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EDIÇAO NºXIV , 4ª SEMANA, 4º NUMERO  DE MARÇO DE 2009 - COMENTARIOS

Direcção Interina de Daniel Teixeira. Chefe de Redacção: Arlete Piedade

Continuação de «O Caboclo D´ Agua» de ACAS ( Ver início)

PARTE IV

- Que fazemos então?, perguntou o delegado às pessoas que o circundavam.
Ficaram todos olhando unzunzotros e finalmente a catimbozeira falou:
- Zi fios, vamo pô a «lanterna dos afogado» drento d´água!

Todos então se lembraram da lendária lanterna dos afogados, embora a grande maioria jamais tenha testemunhado sua execução. Isso aguçou ainda mais a curiosidade geral da cidadezinha. Muitas pessoas saíram dali do barranco, para buscar gamelas de madeira e velas para montar lanternas dos afogados; o quê ainda atraiu mais gente para o barranco do rio. A noite já ia plena...

Após certo tempo, mais de vinte lanternas dos afogados foram montadas, com velas de todos os tipos e tamanhos, assim também com os tamanhos e formas das gamelas.
A Sá Inácia então se colocou à frente das autoridades ali presentes, só admitindo a presença do Angenor, como uma espécie de cambono oficial para o evento.

A catimbozeira, com o auxílio do Angenor, caminhou umas cem braças acima do ponto onde o Angenor dissera que havia deixado o corpo sobre um tronco. Uma procissão formada por pessoas, cães e até gente montada a cavalo seguia o cortejo. A catimbozeira com a ajuda de seu cambono Angenor, desceu o mais próximo que pode da água do rio. O Rio Pardo, nessa noite estava calmo; a água estava fria, apesar do extremo calor que faz na região em tal época.

Sá Inácia chamou os santos e entidades, que acudiram imediatamente e, tomada pelos espíritos do bem, pediu para o Angenor que mandasse acender as velas das lanternas dos afogados. O delegado, usando sua autoridade, lá do alto do barranco, mandou organizar uma fila com as pessoas que trouxeram os apetrechos das lanternas. Tomou a primeira gamela, acendeu a primeira vela, deixou o fogo crepitar e em seguida, pingou sete lágrimas da vela no fundo e no centro da gamela, onde imediatamente «colou» o fundo da vela.

Em seguida passou ao vigário, que fez um sinal da cruz sobre a lanterna, que a passou ao sacristão, que a passou ao soldado de prontidão, que desceu a barranca para entregar ao Angenor, que a apresentou à Sá Inácia, que a colocou suavemente nas águas do rio. No primeiro instante a gamela flutuou, girou, a chama da vela dobrou-se com a brisa, parecendo que iria se apagar; em seguida a gamela girou três vezes e uma pequena onda da corrente do rio veio buscá-la e a levou de mansinho, devagar, agora com a chama muito viva da vela ardendo e lançando luminosidade numa certa área do rio.

E o povo a acompanhar todos os gestos e movimentações dos envolvidos nesse mister; cena que se repetiu por mais de trinta vezes, pois trinta eram as gamelas trazidas, embora sobrassem velas. que foram distribuídas ao povo, que as acenderam , formando com luz e sombras espectros horrendos, mas de inspiração forte. A um sinal da Sá Inácia, o Angenor a ajudou a sair da beira do rio e escalar o barranco, misturando-se na turba que acompanhava os fatos. Era muita gente!

PARTE V

Do alto do barranco Sá Inácia e o Angenor puderam observar aquela profusão de lanternas descendo o rio; algumas até se enroscando umas com as outras, mas iam girando até se desenroscarem e continuarem sua epopéia, descendo o rio.

- É bonito de se ver!, disse o Angenor, no quê percebeu-se a expressão séria da catimbozeira ainda tomada, que pedia silêncio com o indicador cruzando os lábios e encarando a todos, num prenúncio de que a ordem de se fazer silêncio era para todos e não para o Angenor somente.
A partir de então, o cortejo foi seguindo desde o barranco e rio abaixo, as lanternas dos afogados, liderados pela Sá Inácia e o Angenor.

Após mais de uma hora de caminhada, notaram que algumas lanternas desviaram-se para as margens, enquanto a grande maioria seguia o fluxo da corrente do rio, pelo centro do caudal.

A catimbozeira mandou todos pararem e ficarem concentrados naquelas lanternas das margens. As lanternas que navegavam no leito central do rio já iam longe, ao passo que duas ficaram estáticas na margem.

O cortejo se aproximou e parou para ver. Uma delas, lentamente girou e seguiu no sentido do centro do rio e seguiu a corrente, ao passo que a outra girou três vezes e voltou a parar; estática, imóvel, a chama crepitante.

- É lá que tá o corpo, vaticinou a catimbozeira.
Com efeito, desceram o barranco o delegado, o sacristão e o soldado, além do Angenor. O povo, do alto do barranco e liderados pela Sá Inácia, rezavam cada um à sua maneira, alguns esconjuravam e outros amedrontados, mas imobilizados pela curiosidade, não arredavam pé. A noite ia alta, faltavam quinze minutos para a meia-noite.

Angenor foi o primeiro achegar até o local onde estava a lanterna dos afogados. Ouviu-se um barulho de gente caindo na água: - era o soldado que acompanhava o delegado, que havia tropeçado nas galheiras carregadas pelo rio e que pelo ocorrido, levou uma séria reprimenda do delegado.
Nem foi preciso muito esforço para comprovar a premonição da catimbozeira: o corpo do afogado estava enroscado numa galheira, a mesma que aparentemente, segurava a lanterna dos afogados.

PARTE VI

- Como vamos tirar este defunto da água?, perguntou o soldado.
O delegado não via a solução imediata e quando este olhou para o Angenor, este teve uma idéia e pôs mão à obra: retirou o facão da bainha presa na guaiaca e seguiu na direção de uma moita de bananeiras, ali próximo, à beira do rio. Após breve intervalo de tempo, Angenor voltava com um feixe de toras de bananeira e as depositou ali, ao pé do delegado.

Solicitou a ajuda do delegado e do soldado e foi dispondo as toras de bananeira desde a água até o topo do barranco, a intervalos de meio metro. Ato contínuo, o Angenor subiu o barranco e correu até o trator enquanto saciava a curiosidade do povaréu: achamos o morto! A notícia se espalhou, qual rastilho de pólvora. E mais gente acudiu, agora vinda de Cajuru, Sertãozinho, Pontal, Pradópolis, Barrinha, Guariba...

O barulho estrondoso do trator John Deere se aproximando, atiçou ainda mais a curiosidade. Angenor aproximou o trator da margem do rio em marcha-a-ré, desceu e amarrou a ponta da corda no eixo traseiro do trator. Lá embaixo, o delegado e o soldado já haviam retirado o corpo da água e a Sá Inácia estava encomendando o corpo à sua maneira.

Aos trambolhões, o Angenor saltou por sobre as toras de bananeira até chegar próximo de onde estavam Sá Inácia, o delegado, o soldado e o corpo defunto.
Amarraram o corpo na ponta da corda. O delegado e o soldado foram escolhidos pelo Angenor para ajudar no que fosse possível para o corpo deslizar por sobre as toras de bananeira e o proprio Angenor, iria puxar a corda com o trator. Dito e feito.

Com a resistência ao atrito diminuída pelas toras de bananeira, o corpo facilmente chegou até o topo do barranco. Todas as pessoas presentes, com as velas acesas, iluminavam a cara do morto para saber de quem se tratava: ninguém o conhecia!

PARTE VII

Nisso, chegou o velho Barrinha, que do alto dos seus noventa e cinco anos de idade, olhou o rosto do morto e disse:
-O João Cantão de Frexeira, que mora em Cravinhos!
Para espanto geral, muita gente já tinha ouvido falar do pernambucano que vivia em Cravinhos e que tinha muita vontade de tocar viola, mas que era um péssimo violeiro. O velho Barrinha ainda segredou ao Angenor e ao delegado, de que João Cantão havia lhe dito ainda no dia anterior, que seria capaz de vender sua alma ao diabo, para aprender a tocar viola.

Quando finalmente a Sá Inácia se apreentou, mostrou os dedos do caboclo d´água em suas mãos. Disse ao Angenor para ir à sua casa o mais rápido que pudesse, pois ele, o Angenor, teria que usar um patuá com as falanges dos dedos do caboclo d´água pelo resto da vida, senão o caboclo d´água iria atacá-lo quando entrasse no velho rio Pardo, com ou sem carranca no batelão.

O padre resolveu levar o corpo par a igreja, para identificá-lo junto como delegado e dar-lhe a benção antes do enterro digno.

EPILOGO

Quando estavam já de saída, com o corpo do morto envolto na lona que Angenor havia trazido e atrelado sob o banco do motorista do trator, ouviu-se, lá no meio do rio Pardo, um grito horrendo, depois silêncio.

Mais alguns instantes, passa um batelão pintado de vermelho, com uma lanterna de afogados acesa, bem na proa, onde um vulto escuro e enorme tangia as cordas de uma viola com extrema maestria, enquanto dava enormes gargalhadas. Era o coisa-ruim, que havia tomado a vida do João Cantão, mostrando que ele sabia tocar viola como ninguém!

Sá Inácia, nesse momento recebeu exu e, dali mesmo do barranco, desafinou a viola do cão. O cramunhão resmungou alto e, olhando para aquelas pessoas e com o batelão descendo as águas do rio, começou a afinar a viola no sistema de afinação que ficou conhecido como «rio abaixo»!

A partir daí, a cidade de Santa Cruz das Posses nunca mais foi a mesma...

Mas isso também é folclore!

........FIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM.

ACAS



DOCE AMOREIRA

Sandra Fayad

 

 

A cada domingo, nas caminhadas matinais pelo Eixão, deparo-me com uma novidade que me enche os olhos e me leva a agradecer pelo fato de estar em Brasília.
Mesmo sabendo que algumas situações se repetem todos os anos, repetem também em mim maravilhosas sensações de prazer por morar em uma cidade, onde concreto e natureza estão perfeitamente integrados ao dia a dia do cidadão comum.

Desta vez foram as amoreiras que me chamaram a atenção, ao longo do meio-fio, com seus galhos dançando ao sabor dos ventos brandos, como se cumprimentassem os pedestres com um bom-dia ensolarado e, discretamente, convidasse a todos para interromper a caminhada e fazer-lhes uma visitinha de cortesia, saboreando suas frutinhas. Esta é a primeira safra do ano, que coincide com as primeiras chuvas, que chamamos de “temporonas�. A segunda safra virá no final de outubro ou início de novembro, quando as chuvas realmente se instalarão.

Como muitos transeuntes, não resisti ao chamamento. Aproximei-me suavemente de uma árvore na qual, de longe, distingui pontos pretinhos aqui e ali. Pus-me a circulá-la, para tentar descobrir onde estavam as maiores concentrações das saborosas frutinhas. Percebi que ela gosta de brincar com os visitantes e aceitei o desafio. Ocorre que, dependendo do ângulo que a olhava, havia muitas, poucas ou nenhuma amora pronta para ser colhida. É que algumas delas escondem-se atrás das folhas, por baixo ou por cima do galho ou estão vermelhas de um lado e pretas do outro. Parece impossível vê-las todas em uma ou duas voltas ao redor do pé. Se você tem uma amoreira por perto, experimente entrar na brincadeira e veja como é divertido.

Abaixei um galho, outro e mais outro fui colhendo e degustando as pretinhas que conseguia ver, enquanto pensava no Criador. Provavelmente, ao conceber a amoreira, Ele deve ter decidido que seus frutos, tão leves e pequenos, deveriam nascer do meio para as pontas de galhos longos e flexíveis, de forma a facilitar a colheita.

Amora, em alemão é maulbeerbaum, em espanhol: moral, em francês: murier, em inglês:mulbery tree, em italiano: gelso. Com a denominação cientifica de Morus nigra, é uma planta da família botânica das Moracease, originária da �sia.

No Brasil, o período de frutificação é curto: vai de setembro a novembro. Vale lembrar que as plantas, assim como nós, apresentam características variadas como tamanho, cor e sabor, de acordo com a qualidade do solo, quantidade e freqüência de água, tipo de adubação e cuidados no cultivo.

Mas, atenção! A raiz da amoreira, assim como seus galhos, é longa, flexível e resistente, recomendando-se não plantá-la em locais próximos a muros, calçadas, ruas e residências, pois vai se alastrando por debaixo da terra em várias direções, podendo até provocar desabamentos.

A amora-preta é altamente nutritiva. Geralmente é consumida ao natural ou na forma de geléias, licores, sucos, sorvetes, yogurtes.
Estudos e experimentos dão conta de que praticamente toda a amoreira possui propriedades que beneficiam a saúde através dos seus efeitos laxativo, expectorante, refrescante, emoliente, calmante e diurético, de combate ao diabetes (variedade nigra), dor de dente e inflamações, reduz a pressão sanguínea e é rica em estrógeno (o hormônio feminino).

Os principais princípios ativos encontrados em seus frutos são: vitaminas A, B1, B2, C, sendo que os maduros contém 9% de açúcares (frutose e glicose) e outros componentes químicos.

São conhecidas duas variedades alba (frutos brancos) e nigra (frutos negros).

Na Europa do século XVI, empregavam tanto os frutos como a casca e as folhas da amora negra. O fruto para as inflamações e hemorragias, a casca para as dores de dentes e as folhas para as mordidas de cobra e também como antídoto de envenenamento por acônito. Recentemente tem-se empregado as folhas dessa variedade para estimular a produção de insulina no diabetes.

Na China, a amoreira branca é empregada como remédio para tosse, resfriados seguidos de febre, dor de cabeça, garganta irritada e pressão alta. Com o conceito chinês de yin e yang, é usada para dissipar o calor do canal do fígado, que pode levar a irritação dos olhos e afetar estados de ânimo e também para refrescar o sangue. Portanto, é considerada um tônico yin.

Fontes:
Conhecimento empírico
Pesquisas:
http://ci-66.ciagri.usp.br/pm/ver_1pl.asp
http://www.pousadadascores.com.br/hortifrutigranjeiros/amora.htm
Livro: Alimentos que curam (7ª edição) do médico Paulo Eiró Gonçalves

 

200 Professores para Angola.

Sim ou Não?

Crónica de Carlos Carito


Portugal vai enviar 200 professores para Angola este mês para promover o ensino do português e reforço do ensino secundário, projecto financiado em 5,4 milhões de euros pelo Fundo da Língua Portuguesa, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros Português.

José Eduardo dos Santos revelou hoje que o protocolo que estava a ser negociado com o Governo português para o envio de 200 professores para Angola não será assinado no decurso da sua visita.

«O acordo não está em condições de ser assinado» revelou o Presidente da República angolana, durante uma conferência de imprensa conjunta com Cavaco Silva, limitada a duas perguntas para cada Chefe de Estado.

Pois bem, dito isto acima façamos um pouco de história: a ida de 200 professores portugueses para Angola foi anunciada em Abril de 2006, durante a visita de José Sócrates àquele país.

Em Julho de 2008 (dois anos depois) repetia-se: Portugal vai enviar 200 professores de português para Angola no ano de 2009, segundo um dos acordos assinados durante a visita oficial que o Primeiro-Ministro realizou a Luanda a 17 de Julho (de 2008).

Os primeiros professores chegarão «já este ano» (2008), disse José Sócrates no final de um encontro com o Presidente da República, José Eduardo dos Santos. O Governo (português) aprovou, no dia 16, a criação do Fundo para a Língua Portuguesa, com cujo financiamento - e no quadro da Estratégia de promoção da língua portuguesa, também então aprovada - 600 professores serão colocados em países lusófonos nos próximos dois anos, de forma a criar uma rede qualificada de Ensino do Português no Estrangeiro.

As acções previstas no acordo entre os dois governos custam 16,5 milhões de euros por três anos, e destinam-se a melhorar o ensino em quatro províncias: Cunene, Benguela, Moxico e Cuanza Sul. Os professores portugueses vão apoiar o desenvolvimento do sistema educativo angolano, particularmente no domínio da formação de professores do ensino básico.

Em 2009 noticiou-se que o projecto estava concluído e que iria envolver um investimento de 10 milhões de euros. No mesmo ano e ao mesmo tempo : O programa pressupõe um financiamento de 5,4 milhões de euros suportado pelo Fundo de Língua Portuguesa, constituído através de uma parceria entre o Ministro da Educação Angolano e o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.

Em Julho de de 2008, dizia-se (Lusa) - Os Governos de Portugal e Angola assinaram hoje em Luanda um acordo que vai permitir, em Janeiro de 2009, a vinda para o país africano de 200 professores portugueses para dar formação a professores angolanos.

O acordo foi assinado em Luanda pela parte portuguesa pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, e, pela parte Angolana, pelo vice-ministro da Educação, Pinda Simão.

Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado português sublinhou que o projecto é «ambicioso», constituindo, ao mesmo tempo, uma demonstração «da forma fraterna e unida» que os Governos de Portugal e Angola têm posto neste processo.

«Para Portugal, este é um momento de particular regozijo. O primeiro-ministro, José Sócrates, quando esteve cá há dois anos, (2006-N.R.) identificou a possibilidade de virem professores para Angola como o contributo que nós poderíamos dar ao enorme desenvolvimento pelo qual está a passar este país», disse João Gomes Cravinho.

Cravinho disse ainda que a assinatura deste documento é a primeira manifestação da utilização de um fundo de desenvolvimento da Língua Portuguesa, aprovado quarta-feira (dia 16/07/2008) em Lisboa em Conselho de Ministros.

Por seu turno, o vice-ministro angolano da Educação disse que já estão no terreno coordenadores a trabalhar para a montagem de todo o sistema logístico, condições necessárias para a recepção dos docentes.

«Temos de criar uma base logística para acolher os professores e criar condições de trabalho nas instituições onde vão trabalhar», disse Pinda Simão, acrescentando que os docentes portugueses, além de assegurarem a formação de professores nas diferentes instituições, vão também prestar ajuda na organização e gestão das instituições.

Segundo o governante angolano, o principal objectivo da vinda dos docentes é a preparação de professores que vão intervir no ensino básico e, particularmente, no primário, «os alicerces do sistema educativo».

«Como estamos a trabalhar no sentido de melhorar as competências dos professores, nós teremos de reforçar esta parte e, como podem verificar, duas das quatro províncias terão certamente mais dificuldades que as outras, Moxico e Cunene, onde queremos incidir o nosso esforço», frisou o vice-ministro.

Pinda Simão salientou que estas quatro províncias foram as primeiras escolhidas por apresentarem maiores dificuldades na colocação de professores formados e por estarem nelas instalados os Institutos Normais de Educação de Angola.

De acordo com Pinda Simão, o programa prevê inicialmente a vinda de 200 professores, mas o Governo de Luanda vai continuar a trabalhar no sentido de receber um maior número de docentes logo após o início do projecto.

Assim: e como resumo deste amontoado de notícias, revelações, acordos, pré-acordos, preparações no terreno (Angolano)  e no plano financeiro (criação de um Fundo) temos que em 2006 foram mostradas as intenções de mandar 200 professores para Angola (englobados num projecto de 600 para os países da CPLP).

Que esse projecto com Angola custa 16,5 milhões de euros, dos quais 5,4 milhões são desembolsados pelo Fundo. Portanto, os outros financiamentos serão de 11,1 milhões de euros

Os 16,5 milhões de euros de custo total do projecto em três anos dá 5,5 milhões ano em média e que Fundo comparticipa com 1,7 milhões de euros no primeiro ano, faltando portanto outros financiamentos no valor de pelo menos 3,8 milhões de euros para o primeiro ano.

Ora, a aprovação do Projecto «Saber Mais», (em 2009) que define o enquadramento do envio dos docentes portugueses, saiu da primeira reunião do Fundo, que decorreu no MNE. Além da «melhoria das competências técnicas e da capacitação dos professores do ensino secundário na utilização dos conteúdos programáticos vigentes», o projecto visa «a instalação de centros de recursos para apoio pedagógico nas províncias -alvo, a formação de equipas de coordenação pedagógica local e a criação de redes de formadores nacionais de referência no ensino angolano�.
Estão abrangidas as províncias do Cuanza Sul, Benguela, Namibe, Moxico e Cunene. O custo total do projecto está orçado em 10,15 milhões de euros, contribuindo o Fundo com 5,4 milhões de euros.

Portanto, de três anos iniciais de intervenção neste programa, de 16,5 milhões de euros resulta que o Fundo (Projecto «Saber Mais») apenas actua em dois anos (definidos como primeiro e 2010).

Ora ainda aqui temos duas possibilidades: ou o Fundo comparticipa com parte dos 10,15 milhões de euros ou acresce o seu financiamento a estes o que dá 10,15 + 5,4 milhões = 15,55 milhões de euros. Isto porque 10,15 milhões de euros a dividir por dois dá 5,075 milhões ano vezes 3 anos inicialmente previstos igual a 15,225 milhões de euros.

Deste total, 1,7 milhões serão desembolsados pelo tal de Fundo este ano e os restantes 3,7 milhões em 2010.

Experimentem clicar no Google sobre esta questão em 2006, 2008 e 2009 e encontrarão cerca de 500 notícias indexadas por este motor de busca, e será difícil saber quais as contas exactas do processo. Se custa 5,4 no primeiro ano restam 11,1 milhões para os dois anos seguintes. Se o projecto custa 10,15 milhões de euros em dois anos, quer dizer que faltam 5,35 milhões de euros para o terceiro ano.

Ora se o Fundo comparticipa com 1,7 milhões em 2009 e 3,7 milhões em 2010, o que acontece em 2011? Nada!!? São mais notícias e uma maior confusão do que alinhar os professores...sem dúvida. E no site do Governo Português está lá «que foi assinado» aquilo que o Presidente de Angola disse agora (Março de 2009) não estar ainda em condições de ser assinado.

Por isso, eu só acredito que existe alguma base e alguma coerência neste processo quando o primeiro professor português de português pisar solo Angolano com lápis e borracha e receber o primeiro ordenado. Até lá ainda vão passar mais 500 notícias e mais três anos e mais 500 confusões, pelo menos...

Carlos Carito