O livro de ouro da AMAZONIA», de João Meirelles Filho (Ediouro – 5ª edição), o poeta Thiago de Mello conta: «Estou me lembrando do Coracy, famoso pescador de Barreirinha, no Paraná do Ramos, a quem fui dizer que o peixe-boi era um animal ameaçado de extinção. O caboclo, querido porque só tinha bondades, me disse meio rindo: - Conversa de quem vive na cidade. Só ontem eu arpoei dois!»

Paradoxalmente, no Portal ORM - Organizações Romulo Maiorana de Manaus foi veiculada, em 21 de fevereiro último, a triste notícia da morte de um filhote de peixe-boi que havia sido localizado cinco dias antes no município de Vigia, nordeste do Pará. O filhote doente estava recebendo atendimento no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves, mas não resistiu aos graves ferimentos nas nadadeiras.

O mamífero é, de fato, uma das 627 espécies que o IBAMA informa correrem risco de desaparecer da nossa fauna.

A lista oficial refere-se especialmente aos animais oriundos da Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado.

A propósito da relação também denominada Lista Vermelha divulgada em 2.003, a Revista Epoca publicou o seguinte demonstrativo:

QUADRO RESUMO DAS ESPECIES BRASILEIRAS AMEAÇADAS E EXTINTAS

Grupos

Ameaçados 

Extintos
na natureza

Extintos

Mamíferos

69

0

0

Aves

153

2

2

Répteis

20

0

0

Anfíbios

15

0

1

Peixes

165

0

0

Insetos

93

0

3

Invertebrados terrestres

21

0

4

Invertebrados aquáticos

91

0

0

Total

627

02

9

Dois métodos são considerados pelos acadêmicos para definir as ameaças, a partir dos critérios internacionais utilizados pela União Mundial para a Natureza (IUCN, em inglês). O primeiro classifica os animais da lista, em três categorias:

1. Criticamente em perigo, quando enfrenta um risco extremamente alto de extinção na natureza, mediante redução do tamanho da população maior ou igual a 90% durante os últimos 10 anos ou três gerações; ou quando a população é estimada em menos de 50 indivíduos adultos.

2. Em perigo, quando enfrenta um risco alto de extinção na natureza. Ocorre com a redução do tamanho da população maior ou igual a 70% durante os últimos dez anos ou três gerações; ou população estimada em menos de 250 indivíduos adultos.

3. Vulnerável, quando enfrenta risco de extinção na natureza, caracterizado por redução do tamanho da população é maior ou igual a 50% durante os últimos 10 anos ou três gerações; ou população estimada em menos de 10.000 indivíduos adultos.

No segundo método a classificação se divide em Extinto, Extinto na natureza, Em Perigo Crítico, Vulnerável, Dependente de Conservação e Baixo Risco.

Em biologia, a extinção é determinada pela ausência de descendentes, que coloca fim à raça ou linhagem de uma espécie animal ou vegetal.

Entre os animais considerados extintos estão a arara-azul pequena, que vivia nas ribanceiras do Rio Paraná. Há dois anos foi a vez da ariranha-azul, nativa do Nordeste, ser considerada extinta na natureza depois que o último animal acompanhado pelos técnicos do Ibama desapareceu. Hoje existem 54 exemplares em cativeiro em fase de preparação para devolver à natureza.

O processo de re-introdução desenvolvido pelo IBAMA funcionou bem com uma espécie que durante a década de 80 se tornou o símbolo da extinção no Brasil: o Mico-leão-dourado. Esse animal de 60 centímetros, que pesa pouco mais de meio quilo é ainda hoje um dos mais raros primatas do mundo.

De acordo com a Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, a lista da fauna ameaçada é um instrumento de conservação da biodiversidade para o governo brasileiro. Através dela as autoridades podem fomentar a preservação dos habitats e das espécies que neles vivem, via programas de recuperação, criação de novas áreas de conservação, incentivo às pesquisas e outros referenciados na Lei nº 9.605/98, que trata dos crimes ambientais.

O controle, embora ainda precário, já vem mostrando alguns resultados. Animais como veado-campeiro, jacaré-do-papo-amarelo, jacaré-açú, gato-do-mato, doninha-amazônica, gavião-real e surucucu devem sair da lista. Já espécies como guariba-de-mão-ruiva, macaco-prego, veado-bororó-do-sul, cobra-dormideira-queimada-grande, jararaca, algumas borboletas, besouros e aranhas passam a integrá-la.

Os responsáveis pelos levantamentos atribuem o aumento do número de espécies ameaçadas a fatores como: maior conhecimento científico relativo à fauna selvagem no país, compreensão da dinâmica ecológica dos biomas nacionais, inclusão na lista de novos grupos como peixes e invertebrados, elaboração de listas estaduais e descoberta de novas espécies. Além disso, dizem que a grande diferença da quantidade de espécies divulgadas anteriormente a quantidade de pesquisadores envolvidos.

Na primeira lista de 1973 foram dois, na de 1989 foram 20 e na de 2003 foram 200 pesquisadores. Contudo, o principal motivo de extinção das espécies continua sendo a destruição dos habitat pelo homem, como desmatamento, queimadas, caça ilegal e o tráfico. O governo brasileiro está longe de impedir que centenas de espécies sejam dizimadas.

Em todo o mundo, caça e pesca indiscriminadas também ameaçam 37% das aves e 34% dos mamíferos. Algumas espécies, como, por exemplo, os tigres foram tão perseguidos que hoje restam poucos animais livres na natureza. No início do século XX estimava-se que havia cerca de 100.000 desses animais espalhados pela Asia. Agora são menos de 7 500.

Da América à Asia, de Norte a Sul, o tráfico ilegal de animais vivos aumenta. O mercado consumidor é formado por colecionadores privados, laboratórios de pesquisa, lojas de animais, zoológicos, circos e até curandeiros da �sia. É o terceiro maior negócio em contrabando depois de drogas e armas.

Os traficantes combinam ingenuidade com desumanidade nos métodos de disfarce da bagagem animal. A maioria dos especialistas em desvendar o tráfico de animais concorda que a melhor estratégia é conscientizar os compradores e não os vendedores, pois este é um negócio extremamente lucrativo.

Todo dia, no mundo inteiro, desaparecem quase trezentas espécies animais e vegetais devido à destruição de seus habitat. No Brasil, uma das exceções é o Projeto Tamar, que mencionamos na matéria sobre Tartarugas. Dedicado à preservação das tartarugas marinhas o projeto se estende por toda a costa brasileira inclusive Fernando de Noronha e Atol das Rocas, dividindo-a em áreas de alimentação, de reprodução e mistas.

Nesta semana a mídia está divulgando ações do Governo Federal na Amazônia Brasileira, no sentido que inibir atos considerados criminosos, tamanho o susto que levou com o aumento recente da área desmatada. Não vamos entrar no mérito dessa medida: não importa se ela é cortina de fumaça sobre o escândalo dos cartões corporativos ou se é mais um golpe eleitoreiro.

Sejamos sinceros conosco mesmos! De longe, confortavelmente sentados em nossa poltrona, assistimos a tudo como se fosse um filme de ficção. Ou como diz João Meirelles Filho em seu livro: «A maioria dos moradores da Amazônia, do Brasil e da América do Sul ignora a Amazônia... A maioria das pessoas nunca trata o assunto de si para consigo, entre amigos, em família, na escola ou no trabalho. Para a maior parte, a Amazônia é algo distante, incompreensível, abstrato».

Pois bem, caros leitores, voltem seus olhos para o mapa que ilustra esta matéria. Ele mostra que – aqui onde vivemos - o nosso cerrado ocupa o segundo lugar em número de animais em extinção no Brasil (65 espécies).

Agora atentem para as palavras de João Meirelles Filho, na apresentação do seu «O livro de ouro da Amazônia»:

«Como cidadão do planeta Terra você está convocado a decidir. Não há meio-termo. Ou você é a favor de que se continue a derrubar 1 bilhão de árvores ao ano (como o que sucedeu na Amazônia brasileira na safra 2004/2005), ou você é contra. E para ser contra é preciso agir. Não basta apenas se sentir incomodado em sua poltrona e afirmar: sou contra!»

Fontes Consultadas:

Livros:

1.O livro de ouro da Amazônia, de João Meirelles Filho ( Ediouro – 5ª edição)

2. Amazônia – Volume 10 da Coleção De Olho no Mundo (Abril Multimídia)

http://www.ibama.gov.br/fauna/extincao.htm

http://360graus.terra.com.br/ecologia/default.asp?did=7213&action=geral

http://www.animalshow.hpg.ig.com.br/lista_ibama.htm

http://www.sosterravida.hpg.ig.com.br/extincaoprincipal.html

http://www.mma.gov.br/port/sbf/fauna/index.cfm

 



 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Considerações de Arlete Brasil Deretti Fernandes

Neste dia a Mulher é reverenciada como uma deusa. Será que não deveria sê-lo sempre?

Ela precisa ter consciência da força que possui, que vem da delicadeza de sua psicologia, de seus modos, do seu cultivo pessoal. Na realidade os papeis que desempenha são muitos. Papel de filha, de esposa, de amante, de irmã, de mãe, de profissional.

Cada dia que surge no horizonte traz consigo inúmeras exigências de todo o tipo. Será que está preparada a alma da mulher, para ser, durante toda uma vida, protagonista de uma história que precisa desempenhar a contento, porque dela dependem muitas pessoas.?

Sabemos que é próprio de nós, mulheres, querermos ter uma boa aparencia física, e isto é muito natural. Um cabelo bem jeitoso, uma boa pele, as unhas cuidadas, tudo isto que representa a feminilidade por fora, mas que tem a sua importância.

Para quem a mulher se arruma?

Para atrair a atenção masculina, para sentir-se bem consigo mesma e perante os outros.

Mas tem outras fisionomias que é essencial cuidar: a psicológica e a moral. É através de princípios e conceitos que irá pautar sua vida pessoal e de relação. Sabemos que não são poucos os desafios que a vida nos apresenta. Que as histórias de fadas «casaram-se e foram felizes para sempre» não são verdadeiras. Que é preciso compreender, tolerar, ter paciência. Que o amor não é apenas uma atração física.

Conheço o pensamento de um grande sábio que ensina o seguinte:

«Uma flor pode ser muito vistosa e até admirada no conjunto de um ramo de flores, mas se não tem perfume, ao contemplá-la só, a ilusão de sua beleza se esfumará tão logo se manifeste como algo sem alma, como uma coisa inerte, incapaz de comunicar-nos as delícias de sua intimidade, a fragrância de seu espírito, que tão grato resulta a alma que o aspira.»( GONZALEZ PECOTCHE.)

A mulher precisa cuidar do cultivo de algumas qualidades que são necessárias para enfrentar a vida em suas inúmeras solicitações. A bondade, a alegria e a discrição, são qualidades importantes. Também é importante ter a humildade de reconhecer as próprias deficiências e fazer um polimento do próprio caráter.

Os atrativos da alma são mais importantes que os do físico. A mulher deve ser fina em sua linguagem e em suas atitudes, isto faz parte da feminilidade. Assim, os filhos a recordarão com gratidão.

Somos nós, mulheres, as responsáveis pela formação das gerações futuras, ao lado de nossos esposos, porque as crianças que cuidamos saberão o que é amor, bondade e muitas outras qualidades, se as ensinarmos, sobretudo com o nosso exemplo.

Em muitas situações, é a mulher o arrimo que segura a estrutura familiar, com suas atitudes sensatas e pacientes.

É também a mulher, em muitos casos, a viga que segura o edifício familiar, permitindo que a harmonia e o equilíbrio estejam sempre no seio do lar.

 

Sociedade Interamericana de Imprensa critica Argentina, Cuba e Venezuela

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou os ataques contra a imprensa por parte de alguns governos latino-americanos, o uso da publicidade oficial como forma de pressão e os assassinatos ocorridos no último semestre no México, na Venezuela e no Paraguai.

A SIP, cuja reunião semestral terminou nesta segunda-feira no Paraguai, também exigiu a libertação dos jornalistas cubanos presos e, em contrapartida, destacou avanços na resolução de vários casos de homicídio, assim como na legislação para garantir o livre exercício da profissão em vários países. Em suas conclusões, o órgão, que reúne cerca de 1.300 veículos de comunicação do continente, afirmou que a situação na região se agravou porque «os violentos inimigos da liberdade de expressão fizeram novas vítimas».

Segundo a SIP, seis repórteres foram mortos desde outubro do ano passado, quando a última reunião do órgão foi realizada, em Madri.

Luis Méndez, Armando Rodríguez, Miguel �ngel Villa Gómez e David García foram assassinados no México, Martín Ocampos no Paraguai e David Zambrano na Venezuela. A SIP pediu que os governos desses países «adotem medidas para garantir a segurança dos jornalistas, a independência e liberdade da atividade, o direito dos cidadãos à informação e o embates da autocensura».

O vice-presidente da Comissão de Impunidade, o mexicano Roberto Rock, explicou que foi entregue à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) o caso do desaparecimento do mexicano Alfredo Jiménez Mota, do jornal «El Imparcial» de Sonora, em 2005. Rock anunciou que o presidente da SIP, o colombiano Enrique Santos, escolheu uma missão que viajará em breve ao México - país que «continua sendo um dos lugares mais perigosos» para o exercício do jornalismo - para participar de um seminário sobre jornalismo e crime organizado e insistir perante as autoridades desse país.

Em relação a Cuba, o organismo decidiu «exigir a libertação incondicional dos jornalistas presos e o reconhecimento governamental ao exercício independente da profissão». Segundo a SIP, 26 jornalistas independentes, vários dos quais em estado de saúde precário, permanecem presos, cumprindo sentenças na Cuba. Além disso, reivindicou o fim «das ações repressivas contra os jornalistas independentes e seus parentes», e exigiu que o governo cubano permita «a saída imediata» dos repórteres que receberam vistos para emigrar do país.

A SIP destacou que em novembro do ano passado foi registrada situação de muita tensão entre o governo da Argentina e a imprensa, quando o sindicato dos caminhoneiros liderado por Hugo Moyano, considerado muito próximo à presidente Cristina Kirchner e a seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, «bloqueou as unidades impressoras dos jornais La Nación e Clarín».

«A liberdade de imprensa na Argentina continua transitando por um caminho sinuoso, padecendo toda a classe de agravos e desqualificações que dificultam o exercício do jornalismo», sustenta o informe da comissão de liberdade de imprensa e informação.

Sobre a Venezuela, a SIP condenou «os crimes, perseguição e violência contra jornalistas, veículos de comunicação e seus diretores», e confirmou a resolução emitida na assembleia de Madri, na qual «se denunciou o caráter totalitário e ditatorial do governo» de Hugo Chávez. A SIP denunciou ainda «a contínua prática da utilização das pautas propagandistas do Estado [venezuelano] como elemento de pressão contra a imprensa independente».

A SIP acusou o presidente venezuelano de humilhar oficialmente a imprensa, retórica que, segundo a organização, levou a violentos ataques aos repórteres da rede de TV Globovisión em outubro e contra os escritórios do jornal «El Nuevo País».

«Esta retórica inflamatória tem sido adotada entusiasticamente por outros chefes de Estado do hemisfério», declarou a SIP no relatório

Pelo lado positivo, a SIP ressaltou a decisão de um grupo de promotores colombianos para que sejam esclarecidos os casos de sete jornalistas assassinados, assim como as penas emitidas contra os autores materiais de dois homicídios.

A SIP anunciou ainda que realizará em Aruba a próxima reunião, em março de 2010, que será precedida pela assembleia geral, prevista para ocorrer em Buenos Aires em outubro.

 

Música desperta mesmos sentimentos em diferentes culturas, diz estudo

Os sentimentos expressados musicalmente se espalham por igual no mundo todo e a música consegue superar, sem maiores dificuldades, as barreiras entre as culturas, segundo um estudo do Instituto Max Planck de Neurologia de Leipzig.

Um grupo de trabalho, dirigido por Max Fritz, demonstrou que até mesmo etnias como os mafa de Camarões, que nunca tiveram contato com a música ocidental, reconhecem nela as emoções básicas que expressa.

A tribo, por sua vez, produz música totalmente desconhecida para pessoas provenientes da cultura ocidental e que participaram do estudo.

O grupo de Fritz fez dois testes a partir dos quais tirou suas conclusões sobre a capacidade dos seres humanos de reconhecer a alegria, a pena ou o medo, expressados em músicas pertencentes a uma cultura completamente alheia.

No primeiro, foram tocadas obras curtas para piano - compostas seguindo os princípios da música europeia - a um grupo de mafas e a outro de controle formado por ouvintes ocidentais. Após cada uma das peças, os mafas deviam vinculá-las com reproduções de expressões faciais consideradas que têm uma interpretação universal.

«Este primeiro experimento já nos mostrou que os mafa podiam reconhecer com sucesso as três emoções expressadas na música ocidental», explicou Fritz.

A música com um ritmo rápido, segundo Fritz, tende a ser identificada com a alegria, enquanto para a tristeza ou o medo o ritmo é menos decisivo que a tonalidade.

No segundo experimento foi investigado se as sensações agradáveis ou desagradáveis são transmitidas de forma similar através da música mafa ou da música ocidental.

«Já se sabia que as consonâncias nos países ocidentais são percebidas como mais agradáveis que as dissonâncias», disse Fritz. A partir disso, o grupo de cientistas quis determinar se isto também acontecia entre os mafa.

Os mafas mostraram também uma clara preferência pelas consonâncias, mas a diferença entre a percepção da dissonância e a consonância não é tão marcada quanto entre os ocidentais. «Quando um ouvinte mafa gosta de uma peça musical, costuma gostar também de uma versão dissonante da mesma, embora menos», explicou Fritz.